Êxodo 1:1
" Palavra do SENHOR, que foi dirigida a Joel, filho de Petuel. "
Joel 1:1 mostra que a mensagem não vem de Joel, mas do Senhor, que escolhe um profeta comum, identificado apenas como filho de Petuel. Isso …
Ler analise completaEntenda os temas principais e aplique Êxodo 1 na sua vida hoje
20 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Deus transforma o mês da libertação no primeiro mês do ano, marcando um recomeço para Israel. A vida do povo passa a ser contada a partir do ato salvador de Deus, e a Páscoa se torna o centro da memória e da identidade nacional.
O cordeiro sem defeito, seu sangue nas portas e a refeição prescrita são meios de proteção contra o juízo divino. Quando Deus vê o sangue, passa por cima das casas, poupando os primogênitos. A salvação não vem do mérito do povo, mas do sinal do sangue obedientemente aplicado.
A celebração da Páscoa e dos pães ázimos é instituída como estatuto perpétuo. As práticas litúrgicas são pensadas para provocar perguntas nas crianças e gerar ensino sobre o que Deus fez, para que a libertação nunca seja esquecida.
A morte dos primogênitos atinge desde o trono até o cárcere e o gado, revelando a seriedade do pecado e da resistência à vontade de Deus. O clamor no Egito contrasta com a preservação das casas marcadas pelo sangue, evidenciando a justiça e a soberania divinas.
Depois de 430 anos, Deus tira “os exércitos do Senhor” do Egito numa saída rápida e miraculosa. O povo sai com bens dos egípcios, acompanhado por uma “muita mistura de gente”, mostrando que a obra de Deus é ampla, concreta e transforma a condição social do povo.
As regras sobre o pão sem fermento, o descanso, o modo de comer a Páscoa e quem pode participar mostram que a libertação está ligada a uma vida separada para Deus. Estrangeiros podem participar mediante a circuncisão, indicando que a aliança é aberta, mas exige comprometimento.
Êxodo 12 se passa na fase final da opressão de Israel no Egito, provavelmente no segundo milênio a.C., após uma sucessão de nove pragas já enviadas por Deus. Israel está há 430 anos no Egito, tempo que inclui o período de favor na época de José e séculos de escravidão progressiva.
No contexto cultural do antigo Oriente Próximo, a morte de primogênitos era vista como golpe devastador, pois o primogênito representava herança, futuro da família e continuidade da linhagem. Além disso, muitos estudiosos entendem que os “deuses do Egito” (v. 12) incluem deidades ligadas à fertilidade, ao Nilo e à realeza, de modo que cada praga desmascara a impotência desses deuses diante do Deus de Israel.
A Páscoa (Pesach) é instituída como festa de família, celebrada à noite, em casas marcadas com sangue de cordeiro. O rito combina elementos de refeição doméstica, sacrifício e memorial histórico. O pão sem fermento (matzá) e a pressa da saída refletem a urgência da libertação e se tornam símbolos litúrgicos. A menção aos “exércitos do Senhor” (v. 41) indica que o povo é visto como um contingente organizado, pronto para ser conduzido por Deus como seu povo guerreiro, mesmo antes de ter exército formal.
O texto também reflete uma preocupação legal e comunitária: define quem pode participar da Páscoa, estabelecendo uma mesma lei para israelitas e estrangeiros que se unem ao povo. Isso mostra que desde o início a comunidade de fé inclui não apenas descendentes biológicos, mas também aqueles que aderem à aliança.
Êxodo 12 apresenta uma combinação de instrução cultual e narrativa histórica, organizada de forma alternada entre mandamentos e cumprimento:
Instituição da Páscoa e do novo calendário (12:1-11)
Deus define o mês, o cordeiro, sua escolha, o sacrifício e o modo de comer. O tom é normativo e detalhado.
Anúncio do juízo e função do sangue (12:12-13)
Deus explica o propósito do sangue e do juízo sobre o Egito e seus deuses.
Estatuto da festa e dos pães ázimos (12:14-20)
Instruções sobre a duração da festa, remoção do fermento, santas convocações e proibição de pão levedado.
Moisés transmite as ordens e reforça a proteção do sangue (12:21-23)
Transição das palavras de Deus para a prática do povo, com ênfase em não sair de casa.
Mandamento de guardar o rito nas gerações e ensino às crianças (12:24-28)
A Páscoa é apresentada como culto contínuo e pedagógico. O povo responde com adoração e obediência.
