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Joel 1:14 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor. "

Joel 1:14

menu_book Versículo no contexto

12 A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens.

13 Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de vosso Deus.

14 Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor.

15 Ai do dia! Porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso.

16 Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Já vimos muitas lágrimas derramadas por causa da destruição das colheitas da terra pelos gafanhotos. Agora essas lágrimas são direcionadas para o propósito certo: arrependimento e humilhação diante de Deus. O juízo foi muito severo, e agora eles são orientados a reconhecer a mão de Deus nisso, a sua mão poderosa, e a se submeterem a ela.

É ordenado um jejum público. Os sacerdotes são encarregados de marcá‑lo. Eles não deviam apenas lamentar pessoalmente, mas também conclamar o povo ao pranto. “Santificar um jejum” é separar tempo dos afazeres comuns para se concentrar em Deus, arrepender‑se e demonstrar uma devoção incomum. Diante de juízos públicos, deve haver humilhação pública, pois o Senhor conclama seu povo a chorar e a se entristecer.

A nação deve se reunir em um dia separado para esse fim, um dia de contenção, como indicam outras traduções. O povo deve ser afastado de seu trabalho normal para poder se dedicar mais plenamente ao serviço de Deus. Também deve ser um jejum, uma recusa religiosa de alimento e bebida, exceto o estritamente necessário. O povo de Nínive instituiu um jejum assim, em que ninguém sequer podia provar coisa alguma (Jonas 3:7).

Ao jejuar, as pessoas reconhecem que não merecem o pão de cada dia e que trouxeram prejuízo sobre si mesmas. É uma forma de castigar o corpo e colocá‑lo sob domínio, já que o corpo tantas vezes foi instrumento e ocasião de pecado. O jejum também ajuda a manter o corpo apto a servir à alma no serviço a Deus. E quando o estômago clama por comida, isso pode despertar a alma a desejar coisas melhores, maiores do que a própria vida e todos os seus apoios.

Isso era especialmente apropriado agora, porque Deus estava tirando deles o alimento e a bebida. A perda exterior devia ser acompanhada por tristeza exterior. Quando Deus diz: “Jejuareis”, é hora de responder: “Jejuaremos”.

Também devia haver uma assembleia solene. Os anciãos e o povo, governantes e governados, todos os moradores da terra, deviam se ajuntar. Deus é honrado quando a nação se humilha publicamente. Ao mesmo tempo, ficam mais envergonhados do seu pecado e podem se encorajar mutuamente nos deveres daquele dia. Como todos haviam contribuído para a culpa nacional, e todos participavam da miséria nacional, todos deviam participar do arrependimento.

Eles deviam se reunir no templo, a casa do Senhor seu Deus. Era a casa de oração, e ali podiam esperar encontrar‑se com Deus. Era também o lugar que ele escolhera para ali colocar o seu nome, e eles podiam esperar misericórdia ali, porque o templo apontava para Cristo e sua mediação, isto é, sua obra de aproximar Deus e pecadores. Assim, eles se apoiavam na oração de Salomão para que as súplicas feitas naquela casa ou em direção a ela fossem aceitas, especialmente num caso como o deles, em que gafanhotos e lagartas já haviam sido mencionados entre os possíveis castigos (1 Reis 8, especialmente o trecho sobre pragas de gafanhotos).

O jejum devia ser santificado, isto é, guardado de forma santa e sincera. Um jejum vale pouco se não é realmente dedicado a Deus. Eles também deviam clamar ao Senhor. Sua queixa e sua súplica deviam ser dirigidas a ele. Na aflição, é ao Senhor que devemos clamar, e esse é o jejum verdadeiro que Deus deseja (Zacarias 7:5).

Eles são instados a fazer isso porque Deus já estava entrando em contenda com eles. Era tempo de clamar ao Senhor, porque o dia do Senhor estava próximo (Joel 1:15). Isso podia se referir ao juízo presente, que eles já viam começar, ou apontar para juízos maiores dos quais esse era apenas o início. Em todo caso, eles são ensinados a fazer disso o assunto da sua tristeza: “Ai daquele dia, porque o dia do Senhor está perto”. Por isso, deviam clamar a Deus.

Aquele dia está perto e não demorará. Portanto, não deviam adiar jejum e oração, pois tinham pouco tempo para voltar atrás. Também seria um dia terrível. Não haveria como escapar nem resistir. Viria como assolação do Todo‑Poderoso (Isaías 13:6). Não seria uma correção leve, mas destruição. Vem da mão do Todo‑Poderoso, não de uma criatura fraca, e quem desconhece o poder da sua ira? Só podemos fugir dele, fugindo para ele. Escapamos da destruição vinda do Todo‑Poderoso apenas submetendo‑nos a ele e suplicando‑lhe paz (Isaías 27:5).

