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Jó 9:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então Jó respondeu, dizendo: "

Jó 9:1

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1 Então Jó respondeu, dizendo:

2 Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?

3 Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Bildade havia repreendido Jó por falar demais (Jó 8:2). Jó não responde diretamente a essa acusação, embora pudesse tê-la devolvido a Bildade com a mesma facilidade. Em vez disso, ele concorda com uma coisa que Bildade disse: Deus nunca perverte a justiça. “Na verdade, sei que assim é” (Jó 9:2). Devemos estar dispostos a reconhecer até onde concordamos com aqueles com quem discutimos. Não devemos rejeitar uma verdade só porque foi dita por um oponente, especialmente se ele a usou de forma inadequada.

“É verdade”, diz Jó, em essência, “que a impiedade destrói as pessoas e que os piedosos estão sob um cuidado especial de Deus. Eu aceito essas verdades. Mas como pode alguém estar justo diante de Deus?” “Porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente” (Salmo 143:2). “Como, pois, seria justo o homem diante de Deus?” Alguns entendem essa pergunta como uma queixa amarga, como se Deus fosse rigoroso demais, quase impossível de se lidar. Há, de fato, algumas expressões agudas neste capítulo que soam assim. Mas a ideia principal é que Jó está confessando a pecaminosidade humana, inclusive a sua própria. Se Deus tratasse qualquer um de nós apenas segundo o que merece, certamente seríamos arruinados.

Jó, então, afirma uma verdade: o ser humano não é páreo para o seu Criador, nem em debate nem em conflito. Se alguém tentar discutir com Deus, Jó diz, “não lhe poderá responder nem uma entre mil” (Jó 9:3). Deus pode fazer mil perguntas penetrantes, e os que contendem com ele não conseguirão respondê-las. Quando Deus falou a Jó do meio do redemoinho, fez muitas perguntas: “Sabes tu isto? Podes tu aquilo?”, e Jó não teve resposta (Jó 38; Jó 39). Deus pode rapidamente mostrar o vazio das pretensões mais sábias dos homens.

Deus também pode nos acusar de mil pecados, e não conseguimos nos justificar. Não temos como descartar uma acusação como irrelevante, outra como insignificante e outra como falsa. Não podemos negar um fato, admitir outro e tentar desculpar um terceiro. Não conseguimos responder-lhe. Como Jó faria depois, temos de pôr a mão na boca (Jó 40:4-5) e declarar-nos culpados.

Também ninguém pode lutar contra Deus e vencer. “Quem se endureceu contra ele e teve paz?” (Jó 9:4). A resposta é evidente. Desde o início do mundo até hoje, nenhum pecador obstinado que se levantou contra Deus saiu ganhando. Essas pessoas não prosperam de fato, nem têm paz. Não obtêm consolo real do seu caminho, nem verdadeiro êxito. O que alguém já ganhou em medir forças ou direitos com o seu Criador? Opor-se a Deus é como colocar espinhos diante do fogo: ato tolo, inútil e destrutivo (Isaías 27:4; Ezequiel 28:24; 1 Coríntios 10:22).

Até mesmo os anjos que caíram endureceram o coração contra Deus e não prosperaram (2 Pedro 2:4). O dragão combate, mas é lançado fora (Apocalipse 12:9). Os ímpios fazem o mesmo à sua maneira. Questionam a sabedoria de Deus, quebram suas leis, permanecem endurecidos no pecado e se recusam a se arrepender sob o sofrimento. Rejeitam a sua graça, resistem ao seu Espírito e tratam com leveza os seus avisos. Resistindo ao seu governo no mundo, pensam que triunfarão. Mas prosperaram? Podem prosperar? Não. Apenas acumulam ira para o dia da ira. O que se semeia assim, volta sobre a própria cabeça.