Cumprimento da décima praga e ordem de saída (12:29-33)
Narrativa dramática da morte dos primogênitos, o clamor no Egito e a rendição de faraó.
Saída de Israel, despojo do Egito e pão ázimo (12:34-39)
Descrição da pressa da partida, do favor dos egípcios, da grande multidão e da refeição sem fermento.
Resumo cronológico da estada no Egito (12:40-41)
Encerramento histórico: 430 anos e saída dos “exércitos do Senhor”.
Ordenança detalhada da Páscoa: quem participa e como (12:42-49)
Regras sobre a noite do Senhor, exclusões e inclusões, unidade da refeição e igualdade de lei.
Obediência final e saída (12:50-51)
Breve fechamento destacando a obediência do povo e a ação libertadora de Deus no mesmo dia.
Êxodo 12 é um dos capítulos centrais da teologia bíblica, pois articula com grande clareza temas de juízo, salvação, aliança e culto.
A Páscoa mostra que a salvação acontece por iniciativa de Deus, em meio ao juízo. O mesmo Deus que passa para ferir os primogênitos egípcios passa por cima das casas marcadas com sangue. A diferença não está na suposta superioridade moral dos israelitas, mas na obediência à instrução divina e na proteção oferecida pelo sangue do cordeiro.
O cordeiro sem defeito, sacrificado no lugar dos primogênitos, apresenta um princípio de substituição: uma vida dada para que outras vivam. O sangue nos umbrais se torna sinal de aliança e de proteção. A refeição apressada, com lombos cingidos, sapatos e cajado, mostra que a graça de Deus chama para uma resposta concreta: preparar-se para sair da escravidão e caminhar em direção à liberdade.
A instituição de um novo calendário teológico ensina que a história do povo de Deus é redefinida pela salvação recebida. A libertação não é apenas um evento social, mas o marco zero de uma nova identidade. As festas e estatutos que se seguem têm caráter pedagógico: moldam a memória, a prática e a espiritualidade do povo, para que viva constantemente lembrando quem Deus é e o que fez.
Por fim, a seção sobre quem pode comer da Páscoa revela que a aliança é ao mesmo tempo exclusiva e inclusiva. Exclusiva, porque requer sinal de pertencimento (circuncisão, separação, obediência); inclusiva, porque o estrangeiro que se une de coração e de prática passa a ser contado como natural da terra. A mesma lei para todos aponta para a unidade do povo de Deus sob um único Senhor.
Êxodo 12 oferece um rico campo para reflexões terapêuticas sobre memória, trauma, recomeços e pertencimento. O povo vive uma transição brusca: de gerações de escravidão à libertação repentina, acompanhada de acontecimentos traumáticos ao redor. A prescrição de rituais detalhados (escolha do cordeiro, marcação das portas, refeição específica) funciona também como estrutura em meio ao caos, oferecendo um caminho concreto para atravessar uma noite de juízo e medo.
A Páscoa se torna um dispositivo de memória saudável: não apenas lembrar o sofrimento no Egito, mas sobretudo a intervenção de Deus que livra e sustenta. O uso de símbolos (sangue, pão sem fermento, ervas amargas) conecta corpo, sentidos e história, integrando a experiência traumática numa narrativa de cuidado e libertação. Em termos emocionais, isso favorece a construção de identidade não apenas como vítimas da opressão, mas como povo amado e resgatado.
A exigência de remover o fermento e a pressa da saída também simbolizam a necessidade de romper com antigas estruturas de escravidão. Psicologicamente, aponta para o desafio de deixar para trás hábitos, ambientes e lógicas destrutivas, mesmo quando ainda não se sabe exatamente como será o caminho à frente. A presença de uma “muita mistura de gente” mostra que a caminhada de libertação é coletiva e diversa, o que pode fortalecer senso de comunidade, mas também exigir ajustes de convivência.
O capítulo ainda toca em temas delicados como perda e juízo, observando o clamor dos egípcios. Isso lembra que grandes transformações históricas podem envolver dor distribuída de forma desigual. Para quem lê em contextos de sofrimento, a narrativa pode ser lida tanto como consolo — Deus vê, julga e liberta — quanto como convite à humildade, reconhecendo que ninguém é neutro diante da justiça de Deus.
Algumas leituras de Êxodo 12 podem acionar gatilhos ou interpretações prejudiciais se forem usadas de forma isolada ou sem sensibilidade.
