Provérbios 30:1
" Palavras de Agur, filho de Jaque, o masaíta, que proferiu este homem a Itiel, a Itiel e a Ucal: "
Entenda os temas principais e aplique Provérbios 30 na sua vida hoje
33 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Agur começa reconhecendo sua própria ignorância e incapacidade de alcançar sozinho o conhecimento do Santo. As perguntas retóricas sobre quem domina a criação enfatizam que apenas Deus possui tal poder e conhecimento, o que convida à reverência, humildade e dependência dEle.
A Palavra de Deus é apresentada como totalmente pura e confiável, um escudo para os que Nele confiam. Vem também a advertência solene para não acrescentar nada ao que Deus disse, ligando distorção da revelação com mentira e juízo.
A oração de Agur por não ter nem pobreza nem riqueza extrema revela um coração que busca o equilíbrio. O objetivo não é conforto, mas evitar tanto a apostasia na fartura quanto o pecado na miséria, vivendo em dependência saudável de Deus.
O texto descreve uma geração que amaldiçoa pais, se acha pura, é orgulhosa e violenta com os necessitados. O desprezo à autoridade familiar e ao fraco é apresentado como sinal de decadência moral e espiritual, com imagens fortes de juízo.
A figura da sanguessuga e a lista de coisas que nunca dizem 'basta' ilustram a ganância e o desejo sem freios. Essa insaciabilidade é comparada a realidades inevitáveis e vorazes, alertando contra um coração que nunca se satisfaz.
Animais pequenos e aparentemente frágeis são usados como exemplos de sabedoria prática: planejamento, segurança, cooperação e perseverança. A criação se torna sala de aula para ensinar prudência, estratégia e organização.
O capítulo termina mostrando que exaltar-se tolamente e alimentar a ira leva, inevitavelmente, a conflitos, assim como certos movimentos produzem resultados físicos específicos. A imagem reforça que emoções descontroladas têm efeitos previsíveis.
Provérbios 30 é atribuído a Agur, filho de Jaque, identificado como "masaíta", possivelmente ligado a uma tribo ou região chamada Massá, associada a povos árabes do deserto. Isso indica que a sabedoria de Provérbios não estava restrita apenas a Israel, mas dialogava com uma tradição mais ampla de ditos sapienciais do antigo Oriente Próximo. O livro de Provérbios, compilado ao longo de séculos, reúne coleções ligadas a Salomão e a outros sábios, e provavelmente alcançou sua forma final no período pós-exílico, quando Israel refletia profundamente sobre lei, sabedoria e fidelidade ao Senhor. A estrutura de Provérbios 30, com séries numéricas ("três coisas... e quatro"), é típica da literatura sapiencial antiga, usada para ensinar, memorizar e enfatizar ideias. O foco no respeito aos pais, no uso da língua, no equilíbrio financeiro e na observação da natureza reflete a vida cotidiana de uma sociedade agrária, patriarcal e teocêntrica, onde família, trabalho e fé estavam intimamente entrelaçados.
Provérbios 30 apresenta uma composição bem marcada por blocos temáticos e dispositivos poéticos característicos da sabedoria hebraica:
Introdução e auto-humilhação de Agur (v.1-3)
Perguntas sobre o Criador e exaltação de Deus (v.4)
Afirmação da pureza da Palavra e advertência (v.5-6)
Oração por integridade e equilíbrio material (v.7-9)
Advertência sobre intriga contra servos (v.10)
Retrato de uma geração pervertida (v.11-14, 17)
A sanguessuga e a insaciabilidade (v.15-16)
Coisas maravilhosas e enigmáticas (v.18-19)
O caminho da mulher adúltera (v.20)
Quatro situações insuportáveis (v.21-23)
Quatro pequenos animais sábios (v.24-28)
Quatro seres de andar nobre (v.29-31)
Conclusão: orgulho, planos maus e ira (v.32-33)
Teologicamente, Provérbios 30 enfatiza algumas linhas centrais da fé bíblica:
Transcendência e singularidade de Deus
Os questionamentos do versículo 4 ecoam temas que aparecem também em textos como Jó e alguns salmos: ninguém, exceto Deus, domina céu, vento, águas e limites da terra. A teologia aqui afirma um Criador soberano, distinto da criação, que governa tudo com poder absoluto.
Revelação divina e autoridade da Palavra
A declaração de que "toda a Palavra de Deus é pura" coloca a revelação divina como padrão de verdade, proteção e confiabilidade. A proibição de acrescentar algo a essa Palavra destaca sua suficiência e o perigo espiritual de distorcê-la. Essa perspectiva é coerente com toda a Escritura, que vê a Palavra como expressão do caráter santo de Deus.
