2 Reis 7:1
" Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; "
Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 7 na sua vida hoje
28 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Joás promove a restauração do templo e ordena que o dinheiro dedicado ao Senhor seja usado na reparação de suas fendas. A preocupação com a estrutura física revela zelo pelo culto e pela presença de Deus no meio do povo.
O sistema inicial, em que os sacerdotes recebiam o dinheiro diretamente, não produziu resultados. Com o cofre e a contagem conjunta entre o escrivão do rei e o sumo sacerdote, os recursos são bem administrados e aplicados na obra, confiados a homens reconhecidos por sua fidelidade.
Apesar do empenho de Joás em restaurar o templo, os lugares altos não são removidos, e o povo continua sacrificando ali. A reforma do culto é significativa, mas incompleta, revelando um coração dividido na nação.
Joás faz o que é reto enquanto é dirigido por Joiada, o sacerdote. O texto sugere que sua fidelidade está ligada à influência espiritual de Joiada, apontando a fragilidade de uma fé que depende exclusivamente de uma liderança humana.
Versículos-chave: 2
Diante da ameaça de Hazael, rei da Síria, Joás entrega ao inimigo os tesouros consagrados ao Senhor e os tesouros reais para evitar o ataque. O episódio expõe o conflito entre preservar a segurança política e honrar integralmente o que é dedicado a Deus.
Apesar de sua obra inicial, Joás termina o reinado sob conspiração e é assassinado por seus próprios servos. A narrativa sublinha a vulnerabilidade dos reis e a seriedade de se afastar do caminho de Deus ao longo da vida.
2 Reis 12 se situa no reino do sul, Judá, durante o século IX a.C., após o conturbado período de Atalia, que usurpou o trono e tentou exterminar a linhagem davídica. Joás é preservado em segredo no templo e depois coroado ainda criança (relato detalhado em 2 Reis 11 e 2 Crônicas 22–24). Seu reinado começa no sétimo ano de Jeú, rei de Israel, e se estende por quarenta anos.
O templo de Salomão, construído cerca de um século e meio antes, já apresentava danos devido ao tempo, à negligência e possivelmente à profanação e saque durante o governo de reis idólatras e de Atalia. A restauração do templo se torna um marco de retorno à adoração ao Senhor.
No contexto internacional, a Síria (Arã), sob o rei Hazael, é uma potência regional em crescente expansão. Hazael já havia lutado contra Israel e agora ameaça Judá, avançando sobre cidades como Gate. A decisão de Joás de enviar tesouros do templo e do palácio como tributo é uma tentativa de evitar a destruição de Jerusalém, prática comum na diplomacia da época, mas que implica grande custo espiritual e simbólico, pois envolve bens consagrados.
Religiosamente, Judá vivia uma tensão entre a adoração exclusiva ao Senhor, centralizada em Jerusalém, e a prática popular de culto em lugares altos, muitas vezes misturando elementos pagãos. A permanência desses altos mostra como as reformas reais muitas vezes eram parciais e enfrentavam forte resistência cultural e religiosa.
O capítulo de 2 Reis 12 apresenta uma estrutura narrativa relativamente linear, que pode ser organizada em blocos:
Introdução ao reinado de Joás (12:1-3)
Primeira tentativa de reforma do templo (12:4-6)
Ajuste do sistema e estabelecimento de um cofre (12:7-10)
Aplicação dos recursos e resultado da reforma (12:11-16)
Ameaça síria e resposta de Joás (12:17-18)
Conclusão do reinado e morte de Joás (12:19-21)
A narrativa alterna avaliações teológicas curtas com descrições administrativas detalhadas, o que destaca tanto a importância espiritual quanto a organização prática da reforma.
2 Reis 12 levanta temas teológicos centrais para a compreensão do relacionamento de Deus com Judá e com seus líderes.
Deus valoriza a fidelidade prática, não apenas intenções religiosas A restauração do templo não é apenas um projeto arquitetônico, mas um sinal de prioridade espiritual. O zelo de Joás em ordenar a reforma mostra reconhecimento da centralidade da adoração ao Senhor. Entretanto, a demora e negligência dos sacerdotes revelam a distância entre o discurso religioso e a obediência concreta.
