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Isaías 14:24 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" O Senhor dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará. "

Isaías 14:24

menu_book Versículo no contexto

22 Porque me levantarei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos, e extirparei de babilônia o nome, e os sobreviventes, o filho e o neto, diz o SENHOR.

23 E farei dela uma possessão de ouriços e a lagoas de águas; e varrê-la-ei com vassoura de perdição, diz o Senhor dos Exércitos.

24 O Senhor dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.

25 Quebrantarei a Assíria na minha terra, e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte deles e a sua carga se desvie dos seus ombros.

26 Este é o propósito que foi determinado sobre toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações.

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auto_stories Comentário Bible Guided

A destruição da Babilônia e do império caldeu ainda estava muito distante no futuro. Na verdade, o império nem tinha se elevado tanto quando Isaías profetizou sua queda, e quase duzentos anos se passaram entre a profecia e o cumprimento. O povo a quem Isaías falou poderia perguntar com razão: “O que isso significa para nós, e como isso pode nos ajudar?” Ele responde falando da ruína dos assírios e dos filisteus, inimigos presentes, cuja queda eles veriam em breve com os próprios olhos e da qual se beneficiariam. Esses acontecimentos lhes trariam consolo imediato e também serviriam como penhor de livramentos futuros, fortalecendo a fé das gerações posteriores.

Deus é o mesmo para o seu povo hoje, amanhã e para sempre. Ele sempre será o que tem sido e o que é agora. Aqui, portanto, há a garantia da destruição dos assírios (Isaías 14:25): “E eu quebrarei a Assíria na minha terra.” Senaqueribe, rei da Assíria, trouxe um exército poderoso para Judá, mas Deus o despedaçou ali pela espada de um anjo destruidor. Os que invadem injustamente a terra de Deus aprendem que o fazem com grande risco. Os que pisam seus montes santos acabarão eles mesmos pisados ali.

Deus declara que fará essa obra pessoalmente, porque seu povo não tinha forças contra um exército tão grande. “Eu quebrarei a Assíria”, diz ele, como se dissesse: “Deixem isso comigo. Tenho anjos, exércitos de anjos, à minha disposição.” Quebrar o poder da Assíria significava também quebrar o jugo que pesava sobre o povo de Deus. O exército assírio era um fardo pesado para Judá, pois o povo precisava hospedá‑lo e pagar tributos. Assim, o assírio tinha de ser quebrado para que Judá e Jerusalém encontrassem alívio. Os que se tornam jugo e peso para o povo de Deus deveriam refletir seriamente sobre o que podem esperar.

Essa promessa é confirmada com um juramento (Isaías 14:24). O Senhor dos Exércitos jurou, para mostrar que o seu propósito é imutável e para que o seu povo tenha forte consolação (Hebreus 6:17, 18). O que se afirma aqui sobre este plano específico é verdadeiro a respeito de todos os propósitos de Deus: “Como pensei, assim sucederá.” Ele nunca está dividido em seu pensamento, e ninguém pode desviá‑lo. Ele nunca é forçado a improvisar novos planos, como os homens são quando são surpreendidos pelos acontecimentos. Os que são chamados segundo o propósito de Deus devem tomar conforto nisso. Como Deus determinou, assim se firmará, e a estabilidade deles repousa nessa certeza.

A quebra do poder da Assíria também serve como modelo do que Deus faria com todas as nações que se levantassem contra ele e contra a sua igreja (Isaías 14:26). Este é o propósito traçado sobre toda a terra, isto é, sobre o mundo inteiro e todos os seus povos. Não se trata apenas do império assírio, que então era tratado como se fosse quase o mundo todo, assim como depois se falava do império romano (Lucas 2:1). Inclui também todos os estados e governantes que algum dia atacariam a terra e os montes de Deus. Eles partilhariam do mesmo destino da Assíria e logo aprenderiam que trouxeram dano sobre si mesmos.

