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Juízes 5:12 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Desperta, desperta, Débora, desperta, desperta, entoa um cântico; levanta-te, Baraque, e leva presos os teus cativos, tu, filho de Abinoão. "

Juízes 5:12

menu_book Versículo no contexto

10 Vós os que cavalgais sobre jumentas brancas, que vos assentais em juízo, que andais pelo caminho, falai disto.

11 Donde se ouve o estrondo dos flecheiros, entre os lugares onde se tiram águas, ali falai das justiças do Senhor, das justiças que fez às suas aldeias em Israel; então o povo do Senhor descia às portas.

12 Desperta, desperta, Débora, desperta, desperta, entoa um cântico; levanta-te, Baraque, e leva presos os teus cativos, tu, filho de Abinoão.

13 Então fez dominar sobre os nobres entre o povo, aos que restaram; fez-me o Senhor dominar sobre os poderosos.

14 De Efraim saiu a sua raiz contra Amaleque; e depois de ti vinha Benjamim dentre os teus povos; de Maquir desceram os legisladores, e de Zebulom os que levaram a cana do escriba.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Débora desperta a si mesma e a Baraque para celebrarem essa vitória da forma mais solene possível, para glória de Deus, honra de Israel, consolo dos amigos e maior vergonha dos inimigos (Juízes 5:12). Débora, como profetisa, deve fazê-lo por meio de um cântico, e se conclama a isso com urgência: “Desperta, desperta”, e de novo, “desperta, desperta”. Isso mostra ao mesmo tempo quão excelente e quão difícil era essa obra. Exigia toda a vida e vigor da alma, e ela sabia como facilmente o zelo pode enfraquecer. Louvar a Deus é uma obra para a qual devemos despertar, e com a qual devemos despertar a nós mesmos (Salmo 108:2).

Baraque, como comandante, deve celebrar de outro modo, por meio de um triunfo. “Leva presos os teus cativos” quer dizer que os prisioneiros tomados na vitória deveriam ser conduzidos acorrentados atrás dele em seu retorno público. Isso não era por orgulho cruel nem por prazer em humilhar outros. Servia para dar glória a Deus e manifestar o domínio do Senhor, que contempla os soberbos e os abate.

Em seguida Débora apresenta o motivo desse louvor e desse triunfo (Juízes 5:13). Essa vitória gloriosa fez o pequeno restante de Israel, e Débora em particular, parecer grande, mas tudo veio de Deus. Israel estava fraco e reduzido, com muitos destruídos pelo inimigo, muitos morrendo de tristeza, e alguns provavelmente dispersos com suas famílias e bens por outras terras. No entanto, os que restaram, com a ajuda de Deus, fizeram um único e valente esforço e não só sacudiram o jugo da opressão, mas passaram a dominar seus opressores. Enquanto restar algum dos de Israel de Deus, ainda que seja apenas um pequeno remanescente, há esperança. Deus pode fazer até mesmo uma única pessoa triunfar sobre os orgulhosos e poderosos.

Débora também aponta para o seu próprio papel, para mostrar o quanto tudo foi obra de Deus. Ela era mulher, e por natureza, depois da queda, em posição de sujeição; contudo, o Senhor, que está acima de todos, deu‑lhe autoridade sobre os homens fortes de Israel. Eles seguiram de boa vontade a sua orientação, e ela pôde triunfar sobre os poderosos de Canaã, que caíram diante do exército que ela conduziu. A pedra desprezada foi posta como cabeça de esquina. Isso é obra do Senhor, e é maravilhosa aos nossos olhos.

Ela então faz observações específicas sobre os diferentes grupos envolvidos na batalha, marcando quem lutou contra Israel, quem lutou por Israel e quem ficou para trás. Primeiro, ela fala da força do inimigo, para que a vitória resplandeça ainda mais. Jabim e Sísera já haviam sido citados na narrativa, mas aqui fica claro que Amaleque também se aliou a Jabim, ou procurou enviar‑lhe auxílio. Diz‑se que Efraim agiu contra Amaleque (Juízes 5:14), provavelmente interceptando alguns contingentes amalequitas a caminho de se juntarem a Sísera. Amaleque anteriormente ajudara Moabe a oprimir Israel (Juízes 3:13), e agora ajudava também Jabim. Eram inimigos antigos do povo de Deus. Sua mão estivera sempre levantada contra o trono do Senhor (Êxodo 17:16), o que os tornava especialmente perigosos.

