Esdras 10:1
" E enquanto Esdras orava, e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a ele, de Israel, uma grande congregação de homens, mulheres e crianças; pois o povo chorava com grande choro. "
Entenda os temas principais e aplique Esdras 10 na sua vida hoje
44 versículos | Almeida Corrigida Fiel
A oração e o choro de Esdras levam todo o povo a reconhecer, de forma coletiva, o pecado dos casamentos com mulheres estrangeiras. Há confissão pública, reconhecimento da transgressão e disposição em mudar de rumo, mesmo com grande custo emocional e social.
O povo assume um compromisso formal de despedir as mulheres estrangeiras e os filhos nascidos dessas uniões para preservar a fidelidade à aliança com Deus. A prioridade da relação com o Senhor é colocada acima de vínculos familiares que ameaçavam conduzir o povo novamente à idolatria.
Esdras, os príncipes, anciãos e juízes assumem a responsabilidade de conduzir um processo longo, estruturado e doloroso, lidando caso a caso com a situação dos casamentos mistos. A liderança não foge do conflito, mas organiza, cobra e acompanha o arrependimento do povo.
É proclamado um chamado solene para que todos se apresentem em Jerusalém, sob pena de perda de bens e exclusão da congregação. A comunidade aplica disciplina severa, demonstrando que a santidade do povo de Deus não é opcional nem negociável.
O capítulo lista nomes específicos de sacerdotes, levitas e do povo que se haviam casado com mulheres estrangeiras. Isso mostra que o pecado é tratado de forma concreta e personalizada, e que a responsabilidade diante de Deus não se dilui no anonimato da coletividade.
Esdras 10 se passa no período pós-exílico, após o retorno de parte dos judeus do cativeiro babilônico para Jerusalém, por volta do século V a.C. Sob o domínio do Império Persa, o povo havia recebido permissão para voltar, reconstruir o templo e reorganizar a vida religiosa. Esdras, escriba e sacerdote, fora enviado com autoridade para ensinar a Lei de Deus e estabelecer a ordem espiritual em Judá.
Durante o exílio e após o retorno, muitos israelitas se misturaram com povos vizinhos, assumindo práticas contrárias à Lei de Moisés, especialmente por meio de casamentos com mulheres estrangeiras que não partilhavam da fé em Yahweh. Essa prática ameaçava reintroduzir a idolatria que havia levado o povo ao exílio anteriormente.
O capítulo 9 já havia relatado a descoberta dessa situação e a profunda angústia de Esdras. Em Esdras 10, vê-se a resposta prática: um movimento nacional de arrependimento, acompanhado de medidas severas para restaurar a pureza da comunidade da aliança. O contexto climático também é mencionado: é o nono mês (por volta de novembro/dezembro), época de fortes chuvas na região, o que reforça a cena de um povo tremendo tanto pelo frio e pela chuva quanto pela gravidade do seu pecado.
Esdras 10 apresenta uma estrutura narrativa clara, com forte ênfase descritiva e uma longa seção de listas:
Convocação ao arrependimento comunitário (10:1-4)
Compromisso formal e jejum de lamento (10:5-6)
Assembleia geral em Jerusalém e proclamação (10:7-9)
Exortação de Esdras e resposta do povo (10:10-14)
Oposição limitada e confirmação do plano (10:15-17)
Lista nominal dos culpados e suas ações (10:18-44)
O estilo é direto, com foco em ações concretas (orar, chorar, jurar, despedir, oferecer sacrifício). A longa lista de nomes reforça o caráter documental e jurídico dessa parte do livro, sublinhando a seriedade histórica e espiritual do evento.
Esdras 10 aborda temas teológicos sensíveis e profundos, especialmente a respeito da santidade do povo de Deus, da natureza da aliança e do custo do arrependimento.
A decisão de despedir as mulheres estrangeiras não se baseia em preconceito étnico, mas em preocupação teológica: a fidelidade a Deus estava em jogo. Ao longo do Antigo Testamento, casamentos com pessoas de povos que adoravam outros deuses frequentemente resultavam em sincretismo e idolatria. Nesse contexto pós-exílico, quando Deus estava restaurando o povo e reafirmando a aliança, a pureza da fé e do culto era crucial.
