Versículo em destaque
João 19:38 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus. "
João 19:38
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
36 Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado.
37 E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.
38 Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus.
39 E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés.
40 Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro.
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Aqui temos o relato do sepultamento do corpo bendito de nosso Senhor Jesus. Os funerais de grandes figuras costumam ser observados com curiosidade, e o enterro de um amigo querido é acompanhado de profunda comoção. Aqui, porém, trata-se de um sepultamento singular, diferente de todos os outros. É um sepultamento que venceu a sepultura e a tornou menos terrível para todos os crentes. Vale a pena contemplar atentamente essa grande cena.
Primeiro, o corpo é pedido e concedido (João 19:38). Isso acontece por meio de José de Ramá, ou Arimateia. Ele não é mencionado em nenhuma outra parte do Novo Testamento, exceto nos relatos do sepultamento de Cristo, nos quais ocupa o papel principal. Observe-se primeiro o caráter de José. Ele era discípulo de Jesus em segredo, um amigo de Cristo melhor do que estava disposto a ser conhecido. Era uma honra ser discípulo de Cristo, e há pessoas semelhantes a ele: homens de posição que precisam conviver em meio a gente ímpia. Mas também era sua fraqueza manter isso oculto, quando deveria ter confessado Cristo diante dos outros, ainda que isso lhe custasse o cargo ou a posição.
Os discípulos devem reconhecer Cristo abertamente. Ainda assim, Cristo pode ter muitos seguidores sinceros que são crentes ocultos. Isso é melhor do que não crer, sobretudo se, como José, acabam se tornando mais ousados com o tempo. Alguns que foram tímidos em provações menores mostram grande coragem em provações maiores, e assim foi José aqui. Ele havia escondido seu amor por Cristo por medo dos judeus. Temia ser expulso da sinagoga, ou pelo menos do Sinédrio, o conselho governante dos judeus, que era o máximo que podiam fazer contra ele. Ele foi com ousadia até Pilatos, o governador romano, e ainda assim temia os judeus. A ira fraca de pessoas que só conseguem zombar, insultar e murmurar às vezes parece mais assustadora, para homens sábios e bons, do que se poderia imaginar.
Observe-se também o papel de José nesse episódio. Como, por causa de sua posição, tinha acesso a Pilatos, pediu autorização para tirar o corpo e cuidar dele. A mãe de Jesus e seus parentes próximos não tinham nem a coragem nem a influência necessárias para fazer isso. Seus discípulos haviam se dispersado. Se ninguém tivesse se apresentado, os judeus ou os soldados o teriam sepultado junto com os criminosos. Então Deus levantou esse homem distinto para intervir, de modo que se cumprissem as Escrituras e fosse preservada a honra devida à ressurreição de Cristo. Quando Deus tem uma obra a realizar, Ele sabe encontrar as pessoas certas e lhes dá coragem para executá-la.
Vemos aqui também a humilhação de Cristo. Seu corpo morto foi deixado à mercê de um juiz pagão e precisou ser pedido, quase suplicado, antes de poder ser enterrado. José não tomou o corpo sem antes solicitar e receber permissão do governador. Em assuntos que envolvem a autoridade civil, é nosso dever mostrar respeito a essa autoridade e submeter-nos pacificamente.
Em segundo lugar, são feitos os preparativos para o sepultamento (João 19:39). Isso foi feito por Nicodemos, outro homem de posição e destaque público. Ele trouxe uma mistura de mirra e aloés, que alguns entendem como substâncias amargas, usadas para preservar o corpo, e outros consideram especiarias aromáticas, usadas para perfumá-lo. O caráter de Nicodemos era muito parecido com o de José. Era amigo de Cristo em segredo, embora não o acompanhasse constantemente. Ele tinha ido ter com Jesus de noite, no início, mas agora o reconhece publicamente, como já o fizera antes quando tomou a palavra no conselho (João 7:50–51). A graça, no princípio, pode parecer um caniço quebrado, mas depois torna-se como um cedro forte; um cordeiro trêmulo pode vir a ser valente como um leão (Romanos 14:4).
Causa certa surpresa que José e Nicodemos, ambos homens influentes, não tenham aparecido mais cedo para insistir com Pilatos que não condenasse Cristo, especialmente quando o próprio Pilatos se mostrava relutante. Pedir pela vida de Cristo teria sido um serviço maior do que pedir por seu corpo. Mas Cristo não permitiu que seus amigos impedissem sua morte quando a sua hora havia chegado. Enquanto seus inimigos cumpriam o que estava escrito, seus seguidores não deviam atrapalhar o cumprimento.