Sabedoria como reconhecimento de limites
Agur se descreve como incapaz de alcançar a sabedoria por esforço próprio, acentuando que a verdadeira sabedoria vem do temor do Senhor e do reconhecimento da própria limitação. A humildade é apresentada não como fraqueza, mas como porta de entrada para um conhecimento mais profundo de Deus.
Teologia do contentamento e da provisão
A oração por não ter nem pobreza nem riqueza extremas mostra que a relação com Deus é mais importante que o nível material. A perspectiva bíblica aqui valoriza o pão de cada dia, a honestidade e o temor do Senhor acima da abundância ou da escassez, antecipando temas retomados por Jesus ao falar sobre o perigo das riquezas e o cuidado de Deus.
Ética do relacionamento e do uso do poder
Os provérbios sobre geração que amaldiçoa pais, oprime necessitados, acusa servos e mostra orgulho reforçam uma teologia onde o temor de Deus se manifesta em respeito às pessoas, especialmente às figuras de autoridade e aos vulneráveis. O abuso de poder e a arrogância são apresentados como afrontas ao Deus justo.
Criação como fonte de sabedoria revelada
Os animais e fenômenos descritos apontam para uma teologia que enxerga a sabedoria de Deus refletida na própria criação. Pequenos seres mostram, na prática, aspectos do modo como Deus ordenou o mundo, e a observação atenta da natureza se torna uma forma de aprender princípios que harmonizam com a vontade divina.
Pecado, insaciabilidade e juízo
A imagem da mulher adúltera que minimiza sua culpa evidencia um coração endurecido, incapaz de reconhecer pecado e necessidade de perdão. A insaciabilidade (ganância, desejo descontrolado) é vista como contrária ao contentamento que honra a Deus. Os avisos de juízo, como os corvos arrancando olhos do zombador, reforçam que escolhas morais têm consequências, e que Deus é justo em confrontar a rebeldia persistente.
Provérbios 30 oferece uma rica base para reflexões terapêuticas sobre identidade, limites, contentamento e emoções. A auto-humilhação de Agur confronta tanto o perfeccionismo quanto a autossuficiência, abrindo espaço para uma identidade mais honesta: reconhecer fraquezas sem negar o valor dado por Deus. A oração por equilíbrio material fala diretamente a ansiedades ligadas a dinheiro, status e segurança, mostrando que a paz interior não está no extremo da pobreza ou da riqueza, mas na confiança na provisão divina.
A descrição de gerações orgulhosas e violentas toca em feridas familiares e sociais: pais desonrados, lares marcados por desrespeito, discursos agressivos contra os vulneráveis. Esses quadros podem ressoar com experiências de abuso, rejeição ou ambiente hostil, validando a dor ao mesmo tempo em que nomeiam tais atitudes como insabedoria, não como normalidade.
As listas de coisas insaciáveis e as figuras da sanguessuga e da adúltera oferecem linguagem para falar sobre compulsões, vícios, ganância e relacionamentos destrutivos, em que nada satisfaz de fato. Já os animais pequenos e sábios inspiram mudanças gradativas, possíveis mesmo para quem se sente fraco: planejar melhor, buscar apoio, construir segurança com passos concretos.
O fechamento sobre ira e contenda é especialmente útil para pensar regulação emocional: a metáfora do leite que, ao ser mexido, vira manteiga, e do nariz espremido que sangra, mostra que insistir em certas reações intensifica o conflito. Esse quadro ajuda a enxergar a previsibilidade das consequências da raiva sem freio e pode motivar o desenvolvimento de estratégias de autocontrole e comunicação não violenta.
Algumas imagens fortes de juízo, como os olhos arrancados por corvos (v.17), podem ser gatilhos para pessoas com histórico de violência, medo intenso de punição ou escrúpulos religiosos. É importante lembrar que são figuras poéticas para enfatizar seriedade moral, não descrições literais destinadas a gerar terror contínuo.
A fala de Agur se dizendo "o mais bruto dos homens" (v.2) pode ressoar com autodepreciação, baixa autoestima ou discursos internos de auto-ódio. Nesse caso, convém distingui-la de uma autocrítica saudável: o texto destaca humildade diante de Deus, não negação do próprio valor.
