Êxodo 11 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 11 na sua vida hoje

12 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Êxodo 11?

Êxodo 8 descreve três novas pragas sobre o Egito: rãs, piolhos e enxames de moscas. Faraó alterna momentos de aparente arrependimento com novo endurecimento do coração. Deus mostra seu poder sobre a natureza, limita a ação dos magos egípcios e começa a fazer distinção visível entre o seu povo, em Gósen, e os egípcios. O capítulo destaca a autoridade do Senhor, a teimosia de Faraó e a fidelidade de Deus em cumprir sua palavra por meio de Moisés e Arão.

Temas principais em Êxodo 11

O poder soberano de Deus sobre a criação (versiculos 8:1-6, 8:16-17, 8:21, 8:24)

As pragas com rãs, piolhos e moscas mostram que o Senhor controla rios, animais e até o pó da terra. Nada escapa ao seu comando, e a natureza obedece à sua voz, em contraste com os falsos deuses do Egito.

Versiculos-chave: 5, 16, 24

Endurecimento do coração e falsa negociação com Deus (versiculos 8:8-10, 8:15, 8:28-29, 8:32)

Faraó promete libertar o povo quando está debaixo da pressão das pragas, mas volta atrás ao perceber alívio. Seu coração endurecido o leva a resistir ao plano de Deus, mesmo depois de sinais claros do poder divino.

Versiculos-chave: 15, 32

Limite do poder humano e reconhecimento do "dedo de Deus" (versiculos 8:7, 8:18-19)

Os magos conseguem imitar algumas pragas, mas falham ao tentar produzir piolhos. Eles próprios reconhecem que aquilo é obra direta de Deus, revelando a insuficiência da magia e da sabedoria humana diante do Senhor.

Versiculos-chave: 18, 19

Deus faz distinção entre o seu povo e o mundo (versiculos 8:22-23)

Na praga das moscas, Deus separa a terra de Gósen, onde está Israel, para que não sofra o mesmo castigo que o Egito. Essa distinção demonstra cuidado, proteção e a identidade especial do povo da aliança.

Versiculos-chave: 22, 23

A missão de adorar e servir a Deus em liberdade (versiculos 8:1, 8:8, 8:20, 8:25-27)

Repetidamente Deus ordena: "Deixa ir o meu povo, para que me sirva". A libertação não é apenas política ou social, mas tem como finalidade o culto e o serviço ao Senhor, sem compromissos parciais ou negociações.

Versiculos-chave: 1, 20, 27

Contexto historico e literario

Êxodo 8 se insere na sequência das dez pragas enviadas por Deus contra o Egito, um dos impérios mais poderosos da Antiguidade. O povo de Israel estava escravizado há séculos, realizando trabalhos forçados em construções, agricultura e projetos do Estado egípcio. Faraó era visto não apenas como rei, mas como figura quase divina, representante dos deuses e sustentador da ordem cósmica.

As pragas confrontam diretamente crenças e divindades egípcias ligadas ao Nilo, à fertilidade e à proteção da terra. As rãs, por exemplo, eram associadas à fertilidade e presentes na iconografia religiosa; vê-las se tornarem praga e depois morte e mau cheiro expõe o fracasso dos ídolos. Os piolhos, vindos do pó da terra, atingem pessoas e animais, tornando impura a vida cotidiana. Os enxames de moscas tornam a terra "corrompida" ou arruinada, afetando saúde, trabalho e culto.

Os magos egípcios representam a elite religiosa e cientifica da época, treinados em encantamentos e práticas rituais. No início, conseguem imitar certas pragas, mas logo atingem um limite, reconhecendo a intervenção direta de Deus. A separação de Gósen — região do delta do Nilo onde Israel habitava — destaca uma área específica do Egito poupada deliberadamente por Deus, evidenciando seu controle sobre geografia e história.

