Versículo em destaque

Números 5:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: "

Números 5:11

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9 Semelhantemente toda a oferta de todas as coisas santificadas dos filhos de Israel, que trouxerem ao sacerdote, será sua.

10 E as coisas santificadas de cada um serão suas; o que alguém der ao sacerdote será seu.

11 Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:

12 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando a mulher de alguém se desviar, e transgredir contra ele,

13 De maneira que algum homem se tenha deitado com ela, e for oculto aos olhos de seu marido, e ela o tiver ocultado, havendo-se ela contaminado, e contra ela não houver testemunha, e no feito não for apanhada,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui começa a lei para a solene prova de uma mulher quando o marido suspeita que ela cometeu adultério. Primeiro é importante notar a situação que a lei pressupõe: o homem tem motivo para pensar que sua esposa foi infiel (Números 5:12-14).

O adultério é tratado aqui como um pecado muito grave. Ele afasta a pessoa de Deus, da virtude e do caminho reto (Provérbios 2:17). Também é uma injustiça contra o marido, rouba a sua honra, viola os seus direitos e introduz um filho ilegítimo em sua família, para repartir a herança com seus próprios filhos. Quebra a aliança do casamento e contamina a consciência, pois poucos pecados mancham tão profundamente a mente quanto este.

A lei também parte do fato de que esse pecado costuma ser cuidadosamente escondido, sem testemunhas. O adúltero espera pela escuridão, e a adúltera procura o momento em que o marido está ausente (Jó 24:15; Provérbios 7:19). O pecado busca o segredo porque é vergonhoso. O diabo, que tenta as pessoas nesse pecado, também as instrui em como ocultá‑lo.

O ciúme do marido também entra nesse quadro. Salomão diz que o ciúme é cruel como a sepultura, e a fúria de um homem ciumento é difícil de aplacar (Provérbios 6:34; Cânticos 8:6). Ainda assim, o marido não devia agir apenas por suspeitas sem fundamento. Escritores judeus afirmam que ele precisava ter algum motivo justo para desconfiar, embora a lei não o limitasse a um único modo de provar isso. Se o adultério pudesse ser provado, a mulher devia ser morta (Levítico 20:10). Se não pudesse ser provado, esta lei oferecia um caminho para tratar a questão.

Isso serve de advertência para que as esposas não deem sequer o menor motivo de suspeita. Devem evitar não apenas o mal em si, mas também tudo o que pareça mal, conduza a ele ou possa despertar ciúmes. Uma pequena faísca pode iniciar um grande incêndio. Também os maridos são advertidos a não ceder a suspeitas infundadas. O amor, e de modo especial o amor conjugal, deve ensinar a não pensar o mal sem causa (1 Coríntios 13:5). É bênção de uma boa mulher que o marido possa confiar plenamente nela (Provérbios 31:11).

O propósito desse procedimento era claro. Se a mulher fosse inocente, não deveria continuar vivendo debaixo da suspeita e vergonha diante do marido. Se fosse culpada, seu pecado seria exposto, e os outros ouviriam, temeriam e seriam mais cautelosos.

O processo de prova seguia esta ordem. Primeiro, o marido trazia a esposa ao sacerdote, juntamente com quaisquer testemunhas que apoiassem sua suspeita, e pedia um julgamento. Diziam os judeus que o sacerdote deveria, antes de tudo, exortá‑la a dizer a verdade. Falaria com brandura e a pressionaria a confessar, se tivesse pecado, para que o santo nome de Deus não fosse desonrado pela água amarga. Se ela confessasse dizendo que estava contaminada, não seria morta, mas era divorciada e perdia o dote. Se afirmasse ser pura, o julgamento prosseguia.

Em seguida, o marido devia trazer uma oferta de cevada, sem azeite nem incenso. Essa oferta simples combinava com o estado triste da família. Era uma oferta de memória, mostrando que o assunto estava sendo colocado diante do conhecimento e da justiça de Deus. Então o sacerdote preparava a água da prova do ciúme, usando água santa da bacia em que os sacerdotes se lavavam. Essa água era colocada num vaso de barro, e o vaso rústico e comum harmonizava com a ocasião. Pó do chão do tabernáculo era misturado à água, para representar a vergonha sobre a mulher e a humildade que ela devia sentir. Mas o pó era tirado do tabernáculo, para honrar o lugar onde Deus escolhera pôr o seu nome.

