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Jó 40:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo: "

Jó 40:6

menu_book Versículo no contexto

4 Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho à boca.

5 Uma vez tenho falado, e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não prosseguirei.

6 Então o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:

7 Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me explicarás.

8 Porventura também tornarás tu vão o meu juízo, ou tu me condenarás, para te justificares?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Jó já tinha sido profundamente humilhado pelo que Deus lhe dissera, mas ainda não o bastante. Ele tinha sido abatido, mas não abatido o suficiente. Por isso Deus continua a tratar com ele do mesmo modo e sobre o mesmo ponto de antes (Jó 40:6).

Isso nos ensina duas coisas. Primeiro, aqueles que de fato recebem o que ouvem de Deus e crescem com isso ouvirão mais da parte dele. Segundo, mesmo quando as pessoas são sinceramente convencidas do pecado e se entristecem por causa dele, muitas vezes ainda precisam ser convencidas mais profundamente. Quando alguém sente o peso do pecado e começa a se afligir por ele, não deve correr logo para o consolo. O consolo, quando vem, é eterno; por isso é sábio preparar-se bem para ele por meio de uma profunda humildade.

A ferida precisa ser sondada até o fundo, não apenas coberta por cima. Não devemos sair apressadamente do estado de convicção antes de termos aproveitado bem esse processo. Quando o coração começa a amolecer e a se quebrantar, devemos permanecer nos pensamentos que favorecem essa mudança, para que ela se torne completa e verdadeira.

Deus começa com um desafio, como já havia feito (Jó 38:3): “Cinge agora os teus lombos como varão”, isto é, prepare-se e porte-se como homem. Se Jó realmente tinha a coragem e a segurança que dava a entender, agora era a hora de mostrá-las. Mas logo ele teria de reconhecer que não podia se comparar com Deus.

Todo coração orgulhoso precisa finalmente ser levado a esse ponto, seja pela penitência, seja pela ruína. Cedo ou tarde, todo monte elevado será abatido. Devemos reconhecer, antes de tudo, que não podemos contender com Deus quanto à justiça. O Senhor é justo e santo em tudo o que faz conosco, enquanto nós, muitas vezes, somos injustos e impuros no modo como agimos para com ele. Temos muito do que nos acusar em nós mesmos, e nada do que acusar nele (Jó 40:8).

“Farás tu vão o meu juízo?”, pergunta Deus. Irás contestar o que digo e faço, tentando desfazer a minha decisão, como se ela fosse errada e injusta? Muitas das queixas de Jó chegavam perto disso. No fundo, ele tinha dito: “Clamo por injustiça, mas não sou ouvido”. Mas esse tipo de fala não pode ser admitido.

O juízo de Deus não pode ser desfeito, porque sabemos que é verdadeiro. Por isso é ousadia e maldade de nossa parte questioná-lo. “Ou me condenarás, para te justificares?”, Deus pergunta. “Minha honra precisa ser manchada para que tua reputação seja preservada? Devo ser acusado de injustiça porque não encontras outro modo de te inocentar?”

Nosso dever é condenar a nós mesmos, para que Deus seja reconhecido como justo. É por isso que Davi se dispôs a confessar seu pecado diante de Deus, a fim de que Deus fosse justificado em suas palavras e puro em seu juízo (Salmo 51:4; ver também Neemias 9:33; Daniel 9:7). Mas as pessoas são muito orgulhosas e muito ignorantes tanto de Deus quanto de si mesmas quando tentam se justificar às custas de condenar a Deus.

Se isso não for corrigido a tempo, por meio do arrependimento, chegará o dia em que o juízo final exporá a loucura de tal atitude e trará vergonha eterna para quem assim procedeu. Os céus declararão a justiça de Deus, e todo o mundo será achado culpado diante dele.

Em segundo lugar, não podemos nos comparar com Deus em poder. Por isso não é apenas maldade, mas também insensatez e arrogância contender com ele. Isso vai contra a razão, contra a justiça e contra o nosso próprio bem (Jó 40:9). “Tens braço como Deus?”, isto é, tua força é igual à dele? “Ou podes trovejar com voz como a dele?” Deus já havia mostrado seu trovão na tempestade e no redemoinho (Jó 37:1-2).