A referência à mulher adúltera (v.20) e à mulher "odiosa" (v.23), fora de contexto, pode reforçar estereótipos e culpas indevidas em mulheres vítimas de abuso ou traição. É crucial entender que o foco está em atitudes morais específicas, não em condenar um gênero inteiro.
O tema da pobreza e da riqueza (v.8-9) pode despertar ansiedade em pessoas em situação econômica extrema. A oração de Agur não legitima descaso social, mas revela sua preocupação pessoal em não se afastar de Deus em nenhum cenário. Em contextos de sofrimento material, é importante somar a esse texto outros que falam da compaixão e do cuidado de Deus com os pobres.
Situações de raiva intensa e agressividade, sugeridas nos versos finais, podem evocar lembranças de explosões de fúria em casa ou em relacionamentos. Quando isso ocorre, o texto pode ser trabalhado como convite à mudança e não como mera condenação, buscando apoio terapêutico ou pastoral quando necessário.
Provérbios 30 se desdobra em aplicações muito concretas para a vida cotidiana:
Cultivar humildade intelectual e espiritual
Reconhecer limites pessoais, admitir que não se sabe tudo e que a vida tem mistérios além da compreensão. Isso favorece escuta, aprendizado contínuo e menor rigidez nos julgamentos.
Valorizar e obedecer à Palavra de Deus
Tomar a Escritura como referência principal para decisões morais e espirituais, evitando manipular ou distorcer seu conteúdo para justificar interesses próprios. Isso implica estudo atento e busca de boa interpretação.
Praticar contentamento e equilíbrio financeiro
Buscar evitar extremos motivados por ganância ou medo. A oração de Agur inspira planejamento responsável, simplicidade voluntária, generosidade e desconfiança de riquezas que afastam de Deus ou de desespero que empurra para o pecado.
Honrar pais e autoridade legítima
Tratar pais com respeito, mesmo reconhecendo suas falhas. Em contextos abusivos, isso não significa conivência com o mal, mas abandonar o desprezo e a vingança, buscando caminhos justos e, se possível, saudáveis.
Cuidar da língua e evitar intrigas
Não acusar levianamente, sobretudo pessoas em posição de vulnerabilidade (como servos, funcionários, subordinados). Isso se aplica a fofocas, denúncias irresponsáveis e difamação em ambientes de trabalho, igreja e família.
Rejeitar orgulho e violência contra os fracos
Confrontar atitudes de superioridade, humilhação de outros e exploração de necessitados. Isso envolve rever como se trata empregados, pessoas pobres, idosos, crianças e quem tem menos acesso a recursos.
Reconhecer e combater a insaciabilidade
Identificar áreas em que nunca parece haver "basta" — consumo, relacionamentos, prazer, reconhecimento — e buscar limites saudáveis. Pode incluir estabelecer metas claras, praticar gratidão e, se necessário, buscar ajuda para lidar com compulsões.
Aprender com a criação: planejamento e cooperação
Inspirar-se nas formigas para organizar o futuro, nos coelhos para buscar segurança sólida, nos gafanhotos para trabalhar em equipe e na aranha para persistir mesmo em ambientes difíceis. No dia a dia, isso pode significar montar um orçamento, fortalecer relações de apoio e não desistir diante de portas fechadas.
Gerir ira e orgulho com seriedade
Ao perceber que está se exaltando ou alimentando planos de mal, "levar a mão à boca" — frear, silenciar, respirar e refletir antes de agir ou falar. A consciência de que a ira acumulada produz contenda incentiva o desenvolvimento de habilidades de diálogo e reconciliação.
Agur é apresentado como "filho de Jaque" e "masaíta", possivelmente ligado a uma região ou clã chamado Massá. Fora desse capítulo não há mais informações históricas seguras sobre ele na Bíblia. O importante é que ele é reconhecido como um sábio cuja instrução foi preservada junto aos provérbios, mostrando que Deus utilizou diferentes vozes de sabedoria, até mesmo além do círculo imediato de Salomão, para compor o livro de Provérbios.
Essas perguntas são retóricas e têm o objetivo de destacar que ninguém, entre os seres humanos, possui poder sobre céus, ventos, águas e limites da terra. Elas apontam para a singularidade de Deus como Criador e Governante de tudo. Ao perguntar "Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho?", o texto convida à reverência diante do mistério de Deus e de Sua revelação, sem necessariamente explicar todos os detalhes, mas deixando claro que há uma dimensão divina que excede o entendimento humano.