A confissão em Esdras 10 é mais do que um ato verbal; ela se torna arrependimento prático que envolve perdas reais. Isso ressalta a ideia de que voltar-se para Deus implica, muitas vezes, renunciar estruturas de vida construídas em desobediência. O sacrifício de um carneiro pelo delito (10:19) sublinha a necessidade de expiação diante de Deus, antecipando o princípio de que o pecado demanda reparação, plenamente satisfeita em Cristo no Novo Testamento.
A lista nominal tem um valor teológico: mostra que até sacerdotes e levitas, responsáveis pelo culto, estavam envolvidos no pecado. A liderança espiritual também precisa de correção e não está acima da disciplina. Ao mesmo tempo, o povo responde com prontidão e reconhece que a ira de Deus é justa, pedindo que seja desviada (10:14).
O capítulo também levanta a tensão entre juízo e misericórdia. Há um zelo rigoroso pela santidade, mas o processo é organizado, com datas marcadas e avaliação caso a caso. Isso sinaliza que a justiça de Deus não é arbitrária, mas cuidadosa e ordenada. Em perspectiva mais ampla, Esdras 10 aponta para a necessidade de um coração transformado que ame a Deus acima de todas as coisas, algo plenamente realizado na nova aliança, quando Deus escreve sua lei no coração do seu povo.
Esdras 10 apresenta um retrato intenso de culpa coletiva, arrependimento e tomada de decisões difíceis para corrigir caminhos errados. Em termos de saúde emocional, o capítulo mostra um povo que não nega nem minimiza seu erro: choro, tremor, jejum e lamento são reconhecidos como respostas legítimas a uma consciência desperta.
Há um elemento terapêutico na confissão comunitária: o pecado é trazido à luz, nomeado e enfrentado em conjunto, em vez de ser carregado solitariamente. O envolvimento das lideranças dá contorno e direção ao processo, evitando caos emocional. O povo admite que a tarefa é grande e que não pode ser resolvida de forma precipitada, o que lembra a importância de processos estruturados para lidar com questões profundas.
Ao mesmo tempo, o texto lida com perdas dolorosas: lares são desfeitos, vínculos são cortados e famílias são profundamente abaladas. Isso toca em temas de rompimentos, culpa, vergonha e recomeços sob forte carga emocional. O capítulo ilumina a tensão entre fazer o que é percebido como certo e o sofrimento que acompanha correções drásticas.
Na perspectiva terapêutica, Esdras 10 revela que a transformação comunitária passa por reconhecer erros, assumir responsabilidade e aceitar o custo de mudanças reais. Mostra também que emoções intensas – choro, medo, pesar – podem ser parte saudável de um processo de restauração espiritual e moral, desde que acompanhadas de direção, limites e propósito claros.
Esdras 10 descreve decisões extremas de desfazer casamentos e separar famílias, o que, lido fora de contexto, pode ser interpretado de forma perigosa. Alguns pontos de atenção:
Risco de justificar rupturas familiares impulsivas: A narrativa não é uma prescrição direta para a realidade atual, mas um relato específico da história de Israel no contexto da antiga aliança. Usar o texto para legitimar abandono de cônjuges ou filhos hoje, sem considerar o conjunto da Escritura e o ensino sobre casamento no Novo Testamento, é uma distorção.
Culpa e vergonha tóxicas: A ênfase em pecado e transgressão pode, em leituras descontextualizadas, alimentar sentimentos de culpa esmagadora ou autoaversão. Quando a consciência de erro não vem acompanhada da compreensão da graça de Deus, há risco de desespero ou auto-punição.
Pressão comunitária desmedida: O forte clima de disciplina coletiva pode ser mal reproduzido em contextos religiosos abusivos, resultando em coerção, humilhação pública e controle excessivo sobre a vida privada das pessoas.
Confusão entre zelo espiritual e intolerância: A separação aqui tem motivo teológico específico ligado à idolatria. Em contextos modernos, uma leitura superficial pode ser usada para justificar discriminação étnica, cultural ou social, algo contrário ao testemunho mais amplo das Escrituras sobre o valor de todos os povos.
Leituras pastoralmente responsáveis de Esdras 10 precisam levar em conta o contexto histórico, a progressão da revelação bíblica e a centralidade da graça em Cristo, especialmente ao tratar de pessoas em situações conjugais e familiares frágeis.
