Josué 19:1
" Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. "
Entenda os temas principais e aplique Josué 19 na sua vida hoje
42 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O capítulo mostra que Deus cumpre o que prometeu, tanto na repartição da terra às tribos quanto na promessa específica feita a Calebe décadas antes. O longo intervalo de 45 anos não enfraquece a palavra do Senhor; ao contrário, realça sua constância.
Calebe é apresentado como exemplo de alguém que persevera em seguir o Senhor, mesmo quando a maioria desanima. Sua fidelidade firme, ao longo de muitos anos, é ressaltada como motivo pelo qual recebe uma herança especial.
Mesmo com 85 anos, Calebe não busca facilidades, mas pede justamente o monte onde havia anaquins e cidades fortes. Sua coragem não se baseia em capacidade humana, mas na certeza de que o Senhor estaria com ele para expulsar os inimigos.
A repartição da terra não é aleatória; segue as orientações dadas por Deus através de Moisés. Tribos, meias tribos e levitas são tratados de acordo com o plano divino, destacando a organização e justiça de Deus na distribuição da herança.
O encerramento do capítulo, ao dizer que a terra repousou da guerra, sinaliza um tempo de paz concedido por Deus depois de um longo período de lutas e conquistas, apontando para o descanso que segue a fidelidade e o cumprimento das promessas.
Versículos-chave: 15
Josué 14 se localiza na fase em que Israel já entrou em Canaã e venceu as principais batalhas sob a liderança de Josué. Agora, o foco não é mais a conquista, mas a distribuição da terra prometida entre as tribos.
A liderança formal do processo está nas mãos de Eleazar, o sacerdote, de Josué, filho de Num, e dos cabeças das famílias das tribos (v.1). A divisão segue critérios dados anteriormente por Deus por meio de Moisés (v.2,5), mostrando continuidade entre as gerações. As duas tribos e meia (Rúben, Gade e metade de Manassés) já tinham sua herança estabelecida a leste do Jordão (v.3), conforme acordos feitos em Números 32. Os levitas, por sua vez, não recebem território como as outras tribos, mas cidades espalhadas e seus arredores para sustento (v.3-4), fato que será detalhado mais adiante no livro.
Destaque especial é dado a Calebe, identificado como filho de Jefoné, o quenezeu (v.6,14). Os quenezeus eram um povo associado a Edom, o que indica que a família de Calebe foi incorporada a Judá, mostrando que a identidade do povo de Deus não era apenas étnica, mas moldada pela fé e aliança. Calebe relembra o episódio de Cades-Barnéia, cerca de 45 anos antes (v.7,10), quando ele e Josué foram enviados com outros espias (Números 13–14). Enquanto a maioria desanimou o povo, Calebe permaneceu fiel, e Deus prometeu a ele uma herança particular na terra que havia pisado.
O texto aponta para Hebrom, antiga Quiriate-Arba (v.15), cidade ligada aos anaquins, um povo de grande estatura e fama de guerreiros poderosos. Receber Hebrom como herança implicava não apenas posse territorial, mas também o enfrentamento desses inimigos remanescentes. O fim do capítulo, declarando que a terra repousou da guerra (v.15), resume uma fase da história de Israel: após anos de peregrinação e combate, inicia-se um período de estabilidade relativa na terra prometida.
O capítulo apresenta uma estrutura simples, porém bem definida, que combina narrativa administrativa e foco biográfico:
Introdução à repartição da terra (v.1-5)
Aproximação da tribo de Judá e fala de Calebe (v.6-9)
Testemunho de vida de Calebe e pedido de herança (v.10-12)
Concessão de Hebrom e conclusão (v.13-15)
O texto alterna entre narração objetiva (sobre a divisão da terra) e discurso direto de Calebe, o que dá força pessoal e testemunhal ao relato. O uso de repetições, como “perseverar em seguir ao Senhor” e “como o Senhor disse”, reforça teologicamente a fidelidade divina e humana.
Josué 14 traz temas teológicos centrais ligados à aliança, à herança e à perseverança na fé. A distribuição da terra é mais que organização territorial; é a concretização visível da aliança de Deus com Israel. A terra de Canaã, prometida aos patriarcas, torna-se realidade concreta para cada tribo, meio de tribo e grupo específico (como os levitas). Isso mostra que a promessa de Deus alcança tanto o povo em geral quanto casos particulares.
