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Números 4:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: "

Números 4:1

menu_book Versículo no contexto

1 E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo:

2 Fazei a soma dos filhos de Coate, dentre os filhos de Levi, pelas suas famílias, segundo a casa de seus pais;

3 Da idade de trinta anos para cima até aos cinqüenta anos, será todo aquele que entrar neste serviço, para fazer o trabalho na tenda da congregação.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui começa um segundo censo da tribo de Levi. Como essa tribo foi separada dentre todo o Israel para pertencer de modo especial a Deus, os homens em plena idade adulta eram escolhidos dentre os demais para o serviço direto do tabernáculo. Era uma vocação santa, reservada àqueles que tinham força, firmeza e maturidade suficientes para a tarefa.

Todos os homens de trinta a cinquenta anos eram contados. As outras tribos enviavam homens para a guerra a partir dos vinte anos, mas os levitas só eram numerados para o serviço a partir dos trinta, e serviam até os cinquenta. A obra de Deus merece o melhor de nossas forças e os melhores anos de nossa vida, e esses anos nunca são melhor empregados do que em honrá-lo, ele que é o primeiro e o melhor. Um homem pode tornar‑se bom soldado mais depressa do que bom ministro.

Eles não eram usados nesse serviço antes dos trinta anos porque, antes disso, ainda poderiam ser excessivamente juvenis e sem a devida seriedade. Eram alistados como auxiliares aos vinte e cinco anos (Números 8:24) e, no tempo de Davi, quando havia mais trabalho, começaram aos vinte (1 Crônicas 23:24; Esdras 3:8). Mesmo assim, precisavam de anos de aprendizado e espera antes de estarem aptos para o serviço. João Batista iniciou seu ministério público aos trinta anos, e Cristo também.

Isso não é uma regra rígida para ministros do evangelho hoje, como se ninguém pudesse começar antes dos trinta ou continuar depois dos cinquenta. Contudo, ensina duas lições úteis. Ministros não devem ser novos convertidos, porque a obra exige maturidade de juízo e firmeza de caráter (1 Timóteo 3:6). E precisam aprender antes de ensinar, servir antes de governar e ser provados antes de serem estabelecidos (1 Timóteo 3:10).

Eles eram dispensados do trabalho mais pesado aos cinquenta anos, especialmente de carregar o tabernáculo, pois essa era a tarefa principal enquanto Israel estava no deserto. Isso era bondoso para com eles, para que não fossem exaustos quando as forças começassem a diminuir. E também era conveniente para a própria obra, para que não ficasse a cargo de homens já tornados lentos e fracos pela idade. O serviço de Deus deve ser feito enquanto estamos vivos e ativos. Quem adia o arrependimento para a velhice deixa a melhor obra para o pior tempo.

O trabalho deles é descrito como “entrar no exército” ou “guerra” para fazer o serviço do tabernáculo. O ministério é uma boa obra (1 Timóteo 3:1), de modo que os ministros não são constituídos apenas para honra, mas para labuta, não apenas para salário, mas para serviço. É também um bom combate (1 Timóteo 1:18). Quem entra no ministério deve considerar‑se como entrando num exército e deve portar‑se como bom soldado (2 Timóteo 2:3).

Para os filhos de Coate, em particular, sua tarefa foi definida em função da mudança de lugar do tabernáculo. Mais tarde, quando o tabernáculo ficou fixo em um só lugar, receberam outros deveres. Mas, naquele tempo, esta era a obra, e precisava ser feita quando chegasse a hora. Para onde quer que Israel se movesse, o tabernáculo do Senhor se movia com eles, e era necessário cuidado para transportá‑lo da maneira correta. Da mesma forma, para onde quer que vamos, devemos levar nossa fé conosco e não deixá‑la para trás.

Os coatitas deviam carregar todas as coisas sagradas do tabernáculo. Eles já tinham recebido essa incumbência (Números 3:31), mas agora as instruções se tornam mais detalhadas. Arão e seus filhos, os sacerdotes, tinham de preparar o que os coatitas transportariam (Números 4:5 e seguintes). Deus havia determinado que ninguém podia entrar no lugar santíssimo, exceto Arão, uma vez por ano, com a nuvem de incenso (Levítico 16:2); mas as necessidades da vida peregrina exigiam aqui uma exceção. Sempre que o acampamento se movia, Arão e seus filhos entravam para desarmar a arca e prepará‑la para o transporte. Como observa o bispo Patrick, a glória divina sobre o propiciatório provavelmente se retirava, por esse tempo, para a coluna de nuvem, que se erguia, de modo que a arca pudesse ser abordada com segurança.