Vemos também a bondade de Nicodemos, que era verdadeira, embora assumisse outra forma. José serviu a Cristo com sua influência; Nicodemos o serviu com seus bens. É provável que tenham combinado que um obteria a permissão e o outro prepararia as especiarias, pois o tempo era curto. Mas por que tanto esforço em torno do corpo morto de Cristo? Alguns entendem isso como fraqueza na fé deles. Uma firme convicção de que Cristo ressuscitaria ao terceiro dia os teria poupado desses cuidados e gastos, e isso teria sido mais agradável do que todos os perfumes. Corpos que realmente estão destinados a permanecer no túmulo precisam mesmo de roupas fúnebres. Mas que necessidade havia de enfaixar o corpo de alguém que só faria ali uma breve parada, como um viajante que se detém por uma ou duas noites?
Apesar disso, salta aos olhos a força do amor deles. Com esse cuidado mostraram o quanto davam valor à pessoa e ao ensino de Cristo, e que a vergonha da cruz não diminuíra esse valor. Os que se esforçaram tanto em desonrar a sua coroa e em sepultar a sua honra no pó podiam agora ver que seus planos foram inúteis. Deus havia honrado Cristo em seus sofrimentos, e até mesmo homens, inclusive homens importantes, o estavam honrando. Eles não apenas praticaram a bondade de dar ao seu corpo um sepultamento digno, mas também a honra normalmente reservada aos grandes. E podiam fazer isso sem deixar de crer e esperar em sua ressurreição; de fato, talvez o tenham feito exatamente nessa fé e expectativa. Já que Deus tencionava honrar aquele corpo, eles queriam honrá-lo também. Em todo caso, devemos cumprir o nosso dever conforme o dia e a oportunidade que nos são dados, e deixar que Deus cumpra suas promessas do seu modo e no seu tempo.
Em terceiro lugar, o corpo é preparado para o sepultamento (João 19:40). Levaram-no para uma casa ali perto e, depois de lavar o sangue e a poeira, o envolveram em lençóis de linho, de maneira decente. As especiarias provavelmente foram transformadas em um unguento, como os judeus costumavam fazer ao sepultar ou preparar um corpo, segundo explicações de estudiosos. Nesse cuidado, trataram com esmero o corpo de Cristo. Ele foi envolvido em lençóis de linho. Cristo chegou até a tomar para si roupas de sepultamento, entre as vestes que pertencem à humanidade, para tornar o túmulo menos terrível para nós e permitir que o vejamos como um lugar de bodas, por causa da união com Ele.
Envolveram o corpo com especiarias, de modo que até as vestes fúnebres exalavam mirra e aloés, as especiarias mencionadas aqui, como as vestes perfumadas que saem dos palácios de marfim (Salmo 45:8). E o sepulcro cavado na rocha foi, para Cristo, como um palácio de marfim. Corpos mortos e sepulturas são naturalmente repulsivos e ofensivos. Por isso o pecado é comparado a um corpo de morte e a uma sepultura aberta. Mas o sacrifício de Cristo, oferecido a Deus em aroma suave, removeu a nossa impureza. Nenhum bálsamo ou perfume pode alegrar tanto o coração quanto o túmulo de nosso Redentor, quando a fé consegue sentir o seu suave perfume.
Nesse exemplo aprendemos também a cuidar com respeito dos corpos dos cristãos. Isso não significa que devamos entronizar relíquias ou prestar-lhes culto, nem mesmo as relíquias dos santos e mártires mais notáveis. Nada disso foi feito com o corpo do próprio Cristo. O que devemos é depositar reverentemente o pó no pó, lembrando que os corpos dos crentes ainda pertencem a Cristo e são destinados à glória e à imortalidade no último dia.
A ressurreição dos crentes se dará em virtude da ressurreição de Cristo. Por isso, quando sepultamos nossos mortos, devemos olhar para o sepultamento de Cristo, pois, estando morto, Ele ainda nos fala (Isaías 26:19). Não é necessário imitar todos os detalhes de seu sepultamento, como se todos tivéssemos de ser envolvidos em linho, enterrados em um jardim ou embalsamados como Ele. Mas, pelo fato de Ele ter sido sepultado segundo o costume judaico, aprendemos que, nessas coisas, devemos seguir os usos do lugar onde vivemos, exceto quando tais costumes são supersticiosos.
Cristo foi sepultado em um jardim pertencente a José de Arimateia, um seguidor de Jesus, e esse jardim ficava muito perto do lugar da crucificação. Ali já havia um túmulo, uma cova preparada, mas ainda não usada. Cristo foi sepultado fora da cidade, porque esse era o costume dos judeus, não porque sempre tenha de ser assim. Naqueles dias, tocar em um túmulo causava impureza cerimonial, mas a ressurreição de Cristo mudou o sentido da sepultura para os crentes e removeu essa contaminação. Não precisamos manter distância dos túmulos de forma supersticiosa, e até há boa razão para que os mortos sejam colocados perto dos vivos, pois todos, de um modo ou de outro, caminham na direção da morte.