Jerusalém, como foi para os assírios, seria uma pedra pesada para todos os povos. Todos os que tentassem levantá‑la certamente seriam despedaçados por ela (Zacarias 12:3, 6). O mesmo poder e a mesma justiça que naquele momento se estendiam contra a Assíria por ter invadido o povo de Deus se estenderiam contra toda nação que fizesse o mesmo. Isso permanece verdadeiro: “Bendito o que te abençoar, e maldito o que te amaldiçoar” (Números 24:9). Deus estará sempre contra os inimigos do seu povo (Êxodo 23:22).

Nenhum poder na terra pode alterar o plano de Deus (Isaías 14:27). O Senhor dos Exércitos decidiu quebrar o jugo da Assíria, e toda vara cruel posta sobre os justos, e ninguém pode desfazer isso. Ninguém consegue persuadi‑lo a recuar, e ninguém encontra argumento válido contra seu propósito. Sua mão está estendida para executar sua vontade, e nenhum braço humano tem força para fazê‑la voltar atrás ou deter seu juízo.

Também é dada certeza a respeito da destruição dos filisteus e de seu poder. Este peso, esta mensagem de juízo contra eles, veio no ano em que morreu o rei Acaz, primeiro ano do reinado de Ezequias (Isaías 14:28). Quando um bom rei substituiu um mau, essa mensagem bem‑vinda foi enviada. Quando há reforma, e não antes disso, podemos esperar boas novas do céu.

Vemos primeiro uma repreensão aos filisteus por terem se alegrado com a queda do rei Uzias. Ele tinha sido como uma serpente para eles (Isaías 14:29), mordendo‑os, ferindo‑os e abatendo‑os grandemente (2 Crônicas 26:6). Ele lutou contra os filisteus, derrubou seus muros e edificou cidades em seu território. Mas quando Uzias morreu, ou melhor, quando se afastou do governo, a notícia foi bem recebida em Gate e anunciada em Asquelom. É crueldade alegrar‑se com a queda do próximo. No entanto, eles não deviam sentir‑se seguros, porque, embora mais tarde tenham revidado contra Acaz e tomado muitas cidades de Judá (2 Crônicas 28:18), um inimigo muito mais perigoso surgiria da linhagem de Uzias, uma víbora mais mortal, uma serpente abrasadora. Esse inimigo seria Ezequias, cujo governo se tornaria para eles como uma serpente ardente que voa, porque os atacaria com rapidez e força. E assim aconteceu, pois ele feriu os filisteus até Gaza (2 Reis 18:8). Se Deus remove um obreiro útil no meio da obra, ele pode e irá levantar outros para continuar e completar o que ficou por fazer.

É também predito que os filisteus seriam destruídos pela fome e pela guerra. Primeiro, pela fome (Isaías 14:30). Quando o povo de Deus, que os filisteus haviam devastado, afligido e empobrecido, voltasse a desfrutar de fartura, e até os mais pobres dentre eles tivessem o suficiente para comer, então Deus mataria a raiz dos filisteus pela fome. Aquilo que era sua força, o que eles julgavam garantir sua segurança como a raiz garante a firmeza da árvore, iria pouco a pouco secar e morrer de inanição, como um homem morre de fome. E assim ele destruiria também o restante deles. Os que escapam de um juízo muitas vezes apenas são preservados para outro. Quando restarem apenas alguns, até esses, por fim, serão cortados, pois Deus fará um fim completo.

Quando o povo necessitado de Deus puder deitar‑se em segurança, não mais assustado pela guerra, mas cantando em paz, então toda porta e toda cidade dos filisteus clamará em lamento (Isaías 14:31). Todo o seu estado entrará em colapso. De Judá, que ficava ao norte da Filístia, subirá uma fumaça, isto é, um grande exército avançando e levantando uma nuvem de pó, como fumaça que precede o fogo destruidor.

