Versículo em destaque
Jó 42:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo: "
Jó 42:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo:
2 Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.
3 Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.
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As palavras de Jó, com as quais ele tentou se justificar, terminaram em (Jó 31:40). Depois disso, ele não falou mais daquele modo. As palavras com que passou a julgar e condenar a si mesmo começaram em (Jó 40:4-5), e ele continua falando nesse mesmo espírito aqui. Sua paciência ainda não tinha chegado ao fim de sua obra, mas o seu arrependimento pela impaciência, sim. Agora ele está profundamente humilhado por seu falar tolo e descuidado, e isso foi perdoado.
As pessoas piedosas acabam reconhecendo e confessando suas falhas, ainda que por vezes seja difícil trazê-las a esse ponto. Depois de Deus ter falado tudo aquilo sobre a sua grandeza e poder manifestos na criação, Jó respondeu ao SENHOR (Jó 42:1). Ele não respondeu em tom de discussão, pois já havia prometido não responder mais assim (Jó 40:5), mas em submissão. Assim todos nós devemos responder aos chamados de Deus.
Primeiro, Jó concorda com a verdade a respeito do poder, do conhecimento e do governo ilimitados de Deus, que era o ponto principal do discurso divino desde o redemoinho (Jó 42:2). Sentimentos e ações pecaminosas surgem de ideias falsas ou então de ignorar e duvidar da verdade. Por isso, o verdadeiro arrependimento começa com o reconhecimento da verdade (2 Timóteo 2:25). Agora Jó declara que sua mente está convencida da grandeza, glória e perfeição de Deus, e isso o leva a ver sua própria loucura em ter falado de modo descuidado com Deus.
Ele admite que Deus pode todas as coisas. O que seria difícil para aquele que fez o beemote e o leviatã e os governa como quer? Jó já sabia disso antes, e até havia falado corretamente sobre isso, mas agora sabe de forma pessoal. Deus falou uma vez, e Jó “ouviu duas vezes” que o poder pertence a Deus. Portanto, é pura loucura e arrogância contender com ele. “Tu podes todas as coisas; logo, podes me levantar deste estado tão baixo. Muitas vezes, de modo tolo, desisti disso como se fosse impossível, mas agora creio que és capaz de fazê-lo.”
Ele admite também que nenhum pensamento pode ser encoberto de Deus, o que tem dois sentidos. Primeiro, não há pensamento nosso que ele não conheça. Nenhum pensamento murmurador, triste ou incrédulo passa por nossa mente sem que Deus o veja. É inútil resistir a ele, porque não podemos esconder dele nossos planos e projetos e, se ele os revelar, pode frustá-los. Segundo, não há pensamento dele que possa deixar de se cumprir. Tudo o que o SENHOR quer, ele faz. Jó havia dito isso antes de forma amarga, reclamando disso (Jó 23:13). Agora diz com paz e alegria, porque os planos de Deus permanecerão. Se os pensamentos de Deus a nosso respeito são pensamentos de paz, para nos dar o fim que esperamos, ninguém o pode impedir de realizar seus propósitos de bondade, por mais difícil que nos pareça o caminho.
Em segundo lugar, Jó reconhece que é culpado do que Deus lhe apontara no início do discurso (Jó 42:3). “Senhor, tu começaste dizendo: ‘Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?’ Isso foi suficiente. Essa palavra me convenceu. Admito que eu sou o homem que se portou assim, tão insensatamente. Tua palavra alcançou a minha consciência e colocou claramente o meu pecado diante de mim. É algo evidente demais para negar, e sério demais para desculpar. Falei de um conselho sem conhecimento. Desconsiderei os sábios planos de Deus ao me afligir e, por isso, discuti contigo e me importei demais em provar que eu estava certo. Assim, falei de coisas que eu não entendia.” Isto é: “Julguei os caminhos da providência, embora fosse completamente ignorante das razões deles.”
Aqui Jó admite, primeiro, que era ignorante dos propósitos secretos de Deus, como todos nós somos. Os juízos de Deus são um abismo profundo demais para medirmos, muito menos para descobrirmos suas fontes. Vemos o que Deus faz, mas não sabemos por que ele faz, para onde aponta, ou onde vai terminar. Essas coisas são maravilhosas demais para nós. Não conseguimos vê-las claramente, não podemos mudá-las e não temos direito de julgá-las. Não as conhecemos, e é muito acima da nossa capacidade emitir parecer sobre elas. Contendemos com a providência porque não a entendemos. Devemos nos contentar em ficar no escuro quanto a isso, até que o mistério de Deus se complete.
Em segundo lugar, ele admite que foi imprudente e ousado ao falar sobre o que não entendia, chamando a juízo aquilo que não estava apto a julgar. Quem responde uma questão antes de ouvi-la, para ele isso é tolice e vergonha. Prejudicamos a nós mesmos e também a causa que pretendemos decidir quando não somos juízes qualificados.
Em terceiro lugar, Jó diz que não discutirá, mas suplicará ao seu Juiz, como já havia dito antes (Jó 9:15). “Ouve-me, peço-te, e falarei” (Jó 42:4). Ele não quer dizer que falará como autor de uma causa ou como réu (Jó 13:22), mas como um humilde suplicante. Não vem como quem quer ensinar a Deus ou impor condições, e sim como quem deseja aprender e está disposto a ser guiado. “Senhor, não me perguntes mais questões difíceis, porque eu não consigo responder nem uma em mil das tuas. Permite que eu te peça instrução, e não me rejeites. Não me lances em rosto a minha tolice e autoconfiança” (Tiago 1:5). Agora ele foi trazido à oração que Eliú lhe ensinara: “Ensina-me o que não vejo.”
