Versículo em destaque
Lucas 10:17 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. "
Lucas 10:17
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
15 E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida.
16 Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
17 E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam.
18 E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu.
19 Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.
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Cristo enviou os setenta discípulos enquanto subia para Jerusalém para a Festa dos Tabernáculos. Ele não foi de forma pública e ostensiva, mas de modo discreto, como João diz, em segredo (João 7:10). Como tinha enviado uma parte tão grande do seu grupo habitual, o Dr. Lightfoot entende que isso aconteceu antes de ele voltar daquela festa. Ele supõe que eles, ou pelo menos alguns deles, retornaram a Jesus enquanto ele ainda estava em Jerusalém ou em Betânia, ali por perto, onde mais adiante ele é encontrado (Lucas 10:38).
Aqui nos é dito qual relatório eles deram a Cristo sobre a obra que haviam feito. Eles voltaram com alegria (Lucas 10:17). Não aparecem queixas sobre as longas caminhadas, nem sobre a oposição e os desalentos que encontraram. Pelo contrário, alegram-se com o êxito, especialmente na expulsão de espíritos malignos. Disseram: “Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam.” Na comissão que haviam recebido, se fala de curar enfermos (Lucas 10:19), mas a expulsão de demônios certamente estava incluída, e nisso eles tiveram grande êxito. Eles deram a Cristo a glória por esse resultado, dizendo que tudo fora pelo nome dele. Todas as nossas vitórias sobre Satanás procedem do poder que Jesus Cristo concede. Devemos enfrentar nossos inimigos espirituais em seu nome, e qualquer vitória alcançada deve ser inteiramente atribuída a ele.
Eles também encontraram consolo no próprio sucesso. Falam com evidente contentamento: até os demônios, esses inimigos tão fortes, se sujeitaram a eles. Não há alegria maior para os crentes do que a vitória sobre Satanás. Se os demônios nos são sujeitos, nada de fato pode prevalecer contra nós.
Cristo acolheu o relatório deles e o confirmou como verdadeiro, concordando com o que ele mesmo estava vendo. Ele disse: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Lucas 10:18). Satanás e seu reino estavam caindo diante da pregação do evangelho. À medida que os discípulos ganhavam terreno, o diabo o perdia. Sua queda era súbita, completa e visível, como um relâmpago que cai do céu. Os discípulos se alegravam ao ver os demônios saindo dos corpos das pessoas, mas Cristo enxergava mais longe. Ele via o diabo perdendo o domínio sobre os corações humanos, aquilo que é chamado de seu poder nas regiões celestiais ou seu forte governo sobre poderes malignos (Efésios 6:12). Cristo via nisso também um sinal do que em breve aconteceria de maneira ainda mais ampla: a quebra do reino de Satanás no mundo, pelo fim da idolatria e pela conversão das nações à fé em Cristo. Satanás cai do céu quando é derrubado do trono que ocupava no coração das pessoas (Atos 26:18). O evangelho atravessaria o mundo como um relâmpago e, por onde passasse, derrubaria o domínio de Satanás.
Alguns entendem essa palavra de outra forma, olhando para trás, para a queda dos anjos, e enxergam nela também uma advertência de Cristo aos discípulos. Pensam que ele os estava prevenindo para que o sucesso não os enchesse de orgulho. Satanás caiu por causa do orgulho e, assim, como alguém que fora um anjo de luz, foi lançado do céu abaixo. Isso seria um aviso para que eles não se exaltassem e não caíssem no mesmo juízo que sobreveio ao diabo em razão do orgulho (1 Timóteo 3:6).
Em seguida, Cristo repete e amplia a comissão deles: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes” (Lucas 10:19). A quem faz bom uso do que tem, mais será dado. Como eles haviam usado bem o poder que tinham contra Satanás, Cristo agora lhes confere poder ainda maior. Ele lhes dá poder ofensivo, poder para pisar serpentes e escorpiões, isto é, demônios e espíritos malignos, aquela antiga serpente. Em outras palavras, iriam esmagar-lhes a cabeça em seu nome, como fora prometido desde o princípio (Gênesis 3:15). Poderiam pôr os pés sobre o pescoço desses inimigos. Iriam esmagá‑los debaixo dos pés onde quer que os encontrassem, conforme diz o Salmo 91:13. Pisariam todo o poder do inimigo, e o reino do Messias se levantaria em toda parte sobre as ruínas do reino do diabo.
