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Isaías 51:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do Senhor o cálice do seu furor; bebeste e sorveste os sedimentos do cálice do atordoamento. "

Isaías 51:17

menu_book Versículo no contexto

15 Porque eu sou o Senhor teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O Senhor dos Exércitos é o seu nome.

16 E ponho as minhas palavras na tua boca, e te cubro com a sombra da minha mão; para plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Tu és o meu povo.

17 Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do Senhor o cálice do seu furor; bebeste e sorveste os sedimentos do cálice do atordoamento.

18 De todos os filhos que ela teve, nenhum há que a guie mansamente; e de todos os filhos que criou, nenhum há que a tome pela mão.

19 Estas duas coisas te aconteceram; quem terá compaixão de ti? A assolação, e o quebrantamento, e a fome, e a espada! Por quem te consolarei?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Deus já se levantou para consolar o seu povo, e agora chama o próprio povo a levantar-se também, como voltará a fazer depois (Isaías 52:1). É um chamado para despertar, não tanto do sono do pecado, embora isso também seja necessário, mas do entorpecimento pesado do desespero. O povo de Jerusalém, no exílio, estava tão esmagado pela tristeza que não tinha mais forças nem para buscar consolo ou alívio. Eram como os discípulos no jardim, que dormiam de tristeza (Lucas 22:45), e como pessoas que, mais tarde, quando o livramento veio, pareciam ter sonhado (Salmo 126:1).

É também um chamado para despertar como que dentre os mortos, semelhante à ordem dada aos ossos secos para viverem (Ezequiel 37:9). É como se Deus dissesse: “Acorde, olhe ao redor e veja a alvorada do seu livramento. Recompõe-te, não afundes debaixo do peso, mas levanta-te e age em favor da tua própria ajuda.” O mesmo chamado cabia a Jerusalém no tempo do apóstolo Paulo, quando ela estava “em escravidão com seus filhos” (Gálatas 4:25) e sob “espírito de assombramento” (Romanos 11:8). Foi-lhe dito que despertasse, que prestasse atenção às coisas que diziam respeito à sua paz eterna; então o cálice de atordoamento seria tirado de sua mão, a paz lhe seria anunciada, e ela triunfaria sobre Satanás, que havia cegado os seus olhos e a havia feito adormecer.

A condição miserável de Jerusalém é plenamente reconhecida. Ela há muito tempo se achava debaixo de sinais da ira de Deus. Ele colocara em sua mão o cálice do seu furor, isto é, a porção reservada para ela da sua justa indignação. Suas atitudes para com Jerusalém davam todo motivo para se concluir que ele estava irado, pois ela o havia provocado fortemente. O cálice do furor de Deus torna-se um cálice de atordoamento para todos os que são obrigados a bebê-lo; pecadores perdidos descobrirão que isso é verdade para sempre. O Salmo 75:8 diz que os ímpios beberão os sedimentos, a borra pesada no fundo do cálice. Jerusalém, que havia se tornado semelhante às nações ímpias ao seu redor, foi constrangida a espremer até a última gota e beber esse cálice sozinha. Onde houve um cálice de idolatria, mais cedo ou mais tarde haverá um cálice de furor. Portanto, tema e não peque.

Os que deveriam tê-la ajudado em sua angústia a decepcionaram, quer porque não podiam, quer porque não queriam ajudar, como o versículo seguinte mostra. Ela estava embriagada pelo cálice do furor de Deus e, por isso, tropeçava em seu juízo e em seus esforços. Não sabia o que dizer nem o que fazer. Nessa triste condição, entre todos os seus filhos, nenhum podia guiá-la. Sião tinha muitos filhos ilustres, pois se dizia dela que ali haviam nascido homens importantes (Salmo 87:5), mas nenhum deles a tomou pela mão para impedi-la de cair ou de trazer vergonha sobre si mesma. Ninguém lhe estendeu a mão para erguê-la da aflição, nem pronunciou uma palavra para consolá-la no meio dela. Não deve causar espanto se até pessoas sábias e piedosas forem decepcionadas por seus filhos e não encontrarem neles a ajuda que esperavam. Filhos que antes foram como flechas na mão de um pai podem se tornar flechas cravadas em seu coração. Jerusalém não tinha príncipe, nem sacerdote, nem profeta que tivesse suficiente senso de dever ou gratidão para socorrê-la quando mais precisava. É semelhante à queixa do Salmo 74:9: “Já não há profeta, nem há entre nós alguém que saiba até quando.”

