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Números 15:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Depois falou o SENHOR a Moisés, dizendo: "

Números 15:1

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1 Depois falou o SENHOR a Moisés, dizendo:

2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando entrardes na terra das vossas habitações, que eu vos hei de dar,

3 E ao Senhor fizerdes oferta queimada, holocausto, ou sacrifício, para cumprir um voto, ou em oferta voluntária, ou nas vossas solenidades, para fazerdes ao Senhor um cheiro suave de ovelhas ou gado,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui começam instruções completas sobre as ofertas de manjares (de cereais) e as ofertas de libação (de bebida), que acompanhavam todos os sacrifícios de animais. A abertura dessa lei é muito encorajadora: “Quando entrardes na terra que eu vos faço habitar, fareis isto e aquilo” (Números 15:2). Isso é um sinal claro de que Deus não havia se afastado deles, mesmo depois do juízo que anunciara. Mostra também que ele preservaria a terra prometida para os filhos deles, embora tivessem sido tão rápidos em se rebelar contra ele.

Eles podiam temer que, em algum momento, cometessem uma falta tão grave que seriam para sempre cortados, como acontecera com a geração anterior. Mas essa lei parte do pressuposto de que alguns deles, a seu tempo, entrariam em Canaã. As ofertas de manjares eram de dois tipos. Algumas eram oferecidas sozinhas, e a lei a respeito delas está em Levítico 2:1 em diante. Outras eram acrescentadas aos holocaustos e sacrifícios pacíficos, sempre os acompanhando, e é disso que este capítulo trata.

Como as ofertas pacíficas eram apresentadas como se fossem alimento sobre a mesa de Deus, era necessário haver provisão constante de pão, azeite e vinho, junto com a carne. No templo de Salomão havia responsáveis por prover a melhor farinha (1 Reis 4:22). Era apropriado que Deus mantivesse sua mesa bem suprida, com pão e carne, e um cálice transbordante. “Na casa de meu Pai há pão com fartura.” O objetivo dessa lei é indicar a quantidade de oferta de manjares e de libação que devia acompanhar cada sacrifício.

Se o sacrifício fosse um cordeiro ou um cabrito novo, a oferta de manjares seria a décima parte de um efa de flor de farinha, cerca de cinco litros. Deveria ser misturada com a quarta parte de um him de azeite, e a oferta de libação seria a mesma medida de vinho, cerca de um litro e meio (Números 15:3-5). Se fosse um carneiro, a oferta de manjares seria dobrada: dois décimos de efa de farinha, cerca de cinco litros, e um terço de him de azeite misturado. A mesma quantidade de vinho deveria ser oferecida como libação (Números 15:6-7).

Se o sacrifício fosse um novilho, a oferta de manjares deveria ser triplicada: três décimos de efa de farinha, com cerca de cinco litros de azeite, e igual medida de vinho para a libação (Números 15:8-10). Assim, a oferta aumentava ou diminuía em proporção ao sacrifício. Isso valia tanto para o sacrifício trazido por um indivíduo quanto para o que fosse custeado pelo povo em comum. A lição é que o nosso culto também deve seguir essa regra de proporção, como acontece com outros deveres.

Aqui, tanto os naturais da terra quanto os estrangeiros são colocados no mesmo nível, como em outros assuntos (Números 15:13-16). “Uma mesma lei haverá para vós e para o estrangeiro” que se unisse à fé de Israel. Isso era um convite aos gentios, os povos não judeus, para se tornarem seguidores do Deus verdadeiro e participarem do seu culto. Nos assuntos civis havia diferença entre estrangeiros e israelitas de nascimento, mas nas coisas de Deus não. “Como vós, assim será o estrangeiro perante o Senhor”, porque ele não faz acepção de pessoas. Ver Isaías 56:3.

Isso também colocava sobre os judeus o dever de tratar bem os estrangeiros e não oprimi-los, já que Deus também os aceitava. O culto em comum deveria fortalecer o afeto mútuo e afastar a hostilidade. Além disso, humilhava o orgulho judaico, pois eram tentados a se gloriar em seu privilégio de nascimento: “Somos descendência de Abraão.” Deus lhes lembrava que os filhos do estrangeiro eram tão bem-vindos para ele quanto os filhos de Jacó. A origem familiar de ninguém dá vantagem ou desvantagem para ser aceito por Deus.

Tudo isso também apontava para o chamado dos gentios e para sua plena acolhida na igreja. Se a lei fazia tão pouca distinção entre judeu e gentio, o evangelho faria ainda menos. O evangelho derrubou a parede de separação entre eles e conduziu ambos a Deus por meio de um único sacrifício, sem conservar as antigas cerimônias legais.

Há aqui também uma lei sobre oferecer ao Senhor a primeira parte da massa do pão. Como a lei anterior, ela se baseia na alegre certeza de que eles entrariam na terra prometida (Números 15:18). Enquanto viviam do maná, não precisavam de um lembrete tão específico de que Deus era o dono e provedor do pão de cada dia, pois o milagre por si só já mostrava isso com clareza. Mas em Canaã, onde comeriam do fruto do próprio trabalho, Deus queria que lembrassem que ele continuava sendo o verdadeiro proprietário da terra e o grande benfeitor.

Por isso, não deviam apenas entregar a ele as primícias e os dízimos do cereal do campo, que já haviam sido separados. Mesmo depois que o grão fosse trazido para casa e colocado na amassadeira, quase pronto para ir à mesa, Deus exigia outro ato de reconhecimento. Uma parte da massa, dizem os judeus, pelo menos um quarenta avos de todo o volume, devia ser oferecida a Deus (Números 15:20-21). O sacerdote a receberia para o sustento de sua casa.

Dessa forma, eles tinham de confessar sua dependência de Deus pelo pão de cada dia, mesmo quando o pão já estava em casa. Também tinham de esperar em Deus pela bênção no uso desse alimento. Lemos sobre pessoas que trouxeram muito para casa, mas Deus soprou sobre aquilo e reduziu a quase nada (Ageu 1:9). Cristo nos ensina a orar, não “Dá-nos este ano a colheita anual”, mas “O pão nosso de cada dia nos dá hoje.” Por meio dessa lei, Deus dizia ao povo o mesmo que o profeta disse depois à viúva de Sarepta: “Faze primeiro para mim um bolo pequeno” (1 Reis 17:13).

Essa oferta aparece novamente na visão do templo em Ezequiel e vem acompanhada de promessa de bênção para o lar (Ezequiel 44:30): “E as primícias de todas as vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a vossa casa.” Quando Deus recebe o que lhe é devido dos nossos bens, podemos então esperar consolo e proveito da parte que nos fica.

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