Versículo em destaque
Salmos 78:40 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão! "
Salmos 78:40
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
38 Ele, porém, que é misericordioso, perdoou a sua iniqüidade; e não os destruiu, antes muitas vezes desviou deles o seu furor, e não despertou toda a sua ira.
39 Porque se lembrou de que eram de carne, vento que passa e não volta.
40 Quantas vezes o provocaram no deserto, e o entristeceram na solidão!
41 Voltaram atrás, e tentaram a Deus, e limitaram o Santo de Israel.
42 Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversário;
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O propósito deste parágrafo é o mesmo do anterior. Ele mostra quantas misericórdias Deus concedeu a Israel, como eles se comportaram mal, quais juízos Deus trouxe sobre eles por causa de seus pecados, e como, ainda assim, no fim ele se lembrou de ter misericórdia. Aqueles que recebem misericórdia de Deus não devem usá‑la como motivo para pecar ainda mais. Essas misericórdias apenas tornam o pecado pior e apressam o castigo. Mas aqueles que estão debaixo das repreensões de Deus por causa do pecado não devem desistir do arrependimento, porque até o castigo pode conduzir de volta a ele, e não pode impedir a misericórdia que Deus ainda tem preparada.
O salmista volta a chamar atenção para os pecados de Israel no deserto, porque foram registrados para nos advertir (Salmo 78:40, Salmo 78:41). Quantas vezes o provocaram ali, muitas e muitas vezes. A repetição da ofensa tornou o pecado muito pior, e o próprio lugar também o agravou (Salmo 78:17). Deus contou quantas vezes eles o colocaram à prova, mesmo que eles próprios não o tivessem contado. Como está em Números 14:22: eles o “tentaram dez vezes”.
Quando provocaram a Deus, não apenas o irritaram, mas o entristeceram. Ele os via como filhos, e a falta de respeito dos filhos fere profundamente os pais amorosos. Isso os aflige e parece muita ingratidão (Isaías 1:2). Eles o entristeceram porque o forçaram a discipliná‑los, algo que ele não faz de bom grado. Mesmo depois de se humilharem diante dele, voltavam atrás e continuavam a tentar a Deus. Limitaram o Santo de Israel dizendo‑lhe quais sinais de poder e presença ele deveria lhes dar e de que modo deveria guiá‑los e sustentá‑los.
Limitar a Deus é ato de orgulho e presunção. Ele é santo, portanto fará o que mais glorifica o seu nome. Ele é o Santo de Israel, portanto também fará o que é melhor para o seu povo. Quando tentamos dizer‑lhe o que ele “tem” de fazer, insultamos a sua sabedoria e revelamos nosso próprio orgulho e loucura. O que os levou a continuar limitando a Deus foi terem esquecido as suas bondades passadas (Salmo 78:42). Não se lembraram da sua mão, de quão poderosa ela é, nem do dia em que ele os livrou de Faraó, o grande inimigo que buscava destruí‑los. Alguns dias de grande livramento nunca devem ser esquecidos, porque recordá‑los pode nos fortalecer nas provas mais difíceis.
O salmo então volta às misericórdias de Deus para com Israel, misericórdias que eles ignoraram quando o puseram à prova e tentaram controlar a sua ação. Essa lista de maravilhas começa mais cedo na história e vai mais longe do que a lista anterior (Salmo 78:12). Começa com o livramento do Egito e com as pragas pelas quais Deus obrigou os egípcios a deixarem o povo ir. Esses foram os sinais que ele operou no Egito, as maravilhas no campo de Zoã, isto é, na região de Zoã (Salmo 78:43).
Várias pragas são mencionadas aqui, e cada uma mostra o poder de Deus, o seu favor por Israel e o seu juízo sobre os inimigos. Ele transformou as águas em sangue. Os egípcios haviam derramado o sangue do povo de Deus, até dos seus pequeninos, e agora Deus lhes deu sangue para beber, pois eram culpados disso (Salmo 78:44). Ele enviou moscas e rãs, enxames de insetos que os invadiram e arruinaram (Salmo 78:45). Deus pode usar as criaturas mais fracas e desprezadas como instrumentos do seu juízo, porque o número pode compensar a falta de força.