Estrutura de Êxodo 11

Êxodo 8 apresenta uma narrativa organizada em três blocos principais, cada um centrado em uma praga:

  1. Praga das rãs (8:1-15)

    • Ordem divina a Moisés e recado a Faraó (8:1-4)
    • Arão estende a vara e as rãs cobrem o Egito (8:5-6)
    • Imitacão parcial dos magos (8:7)
    • Faraó pede intercessão e promete libertar o povo (8:8-9)
    • Definição do tempo do livramento: "amanhã" (8:10-11)
    • Moisés clama, Deus remove as rãs, e a terra cheira mal (8:12-14)
    • Endurecimento do coração de Faraó ao ver alívio (8:15)
  2. Praga dos piolhos (8:16-19)

    • Ordem para ferir o pó da terra (8:16)
    • Pó se torna piolhos em homens e animais (8:17)
    • Tentativa frustrada dos magos (8:18)
    • Confissão dos magos: "Isto é o dedo de Deus" (8:19a)
    • Persistência do endurecimento de Faraó (8:19b)
  3. Praga dos enxames de moscas (8:20-32)

    • Nova abordagem de Moisés a Faraó pela manhã (8:20)
    • Anúncio da praga, com advertência condicional (8:21)
    • Deus declara a separação entre Gósen e o restante do Egito (8:22-23)
    • Cumprimento da praga: moscas corrompem a terra (8:24)
    • Primeira proposta de compromisso de Faraó: sacrificar no próprio Egito (8:25)
    • Recusa de Moisés, por causa da abominação aos egípcios (8:26)
    • Pedido de três dias de jornada até o deserto (8:27)
    • Segunda proposta de Faraó: ir, mas não muito longe, e pedido de oração (8:28)
    • Moisés aceita interceder, mas denuncia o engano de Faraó (8:29)
    • Moisés ora, Deus remove totalmente as moscas (8:30-31)
    • Novo endurecimento de Faraó e recusa final (8:32)

A repetição de fórmulas — ordem divina, anúncio, execução, reação de Faraó, intercessão e endurecimento — cria um ritmo pedagógico, destacando tanto a fidelidade de Deus quanto a teimosia humana.

Significado teologico

Êxodo 8 aprofunda a revelação do caráter de Deus e da condição humana.

Teologicamente, o capítulo sublinha a soberania absoluta do Senhor sobre toda a criação. Rios, rãs, insetos, o pó da terra e fronteiras geográficas respondem à sua palavra. Os deuses egípcios, ligados à fertilidade, à ordem e à vida, são desmascarados: não podem impedir nem reverter o juízo de Deus. Mesmo a habilidade dos magos é limitada, servindo para destacar ainda mais a singularidade do Senhor.

O tema do endurecimento do coração de Faraó traz à tona a tensão entre responsabilidade humana e juízo divino. Faraó endurece seu coração ao ver descanso das pragas, demonstrando que sua mudança era apenas por conveniência, não por verdadeira submissão. Ao mesmo tempo, o texto mostra que esse endurecimento acontece “como o Senhor tinha dito”, indicando que o juízo de Deus também se manifesta ao entregar o ímpio às escolhas que ele insiste em manter.

O capítulo reforça o propósito da libertação: “para que me sirva” e “para que sacrificuem ao Senhor”. A salvação bíblica tem como centro a adoração e o serviço a Deus, não apenas o alívio do sofrimento. Por isso, as tentativas de Faraó de criar um “meio-termo” — sacrificar no Egito ou não ir muito longe — revelam a tendência humana de negociar a obediência, mantendo alguma forma de controle.

Por fim, a separação de Gósen ressalta a doutrina da eleição e preservação do povo de Deus. O Senhor se apresenta como Aquele que está "no meio desta terra" e que distingue entre seu povo e os demais. Essa distinção não é motivo de orgulho, mas um sinal da graça soberana e da responsabilidade do povo de viver para o Deus que o separa.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Êxodo 8 oferece um rico material para reflexão terapêutica em três dimensões principais: o processo de endurecimento do coração, a experiência de repetição de crises e a percepção da presença de Deus em meio ao caos.

O endurecimento de Faraó ilustra como uma pessoa pode reagir à dor apenas para aliviar sintomas imediatos, sem disposição real de mudança. Isso se aproxima de padrões psicológicos em que alguém só busca ajuda na crise, mas volta aos velhos hábitos assim que a pressão diminui. O texto ajuda a nomear essa dinâmica de autoengano, em que promessas são feitas sob tensão e logo quebradas quando a situação parece mais controlada.