Para fazer Jó ver que jamais poderia contender com Deus de verdade, o Senhor lhe mostra duas coisas. Jó nunca conseguiria enfrentar Deus e vencer pela força. Entre os homens, às vezes as contendas se resolvem pela guerra, e o lado mais forte acaba sendo tido como o lado certo. Mas, se uma causa entre Deus e o homem fosse decidida assim, o homem certamente perderia. Toda a força que ele pudesse ajuntar contra o Todo-Poderoso seria como sarças e espinhos diante de um fogo que os consome (Isaías 27:4).

Jó era apenas uma fraca criatura, e Deus é aquele que sustenta todas as coisas. O poder das criaturas, até mesmo dos anjos, vem de Deus, permanece dentro dos limites que ele estabelece e depende dele. Mas o poder de Deus é original, independente e sem limites. Ele pode tudo sem nós, enquanto nós nada podemos sem ele. Portanto, não temos um braço como o de Deus.

Jó também nunca poderia vencer Deus no muito falar e na força das palavras. Entre os homens, às vezes barulho e ousadia no falar acabam fazendo uma causa prevalecer. Mas poderia Jó trovejar com voz como a de Deus? Não. A voz de Deus logo abafaria a de Jó, e um único trovão de Deus silenciaria todos os sussurros humanos. Nenhum ser humano pode falar com a mesma força, clareza ou autoridade daquele que fala, e tudo se faz.

A voz criadora de Deus é chamada seu trovão (Salmo 104:7). Assim também é a voz com que ele aterroriza e dispersa seus inimigos (1 Samuel 2:10). A ira de um rei pode soar como o bramido de um leão, mas nunca se igualará ao trovão de Deus.

Em terceiro lugar, não podemos nos comparar com Deus em beleza e majestade (Jó 40:10). Se Jó quer entrar numa espécie de disputa com Deus para ver quem aparece mais formoso ou mais imponente, que vista então suas melhores roupas. Que se adorne de majestade e esplendor. Que venha com todo o aparato militar e pompa real de que for capaz. Que use tudo o que possa enaltecê-lo aos olhos dos outros.

Que se revista de glória e formosura, de modo que inimigos o temam e amigos o admirem. Mas o que é tudo isso diante da majestade e da beleza divinas? É como o brilho de um vagalume diante do sol ao nascer em toda a sua força.

Deus se veste de majestade e glória que fazem os demônios e todas as potestades das trevas tremerem. Ele se adorna de beleza que enche anjos e todos os santos de admiração e alegria. Davi dizia que desejava habitar na casa do Senhor todos os dias, para contemplar a beleza do Senhor.

Comparada a isso, a glória exterior que príncipes usam para inspirar temor, ou a beleza com que amantes procuram atrair afeto, desaparece. Se Jó imagina que pode prevalecer contra Deus por meio de uma aparência grandiosa e de ostentação, está profundamente enganado. O próprio sol parecerá escuro, e a lua será envergonhada, quando Deus resplandecer.

Em quarto lugar, não podemos nos comparar com Deus na forma de governar e abater os soberbos (Jó 40:11-14). Aqui a questão é apresentada de modo muito simples. Se Jó pudesse humilhar tiranos e opressores orgulhosos com a mesma facilidade e perfeição com que Deus pode fazê-lo, então teria algum motivo para se colocar em pé de igualdade com ele. Deus exige aqui a justiça que seria necessária para isso: fazer os soberbos baixarem os olhos com um só olhar. Se Jó quer agir como rival de Deus, sobretudo se quer julgar os atos de Deus, teria de ser capaz disso.

Parte-se do princípio aqui que Deus pode fazer isso, e que o fará, ou não teria proposto essa prova a Jó dessa maneira.

Com isso, Deus mostra que é verdadeiramente Deus. Ele resiste aos soberbos, senta-se como juiz deles e é capaz de reduzi-los à ruína. Os soberbos são ímpios, e o orgulho está na raiz de grande parte do mal neste mundo, tanto contra Deus como contra o próximo.

Os soberbos certamente serão abatidos, porque o orgulho precede a destruição. Se não se curvam, serão quebrados. Se não se humilham por um arrependimento verdadeiro, Deus os humilhará, e isso terminará em vergonha eterna. Os ímpios serão pisados onde quer que forem encontrados. Ainda que se comportem como se tivessem um lugar seguro e tivessem lançado raízes ali, isso não os protegerá. Riqueza, poder e influência não poderão guardá-los.

