Gênesis 2:1
" Dizei a vossos irmãos: Ami; e a vossas irmãs: Ruama. "
Entenda os temas principais e aplique Gênesis 2 na sua vida hoje
23 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
As palavras de Jacó não são apenas desejos de um pai, mas oráculos proféticos que antecipam o futuro de cada tribo em Israel, inclusive seu caráter coletivo e sua herança na terra.
Rúben, Simeão e Levi sofrem perdas e dispersão por causa de atitudes passadas. O capítulo mostra que pecados antigos podem impactar gerações, mesmo dentro da aliança de Deus.
A bênção sobre Judá aponta para uma liderança duradoura, comparada a um leão e a um cetro que não se afastará até a vinda de “Siló”, figura ligada à esperança messiânica e ao governo sobre os povos.
Versiculos-chave: 10
Na bênção a José, Jacó relembra a hostilidade que ele enfrentou, mas destaca que Deus o fortaleceu, o sustentou e o fez frutificar, mostrando a fidelidade divina em meio ao sofrimento.
Gênesis 49 se passa no fim da vida de Jacó, durante o período de permanência da família em Gósen, no Egito, por volta do segundo milênio a.C. A família ainda não é uma nação grande, mas já é vista como o núcleo de Israel, composto por doze filhos que se tornarão doze tribos.
Na cultura do Antigo Oriente, as palavras de bênção e maldição proferidas pelo patriarca tinham grande peso simbólico e espiritual. Era comum que o pai, próximo da morte, convocasse os filhos para declarar sua bênção, muitas vezes acompanhada de avaliação moral e espiritual. Em Israel, esse costume foi assumido como meio pelo qual Deus revelava, de forma profética, o futuro da linhagem e da comunidade.
A menção à terra de Canaã e ao campo de Macpela (vv. 29-32) remete às promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó sobre possuir a terra. O sepulcro em Macpela, comprado por Abraão, funcionava como um símbolo concreto da aliança: mesmo vivendo no Egito, a identidade do povo continuava ligada à terra prometida. O texto é anterior ao Êxodo: Israel ainda está confortável no Egito, mas as palavras de Jacó já posicionam o futuro das tribos em Canaã.
O capítulo é construído como um discurso solene de despedida, com estrutura poética e oracular:
Introdução ao discurso profético (vv. 1-2)
Oráculos sobre os seis primeiros filhos de Lia (vv. 3-15)
Oráculos sobre os filhos das servas e de Raquel (vv. 16-27)
Resumo das bênçãos sobre as doze tribos (v. 28)
Instruções finais sobre o sepultamento e morte de Jacó (vv. 29-33)
O capítulo sublinha a soberania de Deus sobre a história familiar e nacional. As bênçãos de Jacó funcionam como um mapa inicial do que Israel se tornará. Mesmo em meio a pecados graves e falhas de caráter, Deus conduz a história em direção ao cumprimento de suas promessas.
A bênção a Judá tem importância especial: o cetro e o legislador que não se afastarão até que venha “Siló” apontam para a instalação da realeza em Judá (Davi e seus descendentes) e, em perspectiva maior, para o Messias. A imagem do leão de Judá e da submissão dos povos conecta a esperança de Israel a um rei definitivo que traria justiça e paz.
A profecia sobre José destaca outro aspecto do agir divino: Deus é aquele que fortalece o oprimido, sustenta o justo em meio à perseguição e o torna frutífero. As bênçãos “dos altos céus” e do “abismo que está embaixo” mostram Deus como fonte de toda provisão, tanto espiritual quanto material.
O texto também mostra que a graça não anula a responsabilidade moral. Rúben, Simeão e Levi colhem consequências duradouras por escolhas passadas. Ainda assim, permanecem dentro das doze tribos, lembrando que o juízo de Deus em sua aliança visa corrigir e purificar, não destruir o povo.
Por fim, a maneira como Jacó encara a morte revela a fé na continuidade da aliança para além de sua própria vida. Ser sepultado em Canaã, entre os patriarcas, expressa confiança de que Deus cumprirá o que prometeu, mesmo que o patriarca não veja plenamente o resultado em sua geração.
