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Mateus 11:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Depois de dar instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu para ensinar e pregar nas cidades daquela região. "

Mateus 11:1

menu_book Versículo no contexto

1 Depois de dar instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu para ensinar e pregar nas cidades daquela região.

2 Quando João, em sua prisão, ouviu falar das obras de Cristo, mandou seus discípulos lhe dizerem:

3 “É você aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?”

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auto_stories Comentário Bible Guided

Alguns conectam o primeiro versículo deste capítulo com o anterior, e não sem razão, como sendo o encerramento daquela seção. O sermão de “ordenação” de Cristo aos seus discípulos, no capítulo anterior, é aqui descrito como ele dando ordens a eles. Isso nos lembra que as comissões de Cristo sempre trazem mandamentos. Pregar o evangelho não era apenas permitido a eles, era exigido. Eles não foram deixados livres para decidir se fariam isso ou não; havia sobre eles uma necessidade imposta (1 Coríntios 9:16). As promessas que Cristo lhes fez estão incluídas nesses mandamentos, porque a aliança da graça é uma palavra que ele ordenou (Salmo 105:8). Ele terminou de lhes dar instruções e nada deixou de fora. Jesus completa plenamente a obra que assume.

Quando Cristo terminou tudo o que queria dizer aos discípulos, ele deixou aquele lugar. Parece que eles estavam relutantes em se afastar do Mestre, até que ele mesmo se retirou e se separou deles. Dessa forma, ele se parecia com a ama que, pouco a pouco, solta a criança para que aprenda a andar sozinha. Cristo estava agora ensinando-os a viver e a trabalhar sem a sua presença corporal. Era bom para eles que ele se ausentasse por um tempo, a fim de prepará-los para uma ausência mais longa. Com a ajuda do Espírito, aprenderiam a se firmar e a não permanecer crianças espirituais para sempre (Deuteronômio 33:7). Temos pouco registro do que fizeram em seguida, em obediência à sua comissão. Sem dúvida, saíram, provavelmente em direção à Judeia, porque até então o evangelho havia sido pregado principalmente na Galileia. Eles espalharam o ensino de Cristo e realizaram milagres em seu nome, ainda em estreita dependência dele e sem ficar muito tempo longe dele. Assim foram sendo gradualmente treinados para a grande tarefa.

Cristo partiu para ensinar e pregar nas cidades onde tinha enviado antes seus discípulos para operar milagres (Mateus 10:1-8). Isso elevaria a expectativa do povo e prepararia o caminho para que ele fosse acolhido. Assim o caminho do Senhor foi preparado. João o preparou chamando o povo ao arrependimento, mas ele não fazia milagres. Os discípulos avançaram um passo além, operando milagres para confirmar a mensagem. Arrependimento e fé preparam as pessoas para as bênçãos do reino dos céus, que Cristo concede. Note que, quando Cristo deu a eles poder para realizar milagres, ele próprio continuou ensinando e pregando, como se isso fosse a obra mais elevada. Os milagres curavam corpos, mas a pregação do evangelho salva almas. Cristo tinha dito aos discípulos para pregarem (Mateus 10:7), mas ele mesmo não parou de pregar. Ele os pôs a trabalhar, não para descansar, mas para aliviar o peso sobre a terra. Não ficou menos ativo por ter empregado outros. Quão diferente é Cristo daqueles que fazem os outros trabalharem apenas para que eles mesmos possam viver na ociosidade.

O aumento do número de obreiros na obra do Senhor não deve servir de desculpa para nossa negligência, mas nos estimular a maior empenho. Quanto mais ocupados os outros estiverem, mais ocupados devemos estar. Ainda há trabalho demais por fazer. Cristo foi pregar nas cidades, lugares cheios de gente, onde muitos podiam ouvi-lo. Ele lançou a rede do evangelho onde podia apanhar mais peixes. A sabedoria clama nas cidades (Provérbios 1:21), à porta da cidade (Provérbios 8:3), e nas cidades dos judeus, até mesmo entre aqueles que depois o desprezariam e, ainda assim, tiveram de início a primeira oferta da graça. Não nos é dito o conteúdo de sua pregação ali, mas provavelmente foi semelhante ao seu sermão no monte.