Ninguém nesse exército faltará ao tempo determinado. Ninguém se desviará ou estará ausente quando a batalha chegar. Estarão todos fortes, prontos e unidos contra o inimigo comum, quando o tempo de Deus chegar. Nenhum deles recusará a tarefa pública, como Rúben e Aser fizeram nos dias de Débora, ficando entre os currais e à beira do mar em vez de virem à peleja (Juízes 5:16-17). Quando Deus tem uma obra a realizar, ele sabe, de modo admirável, preparar e dirigir as pessoas para isso.

Devemos tirar boa lição de todos esses acontecimentos para encorajamento do povo de Deus (Isaías 14:32): “Que se responderá, pois, aos mensageiros dos gentios?” Isso envolve várias coisas. Primeiro, as grandes obras que Deus faz por seu povo não podem ficar escondidas. Até as nações as percebem e comentam (Salmo 126:2). Segundo, mensageiros virão perguntar sobre essas coisas. Jacó e Israel há muito eram um povo separado e favorecido de modos extraordinários, e por isso outros perguntarão a seu respeito, seja por boa vontade, por má vontade ou por simples curiosidade.

Terceiro, devemos estar sempre prontos para explicar a esperança que temos na providência de Deus, em seu governo sábio do mundo, bem como em sua graça salvadora, respondendo a todo o que nos pedir razão, com mansidão e temor (1 Pedro 3:15). Não precisamos ir além das verdades da Escritura em nossa resposta, porque Deus está cumprindo a própria Escritura em tudo o que faz. Quarto, os atos de Deus para com seu povo acabarão de forma tão clara e gloriosa que qualquer um poderá explicá‑los àqueles que perguntarem.

A resposta aos mensageiros das nações é esta: Deus é, e continuará sendo, amigo fiel de sua igreja e de seu povo, e protegerá e aumentará o bem deles. Digam‑lhes que o Senhor fundou Sião. Isso explica tanto a obra em si quanto o motivo por trás dela. O que Deus está fazendo no mundo e o que ele busca com o surgimento e a queda de reinos, com a ruína de algumas nações e a exaltação de outras? Em tudo isso, ele está fundando Sião. Ele trabalha em favor do bem de sua igreja, e o que ele determina, ele executará.

Quando os mensageiros das nações perguntaram pelas vitórias de Ezequias sobre os filisteus, talvez esperassem ouvir sobre estratégias, planos bem traçados ou habilidade militar. Em vez disso, são informados de que esses sucessos não vieram de métodos humanos, mas do cuidado de Deus por sua igreja e do interesse que ele tem nela. O Senhor fundou Sião, e, por isso, os filisteus têm de cair.

A igreja de Deus também depende dele. “Os pobres do seu povo confiarão nela”, isto é, os pobres e humildes dentre eles, até os mais necessitados, confiarão nessa verdade mais do que outros, porque não têm em que mais se apoiar (Sofonias 3:12-13). Aos pobres é anunciado o evangelho (Mateus 11:5). Eles se firmarão nessa grande verdade: o Senhor fundou Sião. Nisso edificarão a sua esperança, e não na força humana.

Isso deve trazer plena paz ao nosso coração quanto aos assuntos públicos. Aconteça o que acontecer com certas pessoas, partidos ou interesses, a igreja não pode se desintegrar. Deus é o seu fundador, e Cristo é a rocha sobre a qual ela está firmada. “Os pobres do seu povo também a buscarão”, como alguns entendem, isto é, se achegarão à sua igreja e à sua causa. Eles se alinharão com os propósitos de Deus, apoiarão o seu povo e ajustarão seus pequenos planos ao grande plano de Deus.

Os que escolhem o povo de Deus como o seu próprio povo precisam estar dispostos a participar também da sua porção. Que os mensageiros das nações saibam disto: os pobres israelitas, que confiam em Deus, têm o seu fundamento nos montes santos, como o próprio Sião (Salmo 87:1), e por isso são como Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre (Salmo 125:1). Portanto, não temerão aquilo que o homem lhes possa fazer.

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