Esdras 10 inspira aplicações práticas, especialmente em relação a arrependimento, liderança e decisões difíceis:
Levar o pecado a sério: O capítulo mostra que a desobediência não é tratada como algo leve. Em termos contemporâneos, isso sugere encarar escolhas que afastam de Deus com honestidade, sem racionalizações, admitindo impacto espiritual e relacional.
Transformar confissão em ação: A confissão do povo é acompanhada por um plano concreto de mudança. Isso encoraja a não ficar apenas em remorso ou palavras, mas a estabelecer passos reais para corrigir o que foi construído em desobediência, dentro dos princípios do evangelho e da sabedoria bíblica.
Valorizar liderança responsável: Esdras e os anciãos assumem a tarefa difícil de conduzir o povo em um processo tenso e demorado. Em qualquer contexto de liderança cristã, há necessidade de coragem para confrontar questões delicadas com verdade, amor e organização.
Processos bem planejados para mudanças profundas: O povo reconhece que não é algo que se resolve em um ou dois dias. Isso sugere que mudanças estruturais em vida pessoal, família ou comunidade exigem tempo, organização, acompanhamento e paciência.
Reconhecer responsabilidades pessoais: A lista de nomes lembra que, diante de Deus, a responsabilidade é individual, mesmo em problemas coletivos. Em termos práticos, cada pessoa é chamada a reconhecer sua parte em situações de desordem espiritual ou moral e a responder com humildade.
Cuidar de como se usa textos difíceis hoje: Ao aplicar Esdras 10, é importante ler o restante da Bíblia, incluindo o ensino de Jesus e dos apóstolos sobre casamento, graça, reconciliação e perdão. Isso ajuda a extrair princípios (como fidelidade a Deus, arrependimento real, prioridade da fé) sem reproduzir diretamente soluções específicas de outro tempo e aliança.
A separação não foi motivada por preconceito étnico, mas pela preocupação espiritual. As mulheres estrangeiras eram, em sua maioria, de povos que adoravam outros deuses e praticavam idolatria. A experiência anterior de Israel mostrara que casamentos com tais povos frequentemente levavam o coração do povo a se afastar do Senhor. No contexto da restauração pós-exílica, quando Deus estava renovando o povo e o culto, essa mistura ameaçava a fidelidade à aliança. Por isso, sob a antiga aliança e naquela conjuntura específica, a medida radical foi entendida como necessária para preservar a identidade espiritual de Israel.
Não. Esdras 10 descreve um acontecimento específico da história de Israel sob a antiga aliança, com leis civis e religiosas próprias daquele período. No Novo Testamento, a orientação é diferente: em 1 Coríntios 7, por exemplo, Paulo ensina que, se o cônjuge incrédulo consente em viver com o crente, este não deve se separar. O princípio aplicável de Esdras 10 hoje é a seriedade de manter a fidelidade a Deus em qualquer relacionamento, não a repetição literal das medidas tomadas naquele contexto histórico.
A lista de nomes mostra que o problema não era abstrato, mas concreto e pessoal. Registra, para memória histórica, quais sacerdotes, levitas e israelitas estiveram envolvidos nos casamentos proibidos e assumiram publicamente sua culpa. Isso destaca a responsabilidade individual diante de Deus e da comunidade, e também demonstra a transparência e seriedade com que a situação foi tratada. Em termos literários, reforça o caráter documental e jurídico da narrativa.
O texto reconhece, ainda que de forma indireta, que o processo foi longo, difícil e doloroso. Esdras 10 mostra o custo extremo de se tentar corrigir estruturas de vida formadas em desobediência. A Bíblia, ao registrar esse evento, não o apresenta como modelo universal a ser replicado em qualquer época, mas como parte da história complexa entre um povo santo e um Deus santo. O sofrimento envolvido chama a atenção para a gravidade do pecado na origem e para a necessidade, em qualquer tempo, de tratar escolhas conjugais e espirituais com grande responsabilidade.
Esdras 10 é um passo crucial na restauração espiritual do povo. Deus já havia permitido o retorno, a reconstrução do templo e a reorganização da vida em Jerusalém. No entanto, a restauração não seria completa sem um ajuste profundo na vida moral e religiosa do povo. Lidar com os casamentos mistos era uma forma de cortar pela raiz influências que poderiam reconduzir Israel à idolatria. Assim, o capítulo mostra que a restauração verdadeira inclui tanto renovação estrutural (como templo e cidade) quanto renovação moral e espiritual na vida cotidiana.