Gênesis 49 apresenta uma cena de fim de vida carregada de temas que tocam profundamente a experiência humana: legado, família, falhas do passado, esperança e despedida. Jacó olha para cada filho com realismo: reconhece virtudes, aponta fraquezas e declara um futuro, integrando carinho, verdade e responsabilidade. Isso ressoa com a necessidade de muitas pessoas de serem vistas por inteiro, não apenas pelos erros ou apenas pelos acertos.
O capítulo também ajuda a lidar com a angústia em relação ao passado. Há pecados que não podem ser desfeitos (como o de Rúben, ou a violência de Simeão e Levi), mas o texto mostra que Deus continua a escrever a história da família, inclusive a partir de situações marcadas por culpa e falha. A vida não é anulada pelos erros, embora estes tenham consequências.
Há ainda um aspecto de conforto na maneira pacífica como Jacó enfrenta a morte: ele organiza pendências, reafirma sua identidade, coloca sua confiança em Deus e então parte. Para quem lida com medo da morte, ou com o luto, a imagem de ser “congregado ao seu povo” oferece uma visão menos solitária e mais relacional do fim da vida.
Esse capítulo pode favorecer reflexões terapêuticas sobre o impacto da família de origem, a herança emocional e espiritual deixada para as próximas gerações e a possibilidade de, mesmo com uma história marcada por conflitos, confiar que Deus continua a conduzir a trajetória de cada um.
Algumas partes do texto podem acender alertas em contexto de cuidado emocional. As palavras fortes contra Rúben, Simeão e Levi podem ser lidas por pessoas feridas como se Deus estivesse apenas rotulando e condenando, reforçando sentimentos de rejeição familiar ou de auto-ódio. É importante lembrar que o texto descreve uma situação específica, dentro da história da aliança, e não uma autorização para discursos violentos, humilhantes ou abusivos dentro das famílias.
As metáforas de violência (como Benjamim sendo comparado a um lobo que despedaça, ou a descrição da ira de Simeão e Levi) podem ser mal interpretadas por quem vive em ambientes marcados por agressão física ou verbal, como se o texto naturalizasse comportamentos agressivos. Na leitura pastoral, é necessário afirmar que a Bíblia não legitima abuso, e que o furor de Simeão e Levi, por exemplo, é explicitamente condenado.
A cena de despedida também pode ser sensível para pessoas em luto recente ou envelhecendo com medo da morte. Em contextos terapêuticos, pode ser preciso abordar o texto com cuidado, acolhendo o medo ou a tristeza, mostrando que a esperança de Jacó não apaga a realidade da dor, mas oferece um horizonte de sentido para além dela.
Gênesis 49 inspira práticas concretas na vida pessoal e familiar. Um primeiro caminho é rever, com honestidade, o próprio legado: atitudes, palavras e escolhas que estão moldando o futuro da família. Assim como as ações de Rúben, Simeão e Levi impactaram gerações, comportamentos de hoje também deixam marcas. Esse texto incentiva a buscar mudança onde há padrão de violência, impulsividade ou irresponsabilidade, pedindo perdão e construindo novas formas de viver.
O capítulo também sugere a importância de conversas claras no contexto familiar. Jacó, ainda que com palavras duras em alguns momentos, fala com franqueza sobre o que vê em cada filho. Em muitas famílias, feridas se prolongam por falta de diálogos honestos, cheios de verdade e cuidado. Inspirado por essa passagem, é possível cultivar uma comunicação que reconhece tanto falhas quanto dons, sem silenciar conflitos nem anular a dignidade de ninguém.
Nas bênçãos de Judá e José, aparece um convite à perseverança e à responsabilidade. A liderança de Judá, associada à imagem do leão e do cetro, aponta para a seriedade de exercer influência com justiça. A experiência de José, perseguido e mesmo assim fortalecido por Deus, encoraja a permanecer fiel em meio às injustiças, confiando na força de Deus e não apenas na própria capacidade.
Por fim, a forma como Jacó organiza seu sepultamento e encara a morte indica a importância de preparar o futuro com serenidade: colocar documentos em ordem, deixar claro o que se deseja, tratar reconciliações pendentes e reafirmar a fé. Isso não é sinal de falta de esperança, mas de responsabilidade e amor pelos que permanecem.