Todas as coisas santas tinham de ser cobertas. A arca e a mesa tinham três coberturas, enquanto as demais tinham duas. Até as cinzas do altar, onde o fogo sagrado era cuidadosamente preservado e recolhido, precisavam ser cobertas com um pano púrpura (Números 4:13). Até o altar de bronze, embora ficasse exposto no pátio do santuário, era coberto quando se deslocava. Essas coberturas tinham três propósitos.

Primeiro, protegiam as coisas santas para que não fossem danificadas pelo vento, pela chuva ou pelo sol. Eram conservadas em sua beleza, pois Deus promete um abrigo sobre toda a sua glória. As peles de texugo eram espessas e fortes, impedindo a umidade. Enquanto atravessamos este mundo‑deserto, também precisamos ser guardados em toda espécie de clima (Isaías 4:5‑6).

Segundo, as coberturas davam aos objetos dignidade e beleza apropriadas. A maior parte deles tinha panos azuis, púrpura ou escarlate por fora, e a arca era totalmente coberta de azul (Números 4:6). Alguns veem nisso uma figura do céu azul, estendido como cortina entre nós e a Majestade nas alturas (Jó 26:9). Os que são fiéis a Deus também devem procurar viver de modo honroso diante dos outros, para tornar atraente a doutrina de Deus, nosso Salvador.

Terceiro, as coberturas escondiam as coisas santas da vista. Isso apontava para a obscuridade daquela antiga aliança. O que agora é tornado claro pelo evangelho, e mostrado até a crianças, então estava oculto dos sábios e entendidos. Eles viam apenas as coberturas, não as coisas santas em si (Hebreus 10:1). Mas agora Cristo tirou o véu que ocultava (Isaías 25:7).

Quando tudo que era santo estava coberto, os coatitas deviam carregar esses objetos sobre os ombros. Os que tinham varais eram levados pelos próprios varais (Números 4:6, 4:8, 4:11, 4:14). Os que não tinham varais eram levados em uma barra, liteira ou armação de transporte (Números 4:10, 4:12). Isso mostra que os sinais da presença de Deus neste mundo são móveis, mas nós aguardamos um reino que não pode ser abalado.

Eleazar, o filho mais velho de Arão, foi designado para supervisionar os coatitas nesse serviço (Números 4:16). Ele devia assegurar que nada fosse esquecido, deixado para trás ou colocado no lugar errado. Como sacerdote, tinha mais honra do que os levitas, mas também mais responsabilidade. Esse cuidado era certamente um peso maior sobre seu coração do que as cargas que eles levavam nos ombros. É muito mais fácil executar o trabalho do tabernáculo do que administrar o seu encargo, e mais fácil obedecer do que governar.

Grande cuidado devia ser tomado para proteger a vida desses levitas, impedindo‑os de se aproximar das coisas santíssimas do modo errado. A advertência em Números 4:18 é clara: “Não façais perecer a tribo das famílias dos coatitas.” A lição é que quem não faz o que pode para impedir que outros pequem está, de certo modo, contribuindo para o mal que lhes sobrevem.

Os coatitas não deviam olhar para as coisas santas antes que os sacerdotes as tivessem coberto (Números 4:20). Nem mesmo os homens que carregavam os utensílios do Senhor podiam ver o que transportavam. Isso mostra quanto ainda estava oculto, sob a lei, daqueles cujo ofício era explicá‑la. Quando as coisas santas estavam cobertas, eles ainda não podiam tocá‑las, especialmente a arca, aqui chamada “o santo”, sob pena de morte (Números 4:15). Uzá foi morto por violar essa regra.

Naquele tempo, os ministros do Senhor eram mantidos em temor, e toda aquela organização era marcada por advertência e sombras, bem como por santidade. Mas agora, por meio de Cristo, a situação é diferente. Nossos olhos viram, e nossas mãos tocaram o Verbo da vida (1 João 1:1). Por isso, somos convidados a chegar com confiança ao trono da graça.

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