A figura de Calebe tem forte destaque teológico. Ele encarna o que significa “seguir plenamente ao Senhor” em meio à incredulidade coletiva. Em Números, Deus já havia descrito Calebe como alguém que possuía “outro espírito” por causa de sua confiança. Aqui, essa fidelidade é lembrada e recompensada: a herança de Hebrom é ligada diretamente à perseverança de Calebe (v.14). Isso mostra um princípio: a graça de Deus se derrama de forma especial sobre aqueles que se mantêm firmes, mesmo quando o ambiente é desfavorável.
O texto também ressalta a soberania e a fidelidade de Deus no tempo. Quarenta e cinco anos separam a promessa da sua plena realização na vida de Calebe (v.10). Humanamente, o tempo poderia sugerir esquecimento ou mudança de planos; porém, Deus mantém sua palavra. A preservação da vida e da força de Calebe é interpretada como ação direta do Senhor, reforçando a ideia de que Deus sustenta o seu povo para que experimente aquilo que Ele prometeu.
Outro aspecto teológico é a relação entre fé e coragem. Calebe não pede uma parte fácil da terra, mas o monte onde ainda havia inimigos poderosos. Sua fé não ignora a realidade dos anaquins nem das cidades fortificadas; porém, enxerga essas dificuldades à luz da promessa divina. A declaração “Porventura o Senhor será comigo” (v.12) não expressa dúvida, mas humildade confiante: o resultado depende do Senhor, e é nessa dependência que surge a coragem.
Por fim, o repouso da terra (v.15) tem ressonâncias teológicas importantes. O descanso após a guerra antecipa o tema do “descanso” associado à obediência e à confiança em Deus. A paz na terra prometida não é apenas ausência de conflito; é sinal de que a obra de Deus numa etapa específica chegou a um ponto de conclusão, apontando para um descanso mais profundo que o povo de Deus é chamado a experimentar.
Este capítulo oferece imagens terapêuticas de perseverança, memória fiel e esperança que atravessa o tempo. A trajetória de Calebe mostra que uma vida inteira pode ser marcada por consistência e esperança, mesmo em meio a frustrações coletivas e esperas prolongadas. Ele viveu muitos anos após uma crise nacional de incredulidade e, ainda assim, manteve viva a palavra que recebera.
Há também um elemento de ressignificação do envelhecimento: Calebe, com 85 anos, não é retratado como alguém descartado, mas como uma pessoa com vigor, propósito e participação ativa nas promessas de Deus. Isso combate a visão de que a idade avançada é apenas sinônimo de perda e inutilidade.
Outro ponto importante é a relação entre lembrança e identidade. Calebe relembra sua história, as palavras ditas por Deus, as reações do povo e o juramento de Moisés. Essa reconstrução da memória não é vitimista, mas centrada na fidelidade divina e na perseverança. Ele não fica preso ao trauma da rejeição passada, mas interpreta a própria história à luz do cuidado de Deus.
O descanso da terra ao final do capítulo simboliza alívio após longos períodos de luta. Do ponto de vista emocional e espiritual, isso dialoga com a experiência de quem atravessou batalhas intensas e, finalmente, começa a perceber espaços de paz. A narrativa sugere que temporadas de conflito podem, em algum momento, ser substituídas por tempos de descanso concedidos por Deus.
No conjunto, Josué 14 oferece consolo a quem se sente esquecido com o passar dos anos, ânimo a quem tem andado na contramão da maioria por fidelidade de consciência e esperança para quem encara desafios aparentemente desproporcionais às próprias forças.
O texto exalta a coragem e o vigor de Calebe na velhice, mas uma leitura distorcida pode gerar expectativas irreais de desempenho físico ou emocional perfeito em todas as fases da vida. Nem toda pessoa idosa terá a mesma disposição ou saúde, e isso não deve ser interpretado como falta de fé ou de fidelidade.