O que tornava a decepção ainda mais amarga era, primeiro, que seu sofrimento era muito grande, e, contudo, ninguém a compadecia ou ajudava. “Estas duas coisas te aconteceram”, diz o Senhor, “para consumar a tua ruína”: fome e espada, dois juízos severos (Isaías 51:19). Ou as duas coisas podem ser entendidas como a própria ruína, composta de desolação, destruição, fome e espada, juntamente com o estado de desamparo e desconsolo em que ela se encontrava sob tudo isso. É coisa triste estar em tamanha miséria e não ter quem se compadeça, quem compartilhe a dor, carregue o fardo, console o coração ou ajude a aliviar a angústia. Parecido duplo sofrimento é mencionado mais tarde a respeito de Babilônia: perda de filhos e viuvez (Isaías 47:9). Quando a miséria vem por causa do próprio pecado e loucura de alguém, e quando essa pessoa se torna amarga e difícil sob tal disciplina, quem ainda se compadecerá dela? Quem não quer ouvir conselho não pode ser ajudado.

Segundo, aqueles que deveriam ter consolado Jerusalém também desfaleceram de medo e desespero (Isaías 51:20). Desmaiaram, totalmente desencorajados, sem paciência para conservar a paz nem fé na promessa de Deus para manterem a calma. Na sua tristeza, jaziam “à cabeça de todas as ruas”, como quem clama a todos os que passam (Lamentações 1:12). Estavam famintos e definhando. Eram como um touro bravo preso na rede, que se debate para se libertar, mas apenas piora a própria situação. Pelo próprio ímpeto, ira e descontentamento, enredavam-se ainda mais.

Em contraste, os que têm espírito manso e quieto são como uma pomba na rede. Permanecem mais serenos no sofrimento porque confiam em Deus como seu protetor. A causa do povo de Deus, e da santa religião que confessa, é uma causa justa, do contrário o Deus justo não se levantaria para defendê-la. Ainda assim, por um tempo ela pode ser abatida e parecer perdida. Porém, Deus a pleiteará, seja convencendo a consciência de seus inimigos, seja frustrando seus planos. Ele mostrará ao mundo a retidão e a beleza dessa causa e dará êxito aos que a sustentam. É a sua própria causa, e, porque a assumiu como sua, ele a defenderá com zelo.

Terceiro, esses sofrimentos logo chegariam ao fim, e o povo se despediria deles para sempre. “Eu te tomo da mão o cálice de atordoamento”, diz ele, “aquele cálice amargo; passará de ti.” Não adianta atirar o cálice fora e dizer: “Não o beberemos, não podemos bebê-lo.” Se nos submetermos em quietude, a mesma mão que o colocou em nossa mão o tirará novamente.

Mais ainda, a promessa é: “Nunca mais dele beberás.” Deus pôs de lado a causa que tinha contra seu povo e não tornará a trazer aquele julgamento sobre ele.

Os perseguidores e opressores, por sua vez, serão obrigados a beber o mesmo cálice amargo que impuseram aos outros (Isaías 51:23). Veja como ousadamente abusaram e esmagaram o povo de Deus. Disseram à tua alma, à tua própria vida: “Abaixa-te, para que passemos sobre ti.” Disseram isso até à consciência, gloriando-se em forçar o povo a adorar ídolos e sentindo prazer nisso.

Nisso, a Babilônia posterior segue o mesmo caminho do antigo opressor. Ela tiraniza sobre as consciências, domina as pessoas, oprime-as e as força a concessões pecaminosas. Quem estabelece um suposto líder ou juiz infalível, exige confiança cega em suas decisões e obediência submissa a seus mandamentos, na prática está dizendo às almas: “Abaixa-te, para que passemos sobre ti.” E o faz com satisfação.

Veja também até onde o povo de Deus chegou, pois o pecado lhe havia tirado grande parte da coragem e do senso de honra. “Puseste o teu corpo como o chão.” Os opressores exigiam mais do que obediência exterior; queriam que as almas se sujeitassem a eles, para que todos cressem e adorassem exatamente como lhes agradasse.

Mas, na realidade, tudo o que obtiveram foi obediência exterior. O povo punha o corpo como chão, porém isso não passava de submissão externa e hipócrita. A consciência não pode ser forçada, e esse tipo de sujeição não é aprovado aqui. Ainda assim, Deus tratará com justiça aqueles que agiram com tanta dureza contra o seu povo. “O cálice de atordoamento” será posto na mão deles.

O sofrimento de Babilônia será tão severo quanto fora o de Jerusalém. Os perseguidores de Daniel serão lançados na cova de Daniel e saberão o que é isso. Nesses juízos, o Senhor se dá a conhecer.

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