A importância da liderança espiritual e seus limites A avaliação positiva de Joás é condicionada pela expressão “todos os dias em que o sacerdote Joiada o dirigia” (v. 2). Isso realça a bênção de ter liderança piedosa, mas também a fragilidade de uma fé que depende unicamente de figuras humanas. Em outras partes da Escritura, a queda posterior de Joás após a morte de Joiada é ressaltada, mostrando que a verdadeira fidelidade precisa ir além da influência de uma pessoa.
Santidade dos recursos consagrados O capítulo sublinha a diferença entre as ofertas destinadas à manutenção da casa do Senhor e as ofertas específicas por pecado e delitos, que eram dos sacerdotes (v. 16). A distinção mostra que Deus leva a sério o destino do que lhe é consagrado. O uso posterior dos tesouros do templo como pagamento de tributo a Hazael (v. 18) coloca em tensão a preservação imediata de Jerusalém e a honra de Deus, sugerindo um desvio de confiança: em vez de depender do Senhor, recorre-se a um arranjo político custoso espiritualmente.
Obediência parcial e culto nos altos Embora Joás tenha promovido a reforma do templo, os altos não foram retirados (v. 3). Teologicamente, isso indica que a reforma foi real, mas incompleta. O povo mantinha práticas religiosas sincréticas ou paralelas ao culto em Jerusalém, contrariando a exigência de adoração exclusiva ao Senhor em lugar escolhido por Ele. Esta obediência pela metade se tornaria padrão em muitos reinados de Judá.
Justiça de Deus e a fragilidade dos reis A narrativa da morte de Joás pela mão de seus próprios servos (v. 20-21) lembra que, mesmo reis, não estão acima do juízo divino. O autor de Reis, ao referir-se a outras fontes para detalhes, foca no essencial: a avaliação teológica do reinado, a relação com o templo, a aliança com Deus e o desfecho trágico da vida do rei. A Bíblia, assim, mostra que poder e longevidade não garantem aprovação diante de Deus.
Sinais da graça de Deus no meio da instabilidade Apesar de falhas e limitações, Deus preserva a linhagem de Davi (Joás, depois Amazias) e permite que o templo seja restaurado. Mesmo com ameaças externas, Jerusalém não é destruída nesse momento. A fidelidade de Deus à sua aliança se manifesta ao longo da história, ainda que a fidelidade dos reis seja parcial e instável.
Em perspectiva terapêutica, 2 Reis 12 toca em temas de confiança, responsabilidade e frustrações com lideranças e sistemas religiosos.
O texto mostra um rei que começa bem, influenciado por uma liderança espiritual sólida. Essa dependência de uma figura forte lembra dinâmicas emocionais em que uma pessoa se apoia totalmente em alguém para permanecer firme. Isso pode gerar bons frutos por um tempo, mas tende a revelar fragilidade quando o apoio desaparece. Em termos de saúde emocional e espiritual, evidencia a importância de internalizar valores e fé, em vez de viver apenas na sombra da maturidade de outra pessoa.
A reforma do templo e o ajuste do sistema de ofertas também dialogam com temas de confiança institucional. O povo entregava recursos, mas o resultado não aparecia, até que o sistema é reorganizado de forma mais clara. Isso ecoa experiências de frustração com comunidades de fé: boa intenção do povo, mas mau uso dos recursos, gerando desconfiança, cansaço e descrédito. O texto mostra, porém, que é possível revisar processos, criar mecanismos de transparência e reconhecer quem age com fidelidade.
A cena em que tesouros consagrados são usados para tentar garantir segurança frente à ameaça síria revela o conflito interno entre preservar o que é sagrado e buscar alívio imediato do medo. Em linguagem psicológica, aparece a tentação de abrir mão de convicções profundas em troca de uma sensação rápida de segurança. A narrativa não descreve os sentimentos de Joás, mas deixa transparecer uma atmosfera de pressão, urgência e escolhas difíceis.
A morte de Joás diante de conspiração interna sugere como relações de confiança podem se deteriorar. A traição de servos próximos pode ser vista como sinal de ruptura ética e espiritual, mas também como reflexão sobre ambientes em que feridas, ressentimentos ou injustiças não resolvidas terminam em explosão.
Em conjunto, o capítulo ilumina dores relacionadas a: - desilusão com líderes religiosos; - sensação de que esforços e contribuições não geram o fruto esperado; - medo diante de ameaças externas e decisões tomadas sob pressão; - dependência emocional de pessoas específicas para manter a fé; - instabilidade de estruturas que pareciam seguras.