Quando Jacó convoca os filhos e diz que falará sobre o que lhes acontecerá nos dias vindouros (v. 1), ele se apresenta não apenas como pai, mas como porta-voz de revelação divina. As palavras que seguem têm caráter profético: descrevem, de forma poética, o futuro de cada tribo em Israel, incluindo traços de caráter, posições na terra e funções dentro do povo. Não se trata somente de conselhos ou desejos, mas de oráculos sobre o destino coletivo de seus descendentes.
Rúben é chamado de primogênito, força e princípio do vigor de Jacó (v. 3), mas, em seguida, Jacó declara que ele não será o mais excelente por causa de um pecado grave: ter subido ao leito de seu pai (v. 4), isto é, ter se deitado com Bila, concubina de Jacó (narrado em Gênesis 35:22). Esse ato desrespeitoso e imoral trouxe consequências profundas: Rúben não recebeu o lugar de liderança e herança que normalmente caberia ao primogênito. O texto mostra como escolhas sexuais e de honra podem afetar o futuro em um contexto de aliança.
Em Gênesis 49:10, Jacó diz que o cetro não se afastará de Judá até que venha Siló. Há debates sobre o significado exato do termo, mas, em linhas gerais, ele é entendido como uma referência a uma figura de paz e governo, associada à esperança messiânica. A ideia é que de Judá sairia uma linha de reis, culminando em um governante especial a quem os povos obedeceriam. Na tradição cristã, essa expectativa é vista como apontando para o Messias descendente de Davi, da tribo de Judá.
Simeão e Levi são chamados irmãos quanto ao temperamento e à violência (vv. 5-7). A referência principal é ao episódio em que eles mataram os homens de Siquém, em vingança pela desonra sofrida por Diná (Gênesis 34). Jacó condena o furor e a ira deles, chamando suas espadas de instrumentos de violência. A consequência profética é que seriam divididos e espalhados em Israel. Mais tarde, Simeão recebe território dentro da herança de Judá, e a tribo perde importância; Levi não recebe território próprio, sendo espalhado em cidades levíticas. Mesmo assim, a tribo de Levi é reorientada por Deus para o serviço sacerdotal, mostrando juízo e graça ao mesmo tempo.
A bênção de José (vv. 22-26) é uma das mais extensas e ricas. Ele é descrito como ramo frutífero junto à fonte, cujos ramos passam o muro, imagem de fertilidade e expansão. Jacó lembra que José foi ferido por flecheiros, isto é, alvo de hostilidade e traição, mas seu arco permaneceu firme porque Deus o fortaleceu. As bênçãos prometidas incluem céu, profundezas, fertilidade e abundância, superando até mesmo as bênçãos que Jacó recebeu de seus pais. Essa bênção destaca a fidelidade de Deus que transforma sofrimento em frutificação e exalta aquele que foi rejeitado pelos irmãos.
Nos versículos 29-32, Jacó dá instruções detalhadas: quer ser sepultado na cova de Macpela, em Canaã, comprada por Abraão. Esse pedido reforça a identidade espiritual do povo. Embora morem no Egito, Jacó não se vê como egípcio, mas como herdeiro das promessas feitas a Abraão e Isaque. Ser sepultado ali é uma forma de afirmar que a verdadeira casa do povo é a terra prometida por Deus, e que a aliança continua além da vida dele. É também um gesto de fé na continuidade da família como povo da aliança.
