Salmos 78:1
" Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. "
Entenda os temas principais e aplique Salmos 78 na sua vida hoje
72 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O salmo começa com um chamado para ouvir e ensinar a lei e as obras de Deus aos filhos e netos. A fé não deve ser ocultada, mas comunicada, para que cada geração ponha sua esperança em Deus e não repita os erros do passado.
Mesmo após verem milagres no Egito, no deserto e na conquista da terra, os israelitas repetidamente duvidaram, reclamaram e se afastaram da aliança. O salmo descreve esse ciclo de pecado, juízo temporário, busca superficial por Deus e nova queda.
São lembrados o êxodo, a travessia do mar, o maná, as codornizes, a água da rocha, as pragas do Egito, a condução pelo deserto, a derrota dos inimigos e a distribuição da terra. Tudo aponta para o poder, o cuidado e a soberania de Deus.
O salmo mostra que Deus não ignora a rebeldia: há fogo, morte, pestilência, derrota em batalha e perda do tabernáculo como consequências da infidelidade. Contudo, esse juízo tem caráter pedagógico e corretivo, não meramente destrutivo.
Apesar da teimosia do povo, Deus muitas vezes contém sua ira, perdoa, lembra-se da fragilidade humana e continua conduzindo Israel como um rebanho. O salmo termina com a escolha de Judá, Sião e Davi como expressão da graça divina.
Depois de rejeitar Efraim e Siló, Deus escolhe a tribo de Judá, o monte Sião e Davi, o pastor que guiaria o povo com integridade de coração e habilidade. Essa escolha aponta para uma nova fase da liderança espiritual e política de Israel.
Salmo 78 é atribuído a Asafe, ligado ao serviço musical do santuário. É um “masquil”, um cântico de instrução, que usa a história de Israel como lição teológica. O salmo percorre episódios desde a escravidão no Egito, passando pelo êxodo, travessia do mar Vermelho, peregrinação pelo deserto, concessão do maná e das codornizes, a água da rocha, as pragas do Egito e a entrada na terra prometida. Fala também de Siló, local onde o tabernáculo esteve por um tempo, e da tribo de Efraim, que representava o norte e, em certo período, a liderança tribal. A referência ao abandono de Siló e à rejeição de Efraim, seguida da escolha de Judá, Sião e Davi, sugere um contexto posterior à instauração da monarquia davídica, talvez em um tempo em que era necessário reafirmar a legitimidade de Sião e da casa de Davi frente à infidelidade do reino do norte. O salmo funciona como uma catequese nacional: relembra a história para formar o coração do povo, advertir contra a rebeldia e ressaltar a fidelidade de Deus, apesar da constante oscilação de Israel entre obediência e idolatria.
Salmo 78 tem estrutura extensa e organizada em blocos temáticos que alternam narrativa histórica e reflexão teológica:
Convite à escuta e propósito didático (vv. 1-8)
Exemplo de Efraim e esquecimento das obras de Deus (vv. 9-11)
Maravilhas no Egito e no deserto, e rebeldia no deserto (vv. 12-31)
Ciclo de juízo e religiosidade superficial (vv. 32-39)
Repetidas provocações e esquecimento das libertações (vv. 40-55)
Infidelidade na terra, rejeição de Siló e juízo sobre Israel (vv. 56-64)
Intervenção de Deus, derrota dos inimigos e escolha de Judá e Davi (vv. 65-72)
O salmo alterna narrativa, reflexão e avaliação moral, funcionando quase como um sermão histórico-poético.
Teologicamente, o Salmo 78 destaca a importância da memória e da transmissão da fé. A história de Israel não é apenas registro de eventos, mas testemunho do caráter de Deus e espelho da condição humana. A insistência em “não se esquecer” das obras divinas mostra que o esquecimento espiritual é raiz de incredulidade e rebeldia.
O salmo ressalta a aliança: Deus estabelece testemunho e lei (v. 5) para que o povo viva em confiança e obediência. A infidelidade não anula a fidelidade de Deus, mas traz disciplina severa. O juízo divino é apresentado como resposta justa à quebra de aliança, ao mesmo tempo em que a misericórdia se destaca quando Deus “muitas vezes desviou deles o seu furor” (v. 38).
A visão de Deus é complexa e completa: poderoso em sinais e juízos, cuidador que conduz como pastor, e ao mesmo tempo paciente, lembrando-se de que o ser humano é “vento que passa e não volta” (v. 39). A tensão entre a santidade que julga e a graça que perdoa percorre todo o salmo.