Em quarto lugar, Jó se coloca na posição de um penitente, e esse é o lugar certo. No verdadeiro arrependimento, não basta a convicção de pecado; é necessário também o pesar e a tristeza segundo Deus, tristeza que está de acordo com a vontade dele (2 Coríntios 7:9). A tristeza de Jó pelo pecado era assim. Ele olha para Deus em seu arrependimento, honra grandemente o Senhor, e nisso fundamenta o seu quebrantamento (Jó 42:5). “Eu te conhecia só de ouvir, muitas vezes, desde os meus mestres na juventude e dos meus amigos mais recentemente. Eu sabia algo da tua grandeza, do teu poder e do teu governo soberano, mas o que eu ouvia não me levou a me submeter a ti como deveria. As verdades que eu conhecia só me davam assunto para falar, mas não moldavam o meu coração. Agora, porém, tu mesmo te manifestaste a mim na tua majestade gloriosa. Agora os meus olhos te veem. Agora sinto o poder das verdades que antes eu só sabia de ouvir falar e, por isso, me arrependo e retiro tudo o que falei tolamente.”
É grande misericórdia receber boa instrução e conhecer as coisas de Deus por meio de sua Palavra e de seus servos. A fé vem pelo ouvir, e é mais provável que venha quando ouvimos com atenção. Quando o Espírito da graça ilumina o entendimento, o nosso conhecimento das coisas divinas vai muito além do que tínhamos antes, assim como ver com os próprios olhos é muito mais forte do que apenas ouvir relatos. Pelo ensino de homens, Deus nos revela o seu Filho; pelo ensino do seu Espírito, ele revela o seu Filho em nós (Gálatas 1:16) e nos transforma na mesma imagem (2 Coríntios 3:18). Deus se agrada, às vezes, de se manifestar mais plenamente ao seu povo por meio das repreensões da sua Palavra e da sua providência.
“Agora que fui afligido, agora que fui corrigido pelas minhas faltas, agora os meus olhos te veem.” A vara e a repreensão dão sabedoria. Bem-aventurado é aquele a quem Deus disciplina e ensina. Jó agora volta seus pensamentos para dentro, em arrependimento. Pensa humildemente de si mesmo, e isso mostra sua tristeza pelo pecado (Jó 42:6): “Por isso, me abomino, e me arrependo no pó e na cinza.”
Importa que sejamos profundamente humilhados pelos pecados que passamos a enxergar. Não devemos nos contentar com um leve incômodo superficial por causa do mal que fizemos. Mesmo pessoas piedosas, que não têm pecados grosseiros a confessar, ainda assim devem se entristecer seriamente por orgulho, ira, irritabilidade, descontentamento e por todas as palavras apressadas e imprudentes. Por essas coisas deveríamos ser traspassados no coração e levados a uma grande amargura. Enquanto o inimigo não for realmente humilhado, a paz não será firme.
Sinais externos de tristeza segundo Deus combinam com um coração penitente. Jó se arrependeu no pó e na cinza. Se esses sinais exteriores aparecem sem uma mudança interior, não passam de zombaria diante de Deus. Mas quando nascem de um verdadeiro pesar na alma, o pecador dá glória a Deus, toma para si a vergonha e pode até influenciar outros ao arrependimento.
Os sofrimentos de Jó já o haviam levado às cinzas, onde ele se sentou (Jó 2:8). Agora, seus pecados o levam lá. Verdadeiros penitentes choram seus pecados tão profundamente quanto antes choraram suas aflições externas. Eles se tornam amargos como o pranto por um filho único, porque agora veem mais mal em seus pecados do que em seus sofrimentos.
O auto-desgosto sempre acompanha o verdadeiro arrependimento. “Se terão nojo de si mesmos, por causa das maldades que cometeram” (Ezequiel 6:9). Não devemos apenas ficar irritados conosco mesmos pelo dano que o pecado causa às nossas almas. Devemos também nos desprezar porque o pecado nos tornou abomináveis ao Deus puro e santo, que não pode contemplar o mal. Se o pecado realmente nos repugna, o que mais nos repugnará será o nosso próprio pecado, pois o que está mais perto de nós costuma nos parecer o mais ofensivo.
Quanto mais contemplamos a glória e a majestade de Deus, e quanto mais enxergamos a vergonha do pecado e o quão vergonhosos nós mesmos somos por causa do pecado, mais vamos nos humilhar e desprezar o nosso orgulho. É como se Jó dissesse: “Agora meus olhos veem que tipo de Deus eu ofendi, o resplendor daquela majestade que insultei com pecados voluntários, e a ternura daquela misericórdia que rejeitei. Agora vejo quão justo e santo ele é, e que sua ira justa eu atraí sobre mim; por isso desprezo a mim mesmo. ‘Ai de mim! Pois estou perdido’” (Isaías 6:5).
Deus havia desafiado Jó a olhar para os soberbos e abatê-los. Jó responde, em essência: “Não posso afirmar que consigo fazer isso. Já tenho trabalho suficiente para humilhar o meu próprio coração orgulhoso, abatê-lo e mantê-lo abatido.” Devemos deixar nas mãos de Deus o governo do mundo, e ocupar-nos, com a força da sua graça, em governar bem a nós mesmos e aos nossos próprios corações.
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Deste capítulo
Jó 42:2
"Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido."
Jó 42:3
"Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia."
Jó 42:4
"Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás."
Jó 42:5
"Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos."
Jó 42:6
"Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza."
Jó 42:7
"Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó."
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