Ele também enviou gafanhotos, que devoraram as colheitas e tudo o que eles haviam produzido com seu trabalho (Salmo 78:46). A Escritura chama esses gafanhotos de o grande exército de Deus (Joel 2:25). Depois veio o granizo, que destruiu as árvores, especialmente as videiras, e o gado, sobretudo os rebanhos de ovelhas, os animais mais frágeis. O texto também menciona a geada, ou chuva congelada, tão severa que chegou a destruir até as figueiras bravas (Salmo 78:47-48).
A morte dos primogênitos foi a última e mais dura praga, e completou o livramento de Israel. Deus já a havia determinado muito antes (Êxodo 4:23), mas só a executou por último. Se medidas mais brandas tivessem surtido efeito, esse juízo teria sido evitado. Aqui ele é descrito em detalhes (Salmo 78:49-51). Em primeiro lugar, a causa foi a ira de Deus. Sua indignação havia chegado ao limite contra os egípcios. O coração de Faraó se endurecera muitas vezes, mesmo depois de juízos mais leves, de modo que agora Deus soltou sobre eles toda a força da sua ira. Ele lhes enviou o furor da sua indignação, trazendo tribulação, sofrimento e angústia, como se lê em Romanos 2:8-9. Fê‑lo desde o alto, sem poupar, e ninguém pôde escapar à sua mão (Jó 27:22). Ele preparou um caminho pesado e bem medido para a sua ira, o que significa que não agiu com descuido, mas com justiça exata. Mesmo em seu mais profundo desagrado, Deus nunca faz injustiça a nenhuma criatura. Sua ira sempre segue a medida da retidão.
Em segundo lugar, Deus usou anjos para executar esse juízo. Ele enviou entre eles anjos maldosos, não maus por natureza, mas maus na obra para a qual foram enviados. Eram anjos destruidores, ou anjos de castigo, enviados por toda a terra do Egito com ordem de matar apenas os primogênitos, conforme a justiça medida da ira de Deus. Anjos bons tornam‑se severos contra os pecadores. Aqueles que fazem do Deus santo seu inimigo não devem esperar que os santos anjos sejam seus amigos.
Em terceiro lugar, a execução em si foi extremamente severa. Ele não poupou suas vidas, mas os entregou à morte, e a morte triunfou entre eles. Ele feriu todos os primogênitos do Egito (Salmo 78:51), a principal força de cada família. Os filhos são a força dos pais, e os primogênitos são a parte principal dessa força. Desse modo, porque Israel era precioso aos olhos de Deus, ele deu outros povos por eles, e outras nações em troca de suas vidas (Isaías 43:4).
Por meio dessas pragas sobre o Egito, Deus abriu caminho para que o seu povo saísse como um rebanho de ovelhas. Ele os separou dos egípcios, como o pastor separa as ovelhas dos bodes, e marcou suas ovelhas com o sangue do cordeiro nos umbrais das portas. Conduziu‑os como um rebanho, embora eles não soubessem para onde iam, e os guiou no deserto com o cuidado e a ternura de um pastor para com o seu rebanho (Salmo 78:52).
Guiou‑os em segurança, mesmo por lugares perigosos, de modo que não tinham motivo para temer. Eles se apavoraram junto ao mar Vermelho (Êxodo 14:10), mas as palavras e os atos de Deus em favor deles acalmaram seus temores. O mar engoliu os inimigos que os perseguiram até lá (Salmo 78:63). Tornou‑se caminho para Israel, mas sepultura para os que os perseguiam.
Esse relato avança então até o seu estabelecimento em Canaã (Salmo 78:54). Deus os trouxe ao limite do seu santuário, a terra onde estabeleceu o seu santo lugar. Aquela terra era, por assim dizer, o centro de todo o país, sua coroa e glória. Uma terra é bem‑aventurada quando está junto ao limite do santuário de Deus, onde ele é conhecido e onde está a sua habitação (Salmo 76:1-2). Toda a terra, e Sião em especial, era o monte que sua destra lhes havia adquirido pelo seu próprio poder (Salmo 44:3).
Deus os fez “cavalgar sobre as alturas da terra” (Isaías 58:14; Deuteronômio 32:13). Os cananeus já habitavam ali em paz, mas Deus os expulsou diante de Israel. Como Senhor de toda a terra, ele retirou deles o direito àquela terra, e como Senhor dos Exércitos, executou o juízo contra eles. Em seguida, deu a Israel a cada tribo a sua porção e permitiu que morassem nas casas dos povos que haviam sido destruídos.