Ao mesmo tempo, abre espaço para enxergar caminhos de cura ligados à transparência, à fidelidade no cuidado com o que é de Deus, e à construção de uma fé mais pessoal e enraizada.
Alguns pontos do capítulo podem acionar memórias dolorosas ou gatilhos em pessoas com certas experiências de vida:
Esses elementos não são argumentos contra o texto, mas indicam áreas em que uma leitura cuidadosa, acompanhada e contextualizada pode ser mais segura, especialmente para quem está em processo de cura de traumas ligados à fé, autoridade ou violência.
2 Reis 12 oferece princípios práticos relevantes para a vida contemporânea:
Cuidado com aquilo que representa a presença de Deus O foco na restauração do templo lembra a importância de cuidar dos espaços e meios pelos quais a fé é cultivada: comunidades de fé, relacionamentos cristãos, ambientes de adoração e ensino. Isso envolve zelo, responsabilidade e disposição para reparar o que está quebrado, tanto material quanto relacionalmente.
Transparência e boa administração de recursos O episódio do cofre, da contagem conjunta e da confiança em homens fiéis aponta para a necessidade de práticas claras no uso de dinheiro, especialmente em contextos de fé. Isso inclui prestação de contas, sistemas bem pensados e reconhecimento de pessoas íntegras para tarefas de gestão.
Rever sistemas que não funcionam Joás não se acomoda ao perceber que a primeira estratégia para a reforma do templo não deu certo. Ele confronta, ajusta e propõe um novo caminho. Em termos práticos, isso incentiva a revisar métodos que não produzem o fruto esperado, tanto em projetos pessoais quanto em estruturas comunitárias.
Evitar obediência parcial A permanência dos altos mostra o perigo de reformas pela metade. Em nível prático, isso convida a não se contentar apenas com mudanças externas ou pontuais, mas a enfrentar áreas difíceis, hábitos arraigados e práticas que competem com uma devoção íntegra a Deus.
Fortalecer uma fé que não dependa apenas de pessoas A relação de Joás com Joiada lembra o valor de mentores e líderes, mas também aponta para a necessidade de uma fé que amadureça para além da presença dessas referências. Desenvolver convicções pessoais, leitura da Escritura e vida de oração ajuda a sustentar a fé em tempos de perda ou transição de liderança.
Discernir decisões em tempos de ameaça A escolha de Joás de entregar tesouros consagrados para afastar Hazael evidencia dilemas entre segurança imediata e fidelidade mais profunda. No cotidiano, decisões sob pressão exigem discernimento: nem toda solução rápida é coerente com os valores do Reino de Deus.
Lembrar que poder não é sinal automático de aprovação divina A morte violenta de Joás mostra que ter posição, história de êxitos ou longa trajetória não imuniza contra queda e juízo. A integridade contínua, e não apenas um bom começo, é o que importa diante de Deus.
Aplicados juntos, esses princípios apontam para uma vida que valoriza a fidelidade, a transparência, a coragem de corrigir rumos e o cultivo de uma fé profunda e pessoal.
Os altos eram lugares tradicionais de culto usados pelo povo, muitas vezes antes da construção do templo em Jerusalém. Mesmo depois da centralização do culto determinada pela Lei, esses locais permaneceram como prática cultural e religiosa forte. Muitos reis de Judá fizeram reformas importantes, mas não tocaram nessa área sensível, seja por resistência popular, seja por não perceberem plenamente a gravidade do problema. Em 2 Reis 12, o autor destaca que, embora Joás tenha promovido uma significativa reforma no templo, seu reinado ainda foi marcado por essa obediência parcial.
O sacerdote Joiada mandou fazer um cofre com um buraco na tampa, colocado ao pé do altar, à direita de quem entrava no templo. O povo trazia o dinheiro dedicado à casa do Senhor e colocava nesse cofre. Quando a quantia acumulada era grande, o escrivão do rei e o sumo sacerdote se reuniam, contavam e ensacavam o dinheiro ali depositado. Depois, esse valor era entregue aos responsáveis pela obra, que o repassavam aos trabalhadores e fornecedores. O sistema criava maior transparência, evitava o desvio de finalidade e permitia que o dinheiro chegasse de fato à restauração do templo.