Em seguida, o texto passa à mensagem que João Batista enviou a Cristo e à resposta de Cristo a essa mensagem (Mateus 11:2-6). Antes nos foi dito que Jesus ouviu falar do sofrimento de João (Mateus 4:12). Agora nos é dito que João, na prisão, ouve falar das obras de Cristo. Ele ouviu a respeito das obras de Cristo enquanto estava encarcerado, e certamente se alegrou ao ouvi-las, pois era verdadeiro amigo do noivo (João 3:29). Quando um servo útil é removido, Deus sabe como levantar muitos outros em seu lugar. A obra prosseguiu mesmo com João na prisão, e isso lhe trouxe consolo, não tristeza. Nada consola mais o povo de Deus na aflição do que ouvir falar das obras de Cristo, sobretudo quando experimentam essas obras em sua própria alma. Isso pode transformar a prisão em palácio. De um modo ou de outro, Cristo enviará notícias do seu amor àqueles que sofrem por causa da consciência. João não podia ver as obras de Cristo, mas as ouviu com alegria. Bem-aventurados os que não viram, mas ouviram e creram.

Depois de ouvir sobre as obras de Cristo, João Batista enviou dois de seus discípulos até ele. O que se passou entre eles e Cristo é registrado aqui. Primeiro vem a pergunta que receberam ordem de fazer: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” Era uma pergunta séria e importante. És tu o Messias prometido, ou não? És o Cristo? Diz-nos claramente. Parte-se do pressuposto de que o Messias viria, pois esse era um dos nomes pelos quais os santos do Antigo Testamento o conheciam: “aquele que vem” ou “há de vir” (Salmo 118:26). Agora ele veio, embora ainda haja outra vinda sua que continuamos a aguardar.

Eles também dão a entender que, se ele não for o Messias, continuarão à procura de outro. Não devemos nunca nos cansar de esperar por aquele que há de vir, nem dizer que deixaremos de esperá-lo até desfrutá-lo plenamente. Ainda que demore, espera-o, pois o que há de vir virá, ainda que não seja em nosso tempo. Mas, se estivessem convencidos de que Jesus é o Messias, não permaneceriam em dúvida nem continuariam buscando outro. Perguntam: “És tu aquele?” João já havia dito, por si mesmo: “Eu não sou o Cristo” (João 1:20). Alguns pensam que João enviou essa pergunta para sua própria certeza. Ele havia dado um testemunho notável a respeito de Cristo. Declarara que ele é o Filho de Deus (João 1:34), o Cordeiro de Deus (João 1:29), aquele que batizaria com o Espírito Santo (João 1:33) e o Enviado de Deus (João 3:34). Essas eram grandes verdades, e mesmo assim ele desejava uma certeza mais plena de que Jesus era o Messias há muito prometido.

Em assuntos que dizem respeito a Cristo e à nossa salvação por meio dele, é bom estar plenamente seguro. Cristo não apareceu com o esplendor exterior e o poder que muitos esperavam. Até mesmo seus próprios discípulos tropeçaram nisso, e talvez João também. Cristo percebeu algo disso nessa pergunta, quando disse: “Bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim.” É difícil, mesmo para pessoas piedosas, permanecer firmes contra erros muito espalhados. A dúvida de João pode também ter vindo de sua situação presente.

João estava na prisão e pode ter sido tentado a pensar assim: se Jesus é mesmo o Messias, por que seu amigo e precursor foi deixado tanto tempo em aflição? Por que Jesus não veio vê-lo, não mandou recado, não perguntou por ele, nem fez algo para aliviar sua prisão ou tirá-lo dela mais depressa? Havia certamente uma boa razão para o Senhor Jesus não ir a João na prisão, para que ninguém imaginasse haver algum acerto particular entre eles. Contudo, João pode ter sentido isso como descuido, e isso poderia abalar sua fé em Cristo.

Aqui aprendemos que a verdadeira fé ainda pode ser misturada com incredulidade. Até os melhores crentes nem sempre são igualmente fortes. As aflições que vêm por causa de Cristo, especialmente quando se prolongam sem alívio, podem provar a fé de maneira tão severa que pareçam quase insuportáveis. A incredulidade remanescente no coração de pessoas piedosas pode, em uma hora de tentação, golpear a raiz e levá-las a questionar verdades que julgavam já firmemente estabelecidas.

“Rejeitará o Senhor para sempre?” Ainda assim podemos esperar que a fé de João não tenha falhado aqui, mas apenas que ele desejasse vê-la fortalecida e confirmada. Até os melhores santos precisam da melhor ajuda possível para reforçar a fé e prevenir a incredulidade. Abraão creu, e no entanto pediu um sinal (Gênesis 15:6, 15:8), e Gideão fez o mesmo (Juízes 6:36).