Outra armadilha é romantizar a espera longa, minimizando o sofrimento real de décadas de adiamento. Calebe viveu 45 anos guardando uma promessa; transformar isso em obrigação para que todas as pessoas suportem situações opressivas indefinidamente pode ser prejudicial, especialmente em contextos de abuso, relações adoecidas ou ambientes destrutivos. Perseverança bíblica não é sinônimo de suportar qualquer coisa sem buscar proteção ou mudança.
Também é possível usar o exemplo de Calebe para alimentar comparação e culpa: alguém pode se sentir inferior por não ter a mesma coragem, firmeza ou constância. O capítulo não pretende criar um padrão de perfeição individualista, mas mostrar a ação de Deus na vida de quem se dispõe a confiar.
Por fim, o tema da herança pode ser mal aplicado em conflitos familiares ou materiais, dando a impressão de que qualquer desejo por bens ou territórios é respaldado como promessa divina. Isso desconsidera o contexto específico da aliança de Israel e pode agravar tensões, especialmente em disputas de herança ou bens familiares.
Josué 14 inspira atitudes práticas relacionadas a fidelidade, coragem e visão de longo prazo.
Cultivar perseverança diária: A trajetória de Calebe mostra que fidelidade não é feita de um único momento heroico, mas de muitos anos de constância. Na prática, isso aponta para manter escolhas coerentes com a fé em situações simples: honestidade no trabalho, integridade em relacionamentos, compromisso com a verdade mesmo quando a maioria prefere outro caminho.
Enxergar a vida além da idade: O retrato de Calebe na velhice incentiva a valorizar a contribuição de pessoas mais velhas na família e na comunidade. Em termos práticos, isso pode significar ouvir mais a experiência dos mais velhos, incluí-los em decisões e reconhecer que ainda podem ter projetos, sonhos e responsabilidades significativas.
Lembrar promessas e histórias: Calebe relembra o que Deus disse e o que aconteceu no passado. Em nível prático, isso se traduz em cultivar memória: anotar experiências marcantes, revisitar textos bíblicos que fortaleceram a fé, contar testemunhos em família ou comunidade. Essa recordação ajuda a interpretar fases difíceis sob a luz da fidelidade de Deus.
Enfrentar desafios com realismo e fé: Ao pedir o monte com anaquins, Calebe não ignora os riscos, mas confia que Deus está com ele. Aplicado ao cotidiano, isso significa planejar, reconhecer limitações e ainda assim dar passos responsáveis em direção a desafios justos, como estudar algo novo, restaurar um relacionamento ou assumir uma responsabilidade que parecia grande demais.
Valorizar processos justos e ordenados: A divisão da terra é feita de forma organizada, seguindo orientações claras. Isso incentiva práticas de justiça e transparência em acordos, heranças, parcerias e decisões comunitárias, evitando favorecimentos ocultos e buscando respeito às partes envolvidas.
Acolher tempos de descanso: O repouso da terra ao final do capítulo lembra a importância de reconhecer quando uma etapa de luta se encerra. Na prática, isso significa aprender a desacelerar após períodos intensos, aceitar que ciclos terminam e permitir-se viver momentos de paz sem culpa, como parte do cuidado de Deus.
Os levitas tinham uma função específica no meio de Israel: serviço sacerdotal e atividades ligadas ao culto e à instrução espiritual do povo. Em vez de receberem um território compacto como as demais tribos, eles foram espalhados em cidades distribuídas por toda a terra, com seus arredores para subsistência (v.3-4). Isso reforçava sua dependência de Deus e da oferta do povo, além de garantir presença espiritual e ensino em várias regiões de Israel.
Calebe, filho de Jefoné, é um dos doze espias enviados por Moisés para observar a terra de Canaã no início da jornada. Enquanto a maioria dos espias trouxe um relatório desanimador, ele se manteve confiante na promessa de Deus. Por essa fidelidade, o Senhor prometeu a ele uma herança especial na terra que havia pisado (v.7-9). Em Josué 14, décadas depois, essa promessa é lembrada e concretizada, fazendo de Calebe um exemplo de perseverança e fé ao longo de toda uma vida.
A expressão descreve alguém que se mantém firme em obedecer e confiar em Deus, mesmo quando a maioria escolhe outro caminho. No caso de Calebe, isso implicou acreditar que Deus poderia dar a terra de Canaã a Israel, apesar de gigantes e cidades fortificadas, e continuar confiando nessa promessa por décadas. Perseverar em seguir o Senhor envolve fidelidade de coração, constância nas escolhas e disposição de permanecer com Deus, independentemente das circunstâncias.