Violência e morte dos primogênitos (v. 29-30): Pessoas que passaram por luto infantil, morte súbita ou traumas familiares podem ser profundamente impactadas pela descrição da décima praga e do clamor no Egito. Ler o texto como justificativa simplista para qualquer tragédia pode agravar culpa, medo de Deus ou sensação de abandono.
Imagem distorcida de Deus: Se o foco recair apenas na morte e no castigo, sem considerar o contexto de opressão prolongada, os repetidos avisos a faraó e a proteção oferecida, alguém em sofrimento pode formar uma visão de Deus como imprevisível e cruel. Em contexto de cuidado emocional, é importante enfatizar o conjunto da narrativa, a paciência de Deus, a longa resistência de faraó e a dimensão libertadora do ato divino.
Uso para justificar violência religiosa ou étnica: A morte dos egípcios e o despojo (v. 35-36) podem ser mal utilizados para legitimar ódio, vingança ou exploração de outros grupos. O texto descreve uma ação única de Deus num contexto específico de julgamento contra um império opressor, não um modelo geral de conduta humana.
Culpa religiosa excessiva ligada a rituais: A ênfase em regras rígidas para a Páscoa e exclusões (v. 15, 19, 43-45) pode ser mal aplicada para criar medo escrupuloso em torno de práticas religiosas atuais. Em contextos de ansiedade religiosa, é preciso lembrar que o propósito dos ritos é relação com Deus, memória e santidade, não controle obsessivo ou comparação destrutiva.
Interpretações fatalistas de sofrimento: Associar automaticamente qualquer dor pessoal a um “juízo de Deus” direto, tomando a décima praga como padrão de leitura de toda dor, pode levar à resignação doentia ou autoacusação injusta. O texto precisa ser lido dentro da ampla revelação bíblica sobre sofrimento, graça e misericórdia.
Êxodo 12 inspira várias aplicações práticas para a vida de fé hoje.
Viver a partir da libertação recebida: Assim como Israel passou a contar o tempo a partir da Páscoa, a identidade e as decisões podem ser reorganizadas a partir do que Deus já fez. Isso inclui rever prioridades, hábitos e relações à luz da nova história em Deus.
Valorizar memórias de fé e rituais saudáveis: O capítulo convida a cultivar práticas que mantenham viva a lembrança da ação de Deus: momentos em família para contar histórias de cuidado, celebrações comunitárias com significado, símbolos que lembrem a graça e a libertação. Essas práticas podem fortalecer a fé em tempos de crise.
Romper com o “fermento” da velha vida: A ordem de tirar o fermento das casas aponta para a necessidade de afastar o que contamina e se espalha: padrões de injustiça, mentira, vícios, práticas que sustentam “Egitos” interiores e sociais. Na prática, isso pode significar decisões concretas de arrependimento, reconciliação e mudança de rota.
Obediência mesmo quando ainda se está no Egito: As instruções da Páscoa são dadas antes da saída. O povo aprende a obedecer no meio da opressão. Aplicado hoje, indica que fidelidade a Deus não depende de já ver tudo resolvido, mas de confiar e responder ao que Ele orienta, mesmo em contextos adversos.
Cuidar da casa como espaço de fé: O sinal nas portas, a refeição em família e a ordem de permanecer dentro de casa colocam o lar como lugar central de proteção e transmissão de fé. Isso inspira a organizar a vida doméstica como ambiente de oração, ensino, acolhimento e lembrança da graça de Deus.
Reconhecer a seriedade do pecado e da injustiça: A queda do Egito mostra que sistemas opressores não permanecem impunes diante de Deus. Isso chama à responsabilidade pessoal e coletiva: repensar posições, estruturas e omissões que oprimem outros, buscando ser parte de processos de justiça e libertação.
O sangue nas ombreiras e vergas das portas servia como sinal visível de que aquela casa estava debaixo da aliança e obediência ao mandamento de Deus. Quando o Senhor passasse para executar o juízo sobre o Egito, “vendo o sangue”, passaria por cima das casas marcadas e os primogênitos seriam poupados (v. 13, 23). Não se tratava de um poder mágico no sangue em si, mas de um sinal do sacrifício oferecido conforme a palavra de Deus, apontando para a proteção que Ele concede àqueles que se colocam sob sua orientação.