Gênesis 49 mostra uma família real, com acertos e muitos erros, diante da despedida de um pai. Há algo profundamente humano na imagem de Jacó chamando os filhos, um por um, para falar de sua história e de seu futuro. Nem todas as palavras são suaves. Alguns ouvem lembranças de pecados dolorosos, outros recebem elogios e promessas. Isso toca fundo em quem já escutou, ou deixou de escutar, palavras importantes de pai e mãe. Para um coração ferido, é fácil ler esse capítulo como se Deus estivesse apenas rotulando e condenando. Mas o texto revela algo mais amplo. Mesmo quando fala de consequências, Jacó está dentro de uma história de aliança. Rúben, Simeão e Levi não são expulsos da família. Continuam fazendo parte das doze tribos. Há disciplina, mas não abandono. Isso ecoa o jeito de Deus lidar com seus filhos: leva o pecado a sério, mas não corta o vínculo de amor que Ele mesmo decidiu estabelecer. A bênção de José é um sopro de consolo, especialmente para quem passou por rejeição ou injustiça. Ele foi ferido, traído, vendido. E, ainda assim, Jacó diz que foi Deus quem fortaleceu seus braços e o fez frutificar. O sofrimento de José não é romantizado, mas também não é a última palavra. Deus entra na história ferida e, aos poucos, transforma dor em fonte de vida para muitos. Na forma tranquila como Jacó enfrenta a morte, há conforto para quem teme o fim ou chora por alguém que partiu. Ele organiza o que precisa ser organizado, reafirma a fé no Deus da aliança e então é descrito como “congregado ao seu povo”. Não é um fim solitário, mas um retorno ao convívio daqueles que o precederam. Essa imagem ajuda a lembrar que, diante de Deus, a morte não é um corte absoluto de relação, mas uma passagem guardada por Ele. Esse capítulo acolhe tanto quem carrega culpa por erros, quanto quem sofre por ser fruto de uma família cheia de falhas. Na história de Jacó e de seus filhos, nada é perfeito, mas Deus permanece tecendo sua graça, mesmo com fios quebrados. Há espaço para chorar o que foi, reconhecer o que machuca e, ainda assim, descansar na certeza de que Deus não desiste da história de ninguém.
Do ponto de vista da leitura bíblica, Gênesis 49 é um dos textos mais densos em conteúdo profético e simbólico do livro. A cena é a de um patriarca em fim de vida pronunciando bênçãos e oráculos sobre os filhos, algo típico do contexto do Antigo Oriente, mas aqui carregado de significado teológico específico para Israel. A introdução (vv. 1-2) já define o tom: Jacó não está apenas distribuindo herança emocional, mas anunciando “o que vos há de acontecer nos dias vindouros”. A maior parte do texto está em forma poética, com paralelismos, imagens e metáforas, o que indica que não se trata de meros relatos, mas de discursos oraculares. As primeiras bênçãos mostram a ligação entre eventos narrados antes e seu desfecho histórico. Rúben perde a posição de destaque por causa de Gênesis 35:22. Simeão e Levi sofrem dispersão em função da violência em Siquém (Gênesis 34), algo confirmado mais tarde: Levi é espalhado em cidades levíticas e Simeão, absorvido em grande parte por Judá. O texto faz teologia da história da própria família. A bênção de Judá (vv. 8-12) é um ponto alto. A metáfora do leão e a referência ao cetro e ao legislador estabelecem Judá como tribo real, antecipando a monarquia davídica. A expressão “até que venha Siló” tem sido objeto de diversas interpretações: nome próprio messiânico, forma relacionada a “aquele a quem pertence” (o cetro), ou ideia de descanso e paz. Embora haja debate filológico, o sentido geral é de que a liderança de Judá culminará em uma figura especial de governo diante da qual os povos se congregarão. A tradição cristã, lendo a partir do Novo Testamento, identifica aqui uma referência ao Messias. Já as bênçãos sobre as tribos de origem secundária (filhos de servas e de Raquel) mostram uma variedade de destinos: funções judiciais (Dã), experiências de conflito (Gade), prosperidade agrícola (Aser), liberdade e expressão (Naftali), além da proeminência de José e do perfil guerreiro de Benjamim. Muitas dessas características se refletem, de forma mais ou menos clara, na distribuição da terra e na história posterior de Israel no livro de Josué e nos livros históricos. A bênção de José (vv. 22-26) concentra temas centrais: sofrimento injusto, sustentação divina, frutificação e abundância. A linguagem de “Valente de Jacó”, “pastor” e “pedra de Israel” oferece títulos teológicos importantes para Deus, antecipando descrições posteriores do Senhor como Rocha e Pastor do seu povo. Finalmente, as instruções de sepultamento (vv. 29-32) conectam o capítulo à narrativa patriarcal como um todo. O campo de Macpela é o único pedaço de terra formalmente adquirido em Canaã até então, símbolo material das promessas de Deus. Ao desejar ser enterrado ali, Jacó ancora sua identidade e a de seus filhos na promessa da terra, preparando o leitor para a tensão do Êxodo: o povo estará no Egito, mas pertencerá, por promessa, a Canaã. Assim, Gênesis 49 funciona como uma ponte entre a história familiar dos patriarcas e a formação da nação de Israel, traçando em forma de poesia profética o perfil das tribos e projetando a esperança de um rei vindouro oriundo de Judá.