Esdras 10 retrata uma das cenas mais pesadas e emocionais da história de Israel. Há choro, culpa, arrependimento e decisões que rasgam o coração. Esdras se prostra diante de Deus, chorando, e o povo inteiro é levado a um profundo quebrantamento. É um momento em que as pessoas percebem o quanto se afastaram e sentem o peso das consequências. Há uma dor que não é escondida: eles choram alto, tremem, lamentam. A Bíblia não mascara a angústia que acompanha decisões difíceis, mesmo quando se busca obedecer a Deus. As lágrimas de Esdras e do povo mostram que a espiritualidade bíblica admite dor, arrependimento profundo e perda. Não é uma fé de superfície, que finge que tudo está bem. Ao mesmo tempo, o capítulo lembra que, mesmo em meio à confusão e ao luto, ainda há esperança para Israel (10:2). A esperança não é porque a situação seja leve, mas porque Deus continua sendo o Deus da aliança, disposto a ouvir o clamor humilde do seu povo. O movimento de retorno a Ele, embora custoso, é acolhido. A longa lista de nomes também tem um lado humano: por trás de cada nome há histórias, famílias, lares desfeitos, corações partidos. A Escritura registra isso com honestidade. Não idealiza a vida com Deus como algo sem cicatrizes, mas como um caminho em que, às vezes, a fidelidade passa por apertos profundos. Em meio a tudo isso, o amor e a presença de Deus continuam sendo a única base firme em meio ao peso da culpa e ao choro do arrependimento.
Lido com atenção, Esdras 10 revela uma combinação de teologia da aliança, direito comunitário e disciplina religiosa pós-exílica. A questão central não é meramente conjugal, mas cultual: casamentos com mulheres estrangeiras, na tradição deuteronomista, são avaliados à luz da ameaça de idolatria e sincretismo. O pano de fundo inclui textos como Deuteronômio 7:3-4, que proíbem alianças matrimoniais com nações que servem outros deuses, justamente para preservar a exclusividade do culto a Yahweh. Do ponto de vista literário, o capítulo fecha a seção iniciada em Esdras 9, que começa com a denúncia e a oração de confissão. O movimento aqui é da teologia para a prática: da consciência do pecado para uma reconfiguração concreta da vida comunitária. O uso de juramento (10:5), de proclamação oficial (10:7-8) e de um processo jurídico-administrativo (10:14-17) indica que a questão foi tratada como assunto de direito público da comunidade da aliança. A oposição de alguns (10:15) sugere que a medida não foi consensual nem simples, o que reforça a complexidade histórica do relato. A lista nominal organizada por grupos (sacerdotes, levitas, cantores, porteiros, leigos) mostra que o problema estava disseminado em todos os segmentos da sociedade, inclusive na elite religiosa. O fato de os sacerdotes oferecerem sacrifício de culpa e darem as mãos em sinal de compromisso (10:19) enfatiza tanto a necessidade de expiação quanto o caráter solene da correção. Hermeneuticamente, é essencial reconhecer o caráter situado da narrativa: trata-se de um episódio específico da antiga aliança, sob leis nacionais-teocráticas que não são transplantadas diretamente para a realidade da igreja neotestamentária. O valor teológico duradouro do texto não está na reprodução mecânica de suas medidas, mas nos princípios de zelo pela santidade, necessidade de arrependimento efetivo e responsabilidade comunitária diante da Palavra de Deus.
Esdras 10 coloca em cena algo muito concreto: quando se escolhe um caminho contrário aos princípios de Deus, constrói-se uma realidade que, mais cedo ou mais tarde, cobra um preço alto para ser corrigida. As decisões relacionais do povo – especialmente em algo tão sério como o casamento – foram tomadas sem levar em conta a vontade de Deus, e o ajuste posterior foi extremamente doloroso. Do ponto de vista da vida prática, o capítulo evidencia a importância de discernir, antes de se comprometer, quais alianças estão sendo formadas: com quem se casa, com quem se associa, a que valores se vincula. Escolhas de parceria, tanto afetivas quanto de convivência mais estreita, influenciam diretamente a direção espiritual da vida. Esdras 10 também mostra que enfrentar erros importantes exige organização e coragem. O povo reconhece que são muitos os que transgrediram (10:13) e que não dá para resolver tudo em um dia debaixo de chuva. Em outras palavras, problemas profundos pedem processos estruturados: liderança responsável, etapas definidas, tempo adequado, análise caso a caso. Há ainda um ensino sobre transparência e responsabilidade: os envolvidos são nomeados, assumem publicamente a culpa e se comprometem com ações específicas (10:19). No cotidiano, isso inspira a não esconder questões sérias, mas a tratá-las com clareza, assumindo a parte que cabe a cada um. Ao mesmo tempo, Esdras 10 chama atenção para o impacto das decisões espirituais na família. Embora o contexto atual seja diferente, o princípio permanece: escolhas de fé, valores e prioridades afetam diretamente o lar. Viver de forma coerente com a fé, desde o início das grandes decisões, evita muitos dos conflitos dolorosos que surgem quando se tenta corrigir, tardiamente, caminhos traçados em desobediência.