Os pães ázimos lembram a pressa da saída do Egito: o povo não teve tempo de deixar a massa levedar (v. 34, 39). Deus transforma essa circunstância prática num símbolo permanente. Durante sete dias, o fermento é retirado das casas e o povo só come pão sem fermento (v. 15-20). O fermento, que se espalha rapidamente pela massa, torna-se figura de influências que penetram e dominam. A prática ensina separação da velha vida de escravidão e compromisso com uma nova caminhada de santidade e dependência de Deus.
A décima praga é o auge de um processo longo de juízo sobre um império que escravizou, oprimiu e matou. Deus havia enviado sinais anteriores, dado oportunidades de arrependimento e advertido faraó repetidas vezes. A morte dos primogênitos (v. 29-30) atinge desde o trono até o cárcere e também o gado, mostrando que nenhum poder humano consegue resistir indefinidamente à justiça de Deus. A narrativa bíblica apresenta esse ato como julgamento específico contra a dureza e a idolatria do Egito (v. 12), não como regra geral para toda situação de sofrimento humano.
As orientações sobre participação na Páscoa (v. 43-49) mostram que a refeição pascal é mais do que uma refeição comum; é sinal de aliança. Estrangeiros só podem participar se aceitarem o sinal da aliança (circuncisão) e se integrarem plenamente ao povo. Isso preserva a santidade da celebração, evita que ela se torne algo meramente cultural e, ao mesmo tempo, abre espaço para que pessoas de outras origens se unam à comunidade de fé. A afirmação de que deve haver “uma mesma lei” para natural e estrangeiro (v. 49) reforça a unidade sob o senhorio de Deus.
O versículo 40 afirma que o tempo de habitação de Israel no Egito foi de 430 anos, e o versículo 41 ressalta que, ao completar esse período, “naquele mesmo dia”, os exércitos do Senhor saíram. Esse número engloba desde a descida da família de Jacó até a geração que sai com Moisés. A ênfase está em mostrar que Deus cumpre suas promessas no tempo certo, mesmo quando esse tempo parece longo. A saída não é acidental, mas acontece num momento cuidadosamente determinado por Deus, indicando soberania sobre a história.
Êxodo 12 mostra uma noite pesada, carregada de medo, choro e urgência. De um lado, o clamor do Egito, onde “não havia casa em que não houvesse um morto” (v. 30). Do outro, casas de escravos, pequenas, simples, marcadas com sangue nas portas, esperando em silêncio o amanhecer. O texto deixa ver um Deus que, em meio a um mundo quebrado e violento, cria um caminho de proteção. Ele não diz ao povo que ignore a realidade ou que finja que nada está acontecendo. Pelo contrário, manda que se preparem com cuidado: cordeiro separado, sangue nas portas, refeição simples, lombos cingidos, cajado na mão. Cada detalhe parece dizer: “Eu sei da sua fragilidade, então vou lhe dar um jeito concreto de atravessar essa noite”. A Páscoa nasce num contexto de dor, mas como memória de livramento. Até as ervas amargas lembram que a libertação não apagou o gosto do sofrimento, mas o colocou dentro de uma história maior, em que Deus vê, ouve e age. O povo não é convidado a negar a amargura, e sim a comê-la ao lado do cordeiro e do pão que aponta para um futuro diferente. Há também um carinho especial na forma como Deus se preocupa com as gerações futuras. Ele pensa nas crianças que vão perguntar: “Que culto é este?” (v. 26). Em vez de mandar esquecer, Ele quer que a história seja contada, para que os pequenos cresçam sabendo que não são definidos pela escravidão, mas pelo cuidado de um Deus que passou por cima das suas casas. Em Êxodo 12, a dor não é romantizada, mas tampouco é a última palavra. Deus não deixa o povo para sempre no Egito, nem pede que lidem sozinhos com o medo. Ele lhes dá um sinal, uma promessa e um caminho para sair. Essa tensão entre juízo e proteção, choro e saída, ajuda a perceber que, mesmo em noites escuras, Deus não é indiferente: Ele prepara uma passagem, marca a vida com um antes e um depois, e transforma casas de escravos em lares guardados pela sua presença.