Outros reis de Canaã, que em parte haviam se reerguido depois de serem derrotados por Josué, também se uniram a Jabim e reforçaram o seu exército. Tinham o mesmo ódio endurecido contra Israel, e esses reinos outrora estiveram sob o poder de Hazor (Josué 11:10). Esses reis vieram e pelejaram (Juízes 5:19). Israel não tinha rei, enquanto seus inimigos tinham muitos, e a força combinada deles parecia terrível. Mas Israel tinha o Senhor como seu Rei, e isso bastou para vencê‑los a todos. Diz ainda o texto que esses reis “não levaram dinheiro em despojo”, no sentido de que não eram mercenários lutando por salário. Vieram de boa vontade, cheios de ardor no ataque contra Israel. Por agirem movidos por ódio, não por ganância, tornaram‑se tanto mais perigosos e cruéis.

Débora também honra os que lutaram por Israel. As tribos que contribuíram para essa grande vitória são mencionadas com louvor, ainda que Deus sozinho mereça a glória suprema. Contudo, aqueles que ele usou devem receber a devida honra, para estímulo de outros. No fim, foi o céu que decidiu a batalha.

Efraim e Benjamim, as tribos onde Débora vivia, se despertaram e agiram corajosamente sob sua influência, pois a sua palmeira ficava em Efraim, perto de Benjamim (Juízes 5:14). A frase “de Efraim saiu uma raiz” aponta para uma força estabelecida e uma prontidão naquela tribo contra Amaleque. Alguns entendem que isso se refere ao monte chamado outeiro de Amaleque (Juízes 12:15), enquanto outros tomam como indicação de que havia naqueles corações uma raiz forte de coragem. Benjamim dera bom exemplo entre o seu povo. “Depois de ti, Benjamim, entre os teus povos”: embora Benjamim fosse tribo mais nova e menor, acompanhou quando Efraim se adiantou na causa comum. Se não temos ousadia para liderar, não devemos, por orgulho ou teimosia, recusar seguir outros numa boa obra. Efraim ficava longe do campo de batalha e não podia enviar muitos homens, mas Débora sabia que ali havia uma verdadeira raiz de boa vontade. Alguns ligam ainda esta expressão a Josué, de Efraim, e a Eúde, de Benjamim, que anteriormente tinham obtido vitórias sobre os inimigos de Israel.

Aberto o caminho por Efraim e Benjamim, Maquir, isto é, a meia tribo de Manassés a leste do Jordão, e Zebulom enviaram homens muito úteis na campanha. Quando é preciso levantar um exército, sobretudo depois de longo descuido em relação à guerra e grande desânimo, é de grande importância ter oficiais de coragem. Maquir forneceu tais homens, pois dali desceram os comandantes.

Os filhos de Maquir eram especialmente conhecidos por sua valentia nos dias de Moisés (Números 32:39), e essa coragem parece ter continuado em sua família. É provável que isso fosse fortalecido pelo fato de viverem na fronteira, onde o perigo estava sempre próximo.

Zebulom também forneceu homens instruídos e habilidosos como secretários de guerra. Eram aqueles que manejavam a pena, redigiam ordens, expediam avisos, preparavam comissões, contavam as tropas e mantinham os registros. Assim, cada um servia ao bem comum conforme o dom que recebera (1 Pedro 4:10). Os olhos veem e os ouvidos ouvem para benefício de todo o corpo. Muitos também entendem que se trata dos eruditos da tribo, homens estudiosos da lei e prontos a explicá‑la, que ainda assim pegaram em armas nesta causa, embora fossem mais treinados em livros do que em espadas.

Issacar também prestou bom serviço. Embora tivessem visto que o descanso era bom, e fossem conhecidos por inclinar o ombro para suportar cargas (Gênesis 49:15), recusaram‑se a carregar o tributo de Jabim. Preferiram a honrosa obra da guerra a uma paz preguiçosa e vergonhosa. Parece que não havia muitos soldados rasos daquela tribo, mas os príncipes de Issacar estavam com Débora e Baraque (Juízes 5:15). Provavelmente serviam como conselho de guerra, dando parecer nas emergências. E também parece que acompanharam Baraque ao campo de batalha. Se ele ia a pé, iam a pé com ele. Se desceu ao vale, lugar de maior perigo, ali se expuseram com ele e ficaram à sua destra para aconselhá‑lo. Esses eram os homens de Issacar, homens que entendiam dos tempos (1 Crônicas 12:32).