Deus poderia ter transformado um deserto vazio em boa terra e plantado seu povo ali. Mas a terra que escolheu para eles devia apontar para o céu, por isso precisava ser a glória de todas as terras. Também precisava ser conquistada em batalha, porque o reino dos céus é tomado com esforço.
A parte seguinte fala dos pecados de Israel depois que se estabeleceram em Canaã (Salmo 78:56-58). Os filhos eram como os pais e levaram o mesmo coração corrupto para as novas moradas. Embora Deus tivesse feito tanto por eles, continuaram a tentar e provocar o Deus Altíssimo. Ele lhes deu seus mandamentos, mas eles não os guardaram. Começaram bem, depois voltaram atrás. Dirigiam a Deus palavras agradáveis, mas agiam com falsidade. Eram como um arco traiçoeiro, que parece pronto para lançar a flecha em linha reta, mas ao ser retesado se quebra, deixa a flecha cair aos pés do arqueiro ou até a lança de volta em seu rosto.
Ninguém podia confiar neles, nem em suas promessas, nem em suas profissões religiosas. Às vezes pareciam dedicados a Deus, mas logo se desviavam e o irritavam com seus altos e suas imagens de escultura. A idolatria era o pecado que mais facilmente os enredava, e embora muitas vezes dissessem que se arrependiam, voltavam a recair nela. Era adultério espiritual, quer adorassem abertamente ídolos, quer pretendessem adorar a Deus por meio de imagens, como se ele fosse um ídolo. Por isso a Escritura diz que o provocaram ao ciúme (Deuteronômio 32:16, 21).
A próxima parte mostra os juízos que Deus trouxe sobre eles por causa desses pecados. O simples fato de estarem em Canaã não os protegeria se vivessem perversamente, assim como o fato de serem descendentes de Israel também não os protegeria. “De todas as famílias da terra, somente a vós vos conheci; por isso vos punirei” (Amós 3:2). A idolatria pode ser tolerada entre os gentios, mas não em Israel.
Primeiro, Deus irou-se contra eles (Salmo 78:59). Quando “ouviu” o clamor dos seus pecados, ficou furioso. Passou a abominar grandemente a Israel, embora antes o tivesse amado e nele se deleitado de forma especial. O povo que ele havia escolhido tornou-se o povo debaixo da sua ira. Pecados ousados, especialmente a idolatria, tornam até israelitas odiosos à santidade de Deus e expostos à sua justiça.
Segundo, ele abandonou o seu tabernáculo no meio deles e retirou a proteção que o cobria (Salmo 78:60). Deus nunca nos deixa antes que nós o deixemos, e nunca se retira antes de ser expulsos por nossa infidelidade. Ele é um Deus zeloso; por isso não admira que um povo que ele havia ligado a si seja rejeitado quando se volta para outro. O tabernáculo em Siló era a tenda que Deus havia posto entre os homens, onde ele realmente habitava com eles na terra. Mas quando o seu povo o traiu, Deus, com toda justiça, também o deixou, e toda a sua glória se foi. Israel pouco ganha com o tabernáculo se Deus não está ali presente.
Terceiro, ele os entregou nas mãos de seus inimigos. Aqueles a quem Deus abandona tornam-se presa fácil de destruição. Os filisteus eram inimigos de Israel e também inimigos do Deus de Israel, e, ainda assim, Deus os usou como vara para disciplinar o seu povo.
Ele permitiu que tomassem a arca e a levassem como troféu de vitória, mostrando assim que não apenas abandonara o tabernáculo, mas até mesmo a arca, que já não era sinal da sua presença (Salmo 78:61). Ele “entregou a sua força ao cativeiro”, como se tivesse sido vencido, e a sua glória foi entregue à ignomínia. A história é narrada em (1 Samuel 4:11). Quando a arca se tornou como um estranho entre os israelitas, não foi de admirar que logo se tornasse prisioneira entre os filisteus.
Deus também permitiu que os filisteus derrotassem os exércitos de Israel (Salmo 78:62-63). Entregou o seu povo à espada, tanto à espada da sua justiça como ao furor do inimigo, porque estava irado contra a sua herança. A sua ira foi o fogo que consumiu os seus jovens, no vigor da vida, pela espada ou pela doença. As perdas foram tão grandes que “suas donzelas não tiveram cântico nupcial”, isto é, não foram dadas em casamento, que é algo honroso em todos os tempos. Não havia mais jovens para elas, e a miséria da nação tornava deslocada qualquer festa de casamento. Chegou-se a dizer: “Bem-aventurado o ventre que não gera”. Grandes desastres trazem escassez de homens. “Farei que o varão seja mais precioso do que o ouro fino” (Isaías 13:12), de modo que “sete mulheres lançarão mão de um homem” (Isaías 4:1, 25).