As pragas sucessivas, cada vez mais incômodas, se assemelham à experiência de problemas que se repetem na vida quando lições profundas não são integradas. Não se trata de enxergar cada dificuldade como castigo direto, mas de reconhecer que a resistência interna à transformação pode intensificar sofrimentos. O relato traz à luz a diferença entre arrependimento genuíno e simples incômodo com as consequências.

A separação de Gósen, poupando o povo de Deus da praga das moscas, oferece um contraponto terapêutico importante: mesmo em contextos de caos coletivo, o texto apresenta uma imagem de cuidado específico, limite e proteção. Em termos de saúde emocional, isso aponta para a necessidade de fronteiras claras, espaços de segurança e identidade preservada em meio a ambientes hostis ou desorganizados.

Além disso, a incapacidade dos magos diante dos piolhos simboliza o limite dos recursos humanos quando confrontados com certas realidades. A admissão "isto é o dedo de Deus" pode ser lida como momento de honestidade: reconhecer o que foge ao controle pessoal e o que não pode ser modificado apenas com técnica, estratégia ou força de vontade. Essa aceitação se torna ponto de partida para uma relação mais saudável com a própria vulnerabilidade.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras de Êxodo 8 podem gerar distorções espirituais e emocionais se aplicadas de forma direta e sem discernimento.

  1. Interpretação de qualquer sofrimento como "praga" punitiva pessoal: o texto narra um juízo histórico específico de Deus contra um império opressor. Aplicar cada doença, crise ou perda como castigo direto pode levar à culpa excessiva, medo constante e visão distorcida do caráter de Deus.

  2. Uso da figura de Faraó para rotular pessoas como irremediavelmente más: o endurecimento do coração de Faraó é real, mas reduções simplistas podem alimentar julgamentos rígidos e desumanização. Em contexto terapêutico, isso pode reforçar dinâmicas de ódio, ressentimento e incapacidade de ver complexidades na história de alguém.

  3. Pressão para fazer promessas religiosas sob estresse: Faraó promete obedecer apenas para se livrar do incômodo imediato. Forçar pessoas em sofrimento a assumir compromissos religiosos como condição para receber apoio pode repetir essa lógica superficial e gerar ainda mais culpa quando não conseguem cumprir.

  4. Leitura fatalista sobre o endurecimento do coração: a frase "como o Senhor tinha dito" não deve ser usada para justificar abuso, passividade diante de injustiças ou a ideia de que determinadas pessoas estariam automaticamente fora do alcance da graça. Esse tipo de interpretação pode alimentar desespero espiritual e abandono da busca por ajuda.

  5. Comparações espirituais opressivas: usar a distinção entre Gósen e o restante do Egito para afirmar que quem sofre menos é mais "espiritual" ou mais amado por Deus pode aprofundar vergonha e sensação de rejeição em quem atravessa dores intensas.

Aplicacao pratica para hoje

Êxodo 8 oferece princípios práticos para a vida cotidiana e a fé.

  1. Levar a sério a voz de Deus: Faraó ouve repetidamente o mesmo chamado e o despreza. O texto incentiva a não adiar respostas a convicções claras de Deus, evitando o ciclo de prometer na crise e esquecer no alívio.

  2. Diferenciar alívio de transformação: Faraó pede que as rãs e moscas sejam removidas, mas não aceita mudar de postura. A narrativa convida a buscar não apenas sair de situações desconfortáveis, mas permitir que valores, prioridades e decisões sejam alterados de forma profunda.

  3. Reconhecer limites pessoais: os magos chegam a um ponto em que afirmam: "Isto é o dedo de Deus". No cotidiano, isso se traduz em admitir áreas nas quais controle e habilidade não são suficientes, abrindo espaço para humildade, cooperação e dependência de Deus.

  4. Evitar negociações parciais com a obediência: Faraó tenta negociar o tipo de culto e o local da adoração. O texto sugere que a vida com Deus não se sustenta em meia-obediência ou compromissos condicionais, mas em disposição de ajustar rotinas, escolhas e relacionamentos ao que Ele ordena.

  5. Cultivar uma identidade distinta em meio à sociedade: a separação de Gósen mostra um povo preservado no meio de um contexto em juízo. Na prática, isso aponta para viver valores diferentes — justiça, misericórdia, fidelidade — mesmo em ambientes de corrupção, pressão ou injustiça.