A ira de Deus, quando é derramada sobre os soberbos, os humilha, quebra e abate. Se ele soltar a força de sua indignação, como fará no grande dia, e às vezes já faz nesta vida, o coração mais forte não poderá resistir. Quem pode entender o poder da sua ira?

Deus pode facilmente trazer governantes orgulhosos para baixo. Ele pode lançar sobre eles um olhar e abatê-los, e um único olhar de indignação pode cobri-los de vergonha, medo e completa ruína. Da mesma forma, um único olhar gracioso pode vivificar o coração dos humildes e arrependidos. E ele fará isso de modo definitivo (Jó 40:13). Não apenas os trará ao pó, de onde ainda poderiam esperar se reerguer, mas os esconderá no pó, como o egípcio soberbo que Moisés matou e enterrou na areia (Êxodo 2:12). Ou seja, serão levados não só à morte, mas à sepultura, ao abismo de onde não há retorno.

Eles se orgulhavam da posição que ocupavam, mas serão sepultados no esquecimento e não serão lembrados mais do que aqueles que estão escondidos no pó, fora da vista e fora da mente. Uniram-se em alianças e tramas para fazer o mal, e agora estão atados uns aos outros. Estão ocultos em conjunto. Seu lugar de descanso não é honra, mas vergonha, juntos no pó (Jó 17:16). Pior ainda, são tratados como criminosos, cujos rostos eram cobertos quando eram condenados, como aconteceu com Hamã, ou como mortos, cujos rostos eram envoltos em panos de sepultamento, como Lázaro no túmulo. Assim será completa, por fim, a vitória de Deus sobre os pecadores orgulhosos que se levantam contra ele.

Com isso, Deus prova que é Deus. Se ele odeia o homem orgulhoso, então ele é santo. Se o castiga, então é o justo Juiz do mundo. Se pode humilhá-lo, então é o Senhor dos Exércitos. Quando ele abateu o altivo Faraó e o sepultou no mar Vermelho, Jetro concluiu que o Senhor é maior do que todos os deuses, porque em tudo o que os inimigos soberbos de Israel usaram de presunção, Deus se mostrou acima deles e mais forte do que eles (Êxodo 18:11). Veja também (Apocalipse 19:1-2).

Jó também está sendo desafiado a fazer isso por si mesmo. Ele vinha discutindo com Deus e com a providência divina de maneira irada, como se pudesse abalar a Deus pela força de sua indignação. Deus lhe diz, em essência: “Experimente primeiro com os homens orgulhosos, e você logo verá o quanto eles se importam com a sua ira. E eu deveria ser movido por ela?” Jó havia se queixado do sucesso e do poder de tiranos e opressores, e estava pronto a acusar Deus de má administração por permitir isso. Mas ele não tinha direito de criticar, a menos que pudesse ele mesmo pôr as coisas em ordem. Se só Deus tem poder suficiente para humilhar os soberbos, certamente também tem sabedoria suficiente para saber quando e como fazê-lo. Não cabe a nós dizer a ele como governar o mundo. A menos que tenhamos um braço como o de Deus, não devemos tentar tirar de suas mãos a sua obra.

Deus também promete justiça a Jó, se ele for capaz de fazer tais obras poderosas (Jó 40:14): “Então também eu confessarei que a tua mão direita te poderá salvar”, embora, afinal, ela ainda seria fraca demais para contender comigo. Faz parte do orgulho e da ambição humana querer ser o próprio salvador, ter força suficiente em si mesmo e ser independente. Mas isso é presunção. Nossas próprias mãos não podem nos salvar, conquistando o favor de Deus, muito menos nos livrar da sua justiça. Se não podemos humilhar nossos inimigos por nossa própria força, não podemos reivindicar salvar a nós mesmos por nossa própria força. Ainda assim, se pudéssemos, Deus o reconheceria abertamente. Ele nunca roubou, nem jamais roubará, de ninguém o louvor que lhe é devido, nem negará a honra que alguém de fato conquistou. Mas, como não podemos fazer isso, devemos admitir que nossas próprias mãos não podem nos salvar. Portanto, temos de nos colocar nas mãos de Deus.

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