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Êxodo 12:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: "

Êxodo 12:1

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1 E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:

2 Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.

3 Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Moisés e Arão receberam do Senhor aquilo que depois deveriam transmitir ao povo a respeito da Páscoa. Antes desse mandamento, veio uma nova forma de contar os meses: “Este mesmo mês vos será o princípio dos meses” (Êxodo 12:1, 2). Até então, o ano começava por volta da metade de setembro, mas, a partir dali, deveria iniciar por volta da metade de março, ao menos no calendário de culto. É apropriado começar o dia, o ano e, sobretudo, a própria vida com Deus.

Esse novo calendário iniciava na primavera, quando a terra se renova, e apontava para Cristo, como diz o Cântico dos Cânticos: “Já passou o inverno” (Cânticos 2:11, 12). Enquanto Moisés trazia as dez pragas sobre o Egito, também preparava Israel para sair às pressas. É possível que ele já os tivesse reunido de seus lugares espalhados, pois aqui são chamados de congregação de Israel (Êxodo 12:3), e Deus lhes deu essas ordens como a um só povo. Suas mentes provavelmente estavam cheias de medo e urgência, mas ainda assim precisavam parar e honrar a Deus com um ato santo.

Isso mostra que, quando a cabeça está cheia de preocupações e as mãos cheias de trabalho, ainda assim é necessário lembrar-se das coisas de Deus e estar pronto para o culto. Deus determinou que, na própria noite em que sairiam do Egito, cada família matasse um cordeiro. Se a família fosse pequena, duas ou três poderiam se reunir e participar juntas de um só cordeiro. O cordeiro devia ser separado quatro dias antes e morto naquela tarde (Êxodo 12:6) como um ato sagrado, ainda que não fosse um sacrifício comum de altar. Era uma forma de agradecer a Deus por protegê-los das pragas sobre o Egito e por tirá-los de lá por meio dessas mesmas pragas. Vemos aqui também a antiga prática da religião em família e a sabedoria de famílias menores se unirem para que o culto fosse mais solene.

O cordeiro que matassem devia ser comido assado, com pães asmos e ervas amargas, porque precisavam comer apressadamente (Êxodo 12:11). Nada deveria ficar até pela manhã, porque Deus queria que confiassem nele pelo pão de cada dia, sem se angustiarem quanto ao amanhã. Aquele que os tirava dali também os sustentaria. Antes de comer o cordeiro, deviam colocar o sangue dele nas ombreiras e na verga da porta (Êxodo 12:7). Isso distinguiria suas casas das casas dos egípcios e guardaria seus primogênitos do anjo destruidor (Êxodo 12:12, 13).

Um juízo terrível cairia sobre o Egito naquela noite. Todos os primogênitos, tanto de pessoas como de animais, morreriam, e o juízo de Deus cairia também sobre os deuses do Egito. Moisés não descreve aqui o resultado disso, mas o menciona em outro lugar (Números 33:4). É muito provável que os ídolos que os egípcios adoravam tenham sido derrubados: os de metal derretidos, os de madeira queimados, e os de pedra despedaçados. Isso provavelmente levou Jetro a declarar: “O Senhor é maior do que todos os deuses” (Êxodo 18:11). O mesmo anjo que feriu os primogênitos destruiu também os ídolos, que eram tão preciosos para eles.

Para a proteção de Israel dessa praga, foi ordenado que colocassem o sangue do cordeiro nas ombreiras. A obediência a esse mandamento mostrava fé no aviso de Deus e confiança em sua palavra. Quando Deus envia aflições gerais, ainda assim pode guardar o seu povo e colocar sobre ele um sinal. Eles podem estar escondidos no céu ou debaixo do céu, guardados tanto do golpe em si como, pelo menos, do seu aguilhão. O sangue da aspersão é a segurança do crente em tempos de perigo comum. Ele o marca como propriedade de Deus, aquieta a consciência e dá ousadia para se aproximar do trono da graça, tornando-se ao mesmo tempo escudo ao redor e linha de separação entre o crente e o mundo.

