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Juízes 5:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E cantou Débora e Baraque, filho de Abinoão, naquele mesmo dia, dizendo: "

Juízes 5:1

menu_book Versículo no contexto

1 E cantou Débora e Baraque, filho de Abinoão, naquele mesmo dia, dizendo:

2 Louvai ao Senhor pela vingança de Israel, quando o povo se ofereceu voluntariamente.

3 Ouvi, reis; dai ouvidos, príncipes; eu, eu cantarei ao Senhor; salmodiarei ao Senhor Deus de Israel.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O capítulo anterior mostrou as grandes coisas que Deus havia feito por Israel. Neste capítulo ouvimos a resposta agradecida de Israel, para que em todas as eras da igreja se aprenda essa obra do céu: o louvor a Deus.

Aqui Deus é louvado em um cântico, e isso é um modo muito natural de expressar alegria. Se alguém está alegre, cante. A alegria santa é o próprio coração e a raiz do louvor e da ação de graças. Deus se agrada em considerar‑se honrado quando encontramos a nossa alegria nele e em suas obras maravilhosas. A alegria de seus servos o deleita, e seus cânticos são música para ele.

Um cântico também é uma boa forma de espalhar conhecimento e manter grandes eventos na memória. Os vizinhos aprenderiam esse cântico uns com os outros, e as crianças com seus pais. Assim, mesmo aqueles que não tinham livros, ou não sabiam ler, aprenderiam o que Deus tinha feito. Dessa maneira, uma geração louvaria as obras de Deus para a outra e anunciaria seus poderosos feitos (Salmo 145:4).

Débora, a profetisa e juíza de Israel, compôs esse cântico, como fica claro em Juízes 5:7, onde se lê: “Até que eu, Débora, me levantei”. As palavras de abertura podem ser entendidas como: “Então cantou Débora”. Ela usou seu dom de profetisa ao compô‑lo, e todo o cântico é nobre e belo. As imagens são vívidas, a linguagem é elegante, e une doçura e majestade de modo admirável. Nenhuma poesia se compara à poesia santa das Escrituras.

Provavelmente ela também usou sua autoridade como governante para fazer com que o exército vitorioso de Israel aprendesse e cantasse esse cântico. Ela não pediu que celebrassem o seu próprio louvor ou que a exaltassem. Em vez disso, conduziu o povo a unir‑se a ela em louvar a Deus e honrá‑lo. Ela tinha sido a primeira na ação, e agora é a primeira na ação de graças.

O cântico foi entoado naquele mesmo dia, ou logo depois, quando se pôde marcar um dia de gratidão. Quando recebemos misericórdia de Deus, devemos responder prontamente com louvor, enquanto essa misericórdia ainda está viva em nossa lembrança. É como uma dívida que deve ser paga no dia do vencimento.

Ela começa com um chamado geral a louvar o Senhor (Juízes 5:2). Esse é o propósito de todo o cântico, por isso vem primeiro e dá forma a tudo o que se segue, assim como “santificado seja o teu nome” vem em primeiro lugar na Oração do Senhor. Aqui Deus é louvado por duas coisas. Primeiro, porque julgou os inimigos de Israel e retribuiu aos opressores orgulhosos e cruéis todo o mal que haviam feito ao seu povo. O Senhor é conhecido como Deus justo, e é o Deus a quem pertence a vingança, porque ele executa o juízo. Segundo, porque concedeu graça aos amigos de Israel, quando o povo se ofereceu voluntariamente para essa guerra. Deus deve receber a glória por todo serviço bom feito em nosso favor, e quanto mais voluntariamente ele é prestado, mais devemos notar a graça que produz tanto o querer como o realizar.

Por essas razões, Débora diz que deixará esse cântico como um registro permanente, para honra do Deus eterno (Juízes 5:3). “Eu, sim, eu cantarei ao Senhor, a Jeová”, o Deus cujo domínio não pode ser contestado e cujo poder não pode ser resistido, “ao Senhor Deus de Israel”, que governa todas as coisas para o bem de sua igreja.

Ela então convoca os grandes da terra, os que se assentam em lugares elevados, a ouvirem o seu cântico e prestarem atenção ao seu tema: “Ouvi, ó reis! Dai ouvidos, ó príncipes!” Ela quer que saibam que, por mais altos que sejam, há Um acima deles, e que é loucura lutar contra ele. Também é para o próprio bem deles submeter‑se a ele, pois cavalos e carros de guerra não podem dar verdadeira segurança.

Ela deseja ainda que eles se unam a ela em louvar o Deus de Israel, em vez de adorarem deuses falsos, como fez Belsazar ao louvar deuses de ouro e de prata (Daniel 5:4). Ela lhes fala como o salmista: “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai‑vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor” (Salmo 2:10-11). E quer que aprendam com a queda de Sísera, para que jamais ousem prejudicar o povo de Deus, porque Deus certamente defenderá a causa de seu povo em seu zelo.

Em seguida, ela olha para as obras anteriores de Deus e as compara com esta, para que a glória desse grande livramento brilhe ainda mais claramente. O que Deus está fazendo agora deve nos lembrar do que ele já fez, porque ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Juízes 5:4). As palavras “Senhor, quando saíste de Seir” podem ser entendidas de duas maneiras. Podem descrever o poder e a justiça de Deus manifestos contra os inimigos de Israel, e Habacuque 3:3-4 fala de modo semelhante sobre a ruína dos inimigos da igreja. Quando Deus conduziu Israel ao sair de Edom, abateu Seom e Ogue debaixo dos seus pés, e feriu seus exércitos com tal terror que parecia que céu e terra se encontravam. Seus corações desfaleceram, como se o mundo inteiro estivesse derretendo ao redor deles.

Ou essas palavras podem apontar para a manifestação gloriosa da majestade de Deus a Israel quando lhes deu a sua lei no monte Sinai. Então foi literalmente verdade que a terra tremeu, os céus gotejaram, e os montes estremeceram. Compare Deuteronômio 33:2 e Salmo 68:7-8. Que todos os reis e príncipes saibam que é esse o Deus que Débora louva, e não ídolos fracos e impotentes como aqueles que eles adoravam. Uma antiga paráfrase caldaica entende essas palavras como referência à entrega da lei, mas acrescenta um pensamento curioso sobre os montes derretendo. Diz‑se ali que Tabor, Hermom e Carmelo teriam disputado a honra de receber a presença de Deus, mas que o Senhor escolheu antes o monte Sinai, o mais baixo e o menor de todos. Entendo “menor” no sentido de menos valioso, por ser um monte estéril e rochoso.

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