Salmos 19 apresenta uma composição bem organizada, com três movimentos principais:
1) Revelação geral na criação (versos 1–6): imagem poética dos céus como proclamadores da glória de Deus, usando paralelismos, personificação (os céus "declaram", o firmamento "anuncia") e uma metáfora vívida do sol como noivo e herói.
2) Revelação especial na Palavra (versos 7–11): uma série de afirmações paralelas sobre a lei do Senhor, com pares bem estruturados: termo para a Palavra (lei, testemunho, preceitos, mandamento, temor, juízos), atributo (perfeita, fiel, retos, puro, limpo, verdadeiros) e efeito prático (refrigera a alma, dá sabedoria, alegra o coração, ilumina os olhos, permanece, são justos).
3) Resposta pessoal e oração (versos 12–14): mudança para o discurso em primeira pessoa, com perguntas retóricas, confissão de limitações, pedidos de purificação e proteção contra a soberba, terminando com um clímax devocional: a oração para que palavras e meditações sejam agradáveis a Deus. Essa estrutura move o leitor da contemplação cósmica para a obediência interna e pessoal.