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Mateus 10:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Jesus reuniu seus doze discípulos. Deu-lhes poder para expulsar os espíritos imundos e curar todo mal e toda enfermidade. "
Mateus 10:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Jesus reuniu seus doze discípulos. Deu-lhes poder para expulsar os espíritos imundos e curar todo mal e toda enfermidade.
2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão.
3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.
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Aqui vemos quem Cristo escolheu como seus apóstolos, isto é, seus embaixadores. Eram seus discípulos (Mateus 10:1). Ele já os havia chamado antes para o seguirem de perto e lhes prometera que os faria pescadores de homens; agora cumpre essa promessa. Cristo costuma conceder honra e graça pouco a pouco; como a luz da aurora, ambas vão brilhando mais e mais com o passar do tempo.
Nesse período, Cristo manteve esses doze em um tempo de prova. Ele sabia, desde o princípio, o que havia em cada um, inclusive em Judas (João 6:70), mas usou esse processo como exemplo para a sua igreja. O ministério é um grande depósito de confiança, por isso os homens devem ser provados antes de serem colocados nessa obra. Devem primeiro ser experimentados (1 Timóteo 3:10). Por esse motivo, ninguém deve ser separado para essa função de forma precipitada; deve ser observado como candidato e como alguém em período de prova, pois alguns pecados são logo evidentes, enquanto outros só se manifestam depois (1 Timóteo 5:22).
Cristo também os estava preparando para essa grande tarefa. Aqueles a quem Cristo chama para qualquer obra, ele primeiro capacita, ao menos em certa medida, para ela. Em primeiro lugar, ele os preparou mantendo-os com ele. A melhor preparação para o ministério é conhecer Jesus Cristo e viver em íntima comunhão com ele. Quem deseja servir a Cristo deve primeiro estar com ele (João 12:26). Paulo teve Cristo revelado não apenas a ele, mas nele, antes de anunciá-lo entre os gentios (Gálatas 1:16). Essa comunhão com Cristo deve ser alimentada por uma fé viva, por oração constante e meditação, pois isso é uma qualificação necessária para o ministério.
Em segundo lugar, Cristo os preparou ensinando-os. Estavam com ele como alunos, e ele os instruía em particular, além de seu ensino público. Abriu-lhes as Escrituras e também abriu o entendimento deles para compreenderem as Escrituras. Para eles foram esclarecidos os mistérios do reino dos céus. Quem pretende ensinar deve primeiro aprender; deve receber a verdade antes de poder transmiti-la. Precisa ser apto para ensinar outros (2 Timóteo 2:2). A verdade do evangelho deve primeiro ser confiada àqueles que depois serão enviados como ministros do evangelho. Conceder autoridade de ensino a pessoas sem real capacidade é zombar de Deus e da igreja; é como enviar uma mensagem pela mão de um tolo (Provérbios 26:6). Cristo ensinou seus discípulos antes de enviá-los (Mateus 5:2) e, mais tarde, quando ampliou sua comissão, deu-lhes instrução ainda mais completa (Atos 1:3).
Em seguida, somos informados da comissão que ele lhes deu. Ele os chamou para junto de si (Mateus 10:1). Antes, havia os chamado para o seguirem; agora os chama ainda mais para perto, trazendo-os a uma intimidade maior. Ele não os manteve na mesma distância de antes. Os que se humilham serão exaltados. Sob a lei, dizia‑se que os sacerdotes se chegavam mais a Deus do que o povo, e os ministros do evangelho têm vocação semelhante: são chamados a se aproximar de Cristo. Isso é honra, mas também deve inspirar reverência, lembrando que Cristo será santificado naqueles que se aproximam dele.
É digno de nota que, quando estavam sendo ensinados, foram até ele por iniciativa própria (Mateus 5:1). Mas agora, quando vão ser ordenados, é ele quem os chama. Convém que os discípulos de Cristo sejam mais ávidos por aprender do que por ensinar. Quando reconhecemos nossa própria ignorância, devemos buscar oportunidades para ser instruídos. Do mesmo modo, devemos aguardar um chamado claro antes de tentar ensinar outros, pois ninguém deve tomar para si essa honra.