Agur reconhece os perigos espirituais presentes tanto na pobreza extrema quanto na riqueza extrema. Na fartura, ele teme esquecer o Senhor e viver como se Deus não fosse necessário. Na miséria, teme ser levado à tentação de roubar e profanar o nome de Deus. Seu pedido revela um coração focado em permanecer fiel, satisfeito com a porção que Deus concede, e alerta para a ilusão de que a solução da vida está nos extremos materiais.
A sanguessuga é usada como símbolo da ganância e da insaciabilidade: sempre sugando, sempre querendo mais. As "duas filhas" chamadas "Dá e Dá" reforçam a ideia de um pedido constante e sem limites. Essa figura introduz a lista de coisas que nunca dizem "Basta" e serve como alerta contra um coração que nunca se satisfaz, seja em bens, prazeres, poder ou reconhecimento, vivendo em constante consumo e frustração.
As listas destacam quatro criaturas frágeis (formigas, coelhos, gafanhotos e aranha) para mostrar que sabedoria prática não depende de força física ou status. Cada exemplo ilustra uma virtude: planejamento antecipado (formigas), busca por segurança firme (coelhos), cooperação organizada sem depender de um único líder (gafanhotos) e perseverança que alcança lugares altos apesar da vulnerabilidade (aranha). O objetivo é inspirar atitudes semelhantes na vida humana.
Essa expressão é uma imagem de autocontrole e silêncio. Quando alguém percebe que agiu com loucura, orgulhando-se ou planejando o mal, deve interromper imediatamente essa atitude, como quem tapa a própria boca para não seguir falando ou alimentando o erro. A ideia é cortar o ciclo da soberba e do mal na raiz, antes que se transformem em ações e conflitos maiores.
Provérbios 30 revela o coração de alguém que não tenta parecer forte o tempo todo. Agur admite sua limitação, sua falta de sabedoria, e isso abre espaço para um encontro mais sincero com Deus. Há conforto nesse reconhecimento: não é preciso ter todas as respostas para estar diante do Senhor. A oração por afastamento da vaidade e da mentira mostra uma alma que deseja ser verdadeira, sem máscaras. O pedido para não viver nem na pobreza extrema nem na riqueza extrema ecoa um desejo de segurança interior, de não se perder de Deus em meio às circunstâncias da vida. Para quem se sente pressionado pelo medo da falta ou pela corrida pelo sucesso, esse texto lembra que a relação com Deus vale mais do que qualquer cenário financeiro. As descrições de famílias marcadas por desrespeito, de gerações que machucam os necessitados e zombam dos pais, tocam em feridas reais. Muita gente conhece esse clima de dureza em casa ou na sociedade. O capítulo não normaliza esse tipo de ambiente; ele o denuncia como insensato, validando a dor de quem sofre em contextos assim. Ao mesmo tempo, aponta para outro caminho: humildade, honra, cuidado com o fraco. Quando Agur observa animais pequenos e frágeis, mas cheios de sabedoria, nasce uma esperança discreta. Mesmo quem se sente pequeno, cansado ou sem muitos recursos não está condenado a repetir padrões destrutivos. Existem outros modos de viver: com planejamento, apoio mútuo, abrigo seguro e perseverança. E os versos finais, que associam ira e contenda, lembram que a paz no coração passa pela forma como se lida com as emoções. O convite silencioso de Provérbios 30 é para descansar menos na própria força e mais na fidelidade de Deus, permitindo que Ele molde um coração humilde, íntegro e satisfeito nEle.