Êxodo 12 é um ponto de virada teológico e literário dentro do livro. Até aqui, a narrativa se concentrou na opressão, no chamado de Moisés e nas pragas. Neste capítulo, o foco se desloca para o estabelecimento de um rito que interpretará para sempre o evento do êxodo. Do ponto de vista literário, é significativo que as instruções sobre a Páscoa sejam dadas antes da descrição da décima praga. O texto não apenas relata o que aconteceu; ele molda desde já como o povo deve lembrar o que ainda vai acontecer. Há um entrelaçamento entre lei e narrativa: a lei surge em resposta à história, e a história é guardada pela lei. O cordeiro sem defeito, de um ano, compartilhado entre famílias (v. 3-5), representa um sacrifício doméstico, não centralizado em santuário. Isso aponta para uma fase anterior à instituição do sacerdócio levítico e do tabernáculo. O uso do hissopo para aplicar o sangue (v. 22) aparece também em outros textos ligados à purificação, sugerindo que o que está em jogo aqui é tanto proteção quanto consagração da casa. O termo “páscoa” (Pesach) pode carregar a ideia de “passar por cima” ou “poupar”, o que combina com o v. 13 e o v. 23. Independentemente do debate lexical, o próprio texto interpreta o termo como o ato de Deus de proteger as casas marcadas com sangue quando passa para julgar o Egito. Os pães ázimos funcionam de modo duplo: como registro da pressa da saída (v. 34, 39) e como sinal contínuo de separação (v. 15-20). A remoção do fermento das casas é radical (“não se ache nenhum fermento”, v. 19) e traz consequências comunitárias (“será cortada de Israel”). A linguagem é de exclusão da comunidade, indicando que a participação na festa está ligada à fidelidade à aliança. Outro eixo importante é a universalização da lei pascal: “Uma mesma lei haja para o natural e para o estrangeiro” (v. 49). Isso significa que a pertença ao povo de Deus não se restringe à origem étnica, mas é regulada pela adesão à aliança (circuncisão, v. 48). O texto cria uma tensão entre distinção e abertura: nem todo estrangeiro participa (v. 43, 45), mas aquele que se submete ao sinal da aliança é plenamente incluído. Por fim, o resumo cronológico de 430 anos (v. 40-41) não é apenas dado histórico; ele reforça a ideia de cumprimento pontual das promessas feitas a Abraão sobre o tempo de estadia e opressão. A expressão “exércitos do Senhor” sugere uma nova identidade coletiva: o grupo de escravos é reconfigurado como um povo organizado sob o comando divino. Assim, Êxodo 12 faz a ponte entre a família de Jacó e a nação que caminhará pelo deserto sob a lei e a presença de Deus.
Êxodo 12 mostra um Deus que organiza um recomeço de forma muito concreta. Não é apenas uma ideia de liberdade, é um plano com data, comida, gesto, roupa e postura. O povo precisa estar vestido, com sandálias e cajado na mão, comendo apressadamente (v. 11). Isso tem implicações práticas fortes. Primeiro, há um chamado claro a se preparar para mudanças reais. A libertação não acontece na comodidade. As famílias precisam escolher o cordeiro, combinar com vizinhos, tirar o fermento da casa, arrumar a massa antes de levedar, ter tudo pronto para sair rápido. É uma fé que mexe em rotina, armário, despensa, agenda e até em como a casa é usada. A refeição em casa, com portas marcadas, coloca o lar no centro da experiência espiritual. A casa não é apenas lugar de descanso, mas também de obediência, ensino e memória. O capítulo sugere que os grandes movimentos de Deus atravessam a mesa, a cozinha, a conversa com os filhos, as marcas visíveis nas portas da vida diária. Outro ponto prático é a orientação sobre o fermento. Tirar o fermento de todas as casas por sete dias (v. 15, 19) exige inspeção, disciplina e decisão. Isso pode ser lido como um convite a revisar o que entra e permanece no cotidiano: influências, hábitos, palavras, práticas financeiras e relacionamentos que fermentam a vida para o mal. A santidade, aqui, passa pela organização do ambiente e das escolhas comuns. A saída com bens emprestados dos egípcios (v. 35-36) mostra que a libertação inclui também uma mudança de condição material. O povo que serviu como escravo passa a carregar prata, ouro e roupas. Isso traz responsabilidade: o que antes era instrumento de opressão agora pode se tornar recurso para sustentar a caminhada e o culto. Na vida prática, isso aponta para a importância de gerir bem recursos recebidos em momentos de virada. Por fim, a “muita mistura de gente” que sobe com Israel (v. 38) indica que a caminhada com Deus tem gente de trajetórias diferentes, com ritmos e costumes diversos. Organizar a vida comunitária, criar rotinas saudáveis e assumir responsabilidades claras se torna essencial para que essa diversidade não vire confusão, mas seja canalizada para um povo que avança junto, debaixo da mesma direção e das mesmas orientações divinas.