O pedido de Calebe revela sua visão de fé. Em vez de buscar uma área mais fácil ou já pacificada, ele solicita a região que representava grande desafio militar e emocional, ligada aos gigantes e ao temor do passado. Ao pedir esse monte, Calebe mostra que sua confiança não está em sua força, mas na presença de Deus: “Porventura o Senhor será comigo, para os expulsar, como o Senhor disse” (v.12). Esse pedido transforma uma área marcada pelo medo em símbolo de promessa cumprida.
A expressão indica que, naquela fase da história, cessaram as grandes campanhas militares de conquista lideradas por Josué. Isso não significa que nunca mais haveria conflitos, mas que o período principal de batalhas pela posse da terra chegou a um encerramento. Teologicamente, esse repouso aponta para um tempo de estabilidade que Deus concede ao seu povo depois de longas lutas, sinalizando que uma etapa da promessa foi cumprida.
Josué 14 conta a história de um homem que não esqueceu o que Deus disse, mesmo depois de muitos anos, muitas lutas e muitas perdas pelo caminho. Calebe não é retratado como alguém perfeito, mas como alguém guardado. Quando ele olha para trás, ele não finge que o tempo não passou; ele reconhece: foram quarenta e cinco anos desde aquela promessa, Israel ainda estava no deserto, muita coisa aconteceu. Mesmo assim, ele consegue dizer: “O Senhor me conservou em vida”. Isso toca num ponto profundo da experiência humana: sobreviver. Há fases da vida em que a sensação é apenas de ter resistido, não de ter vencido. O texto valida essa sobrevivência como sinal do cuidado de Deus. A força de Calebe não é apenas física; é o coração que não endureceu com o passar do tempo, que não foi engolido pela amargura de ter visto a incredulidade dos outros, que não ficou preso na decepção de um passado difícil. A forma como ele fala revela um coração que aprendeu a lembrar da história sem ficar prisioneiro dela. Ele conta sobre os irmãos que “fizeram derreter o coração do povo”, mas não se apresenta como vítima. Em vez de viver alimentando a dor do que deu errado, ele se apoia na palavra que recebeu do Senhor. Há uma serenidade nessa lembrança: ele não nega a ferida, mas também não entrega o seu futuro a ela. Calebe, já idoso, pede justamente o monte que antes assustava. É como se aquela área de medo antigo fosse, agora, lugar de encontro com a fidelidade de Deus. Isso mostra que lembranças dolorosas não precisam ser apagadas, mas podem ser atravessadas e ressignificadas. O lugar onde houve pavor pode, com o tempo e com a presença de Deus, tornar-se herança e descanso. O capítulo termina dizendo que “a terra repousou da guerra”. Há uma ternura nessa frase. Depois de tanta caminhada, tanta poeira, tanta espada, chega um tempo de sossego. Isso não elimina as marcas, os cansaços, as ausências; mas reconhece que a história não é só luta sem fim. Há temporadas em que Deus permite respirar, estabilizar, curar um pouco. O coração cansado encontra aqui um espelho: uma vida longa, com deserto, guerra, espera… e, ainda assim, preservada, significativa, com um pedaço de terra que simboliza cuidado e promessa cumprida.