A escolha de Judá, Sião e Davi aponta para o modo como Deus conduz sua história redentora. Após a infidelidade ligada a Efraim e Siló, Deus estabelece um novo centro de adoração e liderança. Davi aparece como figura de pastor-rei ideal, que conduz com integridade de coração e perícia nas mãos (v. 72), antecipando a ideia de um governante segundo o coração de Deus. Teologicamente, isso prepara terreno para a expectativa de um reinado justo e estável fundamentado na escolha soberana de Deus.
O salmo ainda mostra que a verdadeira busca por Deus não é apenas reação ao sofrimento. A religiosidade que nasce apenas do medo do juízo é retratada como lisonja e mentira (vv. 34-36). Deus procura corações retos e fidelidade profunda, não apenas palavras religiosas.
Salmo 78 oferece um panorama consolador e confrontador para a saúde emocional e espiritual. Mostra um Deus que conhece a fraqueza humana e, mesmo diante da repetição de erros, escolhe muitas vezes poupar, perdoar e conduzir. Isso pode aliviar sentimentos de culpa paralisante, lembrando que Deus considera a fragilidade e não se surpreende com a limitação humana.
O salmo também trabalha com a importância da memória: relembrar livramentos, provisões e intervenções do passado fortalece a confiança e evita cair em desespero presente. A narrativa dos altos e baixos de Israel normaliza a experiência de oscilação espiritual, ao mesmo tempo em que aponta para um caminho mais maduro de confiança estável.
Há um alerta importante contra ciclos destrutivos: buscar Deus apenas quando a dor aperta, sem alinhamento sincero do coração. Esse padrão gera angústia contínua, pois não produz transformação real. O texto sugere que segurança emocional maior nasce de um relacionamento consistente com Deus, enraizado na lembrança da sua fidelidade.
Por fim, a imagem de Deus como Pastor que guia com segurança (v. 53) e de Davi como pastor íntegro (v. 72) reforça um senso de cuidado, direção e propósito, acolhendo medos de abandono e de caos. A história não está solta: está nas mãos de um Deus que disciplina, mas também conduz.
O salmo descreve alguns padrões emocionais e espirituais que, se repetidos na vida de alguém, podem indicar áreas de risco:
Quando esses traços aparecem de forma intensa e persistente, podem indicar necessidade de cuidado pastoral mais próximo e, em muitos casos, acompanhamento profissional em saúde mental.
Salmo 78 inspira posturas práticas para a vida diária:
Cultivar memória espiritual: registrar e relembrar respostas de oração, livramentos e provisões fortalece a fé diante de novos desafios. A prática de contar histórias de fé em família segue a lógica dos vv. 3-7.
Transmitir a fé às novas gerações: ensinar crianças e jovens não apenas doutrinas, mas as experiências concretas da ação de Deus na história bíblica e na própria família, para que aprendam a colocar a esperança em Deus e não em circunstâncias.
Romper ciclos de religiosidade superficial: buscar alinhar palavras e coração (vv. 36-37), desenvolvendo uma relação com Deus que não aparece apenas nas crises, mas em um caminhar diário de confiança e obediência.
Lembrar da fidelidade de Deus em tempos de crise: em momentos de escassez ou deserto, olhar para trás e reconhecer quantas vezes Deus já abriu “mar”, fez “chover pão” ou trouxe “água da rocha” em fases difíceis.
Praticar autocontrole e gratidão: o exemplo do povo que não refreou o apetite (v. 30) incentiva a aprender contentamento, limites saudáveis e gratidão pela provisão diária, evitando reclamações constantes.
Levar a sério correções e alertas: não tratar consequências dolorosas como mero azar, mas refletir se há algo a ser ajustado no relacionamento com Deus, na forma de viver e nas prioridades.
Valorizar lideranças com integridade: o retrato de Davi como pastor com integridade de coração e perícia nas mãos (v. 72) sugere a importância de líderes que unam caráter e competência, tanto na igreja como em outras áreas da vida comunitária.
Quando o salmista diz que abrirá a boca em parábola e falará enigmas da antiguidade (vv. 2-3), ele está afirmando que usará a história de Israel como uma espécie de parábola instrutiva. Os fatos antigos contêm lições profundas, nem sempre óbvias à primeira vista. “Enigmas” não são segredos ocultos de forma mística, mas verdades que exigem reflexão: a história passada, lida à luz de Deus, revela padrões espirituais e morais que precisam ser compreendidos e aplicados.
No v. 9, os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, representam uma tribo importante do norte, muitas vezes símbolo das lideranças do reino setentrional. A imagem deles fugindo na batalha ilustra falha de confiança e quebra de aliança com Deus (vv. 10-11). Mais do que relatar um episódio militar específico, o salmo usa Efraim como figura da infidelidade de Israel que, mesmo bem equipado, falha porque não guarda a aliança e esquece as obras do Senhor.