  6. Honrar a intercessão e a palavra dada: Moisés intercede por Faraó, mesmo sabendo de sua instabilidade, e cumpre a promessa de orar. Isso inspira integridade ao dar a palavra e perseverança em interceder, mesmo quando a mudança do outro parece lenta ou incerta.

Perguntas frequentes

Por que Deus enviou rãs especificamente como uma das pragas?

As rãs tinham significado religioso e simbólico no Egito antigo, ligadas à fertilidade e à vida. Ao transformar as rãs em praga insuportável e depois em montes de morte e mau cheiro, Deus demonstra que até aquilo que era considerado sinal de bênção e poder pelos egípcios está sob seu controle. A praga atinge a vida doméstica, o descanso e o trabalho, mostrando que nenhum aspecto da realidade está fora do alcance do Senhor.

O que significa a expressão "isto é o dedo de Deus" em Êxodo 8:19?

Quando os magos dizem "Isto é o dedo de Deus", estão reconhecendo que a praga dos piolhos não pode ser explicada ou reproduzida por seus encantamentos. A expressão aponta para uma intervenção direta e incontestável de Deus. Na linguagem bíblica, o "dedo de Deus" representa a ação poderosa e específica do Senhor, algo que ultrapassa recursos humanos, religiosos ou mágicos.

Por que Deus fez distinção entre Gósen e o restante do Egito na praga das moscas?

A separação de Gósen tem duas funções principais. Primeiro, proteger o povo de Israel, mostrando cuidado especial por aqueles que Ele escolheu como seu povo. Segundo, servir de sinal para Faraó e para o Egito de que o Senhor está "no meio desta terra" e governa com precisão: Ele não atinge todos indistintamente, mas faz distinção entre quem o pertence e quem se opõe voluntariamente ao seu propósito. Essa distinção reforça a identidade de Israel como povo da aliança.

Faraó parecia se arrepender quando pedia oração. Por que o texto mostra que seu coração continuou endurecido?

O pedido de Faraó é motivado principalmente pelo desejo de se livrar da dor das pragas, e não por mudança sincera de mente e de direção. Quando o texto diz que ele endurece o coração ao ver que havia descanso, mostra que sua preocupação era circunstancial, não espiritual. Ele quer alívio, mas sem abrir mão do controle sobre o povo de Deus. Esse padrão de promessas quebradas revela um arrependimento superficial, centrado em evitar consequências, não em se submeter ao Senhor.

O que esse capítulo ensina sobre a finalidade da libertação do povo de Israel?

Em Êxodo 8, a ordem de Deus é repetida: "Deixa ir o meu povo, para que me sirva". A libertação não tem apenas o objetivo de tirar Israel da escravidão, mas de colocá-lo em condição de adorá-lo e servi-lo livremente, de acordo com suas instruções. O debate com Faraó sobre onde e como sacrificar deixa claro que a liberdade que Deus concede está ligada a um modo específico de culto e obediência, e não à independência total de qualquer autoridade.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Êxodo 8 mostra um cenário de caos, mau cheiro, incômodo constante. Rãs por toda parte, piolhos no corpo, moscas corrompendo a terra. É um capítulo que lembra dias em que tudo parece fora de lugar, em que não há descanso no corpo nem na mente. No meio disso, chama atenção como Deus escuta quando Moisés clama. Faraó pede socorro, Moisés ora, e o texto repete: "o Senhor fez conforme a palavra de Moisés". A dor não é ignorada, e o clamor não cai no vazio. Mesmo quando Faraó não é sincero, Deus se mostra atento ao sofrimento que está acontecendo naquela terra. Também aparece um tipo de cansaço relacional: promessas que se quebram, acordos desfeitos, esperanças frustradas. Moisés volta repetidas vezes a Faraó, fala, intercede, vê um alívio temporário, e logo em seguida enfrenta a mesma dureza. Esse vai e vem se parece com histórias de quem convive com corações fechados, mudanças que não se confirmam, palavras que não se sustentam. O texto reconhece que isso é real e doloroso. Ao separar Gósen das demais terras, Deus cria um espaço preservado em meio ao caos. É uma imagem de refúgio: nem tudo está tomado por moscas, nem tudo está sob o mesmo peso. Há um lugar onde a praga não chega. Espiritualmente e emocionalmente, essa imagem aponta para a possibilidade de haver dentro da própria vida um “Gósen”: um espaço de cuidado, de presença de Deus, de identidade guardada, mesmo quando o contexto é confuso. Para corações cansados, Êxodo 8 lembra que Deus não é indiferente ao que corrói a paz. Ele vê, Ele ouve, Ele intervém no tempo dEle. Também mostra que o alívio pode vir e ir, que a mudança do outro pode demorar ou não acontecer. Ainda assim, a presença de Deus continua certa e ativa, separando, protegendo e guardando quem lhe pertence, mesmo quando o entorno parece um Egito em crise.