E ainda isso não foi o pior. Até os sacerdotes, que serviam junto à arca, caíram à espada: Hofni e Fineias, filhos de Eli, homens corrompidos. Morreram com justiça, pois haviam se feito vis e extremamente perversos diante do Senhor. O fato de serem sacerdotes não os protegeu; ao contrário, agravou o seu pecado e apressou a sua queda. E também morreram com justiça porque correram para a batalha sem chamado nem dever. Saímos debaixo da proteção de Deus quando deixamos o nosso lugar e o caminho da obediência.
Quando os sacerdotes caíram, suas viúvas nem sequer prantearam (Salmo 78:64). A dor era profunda demais para ritos exteriores de luto. A viúva de Fineias não lamentou a morte do marido; antes, morreu ela mesma depois de dar ao filho o nome de Icabô, que quer dizer “foi-se a glória” (1 Samuel 4:19).
O retorno de Deus a eles em misericórdia veio depois disso, juntamente com seus atos graciosos em favor deles. Aqui não se lê que o povo tenha se arrependido e voltado para Deus; mas Deus se moveu de compaixão pela miséria de Israel (Juízes 10:16) e por zelo pelo seu próprio nome. Ele temeu o orgulho do inimigo, para que não procedessem de modo estranho e insolente (Deuteronômio 32:27). Então o Senhor despertou como quem acorda do sono (Salmo 78:65), como um valente que se alegra em meio ao brado, animado como que pelo vinho.
Essa figura indica mais do que um simples despertar. É como alguém que, depois de descanso, sacode o sono e volta a si, ou como quem, pelo uso moderado do vinho, ganha ânimo e vigor. Quando Deus permitiu que a arca da sua força fosse levada ao cativeiro, logo mostrou o poder do seu braço para livrá-la. Como zeloso defensor da sua honra, levantou-se para fazer grandes coisas pelo seu povo.
Primeiro, feriu os filisteus que mantinham a arca cativa (Salmo 78:66). Atingiu-os com tumores em suas partes inferiores, como se os tivesse ferido na fuga, mesmo quando se julgavam vencedores. Cobriu-os de vergonha, e eles mesmos ajudaram a tornar essa vergonha duradoura ao devolverem a arca juntamente com imagens de ouro daqueles tumores, como oferta pela culpa (1 Samuel 6:5). Essas imagens permaneceram como lembrança permanente. A lição é clara: mais cedo ou mais tarde Deus há de se glorificar trazendo vergonha sobre seus inimigos, ainda que pareçam estar no auge do sucesso.
Deus também providenciou um novo lugar para a arca, depois de meses de cativeiro e anos de obscuridade. Ele rejeitou o tabernáculo de José, isto é, não a mandou de volta a Siló, que ficava no território de Efraim (Salmo 78:67). As ruínas daquele lugar permaneceram como aviso visível da justiça divina. Deus parecia dizer: “Vede o que fiz a Siló” (Jeremias 7:12). Contudo, ele não retirou completamente a sua glória de Israel. Trasladar a arca não foi o mesmo que removê-la para sempre.
Siló perdeu a arca, mas Israel não perdeu a igreja e o reino de Deus no mundo. Deus pode remover o seu castiçal de um lugar, mas sua obra continua em outro. Assim, a rejeição de Siló foi, ao mesmo tempo, a escolha de Sião, do mesmo modo que mais tarde a queda dos judeus trouxe riquezas aos gentios (Romanos 11:12). Quando Deus não escolheu Efraim, a tribo de Josué, escolheu Judá (Salmo 78:68), porque de Judá viria Jesus, que é maior do que Josué. Quiriate-Jearim, para onde a arca foi levada depois de ser resgatada dos filisteus, ficava em território de Judá. Dali ela foi posteriormente levada a Sião, o monte Sião que Deus amou (Salmo 78:68), formoso de sítio, alegria de toda a terra.