Zebulom e Naftali foram os mais ousados e ativos de todas as tribos. Foram movidos, em parte, pelo afeto por Baraque, que era de sua região. Mas também porque estavam mais próximos de Jabim, de modo que o peso da opressão caía mais sobre eles do que sobre as outras tribos. Melhor morrer com honra do que viver em escravidão. Por amor de Deus e pelo bem de sua terra, expuseram‑se ao perigo de morte nas alturas do campo de batalha (Juízes 5:18). Com corações valentes, investiram até mesmo contra carros de ferro, desprezando o perigo e enfrentando a própria morte por causa tão justa.

Débora também percebeu o próprio céu lutando por Israel. “Desde os céus pelejaram as estrelas” contra Sísera (Juízes 5:20). Sob a ordem de Deus, as estrelas podem ter agido por influências danosas ou trazendo saraiva e trovões, que ajudaram a desbaratar o exército de Sísera. A tradução aramaica diz que, desde o céu, do lugar onde as estrelas se levantam, se fez guerra contra Sísera. Isso significa que o poder do Deus do céu se voltou contra ele, valendo‑se até dos anjos celestiais. De um modo ou de outro, os corpos celestes, sem saírem de seus cursos, pelejaram contra Sísera. Quando Deus se torna inimigo de alguém, toda a criação entra em guerra contra essa pessoa.

Os relâmpagos podem ter aterrorizado os cavalos a ponto de se empinarem até quebrarem os cascos (Juízes 5:22). Podem até ter virado os carros de ferro, ou feito com que se voltassem contra seus próprios donos.

O rio Quisom também lutou contra os inimigos de Israel. Ele levou embora muitos que pensavam poder escapar por meio dele (Juízes 5:21). Normalmente era apenas um rio raso e, como estavam em seu próprio território, eles certamente conheciam bem seus vaus e as passagens mais seguras. Mas agora, provavelmente por causa de fortes chuvas, tinha-se tornado cheio, profundo e caudaloso. Os que tentaram atravessá-lo se afogaram, porque eram fracos e não conseguiam vencer a correnteza. Em seguida, “os cascos dos cavalos” se quebraram por causa do violento galopar e do bater impetuoso nas águas, como indicam as observações do texto (Juízes 5:22). Ele é chamado “aquele antigo rio” ou porque era conhecido ou celebrado por escritores antigos, ou, mais provavelmente, porque Deus já havia determinado há muito tempo usá‑lo exatamente para esse fim contra Sísera. Serviu ao propósito de Deus como se tivesse sido feito para aquele momento, assim como se diz que Deus preparou “as águas do açude velho” desde muito antes para o uso que delas se faria (Isaías 22:11).

A própria alma de Débora também lutou contra eles. Ela fala disso com santa alegria: “Ó minha alma, pisaste a força” (Juízes 5:21). Ela fez isso incitando os outros a avançar e ajudando-os de todo o coração. Fez isso também por meio da oração. Assim como Moisés venceu Amaleque erguendo as mãos, Débora venceu Sísera erguendo o coração. Quando a alma se entrega a uma obra santa, e o coração realmente se envolve nela, a graça de Deus nos ajuda a pisar a força de nossos inimigos espirituais, e eles cairão diante de nós.

Nessa grande batalha, Débora também observa aqueles que ficaram neutros e não se colocaram ao lado de Israel, embora devessem. Chama a atenção quantos, até mesmo entre os que levavam o nome de israelitas, abandonaram vergonhosamente essa causa gloriosa e se recusaram a se apresentar. Judá e Simeão não são mencionados entre as tribos envolvidas, porque habitavam longe demais do campo de batalha para que se esperasse sua presença. Mas quanto às tribos que moravam perto e ainda assim não quiseram ajudar, Débora coloca sobre elas uma marca duradoura de vergonha, e fizeram por merecê-la.