O salmo relembra as pragas do Egito e outros juízos como resposta ao endurecimento persistente (vv. 21, 31, 49-51). Esses atos devem ser vistos dentro da aliança: Deus é apresentado como Rei justo que reage ao mal e à idolatria, protegendo seu propósito de redenção. Ao mesmo tempo, o texto enfatiza que muitas vezes Deus contém sua ira e perdoa (v. 38). Há tensão entre justiça e misericórdia. O foco do salmo não é detalhar o “como” de cada juízo, mas mostrar que afastar-se repetidamente de Deus traz consequências reais, ao passo que permanecer nele é caminho de vida.
No v. 41, quando diz que eles “limitaram o Santo de Israel”, a ideia é que o povo, por incredulidade e rebeldia, passou a enxergar Deus de forma reduzida, como se ele não pudesse fazer o que havia prometido ou não fosse digno de plena confiança. Não se trata de limitar o poder real de Deus, mas de restringir, em seus próprios corações, o espaço da fé e da obediência. Isso evidencia um problema de percepção e confiança: Deus permanece soberano, mas o povo vive como se ele fosse pequeno ou indiferente.
Siló havia sido um importante centro de adoração, associado ao tabernáculo e à tribo de Efraim. A rejeição de Siló e de José/Efraim (vv. 60-67) aparece como consequência da infidelidade persistente. Em contraste, Deus escolhe Judá e o monte Sião (vv. 68-69), estabelecendo ali o novo centro de adoração e reinado. A escolha de Davi, o pastor que guia com integridade (vv. 70-72), sinaliza um novo início na história do povo, enfatizando que a verdadeira segurança não está em um lugar ou tribo específica, mas na obediência à vontade de Deus e na liderança que ele estabelece.
Salmo 78 mostra um povo que falha muitas vezes, até de forma repetitiva, e ainda assim é lembrado, perdoado e conduzido por Deus. As descrições de rebeldia, ingratidão e dureza de coração contrastam com um Deus que, mesmo irado e justo, “muitas vezes desviou deles o seu furor” e perdoou a iniquidade (v. 38), lembrando-se de que eram apenas carne, vento que passa e não volta (v. 39). Esse retrato oferece profundo consolo para corações cansados, que se veem lutando com as mesmas fraquezas há anos. A história de Israel não é a de um povo perfeito, mas de pessoas que oscilam, caem, murmuram, duvidam — e ainda assim são alcançadas por um Deus que insiste em cuidar, ensinar e conduzir como um rebanho (v. 52). O salmo não romantiza a dor; ele mostra como, em meio a juízos e consequências severas, há um Deus que não abandona seu povo à própria sorte. Também é significativo ver que Deus leva a sério lágrimas e clamores, mas não se ilude com palavras vazias. Quando o povo o buscava apenas porque estava sofrendo (vv. 34-36), sem um coração sincero, isso é exposto. Esse detalhe pode ser doloroso, mas, ao mesmo tempo, libertador: Deus conhece a verdade mais profunda do coração. Não exige perfeição, mas sinceridade. A imagem final de Davi, o pastor escolhido para guiar Israel com integridade de coração e perícia das mãos (v. 72), também é reparadora. Em uma história cheia de erros, Deus levanta alguém para cuidar, reunir, proteger. Mesmo depois de momentos em que tudo parece ruir — como a perda de Siló, a derrota e o luto (vv. 60-64) — Deus “desperta” (v. 65) e age. Essa esperança de que Deus não adormece definitivamente sobre a dor do seu povo traz alívio aos que se sentem esquecidos: a história pode passar por vales escuros, mas não termina neles.