Gênesis 49 toca em pontos muito práticos: família, legado, escolhas e preparo para o futuro. Ao observar Jacó, é possível enxergar tanto o que inspira quanto o que serve de alerta na condução da vida familiar. Primeiro, aparece a força das consequências. Rúben, Simeão e Levi experimentam na pele o peso de decisões tomadas anos antes. Isso não significa que Deus não perdoa, mas mostra que algumas atitudes deixam rastros duradouros. Na vida cotidiana, isso se traduz na necessidade de pensar além do momento: a forma como se lida com sexualidade, violência, impulsividade, injustiça e desrespeito dentro de casa repercute na autoestima dos filhos, na confiança entre cônjuges e até no futuro financeiro e espiritual da família. Por outro lado, o capítulo ensina a importância de reconhecer dons e vocações específicas. Jacó não fala a mesma coisa para todos. Zebulom é ligado ao mar, Issacar ao trabalho pesado e à terra, Aser à fartura de alimentos, Naftali à liberdade e às “palavras formosas”. Na prática, isso estimula a não encaixar todos na mesma forma: filhos, cônjuges, membros da igreja têm vocações diferentes. Uma gestão sábia da casa e do trabalho leva em conta aptidões, temperamentos e contextos. A bênção a Judá traz um lembrete sobre liderança: ser colocado numa posição de destaque, seja em casa, no trabalho ou na igreja, não é privilégio vazio, mas responsabilidade. Um líder é chamado a ser firme como leão quando necessário, mas também a governar com justiça, pois sua influência afeta muitos. Ao exercer qualquer tipo de liderança, é saudável perguntar-se em que medida está se agindo com integridade, coerência e serviço. Já a história refletida na bênção de José é útil para quem passa por fases difíceis na carreira, na família ou nas finanças. José foi traído, injustiçado e esquecido, mas Deus fez com que essas etapas dolorosas o preparassem para cuidar de muitos em tempos de fome. Em termos práticos, isso encoraja a não desperdiçar o sofrimento: desenvolver habilidades, aprender com perdas, manter a fidelidade nos pequenos deveres, sabendo que Deus pode usar esse caminho para abrir portas inesperadas. Por fim, a maneira como Jacó organiza seu sepultamento lembra a relevância de planejar o futuro com responsabilidade: deixar orientações claras, tratar pendências relacionais, falar sobre herança, não empurrar indefinidamente conversas difíceis. Isso reduz conflitos entre os que ficam e oferece segurança. Preparar-se para partir, quando chegar a hora, pode ser um ato concreto de amor pela família. Gênesis 49, lido assim, convida a revisar a forma como se vive hoje à luz de como isso ecoará amanhã: nas memórias, na estrutura da família e até na fé das próximas gerações.
Em Gênesis 49, a cena de um patriarca prestes a morrer se torna um espaço de revelação sobre o modo como Deus conduz o tempo, a história e os destinos. A partir da cama de Jacó, a narrativa se estende para “os dias vindouros”, mostrando que a vida de fé nunca se limita aos anos individuais, mas se inscreve numa linha mais longa, que atravessa gerações. Cada bênção contém uma espécie de leitura espiritual da história de cada filho. Rúben, Simeão e Levi experimentam o peso de terem deixado paixões desordenadas governarem decisões. Sua trajetória mostra que santidade não é apenas questão de atos isolados, mas de como esses atos se acumulam e moldam um caminho. Ao mesmo tempo, mesmo marcados por culpa e disciplina, eles não são cortados da história de Deus. Permanecem parte das doze tribos. Na perspectiva da alma, isso revela um Deus que corrige para purificar, não para descartar. A bênção de Judá abre uma janela para o plano maior de Deus. A imagem do cetro que não se aparta e do governante diante de quem povos se reúnem aponta para um rei definitivo, para além das monarquias humanas. O olhar da fé reconhece aqui o fio messiânico: Deus tece a partir de uma tribo específica a história de um Rei que reunirá não apenas Israel, mas as nações. A vida de oração pode ser alimentada por essa certeza de que, por trás de governos instáveis e épocas turbulentas, existe um governo prometido, firme e justo. Numa outra linha, a bênção sobre José fala de um coração que permanece conectado a Deus mesmo quando flechas de injustiça o atingem. José não é poupado da dor, mas é fortalecido pelo “Valente de Jacó”, pelo Pastor e Pedra de Israel. Essa tríplice imagem de Deus é uma riqueza espiritual: Ele é força em meio