Ele também lhes deu autoridade, exousia, isto é, direito e poder em seu nome, para exigir obediência das pessoas e, para comprovar essa autoridade, para ordenar também aos demônios. Toda verdadeira autoridade vem de Jesus Cristo. Todo poder lhe foi dado, sem medida, e todos os demais governantes exercem o poder que dele recebem. Ele partilhou parte de sua honra com seus ministros, assim como Moisés repartiu da sua honra com Josué. Isso mostra quão plena é a autoridade de Cristo como Mediador, aquele que está entre Deus e os homens. Ele podia conferir seu poder aos que enviava e capacitá‑los a realizar, em seu nome, as mesmas obras miraculosas que ele realizava.
Ele lhes deu poder sobre espíritos imundos e sobre toda sorte de enfermidade. O propósito do evangelho é vencer o diabo e curar o mundo. Esses pregadores foram enviados sem vantagens externas: não tinham riquezas, nem grande erudição, nem títulos de honra; pareciam muito comuns. Por isso, era necessário que recebessem um poder extraordinário, que os elevasse acima dos escribas.
Ele lhes deu poder contra os espíritos imundos, para os expulsar. O poder concedido aos ministros de Cristo se volta diretamente contra o diabo e seu reino. Como espírito imundo, o diabo atua por meio de falsos ensinos (Apocalipse 16:13) e por meio de uma conduta corrupta (2 Pedro 2:10). Os ministros são colocados contra ele em ambas as frentes. Cristo deu aos apóstolos poder para expulsá-lo dos corpos das pessoas, mas isso também apontava para a derrota do reino espiritual de Satanás e de todas as obras do diabo, pois para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo.
Ele lhes deu ainda poder para curar toda enfermidade. Autorizou‑os a operar milagres para confirmar sua mensagem e mostrar que ela vinha de Deus. Ordenou também que realizassem milagres benéficos, que tornassem claro o propósito do evangelho, mostrando que ele é fiel e digno de toda aceitação. O evangelho existe para curar e salvar. Muitos dos milagres de Moisés foram atos de juízo, e os milagres que Maomé afirmou ter feito eram para exibição. Mas os milagres que Cristo realizou e que mandou seus apóstolos realizarem eram todos para benefício e edificação. Mostram que ele é não apenas o grande Mestre e Governante, mas também o grande Redentor do mundo.
Note-se como o texto ressalta fortemente que o poder deles alcançava toda enfermidade e toda doença, sem exceção, mesmo aquelas que se julga sem cura. Na graça do evangelho, há remédio para toda ferida e toda doença. Nenhuma enfermidade espiritual é tão profunda ou tão teimosa que Cristo não tenha poder suficiente para curá-la. Por isso, ninguém deve dizer que não há esperança, ou que a chaga é larga demais, como o mar, para ser sarada.
Por fim, somos informados do número e dos nomes dos que foram comissionados. Eles são feitos apóstolos, isto é, enviados. Anjo e apóstolo, em sentido básico, significam a mesma coisa: alguém enviado em missão, um embaixador. Todos os ministros fiéis são enviados por Cristo, mas aqueles que foram enviados diretamente por ele em primeiro lugar são chamados de modo especial de apóstolos, como principais ministros em seu reino. Contudo, isso era apenas o início do ofício deles; foi quando Cristo subiu ao alto que deu uns para apóstolos (Efésios 4:11).
O próprio Cristo é chamado de apóstolo (Hebreus 3:1), porque foi enviado pelo Pai, e então enviou também a eles (João 20:21). Os profetas também eram chamados de mensageiros de Deus. O número de apóstolos era doze, correspondendo às doze tribos de Israel, descendentes dos doze filhos de Jacó, os patriarcas, ou fundadores das famílias dessas tribos.
A igreja do evangelho deve ser o verdadeiro Israel de Deus. Os judeus deviam ser convidados em primeiro lugar, e os apóstolos seriam pais espirituais, que conduziriam pessoas a Cristo. Israel segundo a carne seria rejeitado por causa da incredulidade; assim, esses doze foram constituídos pais de outro Israel. Por meio do ensino deles, esses doze haveriam de julgar as doze tribos de Israel (Lucas 22:30). Eram as doze estrelas que formavam a coroa da igreja (Apocalipse 12:1) e os doze fundamentos da nova Jerusalém (Apocalipse 21:12, Apocalipse 21:14). Também eram prefigurados pelas doze pedras preciosas no peitoral de Arão, pelos doze pães da mesa da proposição e pelos doze poços de água em Elim.