Salmo 78 é um masquil de Asafe, um salmo didático que combina poesia, teologia e historiografia. Seu objetivo principal é catequético: formar a geração presente e futura à luz da história de Israel. A introdução (vv. 1-8) apresenta a metodologia: o salmista usará a história como “parábola” e “enigmas” — não meros dados, mas fatos carregados de significado, que pedem interpretação. O texto se organiza em ciclos que alternam atos poderosos de Deus e respostas infiéis do povo. O primeiro grande bloco (vv. 9-31) contrasta a provisão extraordinária — divisão do mar, orientação pela nuvem e fogo, água da rocha, maná e carne — com a descrença e a cobiça. A crítica não é à presença de necessidades, mas ao modo como são expressas: reclamações, provações a Deus e uma teologia implícita que duvida da capacidade divina de prover “mesa no deserto” (v. 19). Os vv. 32-39 introduzem a análise teológica do ciclo de juízo e arrependimento superficial. O povo reage à disciplina buscando a Deus, mas de forma meramente verbal, enquanto o coração permanece torto. Em contraste, a misericórdia divina é enfatizada: Deus perdoa, contém sua ira e se lembra da condição frágil humana. A teologia do salmo recusa tanto a visão de um Deus indulgente, que ignora o pecado, quanto a de um Deus implacável, incapaz de compaixão. Os vv. 40-55 retomam a narrativa, relembrando as pragas do Egito com linguagem resumida e simbólica: rios em sangue, enxames de moscas, rãs, pulgões, gafanhotos, saraiva, pestilência e a morte dos primogênitos. Esses eventos funcionam como demonstração da soberania de Deus sobre a criação e as nações, em contraste com a idolatria. Em seguida, a imagem de Israel como rebanho conduzido com segurança (vv. 52-53) sintetiza o cuidado pastoral de Deus. A parte final (vv. 56-72) desloca o foco da peregrinação para a vida na terra prometida. Mesmo ali, o povo continua tentando e provocando a Deus, recorrendo à idolatria nos altos e por meio de imagens. O juízo se manifesta na rejeição de Siló e na entrega do povo ao inimigo. A reação divina é descrita em linguagem antropomórfica — Deus despertando como um valente — culminando na eleição de Judá, Sião e Davi. Do ponto de vista da teologia bíblica, o salmo sublinha a importância da história como veículo de revelação. A memória das obras de Deus é o fundamento da esperança e da obediência (vv. 7-8), enquanto o esquecimento é raiz da apostasia (v. 42). A escolha de Davi e de Sião fornece uma chave de leitura para o período monárquico: não é mera evolução política, mas decisão soberana de Deus, associada a um ideal de liderança pastoral e íntegra (v. 72).
Salmo 78 transforma história em sabedoria prática. O salmista olha para trás, identifica padrões e mostra consequências, oferecendo um mapa para decisões do presente. A primeira prática evidente é a educação intencional. O texto enfatiza que os pais receberam a responsabilidade de contar aos filhos o que Deus fez (vv. 5-6). Não se trata apenas de tradições, mas de formar visão de mundo: onde o povo vê Deus na história, ali eles aprendem a esperar nele, obedecer e evitar a teimosia das gerações anteriores (vv. 7-8). Outro aspecto prático é a forma de lidar com necessidades e frustrações. O povo, no deserto, tinha demandas reais — fome, sede, insegurança. O problema não é ter carências, mas investir nelas um tom de incredulidade e exigência (“poderá também dar-nos pão?”, v. 20). Há aqui um alerta sobre a maneira de reclamar, sobre exigir de Deus e da vida uma satisfação imediata dos apetites. O resultado foi juízo, exatamente no momento em que “ainda lhes estava a comida na boca” (v. 30), mostrando o perigo de deixar-se governar apenas pelo desejo. O salmo também expõe o risco de uma espiritualidade de emergência: buscar Deus com intensidade só durante a dor (vv. 34-35), mas retornar aos mesmos padrões assim que a crise passa. Isso se parece com relacionamentos frágeis, em que só há aproximação quando algo está errado. Na prática, esse ciclo gera instabilidade, desgaste e sensação de vazio espiritual. Há ainda uma lição sobre liderança. Davi é apresentado como alguém tirado de tarefas comuns — cuidar de ovelhas — para pastorear o povo de Deus (vv. 70-71). Sua qualificação não é apenas técnica, mas de coração: integridade interior e habilidade prática (v. 72). Em qualquer esfera (família, trabalho, comunidade), o modelo que emerge é de líderes que reúnem caráter e competência. Não basta boa intenção sem preparo, nem talento sem integridade. Por fim, o salmo convida a revisar o lugar que a memória ocupa na rotina. Em vez de viver preso à queixa do presente, a prática de revisitar as “maravilhas” e livramentos passados (vv. 12-16, 43-55) treina o coração para respostas mais equilibradas em novas crises. Esse exercício de lembrar, contar e agradecer funciona como antídoto contra a repetição dos mesmos erros que marcaram gerações anteriores.