Ali Deus edificou o seu santuário como altos palácios e como a própria terra (Salmo 78:69). Davi apenas armou uma tenda para a arca, mas o templo foi planejado naquela época e mais tarde concluído por seu filho. Era um lugar muito nobre, construído como os palácios de príncipes e grandes, e em esplendor os excedia em tudo. Salomão o edificou, mas o Salmo diz que Deus o edificou, porque Davi lhe ensinara, talvez tendo em vista justamente essa obra, que, se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem (Salmo 127:1). Era também um lugar muito firme, como a terra: não para durar para sempre naquela forma, mas seguro enquanto Deus assim determinasse. Não foi finalmente destruído até que viesse o templo do evangelho, que permanecerá enquanto durarem o sol e a lua (Salmo 89:36-37) e contra o qual as portas do inferno não prevalecerão.
Em seguida, Deus lhes deu um bom governo, uma monarquia com um rei segundo o seu coração. Escolheu Davi, seu servo, dentre todos os milhares de Israel, e colocou o cetro em sua mão, da qual Cristo viria a proceder e que serviria como figura de Cristo (Salmo 78:70). O início de Davi foi humilde. Sua linhagem era nobre, pois pertencia à tribo governante de Judá, mas sua formação era simples. Não foi preparado como erudito nem como soldado, mas como pastor de ovelhas.
Ele foi tirado dos apriscos, como também Moisés fora. Deus tem prazer em honrar os humildes e trabalhadores, em levantar o pobre do pó para assentá-lo entre príncipes. Muitas vezes, ele encontra os mais aptos para o serviço público entre aqueles que passaram os primeiros anos da vida em recolhimento e simplicidade. O Filho de Davi foi um dia desprezado por sua origem comum: “Não é este o carpinteiro?”. Davi foi tirado não de diante dos carneiros, mas de seguir as ovelhas, especialmente as que tinham crias. Esse detalhe mostra que era marcado por ternura e compaixão para com as ovelhas que mais precisavam de seu cuidado. Esse mesmo espírito manso o habilitou para governar e o tornou figura de Cristo, que, como pastor, mansamente guia as que estão com crias (Isaías 40:11).
A sua exaltação foi grande. Deus o escolheu para apascentar Jacó, seu povo (Salmo 78:71). Era uma honra altíssima fazê-lo rei, sobretudo sobre Jacó e Israel, povo peculiar de Deus. Mas também era um encargo pesado, porque recebeu a responsabilidade de governar aqueles que pertenciam a Deus. Deus o elevou ao trono para que alimentasse o povo, e não a si mesmo, para que fizesse o bem, e não para que buscasse a grandeza da própria casa. Esse é o encargo de todos os pastores subordinados, tanto governantes quanto ministros: apascentar o rebanho de Deus.
Davi também tinha uma maneira abençoada de exercer essa confiança que Deus lhe deu. Ele alcançou misericórdia do Senhor, para que pudesse ser ao mesmo tempo hábil e fiel em seu dever (Salmo 78:72). Assim, ele os apascentou. Ele governou e instruiu o povo, guiou-o e o protegeu. Fez tudo com honestidade, com integridade de coração, buscando somente a glória de Deus e o bem do povo que lhe fora confiado. Os princípios de sua fé moldavam as regras do seu governo. Não se guiou por artifícios mundanos, mas por sinceridade piedosa, pela graça de Deus. Em tudo, tinha boas intenções e nenhum propósito oculto.
Ele também agiu com sabedoria, com mãos hábeis. Não era apenas sincero no que desejava fazer, mas prudente na forma de agir. Escolhia os melhores meios para alcançar seu objetivo, porque Deus lhe ensinara discernimento.
Felizes são os povos governados dessa maneira. O salmista com razão apresenta isso como o sinal final e coroado do favor de Deus para com Israel. Davi foi uma figura de Cristo, o grande e bom Pastor, que primeiro foi humilhado e depois exaltado. A respeito de Cristo foi profetizado que Ele seria cheio do Espírito de sabedoria e de entendimento, e que julgaria e corrigiria com justiça (Isaías 11:3–4).
Como seu coração é puro e suas mãos são hábeis, todo o seu povo pode confiar plenamente nele. Seu governo e o seu povo continuarão a crescer, e não haverá fim para nenhum dos dois.
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Deste capítulo
Salmos 78:1
"Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca."
Salmos 78:2
"Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade."
Salmos 78:3
"Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado."
Salmos 78:4
"Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez."
Salmos 78:5
"Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos;"
Salmos 78:6
"Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos;"
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