Mind
Mente

Do ponto de vista exegético, Êxodo 8 aprofunda o padrão literário das pragas e apresenta avanços teológicos importantes na narrativa. Primeiro, nota-se a estrutura em ciclos. As pragas seguem um esquema: comando divino, anúncio a Faraó, execução, reação e endurecimento. Neste capítulo, a segunda praga (rãs) ainda é passível de imitação pelos magos, embora isso só agrave a situação, pois eles apenas conseguem “fazer subir rãs”, não removê-las. Isso sublinha um ponto irônico: a capacidade dos magos não resolve o problema, apenas o reproduz. Com os piolhos, ocorre uma virada. A ação de Arão ao ferir o pó da terra e o relato de que “todo o pó da terra se tornou em piolhos” têm forte impacto simbólico, pois o pó está ligado à criação humana e à vida cotidiana do Egito. A incapacidade dos magos e sua confissão “Isto é o dedo de Deus” funcionam como reconhecimento interno, vindo do próprio sistema religioso egípcio, de que ali há um poder superior. É um momento-chave em que o texto limita explicitamente o alcance da magia e do culto egípcio. A partir da praga dos enxames de moscas, a narrativa introduz o conceito de distinção geográfica: Gósen é poupada. Essa separação não surge nas primeiras pragas, o que sugere um desenvolvimento progressivo da revelação do papel de Israel: inicialmente, o povo sofre junto com o Egito; depois, Deus começa a demarcar de maneira visível quem é o seu povo. Essa distinção prepara teologicamente a formação de Israel como nação separada na sequência do livro. O endurecimento do coração de Faraó segue o padrão antecipado em Êxodo 4–7. O texto afirma que ele endurece o coração ao ver "que havia descanso", evidenciando o mecanismo psicológico: a pressão diminui, e a aparente abertura espiritual desaparece. Teologicamente, o autor mostra a tensão entre ação divina e responsabilidade humana sem resolvê-la com explicações filosóficas; em vez disso, a narrativa convida o leitor a observar o resultado: mesmo diante de sinais claros, um coração pode continuar irredutível. As propostas de compromisso de Faraó — sacrificar na terra (8:25) ou não ir longe (8:28) — destacam um aspecto importante da teologia do culto no Pentateuco: a adoração deve ser feita "como Ele nos disser" (8:27). A preocupação não é apenas sacrificar, mas sacrificar do modo e no lugar determinados por Deus, antecipando os temas de santidade e obediência que marcarão Levítico e Números.

Life
Vida

Lendo Êxodo 8 com olhos práticos, aparecem padrões muito familiares do cotidiano: promessas que nascem na dor e morrem no conforto, tentativas de negociar limites, e a dificuldade de assumir mudanças profundas. Faraó só se mostra flexível quando as rãs, moscas e piolhos tornam a vida insuportável. Assim que encontra “descanso”, volta ao padrão antigo. Esse movimento se parece com decisões tomadas em momentos de crise — ajustar finanças, rever relacionamentos, mudar hábitos — que são abandonadas assim que a pressão diminui. O texto expõe esse ciclo e mostra o quanto ele é destrutivo: o problema volta, às vezes mais intenso. Outra camada prática é a negociação de limites. Faraó tenta manter controle oferecendo alternativas: sacrificar no Egito, não ir muito longe. Ele parece disposto a ceder, mas apenas até o ponto em que não perde o domínio. Essa dinâmica é visível em áreas como trabalho e família: querer mudança desde que não toque em zonas de conforto, poder ou imagem. O contraste com a resposta de Moisés é claro: ele insiste em obedecer “como Ele nos disser”, mesmo que isso envolva sair da terra, correr riscos e se expor à reprovação dos egípcios. A distinção entre Gósen e o restante do Egito traz uma lição de gestão de ambiente. Deus cria uma área preservada dentro de um contexto abalado. Aplicado à vida diária, isso remete à importância de estabelecer espaços e rotinas protegidas — tempo de descanso, momentos de oração, limites saudáveis em relacionamentos e trabalho — que não sejam tomados pelo “enxame” de urgências e pressões. Por fim, Êxodo 8 valoriza a intercessão responsável. Moisés ora por Faraó, cumpre o que prometeu, mas também fala com clareza sobre o engano anterior do rei. Há firmeza e compaixão juntas. Em termos práticos, isso inspira uma postura que combina cuidar e apoiar com falar a verdade, sem alimentar ilusões nem cair em ingenuidade sobre mudanças que não se confirmam na prática.