O texto explica que, naquele momento, a prioridade era reparar a estrutura do templo, e não produzir novos utensílios de prata ou ouro. Todo o dinheiro recolhido para a casa do Senhor foi direcionado aos que trabalhavam na obra, garantindo a restauração das fendas, a compra de madeira, pedras de cantaria e outros materiais. Os utensílios poderiam ser importantes, mas a integridade do templo, como lugar de encontro entre Deus e o povo, vinha primeiro.
Hazael era o rei de Arã (Síria), uma potência regional na época. Ele havia se fortalecido militarmente e já tinha enfrentado o reino do norte (Israel). Em 2 Reis 12, Hazael ataca Gate, uma cidade estratégica, e depois volta sua atenção para Jerusalém, capital de Judá. Sua motivação provavelmente era expandir domínio, obter tributos e controlar rotas comerciais. Diante dessa ameaça, Joás decide enviar a Hazael as riquezas consagradas de antigos reis de Judá e o ouro encontrado nos tesouros do templo e do palácio para evitar um ataque direto à cidade.
O texto afirma que não se pedia contas aos homens que recebiam o dinheiro para repassar aos que faziam a obra, porque eles procediam com fidelidade. Ou seja, tinham uma reputação estabelecida de honestidade e integridade. Isso não significa ausência completa de controle, já que a contagem do dinheiro era feita pelo escrivão do rei e o sumo sacerdote. Mas indica que, dentro desse sistema, os encarregados da obra eram conhecidos por sua confiabilidade, o que reduzia a necessidade de fiscalização minuciosa em cada gasto.
O livro de 2 Crônicas, especialmente o capítulo 24, narra o reinado de Joás com mais detalhes espirituais, incluindo a forte influência de Joiada e a queda de Joás após a morte desse sacerdote. Em conjunto, Reis e Crônicas oferecem uma visão complementar: Reis enfatiza a avaliação teológica do reinado em relação à aliança e ao templo, enquanto Crônicas destaca aspectos litúrgicos, sacerdotais e a dinâmica entre o rei, os profetas e os sacerdotes. Lendo os dois relatos, percebe-se melhor como Joás começou bem, foi usado por Deus na reforma do templo, mas terminou desviado e sob juízo.
Em 2 Reis 12 aparece um rei que começa a vida cercado de fragilidade, marcado por uma história familiar de violência e ameaça, mas que encontra no templo e na presença de Joiada um lugar de proteção e direção. A narrativa carrega um tom de esperança: mesmo em meio ao caos político e espiritual, Deus ainda cria refúgios, pessoas cuidadoras e espaços de restauração. O cuidado com o templo tem uma dimensão profundamente emocional. A casa de Deus, quebrada, rachada, precisando de reparo, pode lembrar um coração ferido, uma fé cansada, uma comunidade partida. O movimento de juntar pouco a pouco recursos, com fidelidade, para reparar as fendas, sugere um processo de cura que não acontece de uma vez, mas por meio de pequenos gestos, constância e confiança. Não há luxo, taças de prata, enfeites de ouro; há, antes, um foco em reforçar a estrutura, fechar buracos, devolver segurança. Isso fala a situações em que não é hora de enfeitar, e sim de cuidar do essencial. Ao mesmo tempo, o texto também toca na dor de ver líderes falhando. Os sacerdotes, que deveriam cuidar do templo, demoraram a fazer o que era certo. Essa experiência de decepção com quem tinha responsabilidade espiritual pode ser dura. O capítulo, porém, mostra que Deus não abandona sua casa nem sua gente por causa das falhas humanas. Ele permite correções, novos caminhos, ajustes que trazem mais transparência e justiça. A parte final da história, com a ameaça de Hazael e a morte de Joás, tem um tom pesado. Um rei que começou sob proteção do templo termina vulnerável, ferido por pessoas próximas. Há aqui um eco do quanto as relações de confiança podem se desgastar e de como finais de trajetória podem ser confusos, marcados por escolhas feitas no medo e pelo afastamento da vontade de Deus. Ainda assim, no meio de tudo isso, permanece a realidade de um Deus que continua sustentando sua promessa, preservando uma linhagem e um povo, mesmo quando pessoas específicas fracassam. Essa fidelidade silenciosa de Deus atravessa a história, oferecendo consolo a quem olha para a própria vida e vê rachaduras, perdas e desilusões, mas deseja crer que o Senhor ainda está, pacientemente, restaurando o que parece irrecuperável.