Rúben vergonhosamente se recusou a entrar na luta (Juízes 5:15, 5:16). Muito tempo antes, já havia perdido os direitos de primogênito, e ainda soavam sobre ele as palavras de seu pai à beira da morte: “Inconstante como a água, não serás o mais excelente” (Gênesis 49:4). Duas coisas os retiveram. Uma foram suas divisões. Débora menciona duas vezes essa vergonha. Entre as divisões de Rúben, houve grandes propósitos, muitas indagações de coração e angústia interior. Isso pode significar que estavam divididos entre si e não conseguiam decidir quem deveria ir ou quem deveria liderar. Cada um desejava o lugar de honra e evitava o lugar de perigo, de modo que suas contendas os impediram de se unirem para o bem comum. Ou pode significar que seu parecer sobre a guerra estava dividido em relação às outras tribos. Talvez tenham achado o esforço ou ilícito ou impossível, e assim criticaram os que entraram na peleja, enquanto eles mesmos se recusaram a fazê‑lo. Isso causou grande dor nos demais, sobretudo quando suspeitaram que a imobilidade de Rúben vinha de um amor esfriado por seus irmãos e de um coração que se afastava deles.

É doloroso ver os filhos da mesma mãe irarem‑se contra nós porque fazemos o nosso dever, e nos olharem como estranhos justamente quando mais precisamos de sua amizade e ajuda.

Rúben ficou entre os apriscos, que eram lugar mais quente e seguro que o campo de batalha. Arrumou desculpas, dizendo que não podia facilmente deixar as ovelhas que guardava. Amava, como o verso expressa, ouvir as vozes dos rebanhos, ou talvez os cantos dos pastores e o som das flautas de caniço, mais do que o ruído da guerra. Do mesmo modo, muitos são impedidos de cumprir seu dever pelo medo das dificuldades, pelo amor ao conforto e por um apego exagerado aos próprios negócios e lucros.

Esses espíritos mesquinhos e egoístas não se importam com o que acontece à igreja de Deus, contanto que possam ganhar, guardar e acumular dinheiro. “Todos buscam o que é seu” (Filipenses 2:21).

Dã e Aser fizeram o mesmo (Juízes 5:17). Essas duas tribos moravam ao longo do litoral. Dã talvez tenha dito que não podia deixar seus navios porque ficariam desprotegidos, e assim pediu para ser dispensado. Podiam ter alegado que seu comércio marítimo os tornava impróprios para o serviço em terra, mas Zebulom também era tribo portuária e, mesmo assim, apresentou‑se com ousadia nessa batalha.

Nenhuma desculpa que inventamos para fugir do dever é inédita. Outros já atravessaram os mesmos obstáculos e fizeram o que nós nos recusamos a fazer, e a coragem deles permanece como reprovação para nós. Aser talvez tenha dito que precisava ficar em casa para reparar os estragos que o mar havia feito em sua terra, ou para proteger seus pequenos portos onde atracavam seus navios de comércio. Qualquer pequeno incômodo basta para aqueles que não têm desejo de participar da obra mais difícil e mais necessária, justamente porque é perigosa e custosa.

Mas Meros é condenado acima de todos, e uma maldição é pronunciada contra o seu povo porque não veio em auxílio do Senhor (Juízes 5:23). Provavelmente era uma cidade perto da cena da batalha, de modo que seu povo teve clara oportunidade de demonstrar obediência a Deus e zelo por Israel, ajudando na causa comum. Recusaram-se vergonhosamente, porque temeram os carros de ferro de Jabim e quiseram preservar a própria segurança.

O Senhor não precisava da ajuda deles. Mostrou que podia dar a vitória sem eles. Contudo, isso não os desculpava, porque eles não sabiam se a batalha poderia fracassar sem o seu apoio. Por isso são amaldiçoados por não terem vindo em auxílio do Senhor, quando o chamado era, em essência: “Quem é do lado do Senhor?”. A luta entre Deus e os poderes das trevas não admite neutralidade. Deus considera como contra ele aqueles que não estão com ele.

Essa maldição é pronunciada pelo Anjo do Senhor, isto é, pelo próprio Mensageiro do Senhor, nosso Senhor Jesus, o Capitão do exército do Senhor. Aqueles a quem ele amaldiçoa, de fato ficam amaldiçoados. Não devemos amaldiçoar além da autoridade que ele nos dá. Ele recompensará ricamente todos os seus soldados fiéis, e certamente punirá com rigor todos os covardes e desertores.

Meros parece ter sido um lugar importante naquela época, pois se esperava muito dele. Mas, depois que o Anjo do Senhor pronunciou essa maldição, provavelmente entrou em decadência e mirrou, como a figueira que Cristo amaldiçoou. Nunca mais ouvimos falar dela nas Escrituras.

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