Então a mulher era colocada perante o Senhor e, segundo os judeus, à porta oriental do átrio do templo. A cabeça dela era descoberta como sinal de tristeza. Ela permanecia ali como advertência pública, para que outras mulheres aprendessem a não seguir esse pecado (Ezequiel 23:48). Diziam ainda os judeus que seus próprios servos não podiam estar presentes, para que ela não fosse humilhada diante de quem ainda devia honrá‑la. Também o marido era afastado dali.

Em seguida, o sacerdote fazia a mulher jurar e pronunciava a maldição, caso ela fosse culpada, explicando também o que aconteceria se bebesse a água. Se fosse inocente, nada de mal lhe aconteceria (Números 5:19). Ninguém precisa temer a maldição da lei de Deus se não a transgrediu. Mas, se fosse culpada, a água se tornaria veneno para ela. Faria seu ventre inchar e seu corpo definhar, e ela se tornaria uma maldição e vergonha no meio do povo (Números 5:21-22). A resposta dela devia ser: Amém, como Israel fez mais tarde, ao concordar com as maldições no monte Ebal (Deuteronômio 27:15-26). Alguns entendem que o “Amém” repetido abrangia as duas partes do juramento: a promessa de segurança se fosse inocente e a maldição se fosse culpada.

Uma mulher culpada não poderia dizer sinceramente Amém a tal juramento, a não ser que tivesse endurecido o coração contra Deus. Beber aquela água sendo culpada significava ou negar a verdade de Deus ou zombar de sua justiça. Mostrava alguém tão atrevido no pecado que preferia arriscar a maldição de Deus a confessar e dar glória a ele. Assim o pecado sexual pode endurecer o coração.

Por fim, o sacerdote escrevia a maldição em um rolo e depois lavava as palavras, fazendo‑as cair na água (Números 5:23). Isso mostrava que era a própria maldição que dava à água o poder de juízo. Mostrava também que, se ela fosse inocente, a maldição seria apagada e jamais ficaria registrada contra ela, como Deus diz que apaga o pecado (Isaías 43:25; Salmo 51:9). Mas, se fosse culpada, a maldição escrita, agora misturada à água, entraria em seu corpo e traria juízo para dentro dela, como óleo que penetra nos ossos (Salmo 109:18). Seria como uma maldição que entra numa casa e se apossa dela (Zacarias 5:4).

Então a mulher tinha de beber a água (Números 5:24). Ela é chamada de água amarga, talvez porque misturassem absinto para torná‑la amarga, ou mais provavelmente porque trazia consigo a maldição. Nesse sentido, o pecado é chamado de mau e amargo, porque traz maldição (Jeremias 2:19). Se ela fosse culpada, aprenderia que, embora as “águas roubadas” tivessem parecido doces e o “pão oculto” agradável, o fim era amargo como o absinto (Provérbios 9:17; Provérbios 5:4). Quem corre atrás de prazeres proibidos precisa saber que o fim será amargo.

Dizem os judeus que, se a maldição aterrorizasse tanto a mulher a ponto de ela se recusar a beber e confessasse sua culpa, o sacerdote derramava a água, lançava a oferta dela entre as cinzas, e ela era divorciada sem dote. Se ainda assim não quisesse confessar, mas se recusasse a beber, era forçada a beber. Se parecesse prestes a vomitar a água, a afastavam depressa para que não profanasse o lugar santo.

Antes de ela beber, a oferta de manjares do ciúme era movida e oferecida sobre o altar (Números 5:25-26). Uma porção era queimada como memorial, e o restante era comido pelo sacerdote, a não ser que o marido fosse sacerdote; nesse caso, a oferta era espalhada entre as cinzas. Essa parte da cerimônia mostrava que todo o caso estava sendo levado a Deus em apelo, aquele que tudo sabe e de quem nenhum segredo fica oculto.