Cristo também lhes concede poder defensivo. “E nada vos fará dano algum.” Nada, de modo algum, os feriria, nem serpentes nem escorpiões, ainda que estivessem no meio deles, seja em punição, seja em prisão. Estariam seguros até mesmo diante das criaturas mais venenosas, como Paulo, que foi picado e nada sofreu (Atos 28:5), conforme também é prometido em Marcos 16:18. Se homens perversos fossem para eles como serpentes, e se vivessem no meio de escorpiões, como diz Ezequiel (Ezequiel 2:6), poderiam desprezar sua fúria e colocá‑la debaixo dos pés. Seus inimigos poderiam assobiar e ameaçar, mas não teriam poder real de destruí‑los, porque não possuem autoridade senão aquela que lhes é dada do alto. Poderiam até se aproximar do esconderijo da víbora, porque nem mesmo a morte, em última instância, ferirá ou destruirá o povo de Deus (Isaías 11:8-9; Isaías 25:8).
Então Cristo direciona a alegria deles para o lugar certo. Ele diz: “Não vos alegreis porque se vos sujeitam os espíritos” (Lucas 10:20). Ele não quer dizer que nunca devam se alegrar com tal êxito. Quer dizer que essa não deveria ser a principal alegria deles, nem aquilo que considerassem seu maior privilégio, nem o motivo para se colocarem acima de outros servos fiéis. A alegria maior deveria ser esta: que seus nomes estão escritos nos céus. Cristo, que conhecia o plano de Deus, podia lhes afirmar que seus nomes estavam escritos ali, no livro da vida do Cordeiro. Todos os crentes, pela graça, têm direito à herança de filhos, receberam a adoção como filhos de Deus e possuem o Espírito de adoção como penhor dessa herança. Estão arrolados entre os membros da família de Deus, e isso é uma alegria muito maior do que expulsar demônios.
O poder de se tornar filho de God é muito mais precioso do que o poder de realizar milagres. Sabemos que alguns expulsaram demônios em nome de Cristo, Judas entre eles, e ainda assim Cristo os rejeitará no último dia. Mas aqueles cujos nomes estão escritos nos céus jamais perecerão. São ovelhas de Cristo, e ele lhes dará a vida eterna. A graça que salva é superior aos dons espirituais. O amor santo é um caminho mais excelente do que o falar em línguas.
Depois, Cristo faz uma solene oração de ações de graças ao Pai, por usar pessoas tão fracas como seus discípulos em um serviço tão elevado (Lucas 10:21-22). Mateus já havia registrado isso (Mateus 11:25-27), mas Lucas acrescenta que, naquela mesma hora, Jesus se alegrou. Esse detalhe é importante, porque tais momentos eram raros. Ele era o homem de dores, por isso chama a atenção ouvir falar de sua alegria. Naquela hora, ao ver Satanás cair e ao ouvir o bom resultado do ministério de seus servos, ele se alegrou. Nada dá mais alegria ao Senhor Jesus do que a propagação do evangelho e os avanços sobre Satanás, por meio da conversão de almas a Cristo.
A alegria de Cristo era profunda e verdadeira, uma alegria interior. Ele se alegrou em espírito, mas, como águas profundas, essa alegria não fazia alarde, e estranho nenhum podia partilhar dela. Antes de se voltar para agradecer ao Pai, ele desperta em si mesmo essa alegria, porque o louvor agradecido é a verdadeira linguagem da alegria santa, e a alegria santa é a raiz e a fonte do louvor agradecido.
Ele agradece por duas coisas. Primeiro, pela revelação concedida por meio do Filho: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra” (Lucas 10:21). Em toda adoração, devemos ter diante de nós tanto Deus como Criador do céu e da terra, quanto como Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e nele, nosso Pai também. Aqui, Cristo agradece ao Pai porque seus planos de reconciliar consigo os homens foram revelados a alguns, dentre os filhos dos homens, aptos a ensinar outros, e porque Deus nos falou essas verdades por meio do seu Filho e as revelou em nós pelo seu Espírito.
Ele também agradece ao Pai porque essas verdades foram reveladas a pequeninos, a pessoas de poucos recursos e pouco saber, cuja formação não dava qualquer indício de grandeza. Eram crianças no entendimento, até que Deus elevou suas mentes por meio do seu Espírito e lhes concedeu não apenas esse conhecimento, mas também a capacidade de transmiti‑lo. Devemos agradecer menos porque os pequeninos foram honrados, e mais porque o próprio Deus foi honrado, ao mostrar sua força na fraqueza.
Ao mesmo tempo, ele ocultou essas coisas dos sábios e entendidos, dos filósofos gentios e dos rabinos judeus. Não lhes revelou o evangelho, nem os escolheu para pregarem o seu reino. Podemos dar graças porque os apóstolos não saíram das escolas deles. Se tivessem saído, poderiam ter misturado suas próprias ideias com o ensino de Cristo e o corrompido, como de fato aconteceu mais tarde. O cristianismo acabou sendo prejudicado, em tempos diferentes, pela filosofia platônica nos primeiros séculos, pelo pensamento aristotélico em épocas seguintes e pelo legalismo judaico, já nos dias em que a fé começou a se espalhar.
