O Salmo 91 apresenta uma composição poética organizada em três movimentos principais:
1) Declaração de confiança pessoal (versos 1-2)
- Introdução com uma bem-aventurança implícita: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo".
- A imagem da sombra do Onipotente como lugar de descanso.
- Confissão pessoal direta: "Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei".
2) Descrição da proteção divina (versos 3-13)
- Versos 3-8: proteção contra perigos variados (peste, terror, seta, mortandade).
- Uso de paralelismos para intensificar o contraste entre ameaça e segurança.
- Imagem da ave protegendo com as asas, da verdade como escudo e broquel.
- Cena de catástrofe ao redor (mil e dez mil caindo) em contraste com o cuidado divino.
- Versos 9-10: reafirmação de que o Senhor é refúgio e habitação, seguida da promessa de que o mal e a praga não alcançarão a tenda do justo.
- Versos 11-13: foco no ministério angelical e na vitória sobre animais perigosos (leão, cobra, filho do leão e serpente), usando metáforas fortes de proteção e domínio.
3) Oráculo divino de promessas (versos 14-16)
- A voz muda: agora é o próprio Deus quem fala em primeira pessoa.
- Estrutura em frases de promessa: "eu o livrarei", "pô-lo-ei em retiro alto", "responderei", "estarei", "o glorificarei", "fartá-lo-ei", "lhe mostrarei".
- Justificativas ligadas à relação pessoal: amor dedicado, conhecimento do nome de Deus, invocação na angústia.
O salmo utiliza repetição de palavras como "refúgio", imagens de abrigo e proteção militar, e paralelismo poético típico da literatura hebraica para reforçar a ideia central de segurança absoluta em Deus.