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Provérbios 30:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Palavras de Agur, filho de Jaque, o masaíta, que proferiu este homem a Itiel, a Itiel e a Ucal: "

Provérbios 30:1

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1 Palavras de Agur, filho de Jaque, o masaíta, que proferiu este homem a Itiel, a Itiel e a Ucal:

2 Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem.

3 Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Algumas pessoas entendem que “Agur” não seria o nome do homem, mas uma descrição dele. Nesse entendimento, a palavra significaria “ajuntador” ou “recolhedor”: alguém que não compôs ditos originais, mas reuniu ditos e observações sábias de outros. Se isso for correto, pode explicar por que ele diz depois: “não aprendi a sabedoria” (Provérbios 30:3). Ainda que o dom de alguém seja apenas recolher e transmitir o que outros já escreveram, essa pessoa não deve esconder esse dom, mas usá‑lo bem.

É mais provável, porém, que Agur seja de fato o seu nome, embora a Escritura não o mencione em nenhum outro lugar. Itiel e Ucal seriam então os nomes de seus alunos, ou daqueles a quem ele dirigiu suas palavras. Eles podem ter escrito o que Agur disse, assim como Baruque escreveu as palavras de Jeremias, e por esse meio a mensagem foi preservada. Outra visão é que os próprios nomes façam parte da mensagem. Itiel significa “Deus comigo”, o que aponta para Emanuel, “Deus conosco” (Isaías 7:14). Ucal significa “o Poderoso”, e o socorro vem daquele que é poderoso.

Muitos bons intérpretes entendem que isso aponta para o Messias, porque toda profecia converge para ele. As palavras de Agur passam então a ser uma confissão a respeito do Salvador e a respeito do próprio Agur. Antes de falar de Cristo, ele se humilha. Ele admite sua própria insensatez e fraqueza, mostrando por que precisamos da fé para nos guiar. Antes de podermos falar verdadeiramente de Jesus Cristo, precisamos abandonar a confiança em nós mesmos.

Primeiro, Agur se rebaixa confessando que carece de justiça e que tem agido como tolo. Ao olhar para si mesmo, diz: “Na verdade eu sou o mais bruto dos homens”. Todo ser humano se tornou insensato por causa do pecado (Jeremias 10:14), mas quem conhece o próprio coração enxerga mais pecado em si mesmo do que nos outros. Agur diz, em essência, que agiu sem o entendimento que pertencia a Adão antes da queda, e até mesmo sem o bom senso comum. Ainda que outros pudessem ter uma alta opinião dele, ele pensava humildemente a seu próprio respeito.

Depois, ele declara que precisa de revelação, algo que Deus precise lhe mostrar, se é para conhecer a verdade e a sabedoria. Ele afirma que não aprendeu a sabedoria por esforço próprio e que não conhece o conhecimento dos santos, isto é, dos anjos, ou de coisas santas, isto é, as coisas de Deus (Provérbios 30:3). A capacidade humana, por si só, não alcança tanto. A mente natural não enxerga nem recebe as coisas do Espírito de Deus. A pessoa verdadeiramente sábia é aquela que sabe o quanto não sabe, especialmente em relação às coisas divinas.

Em seguida, Agur nos aponta para Jesus Cristo e para o Pai revelado nele (Provérbios 30:4). Ele pergunta: “Quem subiu ao céu e desceu?” Alguns tomam isso como uma pergunta sobre Deus e suas obras, que estão além de qualquer comparação e não podem ser plenamente investigadas. Quem pode dizer que subiu ao céu, viu as coisas de cima e voltou para explicá‑las? Quem pode prender os ventos, dominar o mar ou estabelecer os limites da terra? Quem pode ficar ao lado de Deus e partilhar de seus segredos? Ninguém.

Outros entendem que essas palavras se referem a Cristo, o Filho de Deus. A pergunta então exige o nome do Filho, assim como o do Pai. No Antigo Testamento, os crentes aguardavam o Messias, o Filho do Bendito, mas o seu nome ainda lhes estava oculto. Hoje honramos a Cristo já revelado, mas eles o conheciam mais na forma de promessa do que de clareza. Tinham ouvido falar dele, mas o entendimento era ainda escuro e incompleto (Jó 28:22). O próprio nome de Deus é “Eu Sou o que Sou” (Êxodo 3:14), nome para ser adorado, não para ser totalmente explicado. E o nome de seu Filho também ainda não tinha sido plenamente esclarecido.