Jó então mostra por que isso é assim: o Deus com quem lidamos é sábio e poderoso. Ele é “sábio de coração”, por isso ninguém pode responder-lhe no tribunal. Ele é “forte em poder”, por isso ninguém pode enfrentá-lo em combate. É completa insensatez pensar em contender com um Deus que sabe tudo, pode tudo e não pode ser enganado nem vencido. O diabo esperava que Jó amaldiçoasse a Deus no sofrimento, mas Jó faz o oposto. Mesmo em meio à dor e tomado pela sua miséria, ao falar da sabedoria e do poder de Deus, ele se esquece das queixas. Demora-se nesse grande tema com prazer e vigor de expressão.

Ele começa pelo mundo da natureza, onde Deus age com plena autoridade e faz como quer. Toda a ordem e todo o poder da natureza vêm dele e dependem dele. Quando quer, ele pode alterar o curso habitual da natureza e fazer até o que julgamos impossível (Jó 9:5-7). Pela ordem comum, montes parecem fixos para sempre, a terra firme e inabalável (Salmo 93:1), e as colunas do mundo estáveis. O sol nasce na hora determinada, e as estrelas exercem sua influência sobre este mundo inferior. Mas Deus pode sair do padrão usual e até reverter o que nos parece estabelecido.

Nada parece mais firme do que montes. Quando falamos em “remover montanhas”, pensamos em algo impossível. Contudo, o poder divino pode fazê-los mudar de lugar. Deus os remove, e eles nem sabem. Ele pode fazê-los abaixarem-se, nivelá-los ou derrubá-los em sua ira. Pode espalhar montanhas como o lavrador espalha pequenos montes de terra, por mais altos, largos ou rochosos que sejam. As pessoas se cansam para atravessá-los, mas Deus pode fazê-los desaparecer quando quiser. Ele fez tremer o Sinai (Salmo 68:8). Os montes saltaram como carneiros (Salmo 114:4). Os montes perpétuos se dispersaram (Habacuque 3:6).

Nada parece mais fixo do que a própria terra em seu eixo, contudo Deus pode abalá-la se assim quiser. Pode deslocá-la do lugar e fazer até suas colunas tremerem. Aquilo que parece sustentá-la precisaria, ele mesmo, de sustentação se Deus o ferisse. Isso também mostra como Deus é paciente. Ele tem poder suficiente para sacudir a terra debaixo da raça humana culpada, que a faz gemer sob o pecado, e até para sacudir os ímpios para fora dela (Jó 38:13). Mesmo assim, ele mantém a terra no seu lugar e conserva os homens vivendo sobre ela. Não a faz engolir imediatamente os rebeldes, como já fez certa vez.

Nada parece mais constante do que o nascer do sol. Ele nunca falha no seu tempo. Mas Deus pode detê-lo se quiser. Aquele que primeiro ordenou que o sol se levantasse pode ordenar que pare. Em certa ocasião, o sol foi mandado ficar parado; em outra, voltar atrás, para mostrar que continua sob o domínio de seu grande Criador.

O poder de Deus é tão grande que faz sua bondade parecer ainda mais admirável. Ele faz o seu sol nascer sobre maus e ingratos, embora pudesse retê-lo. O mesmo Deus que fez as estrelas pode, se quiser, encerrá-las e escondê-las de nossos olhos.

Terremotos e incêndios subterrâneos às vezes movem montanhas e fazem a terra tremer. Em dias e noites de trevas espessas e nuvens densas, parece que o sol não foi autorizado a nascer e que as estrelas estão seladas (Atos 27:20). Jó fala principalmente do que Deus é capaz de fazer, mas, se entendermos como fatos consumados, esses versículos podem apontar para o dilúvio de Noé. Então os montes foram abalados, o sol e as estrelas escurecidos, e cremos que este mundo presente está reservado para o fogo final, que queimará os montes e derreterá a terra com grande calor, transformando o sol em trevas.

Enquanto Deus quiser, mantém a ordem regular da natureza. Isso é como uma criação contínua. Ele sozinho, por seu próprio poder e sem auxílio de ninguém, estende os céus (Jó 9:8). Fez isso no princípio e ainda os sustenta estendidos; do contrário, se enrolariam como um pergaminho.