Esse foi o famoso colégio, e para completá‑lo, Paulo foi depois acrescentado, sendo designado para examinar a causa entre o Rei dos reis e toda a raça humana. Neste capítulo, o próprio Cristo, a quem foi entregue todo o juízo, lhes dá suas instruções.
Os nomes deles estão escritos aqui, o que faz parte de sua honra. No entanto, tinham motivo ainda maior para se alegrar porque seus nomes estavam escritos nos céus (Lucas 10:20), enquanto os grandes nomes deste mundo caem no pó. Alguns desses doze apóstolos são conhecidos nas Escrituras apenas de nome, como Bartolomeu e Simão, o cananeu, e mesmo assim foram fiéis servos de Cristo e de sua igreja. Nem todos os ministros fiéis são igualmente conhecidos, nem sua obra é igualmente celebrada.
Os nomes dos doze são apresentados em pares, porque, no início, eles foram enviados de dois em dois. Dois são melhores do que um, pois podiam ajudar-se mutuamente e servir a Cristo e às almas com mais eficácia juntos. O que um esquecesse, o outro poderia lembrar, e toda questão seria confirmada por duas testemunhas. Três pares eram irmãos: Pedro e André, Tiago e João, e o outro Tiago e Lebeu. A amizade e a comunhão devem ser mantidas entre parentes e colocadas a serviço da verdadeira fé. É algo excelente quando irmãos segundo a carne são também irmãos na graça, e esses dois laços se fortalecem mutuamente.
Pedro é mencionado em primeiro lugar, porque foi o primeiro chamado, ou porque era o mais ousado entre eles e muitas vezes falava em nome dos demais, e também porque foi apóstolo entre os judeus, os da circuncisão. Mas isso não lhe deu autoridade sobre os outros apóstolos. Não há o menor sinal de qualquer supremacia concedida a ele, nem jamais reivindicada por ele, nesse santo grupo.
Mateus, o autor deste Evangelho, aparece na lista junto com Tomé (Mateus 10:3). Em dois detalhes, essa relação difere dos relatos de Marcos e Lucas (Marcos 3:18; Lucas 6:15). Lá, Mateus é nomeado primeiro, o que provavelmente indica que foi ordenado antes de Tomé. Aqui, em sua própria lista, ele coloca Tomé em primeiro lugar. É bom que os discípulos de Cristo honrem uns aos outros, dando preferência ao irmão.
Nos outros relatos, ele é chamado simplesmente de Mateus. Aqui é chamado Mateus, o publicano, isto é, o cobrador de impostos ou funcionário da alfândega, que foi tirado dessa ocupação vergonhosa para se tornar apóstolo. É bom que aqueles que foram elevados a uma honra em Cristo se lembrem da rocha de onde foram cortados e tragam muitas vezes à memória o que eram antes de Cristo chamá-los. Isso os mantém humildes e dá mais glória à graça divina. Mateus, o apóstolo, era o mesmo Mateus, o publicano.
Simão é chamado de cananita, ou, mais provavelmente, canita, por ser de Caná da Galileia, onde provavelmente nasceu. Ou pode ser chamado de Simão, o zelote, que alguns entendem ser o sentido da palavra traduzida como cananita.
Judas Iscariotes é sempre mencionado por último, e sempre com essa marca sombria em seu nome: “aquele que também o traiu”. Isso mostra que, desde o princípio, Cristo sabia que homem perverso ele era, que tinha um diabo e se tornaria um traidor. Mesmo assim, Cristo o escolheu entre os apóstolos, para que a igreja não se escandalizasse nem desanimasse se, um dia, os piores escândalos aparecessem nas melhores comunidades. Muitas vezes, tais manchas já foram encontradas em nossas refeições de amor, joio no meio do trigo, lobos entre as ovelhas. Mas virá o dia de revelação e separação, em que os hipócritas serão desmascarados e afastados. O apostolado, e os demais apóstolos, não eram piores pelo fato de Judas ser um dos doze, enquanto sua maldade ainda permanecia oculta e não se manifestara abertamente.
Deste capítulo
Mateus 10:2
"Estes são os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão."
Mateus 10:3
"Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu."
Mateus 10:4
"Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor."
Mateus 10:5
"Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, depois de lhes dar as seguintes instruções: “Não vão ao meio dos gentios nem entrem em Samaria;"
Mateus 10:6
"vão antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel."
Mateus 10:7
"Por onde vocês andarem, anunciem que o Reino dos Céus está próximo."
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