Soul
Alma

Há, em Êxodo 8, um movimento espiritual profundo: Deus se apresenta não apenas como libertador futuro, mas como Senhor ativo sobre cada detalhe da realidade presente. Ele fala, age, distingue, ouve orações e confronta a falsa espiritualidade. As pragas atingem diretamente a confiança religiosa do Egito. Divindades ligadas à fertilidade, aos rios, à ordem da criação são desafiadas quando rãs, piolhos e moscas se tornam instrumentos de juízo. Espiritualmente, o texto mostra que nenhum sistema, por mais sofisticado ou antigo, pode ocupar o lugar do Deus vivo. É uma convocação à revisão de tudo aquilo em que se confia para sustentação, segurança e sentido. O coração de Faraó aparece como espelho de uma resistência profunda à vontade de Deus. Ele reconhece a necessidade de oração, pede intercessão, aceita parcialmente as ordens divinas, mas nunca se rende de fato. Essa tensão entre palavras religiosas e não rendição real é um alerta espiritual: é possível falar de Deus, pedir ajuda, até reconhecer o poder divino (“orai também por mim”), sem entregar o trono do próprio coração. A distinção de Gósen em meio às moscas traz esperança escatológica. No meio do juízo, há um povo preservado, um lugar separado. Isso antecipa a ideia de que Deus guarda um remanescente e conduz sua história em direção a uma libertação plena. Espiritualmente, aponta para a certeza de que, mesmo quando o mundo parece atravessar “pragas”, Deus continua sabendo quem lhe pertence e mantém sua promessa de conduzir o povo à adoração em liberdade. A frase “para que me sirva” ressoa como chamado de propósito. A libertação não termina em si mesma; é abertura de caminho para uma vida centrada em Deus. No horizonte da fé cristã, isso se conecta com a obra de Cristo, que liberta não apenas de escravidões externas, mas do poder do pecado, para que a pessoa viva em adoração, obediência e comunhão. Êxodo 8, assim, convida a perceber nas crises e confrontos da vida um Deus que, por baixo da superfície, está desatando correntes para formar um povo que o sirva de coração inteiro.

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Versiculos em Êxodo 11

Êxodo 11:1

" Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. "

Hoseias 11:1 mostra o cuidado de Deus por Israel como um pai que resgata o filho de um lugar de escravidão. Revela amor fiel mesmo …

Ler analise completa

Êxodo 11:2

" Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins, e queimavam incenso às imagens de escultura. "

Êxodo 11:3

" Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava. "

Êxodo 11:4

" Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e lhes dei mantimento. "

Êxodo 11:6

" E cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ramos, e os devorará, por causa dos seus próprios conselhos. "

Êxodo 11:7

" Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta. "

Êxodo 11:8

" Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como Admá? Te poria como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem. "

Êxodo 11:9

" Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade. "

Êxodo 11:10

" Andarão após o Senhor; ele rugirá como leão; rugindo, pois, ele, os filhos do ocidente tremerão. "

Oséias 11:10 mostra Deus chamando com força, como um leão, para trazer seu povo de volta. Mesmo depois de erros e afastamento, ainda há convite …

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Êxodo 11:11

" Tremendo virão como um passarinho, os do Egito, e como uma pomba os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas casas, diz o Senhor. "

Êxodo 11:12

" Efraim me cercou com mentira, e a casa de Israel com engano; mas Judá ainda domina com Deus, e com os santos está fiel. "

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