Salmo 78 é um retrato profundo da jornada espiritual de um povo ao longo do tempo. Em sua essência, ele mostra que a vida com Deus não é linear e perfeita, mas uma história de alianças, quedas, disciplina, misericórdia e renovação. A espiritualidade aqui não é desvinculada da história: Deus se revela em acontecimentos concretos — mar aberto, pão do céu, água da rocha, livramento de inimigos, juízos sobre a idolatria. Ao longo do salmo, a grande questão espiritual é a confiança. O povo vê grandes obras, mas não permanece crendo (vv. 22, 32). A dúvida que ecoa — “Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto?” (v. 19) — representa o conflito entre a fé teórica e a fé prática. Espiritualmente, esse conflito define se a esperança será colocada em Deus ou nas circunstâncias. A memória das obras de Deus torna-se então disciplina espiritual essencial: sem lembrar, a fé se esvai; com memória viva, a confiança se renova. Outro eixo importante é a integridade do coração. O salmo denuncia a distância entre lábios e coração (vv. 36-37). Espiritualmente, isso expõe o perigo de uma devoção aparente, sem transformação profunda. A busca por Deus apenas como refúgio em tempos de aperto, sem entrega real, produz um movimento cíclico que não amadurece a alma. Em contraste, Deus é apresentado como aquele que deseja fidelidade interior, não apenas ritos e discursos. A misericórdia de Deus, porém, percorre todo o texto: ele lembra que o ser humano é frágil, “vento que passa” (v. 39), e, por isso, muitas vezes poupa e perdoa. Essa consciência da nossa transitoriedade confere um tom de humildade à vida espiritual: a alma é convidada a reconhecer limites e depender da graça. O juízo divino, quando vem, não tem apenas caráter punitivo, mas pedagógico, chamando o povo de volta à aliança. A escolha de Judá, de Sião e de Davi (vv. 68-72) dá ao salmo uma direção de esperança: Deus não abandona seu propósito mesmo quando o povo falha repetidamente. Ele levanta um pastor-rei que guia com integridade e sabedoria. A alma é convidada a contemplar a fidelidade de Deus à sua própria promessa, acima da infidelidade humana. Há aqui um chamado à confiança num Deus que corrige, mas também conduz a história rumo a um futuro marcado por liderança justa, adoração verdadeira e presença duradoura. Essa perspectiva amplia o olhar da alma para além das crises imediatas, firmando-a na certeza de que o Deus da história continua escrevendo sua obra redentora.
" Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. "
" Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade. "
" Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. "
" Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez. "
" Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos; "
" Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos; "
" Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos. "
" E não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel a Deus. "
" Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, viraram as costas no dia da peleja. "
" Não guardaram a aliança de Deus, e recusaram andar na sua lei; "
" E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver. "
" Maravilhas que ele fez à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã. "
" Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como num montão. "
" De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo. "
" Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abismos. "
" Fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios. "
" E ainda prosseguiram em pecar contra ele, provocando ao Altíssimo na solidão. "
" E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu apetite. "
" E falaram contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus prepararnos uma mesa no deserto? "
" Eis que feriu a penha, e águas correram dela: rebentaram ribeiros em abundância. Poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo? "
" Portanto o Senhor os ouviu, e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel; "
" Porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação; "
" Ainda que mandara às altas nuvens, e abriu as portas dos céus, "
" E chovera sobre eles o maná para comerem, e lhes dera do trigo do céu. "
" O homem comeu o pão dos anjos; ele lhes mandou comida a fartar. "
" Fez soprar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força. "
Salmos 78:26 mostra Deus controlando os ventos para trazer alimento ao povo, lembrando que Ele dirige até a natureza para cuidar de quem confia nele. …
Ler análise completa" E choveu sobre eles carne como pó, e aves de asas como a areia do mar. "
" E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações. "
" Então comeram e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo. "
" Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes estava a comida na boca, "
" Quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais robustos deles, e feriu os escolhidos de Israel. "
" Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às suas maravilhas. "
" Por isso consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos na angústia. "
" Quando os matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus. "
" E se lembravam de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo o seu Redentor. "
" Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam. "
" Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis na sua aliança. "
" Ele, porém, que é misericordioso, perdoou a sua iniqüidade; e não os destruiu, antes muitas vezes desviou deles o seu furor, e não despertou toda a sua ira. "
" Porque se lembrou de que eram de carne, vento que passa e não volta. "
" Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão! "
" Voltaram atrás, e tentaram a Deus, e limitaram o Santo de Israel. "
" Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversário; "
" Como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã; "
" E converteu os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não pudessem beber. "
" Enviou entre eles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram. "
" Deu também ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos. "
" Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com pedrisco. "
" Também entregou o seu gado à saraiva, e os seus rebanhos aos coriscos. "
" Lançou sobre eles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angústia, mandando maus anjos contra eles. "
" Preparou caminho à sua ira; não poupou as suas almas da morte, mas entregou à pestilência as suas vidas. "
Salmos 78:50 mostra que Deus, depois de muita paciência, permitiu que o juízo viesse sobre um povo teimoso. Ele não impediu as consequências. Na vida …
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