Do ponto de vista exegético, Josué 14 funciona como ponte entre a seção de conquistas e a seção de distribuição da terra. Os versículos 1–5 estabelecem o quadro administrativo: Eleazar, o sacerdote, Josué e os cabeças das tribos são os agentes oficiais, e a divisão é feita “por sorte” conforme ordenado anteriormente a Moisés. A menção às duas tribos e meia já estabelecidas a leste do Jordão e à condição distinta dos levitas recoloca o leitor na continuidade narrativa com Números. A figura de Calebe é teologicamente e literariamente central no capítulo. É relevante que ele seja identificado como “quenezeu”, possivelmente vinculado a um grupo originalmente não israelita que se integrou à tribo de Judá. Isso reforça a ideia de que a pertença ao povo de Deus está ligada à fé e à aliança, não apenas à linhagem sanguínea. O discurso de Calebe (v.7–12) é estruturado em torno de memória e promessa. Ele remete a Cades-Barnéia, episódio narrado em Números 13–14, e contrasta sua fidelidade com o desânimo provocado pelos outros espias. A expressão “perseverar em seguir ao Senhor” reaparece como avaliação divina da sua postura. Moisés, em resposta, lhe promete uma herança específica: a terra em que havia pisado. Importante notar como a narrativa de Josué 14 não apenas relembra, mas atualiza essa promessa, mostrando seu cumprimento décadas depois. A referência aos “anaquins” e às “cidades grandes e fortes” é mais do que detalhe militar; traz de volta o motivo do medo que, no passado, impediu Israel de entrar na terra. Ao pedir justamente esse território, Calebe incorpora na prática a confiança que defendera em Cades-Barnéia. Sua fala “Porventura o Senhor será comigo” não indica incerteza teológica, mas respeito à soberania de Deus: ele não presume resultados, mas fundamenta sua esperança na palavra já dita por Deus. A concessão de Hebrom (antiga Quiriate-Arba) insere o episódio num cenário geográfico e histórico mais amplo. Hebrom é cidade ligada aos patriarcas e a figuras significativas do Antigo Testamento, o que confere peso simbólico à herança de Calebe. O versículo 14 estabelece uma relação causal entre a perseverança em seguir o Senhor e a permanência de Hebrom como herança para ele e seus descendentes. Trata-se de um exemplo paradigmático da teologia de retribuição da aliança: Deus permanece fiel à sua promessa e honra a fidelidade do servo. O versículo final, afirmando que “a terra repousou da guerra”, funciona como fecho de uma etapa da narrativa de Josué. A obra de conquista entra num novo momento: do avanço bélico à posse organizada. Em termos literários, essa frase ecoa a ideia de “descanso” que será retomada em reflexões posteriores da tradição bíblica, especialmente quando se discute o significado mais profundo do repouso em Deus em contraste com o simples estabelecimento físico na terra.
Josué 14 traz uma cena prática de liderança, memória e coragem que dialoga bastante com o cotidiano. De um lado, há o processo organizado de divisão da terra, onde papéis e responsabilidades são claros: sacerdócio, liderança política, cabeças de famílias. Não é um improviso; é um plano seguido em obediência às orientações recebidas. Isso lembra que decisões coletivas importantes – herança, distribuição de tarefas, acordos – ganham segurança quando são feitas com critérios, transparência e respeito ao que é justo. No meio desse cenário, entra Calebe, com um pedido muito específico. Ele não aparece como alguém exigindo privilégios com base na idade ou na história, mas como alguém que lembra uma palavra antiga e se posiciona com clareza: ele sabe o que Deus falou, sabe o compromisso assumido por Moisés e sabe qual parte da terra está ligada a essa promessa. Internamente, ele fez a lição de casa: guardou a memória, preservou a motivação e não abandonou o que Deus colocou no coração, mesmo com a demora. No plano prático, isso aponta para a importância de ter uma visão de longo prazo na vida. Há projetos, chamados, responsabilidades que não se cumprem num mês ou num ano. A história de Calebe mostra como é possível seguir atuante mesmo depois de longos períodos de transição, mudanças de cenário e frustrações. Ele não passa a vida reclamando do passado; chega ao momento certo com uma decisão clara: “Agora, pois, dá-me este monte”. Há um tempo de lembrar, um tempo de esperar e um tempo de agir. O fato de Calebe pedir o lugar mais difícil da região ensina sobre a forma como encaramos desafios. Em vez de procurar sempre o caminho mais fácil, ele escolhe a tarefa que corresponde àquilo que crê sobre Deus e sobre si mesmo. Isso não significa se colocar em riscos irresponsáveis, mas evitar que o medo seja o fator decisivo em todas as escolhas. No trabalho, na família, nos estudos, há momentos em que assumir uma responsabilidade maior é o passo prático coerente com aquilo que se diz crer. Também chama atenção o modo como a comunidade responde. Josué ouve, abençoa e confirma a herança. Há um reconhecimento oficial da história e da fidelidade de Calebe. Em contextos de família ou igreja, isso sugere o valor de validar trajetórias, reconhecer o esforço de quem carregou peso durante anos e abrir espaço para que pessoas amadurecidas sigam contribuindo, em vez de serem colocadas de lado. Por fim, o descanso da terra mostra que temporadas de luta podem e devem ser seguidas por momentos de estabilização. Na rotina, isso incentiva a planejar tempos de pausa depois de fases intensas, a não viver em estado permanente de urgência. Conclusão de projetos, reorganização da casa, ajustes de finanças e descanso adequado fazem parte de uma vida que honra o cuidado de Deus, tanto nos períodos de batalha quanto nos períodos de paz.