Êxodo 12 coloca a espiritualidade diante de um mistério profundo: uma noite em que o juízo de Deus e a sua misericórdia caminham lado a lado. O mesmo Deus que “passa pela terra do Egito” para ferir (v. 12) é o Deus que “passará aquela porta” e não permitirá que o destruidor entre nas casas marcadas pelo sangue (v. 23). Aqui a salvação ganha contornos muito concretos: um cordeiro sem defeito, uma vida entregue, um sangue exposto à vista de todos, um povo que permanece abrigado sob esse sinal. A fé é chamada a se expressar não apenas em sentimentos, mas em confiança obediente: aplicar o sangue, ficar dentro da casa, comer de um jeito específico, esperar até o amanhecer. A proteção não é um amuleto, mas um pacto de fidelidade. A instituição da Páscoa também fala de vocação espiritual. Israel não é libertado apenas para sair do Egito, mas para servir ao Senhor (v. 31). A identidade de povo escolhido nasce nessa noite, e a partir dela Deus passa a ser lembrado como aquele que “tirou os exércitos do Senhor da terra do Egito” (v. 41). A marca do povo não é sua força, mas ter sido arrancado da escravidão pela mão de Deus. As gerações futuras, ao perguntarem “Que culto é este?” (v. 26), são convidadas a redescobrir seu propósito: viver como gente que sabe que sua história tem um antes e um depois do encontro com o Deus libertador. Cada celebração da Páscoa funciona como um retorno espiritual àquela noite, uma releitura da própria vida à luz da graça que poupou e conduziu. O texto ainda sugere uma espiritualidade que integra inclusão e compromisso. O estrangeiro que deseja celebrar a Páscoa precisa assumir o sinal da aliança (v. 48). Pertencer ao povo de Deus é aberto, mas envolve um “sim” profundo: aceitar ser marcado, renunciar a antigas lealdades, entrar sob a mesma lei do restante da comunidade (v. 49). Não há fé madura sem esse movimento de entrega e assimilação de um novo modo de viver. Assim, Êxodo 12 convida a alma a contemplar Deus como aquele que julga o mal, mas decide poupar e resgatar um povo para si; como aquele que marca um dia na história para dizer: daqui em diante, vocês são meus. A espiritualidade que nasce dessa noite é memória, adoração, compromisso e esperança: memória de um livramento, adoração ao Deus que passou por cima, compromisso com a aliança e esperança de que Aquele que começou a boa obra de libertação continuará a conduzir o seu povo até o descanso prometido.
" Palavra do SENHOR, que foi dirigida a Joel, filho de Petuel. "
Joel 1:1 mostra que a mensagem não vem de Joel, mas do Senhor, que escolhe um profeta comum, identificado apenas como filho de Petuel. Isso …
Ler analise completa" Ouvi isto, vós anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais? "
" Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos destes à outra geração. "
Joel 1:3 mostra que Deus quer que cada geração conte à seguinte o que Ele fez, inclusive tempos difíceis e lições aprendidas. Isso orienta famílias …
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" Despertai-vos, bêbados, e chorai; gemei, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque tirado é da vossa boca. "
" Porque subiu contra a minha terra uma nação poderosa e sem número; os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho. "
" Fez da minha vide uma assolação, e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram. "
" Lamenta como a virgem que está cingida de saco, pelo marido da sua mocidade. "
" Foi cortada a oferta de alimentos e a libação da casa do Senhor; os sacerdotes, ministros do Senhor, estão entristecidos. "
" O campo está assolado, e a terra triste; porque o trigo está destruído, o mosto se secou, o azeite acabou. "
" Envergonhai-vos, lavradores, gemei, vinhateiros, sobre o trigo e a cevada; porque a colheita do campo pereceu. "
" A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens. "
" Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de vosso Deus. "
" Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor. "
" Ai do dia! Porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso. "
Joel 1:15 fala de um tempo de juízo em que Deus corrige um povo que se afastou. “Dia do Senhor” aqui aponta para consequências sérias, …
Ler analise completa" Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus? "
Joel 1:16 mostra que, por causa do pecado e da crise, até o alimento e a alegria no templo foram tirados. Revela que quando tudo …
Ler analise completa" As sementes apodreceram debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns derrubados, porque se secou o trigo. "
" Como geme o animal! As manadas de gados estão confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo. "
" A ti, ó Senhor, clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou todas as árvores do campo. "
" Também todos os animais do campo bramam a ti; porque as correntes de água se secaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto. "
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