Essa Páscoa deveria ser celebrada todos os anos como uma festa ao Senhor, e a ela foi acrescentada a Festa dos Pães Asmos, por sete dias (Êxodo 12:14-20). Durante esse período, só podiam comer pão sem fermento, lembrando que precisaram sair do Egito tão depressa que não houve tempo para deixar a massa levedar. O mandamento é repetido com cuidado para que o entendessem corretamente e para despertar, à obediência fiel, aqueles que, no Egito, haviam se tornado descuidados com as coisas de Deus. Havia também muito do evangelho nessa ordenança. O Novo Testamento volta a ela muitas vezes, e, por meio dela, o evangelho foi pregado a nós tão verdadeiramente quanto a eles, embora eles ainda não pudessem ver plenamente o significado de tudo isso (Hebreus 4:2; 2 Coríntios 3:13).

O cordeiro pascal apontava para Cristo, “nossa Páscoa” (1 Coríntios 5:7). Tinha de ser um cordeiro, e Cristo é o Cordeiro de Deus (João 1:29), muitas vezes chamado de Cordeiro em Apocalipse, manso e inocente, silencioso diante dos que o levaram à morte. Devia ser macho de um ano, em pleno vigor e melhor fase (Êxodo 12:5), mostrando a suficiência e o poder do Senhor Jesus, de quem depende o nosso socorro. Tinha de ser sem defeito (Êxodo 12:5), indicando a pureza de Cristo, “cordeiro sem mácula” (1 Pedro 1:19). Até o juiz que o condenou, como se examinasse um sacrifício, declarou que nele não achava culpa.

O cordeiro também deveria ser separado quatro dias antes de ser morto (Êxodo 12:3, 6), apontando para Cristo, escolhido no propósito e na promessa de Deus para ser nosso Salvador. É notável que Cristo tenha sido crucificado na Páscoa e, quatro dias antes, tenha entrado publicamente em Jerusalém, justamente no dia em que o cordeiro pascal era separado. O cordeiro devia ser morto e assado no fogo (Êxodo 12:6-9), apontando para o sofrimento doloroso de Cristo, até a morte na cruz. A ira de Deus é como fogo, e Cristo foi feito maldição em nosso lugar. Ele devia ser morto “entre as duas tardes”, isto é, entre três e seis da tarde, por toda a congregação. Cristo sofreu “na consumação dos séculos” (Hebreus 9:26), pelas mãos dos judeus, toda aquela multidão (Lucas 23:18), e para o bem de todo o seu Israel espiritual. Nenhum osso do cordeiro podia ser quebrado (Êxodo 12:46), o que se cumpre em Cristo (João 19:33, 36), mostrando a força invencível do Senhor Jesus.

A aspersão do sangue também era figura de Cristo. Não bastava o sangue do cordeiro ser derramado, ele precisava ser aplicado, mostrando que os benefícios da morte de Cristo precisam ser trazidos até a nossa alma. É necessário receber a reconciliação que Deus providenciou pela morte de Cristo (Romanos 5:11). O sangue devia ser aspergido com um molho de hissopo (Êxodo 12:22), mergulhado na bacia.

A aliança da graça, como a bacia que continha o sangue, guarda para nós os benefícios do sangue de Cristo. A fé é como o molho de hissopo com o qual aplicamos a nós mesmos as promessas e nos apropriamos das bênçãos compradas pelo sangue de Cristo.

O sangue devia ser posto nas ombreiras e na verga da porta, o que aponta para a confissão aberta que devemos fazer de fé em Cristo e obediência a ele. Não devemos ter vergonha de declarar que dele dependemos. A marca da besta pode ser recebida na testa ou na mão direita, mas o selo do Cordeiro está sempre na testa (Apocalipse 7:3). Há um caminho pelos fundos para o inferno, mas não há caminho oculto para o céu. O caminho para lá é estrada elevada, clara e santa (Isaías 35:8).