Esdras 10 é um retrato da alma de um povo em confronto radical com a santidade de Deus. A cena de Esdras prostrado, chorando e confessando, enquanto uma multidão chora com ele, aponta para um momento em que a consciência espiritual desperta e percebe que não se pode continuar vivendo da mesma forma. Em perspectiva de eternidade, o capítulo levanta uma questão essencial: a quem pertence, em última instância, a lealdade mais profunda da vida? O povo entende que, mesmo diante de laços familiares e afetivos muito fortes, a aliança com Deus é a relação fundamental que define todas as outras. Essa prioridade não diminui o valor humano dos vínculos, mas coloca a fidelidade ao Senhor como eixo em torno do qual tudo mais deve se organizar. O processo descrito em Esdras 10 é duro, mas antecipa uma verdade que se tornará plena na nova aliança: a verdadeira restauração não é superficial, e sim uma reorientação completa do coração. O arrependimento que aparece aqui é caro e doloroso, mostrando que voltar-se para Deus implica, muitas vezes, renunciar estruturas alimentadas pela infidelidade. A necessidade de sacrifício de culpa (10:19) aponta para a realidade de que o pecado exige expiação. Em termos espirituais, a longa e dolorosa correção do povo pós-exílico prepara o terreno para a compreensão de um sacrifício perfeito e definitivo, que não apenas perdoa, mas transforma o coração. A lista de nomes, com suas histórias marcadas por transgressão, lembra que a graça futura alcançaria pecadores concretos, com rostos e trajetórias específicas. Esdras 10 convida a considerar a vida diante de Deus com seriedade eterna: alianças, escolhas, afetos e projetos são colocados sob a luz da aliança com o Senhor. A esperança está no fato de que, mesmo quando o caminho de volta é doloroso, Deus continua se deixando encontrar por um povo que, em quebrantamento, decide alinhar sua existência inteira ao seu propósito eterno.
" E enquanto Esdras orava, e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a ele, de Israel, uma grande congregação de homens, mulheres e crianças; pois o povo chorava com grande choro. "
" Então Secanias, filho de Jeiel, um dos filhos de Elão, tomou a palavra e disse a Esdras: Nós temos transgredido contra o nosso Deus, e casamos com mulheres estrangeiras dentre os povos da terra, mas, no tocante a isto, ainda há esperança para Israel. "
" Agora, pois, façamos aliança com o nosso Deus de que despediremos todas as mulheres, e os que delas são nascidos, conforme ao conselho do meu senhor, e dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se conforme a lei. "
" Levanta-te, pois, porque te pertence este negócio, e nós seremos contigo; esforça-te, e age. "
Esdras 10:4 mostra que Deus chama alguém a assumir responsabilidade e agir com coragem diante de um problema sério. O povo encoraja Esdras, prometendo apoio. …
Ler análise completa" Então Esdras se levantou, e ajuramentou os chefes dos sacerdotes e dos levitas, e a todo o Israel, de que fariam conforme a esta palavra; e eles juraram. "
" E Esdras se levantou de diante da casa de Deus, e entrou na câmara de Joanã, filho de Eliasibe; e, chegando lá, não comeu pão, e nem bebeu água; porque lamentava pela transgressão dos do cativeiro. "
" E fizeram passar pregão por Judá e Jerusalém, a todos os que vieram do cativeiro, para que se ajuntassem em Jerusalém. "
" E que todo aquele que em três dias não viesse, segundo o conselho dos príncipes e dos anciãos, toda a sua fazenda se poria em interdito, e ele seria separado da congregação dos do cativeiro. "