2 Reis 12 é um texto rico para observação histórica e teológica. Ele se desenvolve em torno de duas grandes linhas: a avaliação do reinado de Joás e a reforma do templo. A fórmula de abertura, típica de Reis, situa o reinado em relação ao rei do norte (Jeú) e apresenta dados cronológicos e genealógicos. A frase-chave é a avaliação de que Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor, qualificada pela influência de Joiada e pela permanência dos altos. O capítulo lança luz sobre a prática cultual em Judá. O templo de Jerusalém, núcleo do culto oficial, convivia com os altos, que funcionavam como centros religiosos locais, muitas vezes contaminados por práticas sincréticas. A insistência de Reis em condenar os altos está alinhada com a teologia deuteronomista, que valoriza a centralização do culto no lugar escolhido por Deus. Assim, mesmo uma reforma significativa no templo não é considerada completa se não confronta as práticas concorrentes. O sistema de financiamento e reforma do templo revela uma organização institucional complexa. Há diferentes tipos de dinheiro: o que vem do arrolamento, do resgate de pessoas segundo avaliação, e das ofertas voluntárias. A mudança do modelo inicial — sacerdotes recebendo diretamente o dinheiro — para o uso do cofre e a participação do escrivão do rei e do sumo sacerdote na contagem sugere uma tentativa de reduzir tensões e assegurar que os recursos tenham o destino previsto. A menção reiterada à fidelidade dos encarregados da obra é um dado teológico e sociológico: integridade é vista como recurso essencial à estabilidade do culto. Teologicamente, o texto mantém o padrão de Reis de avaliar os reis de Judá em função de sua relação com o templo e a lei de Deus. Nessa perspectiva, a decisão de Joás de enviar tesouros sagrados a Hazael é ambígua. Historicamente compreensível, mas espiritualmente problemática, a medida mostra uma confiança deslocada, mais apoiada em arranjos políticos do que no Senhor. Outros textos bíblicos criticam atitudes semelhantes, em que bens consagrados são usados para alianças humanas que não brotam da dependência de Deus. Por fim, o desfecho da vida de Joás, assassinado por servos, é narrado de forma concisa. A referência ao “livro das crônicas dos reis de Judá” indica que o autor de Reis seleciona o material mais relevante para sua finalidade teológica: mostrar como Deus lida com a fidelidade e a infidelidade ao longo da história. Quando se consideram os relatos paralelos em Crônicas, percebe-se que o quadro é ainda mais complexo, evidenciando que a boa avaliação inicial de Joás não garante um fim bem-sucedido. Isso reforça, dentro da teologia de Reis, a importância da perseverança contínua na aliança, não apenas de um bom começo.
2 Reis 12 coloca em cena temas muito práticos: gestão de recursos, ajustes de sistemas que não funcionam, importância de pessoas confiáveis e desafios de tomar decisões sob pressão. Na primeira parte, o foco na reforma do templo mostra o valor de cuidar do que é fundamental antes de investir em detalhes. O dinheiro não é gasto com taças de prata ou vasos de ouro, mas com estrutura, madeira, pedra, reparo das fendas. Em termos de vida diária, isso remete a priorizar o que sustenta a casa, a família, a fé: relacionamentos, caráter, integridade, mais do que aparências religiosas ou status. O episódio em que o sistema inicial falha é bastante realista. Havia um plano: os sacerdotes receberiam o dinheiro e cuidariam da obra. Na prática, anos se passaram, e nada foi devidamente reparado. A resposta de Joás não é simplesmente culpar e desistir, mas revisar o modelo, cobrar, redefinir responsabilidades e criar um processo mais claro, com cofre, contagem e repasse organizado. Na vida corrente, isso se parece muito com rever orçamentos, práticas de trabalho, divisão de tarefas em família ou igreja quando se percebe que o jeito atual não está gerando o resultado esperado. O texto também valoriza pessoas de confiança. Os homens que recebiam o dinheiro para repassar à obra eram tão reconhecidos por sua fidelidade que nem se exigia detalhamento exaustivo de contas. Em qualquer ambiente – trabalho, ministério, família –, ter gente assim faz enorme diferença. A narrativa sugere a importância de cultivar uma reputação de honestidade e também de escolher, para funções sensíveis, quem já demonstrou caráter consistente. Quando Hazael ameaça Jerusalém, Joás se vê numa encruzilhada: proteger a cidade ou preservar os tesouros consagrados. Ele opta por entregar o ouro do templo e do palácio como tributo. Essa decisão ilustra a tensão entre valores espirituais e estratégias de sobrevivência. Na prática, fala a momentos em que alguém, por medo de perder o emprego, a segurança ou a paz aparente, abre mão de princípios importantes. O texto não oferece uma “fórmula”, mas alerta para o peso dessas escolhas e seus reflexos na trajetória. A morte de Joás lembrando que um bom começo não garante um final saudável reforça, em termos práticos, a necessidade de manutenção: da fé, do caráter, dos relacionamentos. Assim como o templo precisou de reparos contínuos para não ruir, a vida pede cuidado constante, revisões regulares e disposição de corrigir rumos, e não apenas um momento forte de reforma no passado.