O grande Redentor não pode ser igualado nem completamente sondado em sua providência e graça. As bênçãos de seu governo salvador são profundas e incomparáveis. Quem mais subiu ao céu e desceu? Quem mais conhece perfeitamente tanto o céu quanto a terra e se move livremente entre ambos como Mediador, Aquele que une Deus e os homens, como a escada de Jacó? Ele estava no céu, na intimidade com o Pai (João 1:1, João 1:18). De lá desceu e assumiu a nossa natureza humana sobre si, e nenhum ato de misericórdia poderia ser maior do que esse. Nessa mesma natureza, ele depois subiu novamente (Efésios 4:9) para receber a glória prometida ao seu estado exaltado. Ninguém mais fez isso (Romanos 10:6).

A glória de seu governo sobre o mundo também está além de nosso pleno entendimento. Aquele que reconcilia céu e terra é também o Criador e Governante de ambos. Agur menciona especialmente três elementos inferiores: ar, água e terra. Cristo dirige os movimentos do ar. Satanás pode se chamar príncipe da potestade do ar, mas Cristo tem todo poder ali também, e os ventos lhe obedecem. Cristo também estabelece os limites das águas, prendendo‑as como com uma veste, de modo que avançam apenas até onde ele permite (Jó 38:9-11). E Cristo firmou os fundamentos da terra. Ele os lançou no princípio e ainda hoje os sustenta.

Se Cristo não tivesse intervindo, os próprios fundamentos da terra teriam cedido sob o peso da maldição que veio sobre o solo por causa do pecado humano. Mas quem é esse Poderoso que faz tais coisas? Não podemos esquadrinhar Deus, nem o Filho de Deus, até o fim. Que conhecimento profundo e admirável é esse.

Para nos assegurar de que a palavra de Deus é verdadeira, e para recomendá‑la a nós, Agur nos direciona a ela. Os discípulos de Agur esperavam que ele lhes ensinasse as coisas de Deus, mas, em essência, ele responde: “Não posso assumir para mim essa tarefa. Vão à palavra de Deus. Observem o que ele revelou ali sobre si mesmo, sobre sua mente e sua vontade. Vocês não precisam saber mais do que isso, e podem se apoiar nisso como algo certo e suficiente.” Cada palavra de Deus é pura. Não há nela o menor traço de falsidade ou corrupção.

Palavras humanas devem ser ouvidas e lidas com cuidado, com cautela e reservas. Mas não há qualquer motivo para suspeitar de qualquer falha na palavra de Deus. Ela é como prata refinada sete vezes, sem escória ou mistura de metal (Salmo 12:6). “A tua palavra é muito pura” (Salmo 119:140).

Em primeiro lugar, a palavra de Deus é segura, por isso devemos confiá‑la e descansar nela com a alma. Deus em sua palavra, e Deus em sua promessa, é um escudo, uma proteção segura, para todos os que se colocam sob seus cuidados e nele confiam. Quando a palavra de Deus é recebida pela fé, ela traz paz mesmo em meio a grandes perigos (Salmo 46:1, 2).

Em segundo lugar, a palavra de Deus é suficiente, por isso não devemos acrescentar nada a ela (Provérbios 30:6). Isso proíbe que apresentemos algo que se oponha à palavra de Deus, mas também proíbe que coloquemos qualquer coisa ao lado dela como se tivesse igual autoridade. Mesmo que algo seja apresentado como explicação, se reivindica o mesmo peso da Escritura, já está acrescentando às palavras de Deus. Isso é gravemente errado, pois sugere que a palavra de Deus não é suficiente e abre a porta para muitos erros e corrupções. Se as pessoas aceitarem a ideia insensata de que a palavra de qualquer homem, ou de qualquer grupo de homens, deva ser recebida com a mesma fé e respeito que a palavra de Deus, mil outros enganos se seguirão.

Precisamos nos contentar com aquilo que Deus escolheu tornar conhecido a nós sobre a sua vontade. Não devemos tentar ser mais sábios do que o que está escrito. Se o fizermos, Deus tomará isso como grave insulto. Ele nos repreenderá e nos tratará como traidores contra a sua majestade e honra. Também trará sobre nós o mesmo juízo que ele adverte para aqueles que acrescentam às suas palavras ou delas tiram (Deuteronômio 4:2; Deuteronômio 12:32). Além disso, atrairemos sobre nós mesmos uma série interminável de erros. Seremos achados falsos, corrompendo a palavra da verdade, espalhando falsos ensinos e sendo culpados do pior tipo de falsificação, como se carimbássemos com o selo do céu as nossas próprias invenções e reivindicássemos autoridade e inspiração divinas onde elas não existem. As pessoas podem ser enganadas assim, mas Deus não se deixa escarnecer.

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