Provérbios 30 oferece um rico material para estudo da sabedoria bíblica. A figura de Agur introduz um autor fora do círculo salomônico, mas plenamente integrado à tradição sapiencial de Israel. A auto-humilhação de Agur (v.2-3) ecoa temas do livro de Jó e da literatura sapiencial em geral: a verdadeira sabedoria começa com o reconhecimento da finitude humana e da transcendência divina. O versículo 4, com suas perguntas sobre quem domina céu, ventos, águas e extremidades da terra, é uma exposição poética da doutrina da criação. O questionamento sobre "o nome" de Deus e "o nome de seu filho" reforça o mistério da identidade divina e Sua revelação, sem fornecer um desenvolvimento doutrinário completo, mas lançando bases para reflexões posteriores sobre a relação entre Deus e Sua autoexpressão. Os versículos 5-6, ao afirmarem que toda a Palavra de Deus é pura e não deve ser adulterada, se alinham à visão canônica da Escritura como norma de fé e prática. A associação entre acrescentar às palavras de Deus e tornar-se mentiroso sugere que a revelação divina é o padrão contra o qual toda fala humana deve ser medida. A oração dos versículos 7-9 é singular em Provérbios pela forma explícita de súplica dirigida a Deus. Ela articula uma teologia prática do contentamento, em que o perigo espiritual da riqueza e da pobreza é considerado. É um contraponto à teologia simplista que associa prosperidade automática à bênção, reforçando um olhar mais sofisticado sobre o tema. As sequências numéricas ("três coisas... e quatro") presentes ao longo do capítulo pertencem a uma técnica mnemônica amplamente atestada na literatura de sabedoria. Elas funcionam para organizar o material em grupos e gerar expectativa no ouvinte. As listas abrangem fenômenos naturais, dinâmicas sociais e morais, criando um panorama teológico em que criação, comportamento humano e ordem social se entrelaçam. Os pequenos animais sábios (v.24-28) ilustram a convicção de que a criação é portadora de logos, isto é, de uma racionalidade ordenada por Deus. Estudar esses textos ajuda a compreender como Israel viu a natureza não apenas como cenário, mas como fonte de ensino ético. Por fim, os versículos 32-33 resumem um princípio de causa e efeito moral: assim como determinados movimentos físicos geram resultados previsíveis, a soberba e a ira geram contenda. A sabedoria bíblica não descreve apenas o ideal; ela observa a realidade e identifica padrões constantes entre atitudes e consequências, oferecendo um mapa confiável da experiência humana sob o governo de Deus.
Provérbios 30 fala diretamente a situações práticas que se repetem no dia a dia. A postura de Agur, assumindo seus limites, contrasta com a cultura de autoafirmação sem freios. Essa humildade abre espaço para decisões mais sábias, porque quem admite que não sabe tudo ouve mais, consulta mais e se expõe a menos riscos desnecessários. A oração por afastamento da mentira e da vaidade tem impacto direto em relacionamentos, trabalho e finanças. Vaidade e falsidade complicam ambientes familiares e profissionais, geram desconfiança, intrigas e perda de credibilidade. Viver com integridade simplifica a vida: menos histórias para sustentar, menos medo de ser desmascarado. O equilíbrio buscado entre pobreza e riqueza provoca reflexão sobre metas e prioridades. Trabalho, poupança e crescimento profissional são importantes, mas quando a busca por mais se torna sanguessuga — "Dá e Dá" — outros campos sofrem: família, saúde, espiritualidade. A sabedoria aqui é definir um "basta" saudável, um limite onde se pode dizer: "com isso estou satisfeito". Os quadros de gerações que desprezam pais, se acham puras e machucam os necessitados mostram o estrago do orgulho e da falta de respeito básico. Em casa, isso aparece em filhos que desonram pais, mas também em famílias que minimizam idosos ou ignoram os mais frágeis. No trabalho, transparece quando se trata mal subordinados ou se usa influência para explorar quem tem menos recursos. Os pequenos animais oferecem lições bem práticas: - As formigas lembram a importância de se organizar, guardar no tempo certo, não desperdiçar oportunidades. - Os coelhos, que buscam abrigo em rochas, apontam para a necessidade de construir a vida em bases sólidas: escolhas responsáveis, relacionamentos confiáveis, fé consistente. - Os gafanhotos, que andam em bandos sem rei, inspiram trabalho em equipe, iniciativa coletiva e coordenação sem depender de uma única figura central. - A aranha, presente até em palácios, ilustra perseverança e capacidade de avançar mesmo em contextos que, à primeira vista, não parecem acolhedores. Os versos finais sobre orgulho e ira tocam a gestão de conflitos. Exaltar-se e planejar o mal costuma levar a brigas que poderiam ser evitadas. A imagem de "levar a mão à boca" sugere pausar antes de responder, evitar conversas no auge da irritação, refletir sobre o impacto das palavras. No cotidiano, essa atitude pode impedir discussões que sairiam do controle, preservar relacionamentos e construir um ambiente mais estável em casa e no trabalho.