Cristo foi sepultado em um jardim. José tinha ali o seu túmulo, e essa disposição podia lembrá‑lo da morte enquanto ainda vivia. Quando desfrutasse de seu jardim e colhesse seus frutos, poderia lembrar que também precisava morrer e, assim, preparar-se. Um jardim é um lugar apropriado para reflexão, e um túmulo ali oferece uma lição séria em meio aos nossos prazeres. Isso também podia servir de lembrança para seus herdeiros e sucessores depois de sua morte. É bom saber onde nossos pais estão sepultados, e talvez a morte pareça menos assustadora se fôssemos mais familiares com as sepulturas dos que nos precederam.
Também foi adequado que o corpo de Cristo fosse colocado em um sepulcro num jardim. No Éden, a morte e a sepultura ganharam pela primeira vez seu poder; agora, em um jardim, são vencidas, despojadas de sua força e derrotadas. Cristo começou o seu sofrimento em um jardim e, de um jardim, ressuscitaria para iniciar a sua exaltação. Ele caiu na terra como um grão de trigo (João 12:24), por isso foi posto em um jardim, entre sementes. Seu orvalho é como o orvalho das ervas (Isaías 26:19), e ele é a fonte dos jardins (Cântico dos Cânticos 4:15).
Cristo foi sepultado em um túmulo novo. Isso foi providenciado, em primeiro lugar, para honrá‑lo, pois ele não era um homem comum e não devia ser misturado ao pó comum. Aquele que nasceu do ventre de uma virgem devia ressurgir de um túmulo “virgem”. Em segundo lugar, isso ajudaria a confirmar a verdade da sua ressurreição, para que ninguém pudesse dizer que não era realmente ele quem se levantara, ou que ressuscitara apenas pelo poder de outro, como aconteceu com o homem que reviveu ao tocar os ossos de Eliseu. Aquele que faz novas todas as coisas também tornou nova, para nós, a própria sepultura.
O próprio sepultamento foi realizado de modo solene. “Ali puseram a Jesus”, isto é, o corpo morto de Jesus (João 19:42). Alguns entendem que chamá‑lo aqui de Jesus indica a união inquebrável entre sua natureza divina e humana. Mesmo morto, aquele corpo ainda era Jesus, o Salvador, porque a sua morte é a nossa vida. Jesus é o mesmo, ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8). Puseram-no ali porque era o dia da preparação.
Aqui se nota o respeito que os judeus tinham pelo sábado e pelo dia da preparação. Antes do sábado pascal, havia um dia especial para se preparar. Os principais sacerdotes, que se diziam a igreja, usaram mal esse dia; mas os discípulos de Cristo, que eram acusados de serem perigosos à igreja, o guardaram bem. Isso acontece muitas vezes. Eles não quiseram adiar o funeral para o sábado, porque o sábado é destinado ao descanso e ao júbilo santos, e um funeral não combina bem com isso. Também não permitiram que o enterro avançasse demais pelo dia da preparação. O que precisa ser feito na véspera do sábado deve ser ordenado de forma a não invadir o tempo do sábado, nem nos deixar despreparados para as obrigações do sábado.
Eles também usaram com sabedoria um túmulo próximo. O sepulcro ficava perto. Se tivessem mais tempo, talvez o levassem a Betânia e o sepultassem entre seus amigos de lá. Ele tinha todo o direito de ser sepultado nos principais túmulos dos filhos de Davi, mais do que qualquer rei de Judá. Mas Deus ordenou de outro modo, pois ele ficaria ali apenas por pouco tempo, como um hóspede numa hospedaria, e assim tomou o primeiro túmulo disponível. Era também um túmulo novo. Aqueles que o prepararam jamais imaginaram quem seria o primeiro a usá‑lo, mas a sabedoria de Deus vai muito além da nossa, e ele usa a nós e tudo o que temos como lhe apraz.
Aprendemos ainda a não ficar excessivamente preocupados com o lugar exato do sepultamento. Onde a árvore cai, ali ficará. Cristo foi sepultado no túmulo mais próximo, e isso é o suficiente. Os patriarcas, no passado, desejavam ser levados a Canaã para serem sepultados, porque confiavam na promessa de Deus quanto àquela terra; mas essa promessa agora foi superada por uma melhor, de modo que essa preocupação já não é necessária. Assim, o corpo de Jesus foi colocado na fria e silenciosa sepultura, sem pompa nem cerimônia. Ali está o nosso fiador, preso por causa das nossas dívidas, de modo que, se ele for solto, a nossa liberdade estará assegurada. Ali está o Sol da justiça, posto por um pouco, apenas para tornar a nascer em maior glória e nunca mais se pôr. Ali jaz alguém que parece cativo da morte, mas é, na verdade, o conquistador da morte, pois ali a própria morte é ferida de morte, e a sepultura é derrotada. Graças a Deus, que nos dá a vitória.
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Deste capítulo
João 19:1
"Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou."
João 19:2
"E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura."
João 19:3
"E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas."
João 19:4
"Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum."
João 19:5
"Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem."
João 19:6
"Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele."
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