Por trás da narrativa de terras e fronteiras em Josué 14, há uma reflexão profunda sobre vocação, promessa e tempo. A vida de Calebe se desenrola entre três grandes momentos espirituais: a palavra recebida em Cades-Barnéia, a longa travessia do deserto e o cumprimento em Hebrom. Essa linha revela que os propósitos de Deus para uma pessoa podem atravessar desertos, gerações e mudanças, sem que Ele perca de vista o que falou. Calebe carrega dentro de si uma memória de Deus, não apenas de um evento. Quando ele volta a falar com Josué, sua identidade está moldada por essa lembrança: ele é aquele que seguiu o Senhor quando todos desanimaram, aquele a quem foi prometida uma herança específica. Sua fé não é teoria; está ligada a um caminho trilhado, a escolhas feitas em momentos de prova. A perseverança, aqui, é uma disciplina espiritual: permanecer voltado para Deus quando o coração coletivo vacila. Na velhice, o olhar de Calebe sobre si mesmo é marcado pela consciência da ação divina: “o Senhor me conservou em vida”. Ele não se enxerga apenas como alguém forte, mas como alguém sustentado. Espiritualmente, isso aponta para uma forma de envelhecer diante de Deus: lembrar a própria história como lugar onde o Senhor esteve presente, inclusive nos anos que parecem perdidos ou silenciosos. Cada estação, inclusive a da espera prolongada, se torna parte de um caminho com sentido. Ao pedir o monte dos anaquins, Calebe assume que a vocação não se esgota com a idade. Seu chamado não era apenas sobreviver ao deserto, mas ocupar, pela fé, um espaço que um dia foi sinal de medo. O lugar do pavor de Israel torna-se, para ele, lugar de herança. Espiritualmente, isso sugere que Deus pode conduzir uma pessoa a enfrentar, com maturidade e dependência, áreas que antes eram fonte de paralisia. Não se trata de buscar provações por conta própria, mas de caminhar com Deus quando Ele conduz a passos que confrontam medos antigos. O repouso da terra, ao final, aponta para um tipo de descanso que vai além da conquista material. É um vislumbre de um descanso mais profundo prometido ao povo de Deus: um estado em que a luta não é mais a palavra final, em que a fidelidade de Deus se manifesta em paz. A herança de Calebe em Hebrom antecipa a realidade de uma herança maior, em que o povo de Deus participa de um descanso eterno não por mérito próprio, mas por causa da palavra fiel daquele que prometeu. A história de Calebe, portanto, ilumina temas espirituais centrais: a confiança em meio à maioria incrédula, a espera que forma o caráter, a coragem que nasce da promessa e não do orgulho, e o descanso que coroa uma caminhada de perseverança. Em tudo isso, o foco permanece na fidelidade do Deus de Israel, que não esquece o que fala, não desperdiça as etapas da vida e conduz seus servos a uma herança que ultrapassa a própria terra de Canaã.
" Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. "
" E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. "
" E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas. "
" Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. "
" Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem. "
" Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele. "
" Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. "
" E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. "
" E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. "
" Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? "
" Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. "
" Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. "
" Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. "
" E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei. "
" Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César. "
" Então, consequentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. "
" E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, "
" Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. "
" E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. "
" E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim. "
" Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus. "
" Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. "
" Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. "
" Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas. "
" E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena. "
" Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. "
" Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. "
" Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. "
" Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissopo, lha chegaram à boca. "
" E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. "
" Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. "
" Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; "
" Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. "
" Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. "
" E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. "
" Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado. "
" E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram. "
" Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus. "
" E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. "
" Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. "
" E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. "
" Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus. "
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