Ele também “anda sobre as ondas do mar”, isto é, domina as águas e as impede de cobrir a terra (Salmo 104:9). Esse é um dos motivos pelos quais todos devem temê-lo e estar diante dele com profundo respeito (Jeremias 5:22). Ele é mais forte do que o bramido das grandes águas (Salmo 93:4; Salmo 65:7). Ele também fez as constelações; três são mencionadas representando as demais: Arcturo, Órion e Plêiades, além das câmaras do sul (Jó 9:9). Ele criou essas estrelas no princípio, colocou-as em ordem, ainda as conserva e dirige seus movimentos.

A partir disso, Jó passa ao governo de Deus sobre a vida humana, seu cuidado especial com os assuntos dos homens. Quando se observa o que Deus faz ao governar o mundo, somos obrigados a dizer que ele é sábio de coração e poderoso em força. Ele faz grandes coisas, obras incontáveis e inescrutáveis (Jó 9:10). Jó repete o que Elifaz, um de seus amigos, já havia dito (Jó 5:9), usando até as mesmas palavras, embora Elifaz agora as utilizasse contra ele. Deus é um grande Deus que faz grandes e espantosas obras. Seus feitos maravilhosos são tão numerosos que não conseguimos contá-los, e tão profundos que não podemos sondá-los plenamente.

Ele também age de modo que não percebemos claramente (Jó 9:11). Ele passa por nós em suas ações, e ainda assim não o vemos nem notamos. Seu caminho está no mar (Salmo 77:19). Os efeitos de causas comuns costumam ser perceptíveis aos sentidos, mas Deus está sempre operando ao nosso redor, e, ainda assim, não o vemos (Atos 17:23). Nossa mente limitada não alcança por completo seus planos, não acompanha seus movimentos nem entende os meios que ele emprega. Por isso, não somos juízes competentes dos caminhos de Deus, pois não sabemos o que ele está fazendo nem o que tenciona fazer. Os segredos de seu governo estão acima de nós, e não devemos presumir explicá-los como se estivessem ao nosso alcance.

Ele também age com um direito soberano que não pode ser questionado nem resistido (Jó 9:12). Ele tira nossos consolos e apoios quando e como quer. Tira saúde, riquezas, família, amigos e até a própria vida. Seja o que for que é tirado, é ele quem o tira. Seja qual for o meio usado, precisamos reconhecer a mão dele nisso. O SENHOR tira, e quem pode detê-lo? Quem pode obrigá-lo a devolver o que tirou? Quem pode persuadi-lo a mudar de ideia, resistir à sua vontade ou chamá-lo a prestar contas? Ninguém pode mover uma ação contra ele ou dizer-lhe: “O que estás fazendo?” ou “Por que estás fazendo isso?” (Daniel 4:35). Deus não nos deve explicação pelo que faz. Podemos não entender agora os seus motivos, mas entenderemos depois, quando ficará claro que aquilo que parecia apenas exercício de autoridade foi feito com perfeita sabedoria e para o melhor fim.

Ele também age com um poder que nenhuma criatura pode resistir (Jó 9:13). Se Deus não desvia a sua ira, o que ele pode fazer quando quiser, então os auxiliares orgulhosos se curvarão debaixo dele. Isso significa que ele certamente despedaça e esmaga os que se unem com arrogância contra ele. Os orgulhosos se levantam contra Deus e contra as suas obras; nessa oposição, dão as mãos uns aos outros. Os reis da terra se levantam e os governantes conspiram juntos para rejeitar o seu domínio, atacar a sua verdade e perseguir o seu povo. Outros clamam: “Vinde em nosso auxílio!” (Atos 21:28; Salmo 83:8). Se um inimigo do reino de Deus cai debaixo do seu juízo, outros vêm com orgulho para ajudá‑lo, pensando que podem livrá‑lo da mão de Deus. Mas não podem. A não ser que Deus resolva retirar sua ira, o que ele muitas vezes faz porque este ainda é tempo de paciência, os auxiliares orgulhosos se curvarão diante dele e cairão junto com aqueles que tentaram salvar. Quem pode medir o poder da ira de Deus? Os que se julgam fortes para ajudar outros não conseguirão salvar nem a si mesmos dela.

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