Provérbios 30 conduz a uma reflexão profunda sobre a postura da alma diante de Deus. Agur se apresenta como alguém que não alcançou por si só o conhecimento do Santo, reconhecendo que há um abismo entre a criatura e o Criador. Essa consciência desperta um temor reverente, não apenas medo, mas consciência da grandeza divina e da própria pequenez. As perguntas sobre quem domina céu, vento, águas e extremidades da terra elevam o olhar da alma para além do imediato. Elas convidam a enxergar a vida sob a perspectiva da eternidade, lembrando que toda história humana acontece diante de um Deus soberano. Saber que há um Senhor acima de tudo confronta qualquer ilusão de controle absoluto que o coração possa cultivar. Quando Agur afirma que toda Palavra de Deus é pura e um escudo para quem Nele confia, ele aponta para a Escritura como alimento e proteção da alma. Não se trata apenas de um conjunto de regras, mas de um meio pelo qual Deus orienta, consola e guarda. A advertência para não acrescentar nada à Palavra toca na integridade da fé: misturar opinião pessoal ou cultura passageira com revelação eterna dilui a verdade que salva e transforma. A oração por um coração livre de vaidade e mentira e por uma vida equilibrada materialmente é profundamente espiritual. Ela mostra uma alma que prioriza permanecer fiel a Deus, ainda que isso signifique abrir mão de extremos de conforto ou status. A verdadeira segurança não está na quantidade de bens, mas em não negar o Senhor nem profanar Seu nome, qualquer que seja a circunstância. As descrições de gerações que se julgam puras, mas vivem em impureza, e da mulher adúltera que diz "não fiz nada de mal" expõem um perigo espiritual sério: perder a capacidade de reconhecer o próprio pecado. Quando isso acontece, o coração se endurece, a consciência se embota e a alma se afasta da fonte de perdão e restauração. O capítulo lembra que o autoengano é uma ameaça real à vida espiritual. Os pequenos animais sábios e as coisas maravilhosas observadas por Agur indicam que o mundo criado é um sinal constante do Deus da sabedoria. Cada detalhe da criação pode se tornar uma parábola que aponta para a ordem, a beleza e a fidelidade de Deus. Contemplar essas realidades alimenta a esperança e fortalece a confiança de que há um propósito maior sustendo a existência. Por fim, a advertência contra o orgulho e a ira descontrolada tem implicações eternas. Uma vida guiada pela soberba e pelo conflito contínuo revela um coração centrado em si, distante do caminho do arrependimento e da paz de Deus. Provérbios 30 convida a alma a se curvar diante do Senhor, a buscar na Sua Palavra o rumo, e a viver com um espírito humilde, contente e disponível para ser moldado por Ele em direção ao Seu propósito eterno.
" Palavras de Agur, filho de Jaque, o masaíta, que proferiu este homem a Itiel, a Itiel e a Ucal: "
" Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem. "
" Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo. "
Provérbios 30:3 mostra alguém reconhecendo que não sabe tudo sobre Deus nem domina a verdadeira sabedoria. Essa humildade é o começo do crescimento espiritual. Na …
Ler analise completa" Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes? "
" Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. "
Provérbios 30:5 mostra que tudo o que Deus fala é confiável e sem erro. Sua Palavra protege quem decide confiar nela, como um escudo em …
Ler analise completa" Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso. "
" Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: "
" Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; "
" Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão. "
" Não acuses o servo diante de seu senhor, para que não te amaldiçoe e tu fiques o culpado. "
" Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. "
Provérbios 30:11 mostra uma geração que despreza pai e mãe, ignorando autoridade, cuidado e experiência. O versículo alerta sobre o perigo da ingratidão e da …
Ler analise completa" Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi lavada da sua imundícia. "
" Há uma geração cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras são sempre levantadas. "
" Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas, para consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens. "
" A sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e com a quarta, nunca dizem: Basta! "
" A sepultura; a madre estéril; a terra que não se farta de água; e o fogo; nunca dizem: Basta! "
" Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência à mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os filhotes da águia os comerão. "
" Estas três coisas me maravilham; e quatro há que não conheço: "
" O caminho da águia no ar; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem. "
" O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal! "
" Por três coisas se alvoroça a terra; e por quatro que não pode suportar: "
" Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando vive na fartura; "
" Pela mulher odiosa, quando é casada; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora. "
" Estas quatro coisas são das menores da terra, porém bem providas de sabedoria: "
" As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida; "
" Os coelhos são um povo débil; e contudo, põem a sua casa na rocha; "
" Os gafanhotos não têm rei; e contudo todos saem, e em bandos se repartem; "
" A aranha se pendura com as mãos, e está nos palácios dos reis. "
" Estes três têm um bom andar, e quatro passeiam airosamente; "
" O leão, o mais forte entre os animais, que não foge de nada; "
" O galgo; o bode também; e o rei a quem não se pode resistir. "
" Se procedeste loucamente, exaltando-te, e se planejaste o mal, leva a mão à boca; "
" Porque o mexer do leite produz manteiga, o espremer do nariz produz sangue; assim o forçar da ira produz contenda. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.