2 Reis 12, quando lido em profundidade, fala de uma jornada espiritual que começa com proteção e promessas, passa por um tempo de reforma e zelo, mas termina de forma tensa e quebrada. Joás é um símbolo de como a graça de Deus pode preservar uma vida no meio do caos, e também de como essa mesma vida pode se distanciar do propósito inicial quando não permanece firmada no próprio Deus. O templo em reforma é uma imagem fecunda para a alma. A casa de Deus está lá, com sua história, seus sacrifícios, sua memória da presença divina, mas cheia de fendas. O projeto de restaurá-la, reunindo ofertas ao longo do tempo, com a participação de muitos, indica que a vida espiritual é um processo de longa duração, que envolve colaboração, paciência e fidelidade. Não se trata apenas de iniciar bem, mas de sustentar um caminho de retorno contínuo ao centro da vontade de Deus. A presença de Joiada dirigindo Joás aponta para o papel de mentores, pais na fé, comunidades maduras que nos ajudam a caminhar. Ao mesmo tempo, a forma como o texto condiciona a retidão de Joás à influência de Joiada sugere um chamado a ir além de uma espiritualidade dependente de terceiros. A formação da alma inclui aprender a ouvir a Deus diretamente por meio da Palavra, da oração e da obediência, para que, quando figuras de referência partem, a fé não se esvazie. O uso de tesouros consagrados para afastar Hazael introduz um tema de grande profundidade: o que acontece quando a alma, diante do medo e da ameaça, está disposta a negociar aquilo que foi dedicado a Deus? Em linguagem espiritual, isso se conecta à tentação de relativizar convicções em troca de proteção imediata. O texto mostra que tais escolhas podem preservar algo por um tempo, mas custam caro no nível da integridade diante de Deus. O final da vida de Joás, marcado pela conspiração de servos e pela morte violenta, coloca em contraste um começo cercado pelo templo e um término distante da plenitude do propósito divino. Na perspectiva da eternidade, isso levanta a pergunta sobre o tipo de história espiritual que está sendo construída: não apenas qual foi o ponto de partida, mas qual direção foi assumida ao longo do caminho. Contemplando esse capítulo, a alma é convidada a: - valorizar a obra contínua de Deus em reparar “fendas” internas; - reconhecer o dom de mentores e líderes, sem absolutizá-los; - tratar com seriedade o que é consagrado ao Senhor; - buscar não só um início promissor, mas perseverança até o fim. Em última análise, 2 Reis 12 lembra que Deus permanece fiel à sua aliança, mesmo quando indivíduos se mostram inconstantes. A verdadeira segurança espiritual não está nos cofres, nos acordos ou nas figuras humanas, mas na permanência em Deus, que segue restaurando, chamando e conduzindo a história rumo ao seu propósito eterno.
" Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; "
" A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; "
" Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. "
" Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. "
" E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. "
" Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. "
" Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. "
" E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive. "
" E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos. "
" Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro. "
" De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? "
" Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. "
" Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, "
" Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio. "
" E muito mais manifesto é ainda, se à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote, "
" Que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível. "
" Porque ele assim testifica: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque. "
" Porque o precedente mandamento é abrogado por causa da sua fraqueza e inutilidade "
" (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus. "
" E visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, "
" Mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque, "
" De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. "
" E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, "
" Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. "
" Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. "
" Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; "
" Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. "
" Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre. "
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