Eles já viam sinais do desagrado de Deus, por isso era tempo de jejuar e orar. Sua angústia era muito grande (Joel 1:16). Deviam olhar para dentro de suas próprias casas e ver quanta fartura havia desaparecido. Aqueles que antes mantinham mesas cheias agora precisavam reduzir. O mantimento lhes era cortado diante dos olhos. Se as pessoas não percebem a mão de Deus quando ela se levanta, vão percebê‑la quando ela cair. Como o alimento terreno pode ser tirado tão facilmente, deviam trabalhar pelo alimento espiritual, que não está diante dos olhos e não pode ser cortado.

Também deviam olhar para a casa de Deus e ver o que o juízo havia feito ali. A alegria e a satisfação tinham sido cortadas da casa do Senhor. A casa do nosso Deus deveria ser um lugar de alegria. Davi chamou o próprio Deus de “a alegria de toda a sua exultação” quando se aproximava do altar. Mas quando a alegria é tirada da casa de Deus, seja pela corrupção das coisas santas, seja pela perseguição do povo santo, e quando a piedade séria declina e o amor esfria, então é tempo de clamar ao Senhor e dizer: “Ai!”.

O profeta volta então ao peso da calamidade. O cereal e o gado eram as principais fontes de sustento do lavrador, e ambos estavam sendo perdidos. As larvas haviam comido o trigo (Joel 1:17). Os celeiros que costumavam estar cheios de grão agora estavam vazios, e os armazéns se arruinavam, porque o cereal se secou. Os donos não achavam que valia a pena repará‑los, já que não tinham o que guardar nem esperança de que em breve tivessem.

A própria semente se estragou debaixo dos torrões, seja por excesso de chuva, seja – como era mais comum em Canaã – por causa da seca. Talvez até insetos debaixo da terra a tivessem destruído. Quando uma colheita falha, o lavrador espera que a próxima compense. Aqui, até a semente estava tão comprometida quanto a colheita, de modo que não restava consolo algum.

O gado também perecia por falta de pasto (Joel 1:18). O profeta registra isso para que o povo sinta o peso da situação e considere seriamente o juízo. Até o gemido dos animais deveria abrandar corações duros e impenitentes.

O gado fica confundido, e as ovelhas padecem. O gado grande, robusto, está em grande angústia. Até as ovelhas, que conseguem viver em terrenos comuns e com pouca grama, estão assoladas. Aqui vemos as criaturas inferiores sofrendo por causa do nosso pecado, e também carregando a maldição que veio junto com ele: “Maldita é a terra por tua causa”.

O profeta então exorta o povo a clamar a Deus, e faz isso pelo exemplo. Ele começa com a própria resolução: “A ti, ó Senhor, clamarei” (Joel 1:19). Ele não queria exigir dos outros o que ele mesmo não estivesse disposto a fazer. E, na verdade, quer os outros o seguissem ou não, ele estava decidido a orar. Se os ministros de Deus não conseguem mover os outros falando do juízo divino, ao menos devem ser eles mesmos profundamente movidos. Se não podem levar os outros a clamar a Deus, devem eles próprios multiplicar súplicas.

Em tempos de angústia, não devemos apenas orar, mas clamar. Nossas orações devem ser intensas e urgentes. E nosso clamor deve ser sempre dirigido a Deus, pois tanto a destruição quanto o livramento vêm dele. O que mais move o profeta aqui não é tanto o próprio sofrimento pessoal, mas a calamidade da nação. “O fogo consumiu os pastos do deserto”, provavelmente significando um calor abrasador do sol, como fogo sobre as plantações da terra. Consumiu tudo. Quando Deus manda um juízo por fogo, os que têm alguma esperança no céu devem clamar a ele por socorro (Números 11:2; Amós 7:4‑5).

O profeta também aponta para o exemplo dos animais: “Até os animais do campo clamam a ti” (Joel 1:20). Eles apelam à piedade de Deus de um modo compatível com a sua natureza. Não podem conhecer fé racional nem religião revelada, mas por instinto ainda dependem de Deus. Pelo menos, quando gemem por causa da sua aflição, Deus se agrada de considerar isso como um clamor a ele. Quanto mais ele receberá os gemidos de seus próprios filhos, mesmo quando esses gemidos são tão fracos que não podem ser expressos em palavras (Romanos 8:26).

Diz‑se que os animais clamam a Deus porque os rios se secaram pelo grande calor, e porque o fogo consumiu os pastos do deserto. Os leões buscam dele o seu alimento, e os filhotes dos corvos fazem o mesmo (Salmo 104:21; Jó 38:41). Mas o que dizer das pessoas, se nunca clamam a Deus senão por comida e bebida, e só se queixam quando o prazer lhes falta? Ainda assim, até esse tipo de “clamor” dos animais envergonha a insensibilidade de pessoas que não clamam a Deus de modo algum.

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