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Miqueias 6:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Ouvi agora o que diz o SENHOR: Levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz. "

Miqueias 6:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ouvi agora o que diz o SENHOR: Levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz.

2 Ouvi, montes, a demanda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da terra; porque o Senhor tem uma demanda com o seu povo, e com Israel entrará em juízo.

3 Ó povo meu; que te tenho feito? E com que te enfadei? Testifica contra mim.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui o profeta começa com uma convocação muito solene, para que o povo preste muita atenção: “Ouvi agora o que diz o SENHOR”. O que o profeta fala vem de Deus e é em nome de Deus, portanto deve ser ouvido não como palavra de um homem pecador e mortal, mas como palavra do Deus santo e vivo. Ouçam agora, porque cedo ou tarde Deus será ouvido.

O profeta também é orientado a falar com força e urgência: “Levanta-te, contende com os montes, e ouçam os outeiros a tua voz”. Ele deve falar como se pudesse fazer até os montes ouvirem. Isso serve para despertar a própria seriedade dele, para que clame abertamente e com ousadia, sem vergonha e sem medo. E, ao mesmo tempo, expõe a insensibilidade do povo, pois, se eles não querem ouvir, então até colinas e rochedos podem ser chamados como testemunhas de que Israel foi devidamente advertido.

A mensagem em si é comovente. Deus tem uma causa contra o seu povo, e como os pecados deles são públicos, a acusação também é pública. O SENHOR tem uma controvérsia com o seu povo e vai contender com Israel por meio de seus profetas e por meio de suas providências, isto é, pelos acontecimentos com que governa a vida deles. O pecado sempre cria uma contenda entre Deus e o homem. O Deus justo tem uma reivindicação real contra todo pecador, seja por dívida, por injustiça ou por falsidade.

Se Israel, o seu próprio povo que professa o seu nome, o provoca com o pecado, Deus deixará claro que tem uma controvérsia com eles. Os pecados deles o entristecem e desonram o seu nome mais do que os pecados dos demais povos. No entanto, quando Deus pleiteia com o seu povo, ele o faz para convencê-lo e para mostrar que ele é justo. No fim do capítulo anterior, ele pleiteou contra as nações em ira, para abatê-las. Aqui ele pleiteia com Israel em bondade, para trazê-lo de volta. Ele argumenta conosco para nos ensinar a argumentar conosco mesmos.

Deus primeiro lhes pede que mostrem o que ele teria feito contra eles que pudesse justificar o afastamento deles. Eles se rebelaram, mas será que ele os tratou mal? “Povo meu, que te tenho feito? E com que te enfadei?” Quando súditos abandonam o seu rei, costumam alegar que o jugo dele é pesado demais. Mas Israel poderia alegar isso aqui? Teria Deus agido com injustiça, ou tornado insuportável o serviço a ele? Teria imposto exigências duras ou tributo irracional? Ele nunca os enganou, nunca os frustrou, nunca lhes fez mal. Então por que eles o tratam mal, desonram-no e frustram as suas justas expectativas?

Em seguida, Deus os faz olhar de volta para seus muitos atos de misericórdia, coisas que deveriam tê-los prendido ao seu serviço para sempre. Eles são chamados a lembrar seus primeiros dias, quando Deus primeiramente os formou em povo, e a recordar as grandes obras que fez em favor deles. Primeiro, ele os tirou do Egito, terra de escravidão. Eles já estavam acomodados ao cativeiro e pareciam até preferir ficar ali por causa da comida. Mas Deus os tirou, deu-lhes ânimo para buscar a liberdade e quebrou as suas correntes. Ele os remiu, não pagando um preço, mas com poder, da casa da servidão. A ideia é clara: se as misericórdias de Deus não nos movem ao dever, elas se levantarão como razões contra nós em nosso pecado.

Ele não os deixou no deserto sem ajuda. Enviou diante deles Moisés, Arão e Miriã, três líderes que os conduziram no caminho. Moisés foi o grande profeta do Antigo Testamento, Arão foi seu porta-voz (Êxodo 7:1), e Miriã foi profetisa (Êxodo 15:20). Quando lembramos da bondade de Deus, não devemos esquecer o dom de mestres e líderes fiéis que ele nos dá, especialmente em nossa formação. Deus os enviou adiante de seu povo para preparar o caminho do SENHOR e preparar um povo para ele.

Deus também mostrou a sua misericórdia ao introduzi-los em Canaã. Honrou-os tanto ao conduzi-los à terra de descanso como ao tirá-los da escravidão. Mesmo depois que Moisés, Arão e Miriã morreram, Deus permaneceu o mesmo. Eles deviam lembrar o que ele fez por eles ali, começando por como frustrou os planos de Balaque e Balaão contra Israel, mostrando seu poder sobre corações e palavras humanas (Números 22–24).

Devem lembrar o que Balaque, rei de Moabe, tramou contra Israel quando acamparam nas campinas de Moabe. Ele queria amaldiçoar Israel, romper a aliança deles com Deus e afastar deles a proteção divina. Entre as nações, muitos imaginavam poder, por meio de magias e rituais, expulsar os deuses protetores de um povo, como se tentassem roubar o talismã sagrado que guardava uma cidade. Havia até cerimônias descritas de “chamar para fora” os deuses.

Balaque tentou esse tipo de ataque contra Israel. Mas lembrem-se do que Balaão, filho de Beor, respondeu a ele, e de como essa resposta contrariou o próprio desejo de Balaão. Em vez de amaldiçoar Israel, ele o abençoou, para grande vergonha e ira de Balaque. Israel devia lembrar o ódio das nações e, por isso, nunca aprender seus caminhos nem se juntar a elas. Devia também lembrar a bondade de Deus, que transformou a maldição em bênção, “porque o SENHOR teu Deus te amava” (Deuteronômio 23:5), e, por isso mesmo, nunca se afastar dele.

Quando os inimigos da igreja são frustrados, isso deve sempre ser lembrado para glória do Protetor da igreja, que pode fazer com que a resposta que sai da boca de alguém contradiga diretamente os planos que estavam formados no coração (Provérbios 16:1).

Em segundo lugar, eles deviam lembrar como Deus os trouxe de Sitim até Gilgal. Sitim foi o último acampamento antes de entrarem em Canaã, e Gilgal foi o primeiro acampamento dentro da terra. Entre esses dois lugares, depois da morte de Moisés, Josué, figura de Cristo, foi levantado para introduzir Israel na terra prometida e guerrear as suas batalhas. Ali atravessaram o Jordão por águas divididas, e ali renovaram a aliança por meio da circuncisão. Essas misericórdias concedidas aos pais deviam fazê-los lembrar a justiça do SENHOR: sua retidão em destruir os cananeus, sua bondade em dar descanso ao seu povo e sua fidelidade à promessa feita aos patriarcas.

Refletir sobre o que Deus havia feito por eles deveria tê-los convencido de tudo isso e prendido ao seu serviço para sempre. Ou essas palavras podem apontar para a própria causa agora em discussão entre Deus e Israel. Que eles lembrem os muitos favores de Deus para com eles e seus pais, e comparem isso com a ingratidão do próprio comportamento. Então verão a justiça do SENHOR em lidar com eles, e ficará claro que, nesse caso, Deus tem razão. Seus caminhos são retos, pois será justificado quando falar e puro quando julgar.

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