" Então todos os homens de Judá e Benjamim em três dias se ajuntaram em Jerusalém; era o nono mês, aos vinte dias do mês; e todo o povo se assentou na praça da casa de Deus, tremendo por este negócio e por causa das grandes chuvas. "
" Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes transgredido, e casastes com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de Israel. "
" Agora, pois, fazei confissão ao Senhor Deus de vossos pais, e fazei a sua vontade; e apartai-vos dos povos das terras, e das mulheres estrangeiras. "
" E respondeu toda a congregação, e disse em altas vozes: Assim seja, conforme às tuas palavras nos convém fazer. "
" Porém o povo é muito, e também é tempo de grandes chuvas, e não se pode estar aqui fora; nem é obra de um dia nem de dois, porque somos muitos os que transgredimos neste negócio. "
" Ora, ponham-se os nossos líderes, por toda a congregação sobre este negócio; e todos os que em nossas cidades casaram com mulheres estrangeiras venham em tempos apontados, e com eles os anciãos de cada cidade, e os seus juízes, até que desviemos de nós o ardor da ira do nosso Deus, por esta causa. "
" Porém, somente Jônatas, filho de Asael, e Jaseías, filho de Ticva, se opuseram a isto; e Mesulão, e Sabetai, levita, os ajudaram. "
" E assim o fizeram os que voltaram do cativeiro; e o sacerdote Esdras e os homens, chefes dos pais, segundo a casa de seus pais, e todos pelos seus nomes, foram apontados; e assentaram-se no primeiro dia do décimo mês, para inquirirem neste negócio. "
" E no primeiro dia do primeiro mês acabaram de tratar com todos os homens que casaram com mulheres estrangeiras. "
" E acharam-se dos filhos dos sacerdotes que casaram com mulheres estrangeiras: Dos filhos de Jesuá, filho de Jozadaque, e seus irmãos, Maaséias, e Eliezer, e Jaribe, e Gedalias. "
" E deram as suas mãos prometendo que despediriam suas mulheres; e, achando-se culpados, ofereceram um carneiro do rebanho pelo seu delito. "
" E dos filhos de Imer: Hanani e Zebadias. "
" E dos filhos de Harim: Maaséias, Elias, Semaías, Jeiel e Uzias. "
" E dos filhos de Pasur: Elioenai, Maaséias, Ismael, Netanel, Jozabade e Eleasa. "
" E dos levitas: Jozabade, Simei, Quelaías (este é Quelita), Petaías, Judá e Eliezer. "
" E dos cantores: Eliasibe; e dos porteiros: Salum, Telém e Uri. "
" E de Israel, dos filhos de Parós: Ramias, Jezias, Malquias, Miamim, Eleazar, Malquias e Benaia. "
" E dos filhos de Elão: Matanias, Zacarias, Jeiel, Abdi, Jeremote e Elias. "
" E dos filhos de Zatu: Elioenai, Eliasibe, Matanias, Jeremote, Zabade e Aziza. "
" E dos filhos de Bebai: Joanã, Hananias, Zabai e Atlai. "
" E dos filhos de Bani: Mesulão, Maluque, Adaías, Jasube, Seal, Jeremote. "
" E dos filhos de Paate-Moabe: Adna, Quelal, Benaia, Maséias, Matanias, Bezalel, Binui e Manassés. "
" E dos filhos de Harim: Eliezer, Josias, Malquias, Semaías, Simeão, "
" Benjamim, Maluque, Semarias. "
" Dos filhos de Hasum: Matenai, Matatá, Zabade, Elifelete, Jeremai, Manassés e Simei. "
" Dos filhos de Bani: Maadai, Anrão, e Uel, "
" Benaia, Bedias, Queluí, "
" Vanias, Meremote, Eliasibe, "
" Matanias, Matnai e Jaasai, "
" E Bani, Binui, Simei, "
" E Selemias, Natã e Adaías, "
" Macnadbai, Sasai, Sarai, "
" Azareel, Selemias, Semarias, "
" Salum, Amarias e José. "
" Dos filhos de Nebo: Jeiel, Matitias, Zabade, Zebina, Jadai, Joel e Benaia. "
" Todos estes tomaram mulheres estrangeiras; e alguns deles tinham mulheres de quem tiveram filhos. "
Esdras 10:44 mostra que alguns israelitas haviam se casado com mulheres de outros povos e até formado famílias assim, contrariando a aliança proposta. O versículo …
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