O sangue devia ser posto na verga e nas ombreiras, mas não no umbral (Êxodo 12:7). Isso nos adverte a não pisar o sangue da aliança (Hebreus 10:29). É sangue precioso, e assim deve ser para nós. Uma vez aspergido, o sangue protegia os israelitas do anjo destruidor, que nada podia fazer onde encontrasse o sangue. Se o sangue de Cristo for aplicado à nossa consciência, nos guardará da ira de Deus, da maldição da lei e da condenação do inferno (Romanos 8:1).

O ato solene de comer o cordeiro apontava para nosso dever evangélico em relação a Cristo. O cordeiro pascal era morto, não apenas para ser contemplado, mas para ser comido. Da mesma forma, pela fé, precisamos fazer de Cristo nosso, assim como fazemos nosso o alimento ao comê-lo. Devemos também receber dele força e sustento espiritual, e nele encontrar prazer e satisfação, assim como acontece quando, famintos ou sedentos, comemos e bebemos (João 6:53-55).

O cordeiro devia ser comido por completo. Os que se alimentam de Cristo pela fé devem recebê-lo por inteiro: Cristo com o seu jugo e Cristo com a sua cruz, bem como Cristo com a sua coroa. Cristo, porventura, está dividido? Aqueles que tentam “recolher muito” de Cristo, mas sem entregar-lhe todo o coração, acabarão ficando sem nada.

Devia ser comido de uma vez, sem deixar nada para a manhã seguinte (Êxodo 12:10). Cristo é oferecido hoje, e deve ser recebido enquanto se chama hoje, antes que adormeçamos na morte. Era ainda para ser comido com ervas amargas (Êxodo 12:8), para lembrar a amargura da escravidão no Egito. Devemos alimentar-nos de Cristo com tristeza e coração quebrantado, lembrando o nosso pecado. Isso dá um sabor especial ao Cordeiro pascal. Cristo será doce para nós se o pecado for amargo para nós.

Ela deveria ser comida numa postura de quem está pronto para partir (Êxodo 12:11). Quando nos alimentamos de Cristo pela fé, precisamos realmente deixar o domínio e o poder do pecado e sacudir de nós o jugo de Faraó. Também precisamos manter o coração desapegado do mundo e de tudo que há nele, deixar tudo por causa de Cristo e considerar que não fizemos um mau negócio (Hebreus 13:13, Hebreus 13:14).

A festa dos pães sem fermento apontava para a vida cristã (1 Coríntios 5:7, 1 Coríntios 5:8). Tendo recebido Cristo Jesus, o Senhor, devemos guardar uma festa de santa alegria, sempre nos deleitando nele. Nenhum tipo de trabalho deveria ser feito naquele dia (Êxodo 12:16), e não se deveria permitir nenhuma preocupação que estragasse ou enfraquecesse essa santa alegria. Se verdadeiros crentes não vivem como pessoas em contínua festa, a culpa é deles.

Ela também devia ser uma festa de pães sem fermento, guardada em amor, sem o fermento da maldade, e em sinceridade, sem o fermento da hipocrisia. A lei era muito rigorosa quanto à Páscoa, e os judeus eram igualmente rigorosos na prática, para que nenhum fermento fosse achado em suas casas (Êxodo 12:19). Do mesmo modo, todo o velho fermento do pecado precisa ser colocado bem longe de nós, com grande cuidado e profunda aversão, se quisermos guardar a festa de uma vida santa para a honra de Cristo.

Devia ser guardada como ordenança perpétua (Êxodo 12:17). Enquanto vivermos, precisamos continuar nos alimentando de Cristo e nos regozijando nele, sempre lembrando com gratidão as grandes coisas que ele fez por nós.

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