Se rabinos e filósofos tivessem sido feitos apóstolos, provavelmente o êxito do evangelho seria atribuído ao saber, à inteligência, ao raciocínio e à eloquência deles. Por isso Deus os deixou de lado, pela mesma razão pela qual o exército de Gideão foi reduzido: “Ainda muito povo há” (Juízes 7:4). Paulo, é verdade, foi formado como erudito entre os sábios e entendidos, mas, ao tornar‑se apóstolo, ele se fez como pequenino. Deixou de lado a linguagem rebuscada e a sabedoria humana, esqueceu tudo isso e decidiu nada saber entre eles senão a Jesus Cristo, e este crucificado (1 Coríntios 2:2, 1 Coríntios 2:4).
Isso também foi um ato da vontade soberana de Deus, seu direito livre de escolher como lhe agrada. “Assim é, ó Pai, porque assim te aprouve.” Se Deus concede sua graça e o conhecimento de seu Filho a alguns que nos parecem menos prováveis, e os retém de outros que, aos nossos olhos, pareceriam mais capacitados para divulgá‑lo, isso deve nos bastar. Sua sabedoria está muito acima da nossa. Ele escolhe colocar a obra do seu evangelho nas mãos daqueles que, pelo poder de Deus, lhe darão eficácia, e não nas mãos daqueles que, pela habilidade humana, apenas a fariam parecer mais elegante.
Em seguida, Cristo dá graças pelo que estava oculto entre o Pai e o Filho (Lucas 10:22). Ele fala da grande confiança que o Pai depositou no Filho: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai.” Toda sabedoria e conhecimento, todo poder e autoridade, e toda a graça e consolo destinados ao povo escolhido de Deus foram colocados nas mãos de Jesus. Nele deve habitar toda a plenitude, e dele deve proceder tudo para os outros. Ele é o grande administrador a quem foi confiado tudo no reino de Deus.
Ele também fala do íntimo entendimento entre o Pai e o Filho, um conhecimento compartilhado ao qual nenhuma criatura tem acesso. Ninguém conhece quem é o Filho, nem qual é sua mente, senão o Pai, que o conhecia desde o princípio de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas (Provérbios 8:22). E ninguém conhece quem é o Pai, nem quais são seus planos, senão o Filho, que estava com ele desde a eternidade, “como quem estava ao seu lado” e “era cada dia as suas delícias” (Provérbios 8:30). O Filho também revela o Pai, por meio do Espírito, àqueles a quem ele quer. O evangelho é a revelação de Jesus Cristo, e todo verdadeiro conhecimento da vontade de Deus para nossa salvação devemos a ele. Cristo considera ser encarregado dessa obra uma grande alegria, e agradece ao Pai por isso.
Depois, ele disse aos discípulos como eram bem‑aventurados por terem essas coisas reveladas a eles (Lucas 10:23; Lucas 10:24). Depois de falar com o Pai, voltou‑se para eles para mostrar o quanto a felicidade deles, e a glória de Deus, estavam ligadas a conhecer os mistérios do reino e a ajudar outros a chegar a esse conhecimento. Isso é um grande passo em direção a algo melhor. Mesmo que esse conhecimento, por si só, não salve, ele nos coloca no caminho da salvação. “Bem‑aventurados os olhos que veem o que vedes.” Deus os abençoa nisso e, se não for culpa deles, isso terminará em bem‑aventurança eterna.
É também um grande avanço em relação até mesmo aos maiores santos que vieram antes deles, aqueles mais favorecidos pelos céus. Muitos profetas e justos, ou, como esta passagem diz, muitos profetas e reis, desejaram ver e ouvir o que os discípulos viam e ouviam todos os dias, e não lhes foi concedido. A honra e a felicidade dos crentes do Novo Testamento são muito maiores do que as dos profetas e reis do Antigo Testamento, embora estes também tenham sido altamente favorecidos. Os santos do Antigo Testamento tinham apenas ideias gerais, a partir dos vislumbres que recebiam, sobre a graça e a glória do reino do Messias, e muitas vezes desejavam ter sido designados para viver naqueles dias bem‑aventurados, quando poderiam ver a realidade e não apenas sombras distantes.
Devemos, portanto, ponderar bem as grandes vantagens que temos na luz do Novo Testamento em comparação com aqueles que viveram sob o Antigo. Isso deveria nos mover a fazer bom uso delas. Se não for assim, isso só tornará ainda maior nossa culpa quando formos julgados por desperdiçá‑las.
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Deste capítulo
Lucas 10:1
"E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir."
Lucas 10:2
"E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara."
Lucas 10:3
"Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos."
Lucas 10:4
"Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho."
Lucas 10:5
"E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa."
Lucas 10:6
"E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós."
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