Depois de tudo feito conforme a lei, era preciso esperar que Deus mostrasse o resultado. A água, com um pouco de pó e os resíduos da escrita apagada, não tinha em si poder para fazer bem ou mal. Mas, quando Deus era invocado por meio desse rito estabelecido por ele, honrava a instituição que ele mesmo ordenara. Com o tempo, por sua providência, a mulher inocente seria justificada, e o pecado da mulher culpada a alcançaria.

Se a mulher fosse realmente culpada, a água que ela bebia se tornaria veneno para ela (Números 5:27). Seu ventre inchava, e a coxa definhava por uma doença vergonhosa, punição adequada para um pecado vergonhoso. Ela lamentaria, afinal, quando sua carne e seu corpo se consumissem (Provérbios 5:11). O bispo Patrick registra, com base em alguns escritores judeus, que o efeito aparecia de imediato: ela empalidecia, e seus olhos pareciam saltar das órbitas. O doutor Lightfoot afirma que, às vezes, o efeito só aparecia depois de dois ou três anos, mas ela permanecia estéril, doente, fraca e terminava em ruína. É provável que alguns sinais se manifestassem logo no começo.

Os rabinos dizem que o adúltero também morria no mesmo dia e hora que a adúltera, e do mesmo modo. Afirmam que seu ventre inchava e suas partes íntimas apodreciam. É possível que se tratasse de alguma doença semelhante àquela que, em tempos posteriores, Deus usou como castigo para a impureza sexual, pela qual meretrizes e seus parceiros se contaminam, se espalham e se destroem mutuamente, quando escapam do castigo humano. Os mestres judeus também dizem que essa água só produzia tal efeito na adúltera se o marido nunca tivesse cometido o mesmo pecado. Se ele tinha profanado o leito conjugal, Deus não punia a esposa dessa forma, por causa dele. Por isso, em tempos posteriores e mais corrompidos entre os judeus, quando a impureza se tornou comum, essa prova foi em grande parte abandonada. Homens que conheciam os próprios pecados se davam por satisfeitos em não ficar sabendo dos pecados de suas esposas. Isso pode estar ligado ao aviso de (Oséias 4:14): Deus não castigaria as filhas quando se prostituíssem, nem as noras quando cometessem adultério, porque os próprios homens se apartavam com meretrizes.

Se a mulher fosse inocente, a água que ela bebia se tornaria remédio para ela: “ela será livre, e conceberá semente” (Números 5:28). Os escritores judeus exaltam muito os bons efeitos dessa água para a mulher inocente. Dizem que, para compensar o mal que lhe fora feito pela suspeita, depois ela ficaria mais forte e com melhor aparência do que antes. Se fosse doente e fraca, tornaria-se saudável, daria à luz um filho e teria um parto fácil.

De todo esse assunto aprendemos que os pecados secretos são conhecidos por Deus, e às vezes são de maneira espantosa trazidos à luz ainda nesta vida. Contudo, vem o dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgará os segredos dos homens, conforme o evangelho, assim como aqui o sacerdote fazia isso em figura (Romanos 2:16). Aprendemos também que Deus julgará os impuros e adúlteros. Quebrar a fidelidade e a pureza do casamento é ofensa grave contra o Deus do céu, e mais cedo ou mais tarde terá de ser respondida. Hoje não temos essas águas de amargura como advertência visível aos impuros, mas temos a palavra de Deus, que deveria bastar como aviso: se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá (1 Coríntios 3:17).

Aprendemos ainda que Deus encontrará um modo de justificar o inocente e fazer sua justiça aparecer. E aprendemos que, para os puros, todas as coisas são puras, mas, para os contaminados, nada é realmente puro (Tito 1:15). A mesma palavra é, para uns, mensagem de vida, e para outros, mensagem de morte, como essas águas de ciúmes, dependendo de como é recebida. A mesma providência é boa para uns e dura para outros (Jeremias 24:5, 8, 9). Seja qual for o propósito de Deus ao enviá-la, sua palavra não voltará vazia.

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