à fraqueza, pastor que guia e rocha que sustenta. Contemplar essas facetas de Deus ajuda a alma a se firmar quando sentimentos e circunstâncias oscilam. A breve exclamação de Jacó no versículo 18 – “A tua salvação espero, ó Senhor!” – surge quase como um suspiro entre oráculos. Ela resume a postura interior de quem atravessou uma vida cheia de conflitos, fugas, enganos e reconciliações: ao final, a esperança não está nas estratégias pessoais, mas na salvação que vem de Deus. Essa frase curta pode se tornar um refrão de oração na caminhada espiritual, especialmente em momentos em que o futuro é incerto. Por fim, a forma como Jacó enfrenta a morte oferece uma visão de fim permeado de fé. Ele fala, instrui, decide sobre seu sepultamento na terra da promessa e, então, é “congregado ao seu povo”. A morte, nessa perspectiva, não é apenas cessar de existir, mas ser reunido. A alma encontra aqui uma antecipação da comunhão eterna: Deus guarda seus filhos para além do túmulo, em continuidade com a comunidade dos que confiaram em sua promessa. Assim, Gênesis 49 convida a olhar a própria vida menos como um episódio isolado e mais como parte de uma história que Deus escreve. Chama a alinhar caráter, decisões e esperança com esse plano maior, no qual o Rei prometido de Judá conduz a história rumo a um encontro definitivo com o povo de Deus, reunido em sua presença para sempre.
" Dizei a vossos irmãos: Ami; e a vossas irmãs: Ruama. "
" Contendei com vossa mãe, contendei, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido; e desvie ela as suas prostituições da sua vista e os seus adultérios de entre os seus seios. "
" Para que eu não a despoje, ficando ela nua, e a ponha como no dia em que nasceu, e a faça como um deserto, e a torne como uma terra seca, e a mate à sede; "
" E não me compadeça de seus filhos, porque são filhos de prostituições. "
" Porque sua mãe se prostituiu; aquela que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atrás de meus amantes, que me dão o meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas. "
" Portanto, eis que cercarei o teu caminho com espinhos; e levantarei um muro de sebe, para que ela não ache as suas veredas. "
" Ela irá atrás de seus amantes, mas não os alcançará; e buscá-los-á, mas não os achará; então dirá: Ir-me-ei, e tornar-me-ei a meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora. "
" Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o azeite, e que lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal. "
" Portanto tornarei a tirar o meu grão a seu tempo e o meu mosto no seu tempo determinado; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez. "
" E agora descobrirei a sua vileza diante dos olhos dos seus amantes, e ninguém a livrará da minha mão. "
" E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades. "
" E devastarei a sua vide e a sua figueira, de que ela diz: É esta a minha paga que me deram os meus amantes; eu, pois, farei delas um bosque, e as feras do campo as devorarão. "
" Castigá-la-ei pelos dias dos Baalins, nos quais lhes queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das suas jóias, e andou atrás de seus amantes, mas de mim se esqueceu, diz o SENHOR. "
" Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. "
" E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito. "
" E naquele dia, diz o SENHOR, tu me chamarás: Meu marido; e não mais me chamarás: Meu senhor. "
" E da sua boca tirarei os nomes dos Baalins, e não mais se lembrará desses nomes. "
" E naquele dia farei por eles aliança com as feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e da terra quebrarei o arco, e a espada, e a guerra, e os farei deitar em segurança. "
" E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. "
" E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor. "
" E acontecerá naquele dia que eu atenderei, diz o Senhor; eu atenderei aos céus, e estes atenderão à terra. "
" E a terra atenderá ao trigo, e ao mosto, e ao azeite, e estes atenderão a Jizreel. "
" E semeá-la-ei para mim na terra, e compadecer-me-ei dela que não obteve misericórdia; e eu direi àquele que não era meu povo: Tu és meu povo; e ele dirá: Tu és meu Deus! "
Estudo do capitulo por email
Receba Escritura, oracao e um proximo passo simples conectado a este capitulo.
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, ligue 188 (CVV) no Brasil, 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediata.