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Miqueias 6:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? "

Miqueias 6:6

menu_book Versículo no contexto

4 Pois te fiz subir da terra do Egito, e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti a Moisés, Arão e Miriã.

5 Povo meu, lembra-te agora do que consultou Balaque, rei de Moabe, e o que lhe respondeu Balaão, filho de Beor, e do que aconteceu desde Sitim até Gilgal, para que conheças as justiças do Senhor.

6 Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano?

7 Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?

8 Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta é a tentativa de fazer paz entre Deus e Israel, as duas partes em conflito no início do capítulo. Depois que o caso é examinado, o juízo é contra Israel. Eles são achados culpados de injustiça e ingratidão para com Deus, exatamente as acusações que lhes foram apresentadas. Sua culpa é clara demais para ser negada e grande demais para ser desculpada.

Então começam a perguntar como podem ter paz com Deus em qualquer condição. “Com que me apresentarei ao Senhor?” é a pergunta deles (Miqueias 6:6,7). Uma vez que reconhecem que a causa de Deus contra eles é justa, e temem o que vai acontecer, querem saber como podem ser reconciliados com ele e tê-lo como amigo. Eles procuram o profeta, o mensageiro do Senhor, aquele que já tinha ajudado a convencê-los do pecado. Quem melhor para apontar o caminho certo do que aquele que mostrou onde haviam se desviado?

É importante notar que cada pessoa fala por si: “Com que me apresentarei?” Conhecendo a doença do próprio coração, cada um pergunta: “Que farei eu?”, e não: “O que fará aquela outra pessoa?”. Profunda convicção de culpa e temor da ira de Deus levam as pessoas a buscar com cuidado a paz e o perdão. Só então a verdadeira esperança começa.

Eles perguntam como podem apresentar-se diante do Senhor e inclinar-se diante do Deus Altíssimo. Agora creem que há um Deus, que ele é o Senhor e que é o Altíssimo. Quando a consciência é despertada, as pessoas começam a falar de Deus com muito mais honra do que antes. Sabem que precisam vir à sua presença, porque ele é o Deus diante de quem todos devem prestar contas. Devemos vir como súditos para honrá-lo, como mendigos para pedir misericórdia e como culpados diante do juiz.

Ao vir perante ele, é preciso inclinar-se diante dele. A nossa aproximação de Deus deve ser humilde e reverente. Uma vez na sua presença, não há sentido em resistir a ele. É preciso submeter-se. A grande preocupação deles é: O que agradará ao Senhor? Quem realmente entende o próprio bem deseja saber como agradar a Deus, evitar sua ira e alcançar seu favor.

Para agradar a Deus, eles sabem que o pecado que o ofendeu precisa ser tirado do caminho, e que é necessário haver expiação. Por isso perguntam: “Que darei pela minha transgressão, pelo pecado da minha alma?” O pecado é chamado de pecado da alma porque é a alma que o comete, a alma que sofre por causa dele, e é a alma que ele mancha e desordena. Ele ameaça a alma com a morte. Eles querem saber o que poderia satisfazer a justiça de Deus, restaurar sua honra e livrá-los de sua ira.

Assim, a questão se torna: “Com que me apresentarei diante dele?” Não devemos comparecer vazios perante o Senhor. O que levar? Como vir? Em nome de quem vir? Em nós mesmos, não temos nada que possa obter seu favor. Precisamos recebê-lo de outro. Com que justiça, então, poderemos estar de pé diante dele?

Eles fazem propostas, embora não muito sábias. A pergunta em si era boa e correta, e todos deveriam fazê-la. Mas as sugestões deles revelam confusão, ainda que mostrem zelo. Oferecem coisas de grande valor. Falam de “milhares de carneiros”. Deus havia exigido um carneiro para oferta pelo pecado, mas eles oferecem rebanhos, até milhares, como se estivessem prontos a empobrecer só para ter paz com Deus. Também oferecem o que lhes é mais caro, seus filhos mais velhos, como se pudessem entregar o fruto do seu corpo pelo pecado da sua alma.

Para quem está preso em pensamentos vãos, isso pode parecer um modo justo de compensar o pecado, já que os filhos são parte de nós mesmos. Por isso os pagãos sacrificavam seus filhos, para tentar acalmar seus deuses irritados. Mas quem sente de verdade o peso do pecado daria tudo o que tem, se pudesse, para obter paz e perdão.

Ainda assim, não oferecem o que é certo. Algumas coisas que mencionam pertenciam à lei cerimonial, como holocaustos, bezerros de um ano, carneiros para oferta pelo pecado e azeite para ofertas de cereais. Porém, essas coisas, por si só, jamais poderiam recomendá-los a Deus. Deus já havia declarado que obedecer é melhor do que sacrificar, e ouvir é melhor do que a gordura de carneiros. O sacrifício, em si mesmo, separado do mandamento de Deus, não tinha poder para tirar pecado. Seu valor vinha da ordem de Deus e de sua ligação com Cristo, a grande expiação, o único sacrifício que trata de fato com o pecado.

Outras coisas que mencionam são impossíveis, como rios de azeite. A natureza nos dá rios de água para a necessidade, não rios de azeite para luxo. Qualquer caminho de fazer paz com Deus fora do evangelho é tolice. Um só fio de sangue de Cristo vale muito mais do que dez mil rios de azeite.

Algumas propostas deles são más, especialmente dar o primogênito e o fruto do corpo à morte. Isso só aumentaria a culpa deles. Deus odeia roubo para holocausto, e com certeza odeia homicídio, ainda que seja apresentado como culto. Os filhos já pertencem a Deus. Eles mesmos nascem sob o pecado, e suas próprias vidas já estão perdidas por causa de seus próprios pecados. Como poderiam pagar pelos pecados de outros?

Todas essas ofertas são coisas exteriores, parte de uma religião apenas de corpo, que pouco aproveita. Elas nunca poderiam tornar uma pessoa justa diante de Deus. Não podiam satisfazer a justiça divina, nem reparar a desonra feita a Deus pelo pecado, nem substituir um coração transformado e uma vida melhor. As pessoas abandonam quase qualquer coisa, menos os próprios pecados, mas nada do que abandonam agrada a Deus se não abandonarem também o pecado.

Então, em Miqueias 6:8, Deus declara claramente o que requer daqueles que desejam ser aceitos por ele. Que se gaste o dinheiro de quem pensa que o perdão do pecado e o favor de Deus podem ser comprados. Não, Deus já te mostrou, ó homem, o que é bom. Aqui somos informados de que Deus nos revelou sua vontade, para corrigir nossos erros e orientar bem nossa vida.

É o próprio Deus quem nos mostrou o que devemos fazer. Não precisamos inventar nossos próprios termos, pois a questão já está decidida. Aquele a quem ofendemos, e a quem devemos prestar contas, declarou em que condições se reconciliará conosco.

Isso é mostrado ao homem, não só a Israel, mas a toda pessoa. Gentios e judeus estão incluídos. É dirigido a seres humanos, que podem compreender, e não a animais, e àqueles para quem Deus providenciou remédio, não a demônios, cujo caso é sem esperança. O que Deus fala a todos, em geral, deve ser recebido pela fé por cada um, como se ele o declarasse pelo nome a cada indivíduo.

Trata-se de uma revelação do que é bom e do que o Senhor requer de nós. Deus nos mostra o alvo, mostrando o que é bom, onde se encontra a verdadeira felicidade. E mostra o caminho para esse alvo, revelando o que ele exige. Há algo que Deus requer que façamos para ele e dediquemos a ele, e isso é bom. É bom em si mesmo. Deveres morais possuem uma bondade interior, anterior ao mandamento. Não são como atos cerimoniais, que são bons somente porque são ordenados. Os deveres morais são ordenados porque são bons, em conformidade com a regra imutável do certo e do errado.

Esse dever também é bom para nós. Viver de acordo com ele não é apenas condição da felicidade futura, mas grande ajuda para a felicidade presente. Em guardar os mandamentos de Deus há grande recompensa, já agora, e também no porvir. Deus não apenas fez isso conhecido, mas o tornou claro. Ele o mostrou com provas tão firmes que é tão certo quanto uma demonstração.

O bem que Deus requer de nós não é pagar um preço para comprar perdão e aceitação diante dele. É cumprir o dever que cabe àqueles que recebem o perdão já adquirido. Devemos praticar a justiça, dando a cada um o que lhe é devido, segundo nosso dever e relação com essa pessoa. Não devemos prejudicar ninguém, mas fazer o que é direito para todos, quanto ao corpo, aos bens e à boa fama.

Devemos amar a misericórdia. Precisamos ter prazer nela, como o nosso Deus tem, e alegrar-nos com qualquer oportunidade de fazer o bem. Devemos exercê-la livremente e de boa vontade. A justiça vem antes da misericórdia, porque não devemos dar em caridade o que foi adquirido de modo injusto, nem usar presentes para encobrir dívidas não pagas. Deus odeia roubo oferecido em holocausto.

Devemos andar humildemente com o nosso Deus. Isso inclui todos os deveres para com Deus, assim como os dois deveres anteriores incluem nossos deveres para com o próximo. Devemos tomar o Senhor como nosso Deus de aliança, atender à sua vontade, permanecer perto dele como nosso, e fazer de agradá-lo o alvo constante da nossa vida. Quando Enoque andou com Deus, isso quer dizer que agradou a Deus (Hebreus 11:5).

Em toda a nossa conduta, devemos moldar-nos pela vontade de Deus, manter a comunhão com ele e buscar mostrar-nos íntegros diante dele. Devemos fazer isso com humildade, submetendo nossa mente à verdade de Deus e nossa vontade aos seus mandamentos e aos seus desígnios providenciais. Devemos nos humilhar para andar com Deus.

Todo pensamento orgulhoso dentro de nós precisa ser abatido e tornado obediente a ele, se quisermos andar com ele em paz. É isso que Deus requer, e sem isso, as ofertas mais caras se tornam presentes inúteis. Tal coração obediente e humilde vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

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