Outros pensam que João enviou seus discípulos a Cristo com essa pergunta, não tanto por causa de si mesmo, mas por causa deles. Embora João estivesse na prisão, eles permaneciam com ele, serviam-no e estavam dispostos a aprender com ele. Amavam-no e não o abandonavam. Ainda eram fracos de entendimento e vacilantes na fé, por isso precisavam de instrução e confirmação.

Eles tinham certo viés. Por serem muito dedicados ao seu mestre, eram zelosos por ele e, de certa forma, contra Jesus. Eram lentos em admitir que Jesus era o Messias, pois isso significaria que João teria menos destaque. Também relutavam em crer em João, se pensassem que ele falava contra si mesmo e contra eles. Pessoas piedosas muitas vezes deixam que seus próprios interesses influenciem suas opiniões. João queria que essa má compreensão fosse corrigida e desejava que eles ficassem tão plenamente satisfeitos quanto ele próprio já estava.

Os fortes devem considerar a fraqueza dos fracos e fazer o que puderem para ajudá‑los. Quando não conseguimos ajudar a nós mesmos, devemos ir àqueles que podem. “E tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.” João também vinha, aos poucos, entregando seus discípulos a Cristo, como um aluno que sai de uma escola inferior para uma mais elevada. Ele talvez percebesse que sua morte se aproximava e, por isso, desejava que seus discípulos conhecessem melhor a Cristo antes de deixá‑los sob os cuidados dele.

Esse é o trabalho dos ministros: encaminhar todos a Cristo. Quem quer saber com certeza o que Cristo ensina precisa ir a ele, pois é ele quem dá entendimento. Quem deseja crescer na graça precisa estar disposto a perguntar e aprender.

A resposta de Cristo vem em (Mateus 11:4-6). Não é tão direta quanto quando ele disse: “Eu sou, eu que falo contigo”, mas é uma resposta real, dada em atos. Cristo quer que lidemos com os sinais claros da verdade do evangelho e que nos esforcemos para buscar o conhecimento.

Ele aponta para aquilo que eles ouviram e viram, e manda que o relatem a João, para que João use as próprias palavras deles para instruí‑los e convencê‑los de modo mais completo. “Ide e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes.” Nossos sentidos podem e devem ser usados para aquilo que lhes é próprio. Por isso, o ensino católico romano de uma presença corporal real na Ceia do Senhor não se ajusta à verdade como está em Jesus, porque Cristo nos remete ao que ouvimos e vemos.

Digam a João o que vocês veem do poder manifestado nos milagres de Cristo. Vocês veem que, pela palavra de Jesus, cegos veem, coxos andam, e assim por diante. Os milagres de Cristo foram feitos às claras, diante de todos, porque não temiam um exame atento e justo. A verdade não se esconde.

Esses milagres devem ser vistos como atos de poder divino. Só o Deus que fez a natureza poderia contrariar e ultrapassar a natureza dessa forma. A Escritura diz especialmente que pertence a Deus abrir os olhos dos cegos (Salmo 146:8). Os milagres são como o grande selo do céu, e o ensino ligado a eles precisa ser da parte de Deus. Seu poder nunca irá contra a sua verdade, e ele não colocaria seu selo sobre uma mentira. Falsos ensinos podem ser apoiados por sinais e prodígios de mentira, mas verdadeiros milagres provam uma comissão divina. Os milagres de Cristo fizeram isso e não deixaram dúvida de que ele foi enviado por Deus e que seu ensino veio do Pai que o enviou.

Eles também são cumprimento de profecia divina. Foi predito que, quando Deus viesse, então se abririam os olhos dos cegos (Isaías 35:5, 35:6). Como as obras de Cristo se ajustam com tanta clareza às palavras do profeta, ele é certamente o Deus que esperávamos, aquele que havia de vir com recompensa e socorro. Ele é aquele de que tanto precisamos.

Depois, digam a João o que vocês ouvem da pregação do evangelho de Cristo, que anda junto com seus milagres. A fé é fortalecida pela visão, mas vem pelo ouvir. Digam‑lhe, primeiro, que os pobres pregam o evangelho, como alguns traduzem. Isso também comprova a missão divina de Cristo, porque os homens que ele usou para estabelecer seu reino eram pobres, sem vantagens deste mundo. Eles jamais teriam tido êxito se um poder divino não os conduzisse.

Ou pode significar que os pobres são aqueles a quem o evangelho é pregado. O auditório de Cristo era formado por pessoas que os escribas e fariseus desprezavam e tratavam com desdém, e que os rabinos não queriam ensinar porque não podiam pagar. Os profetas do Antigo Testamento foram muitas vezes enviados a reis e príncipes, mas Cristo pregava a multidões de pobres. Foi predito que “os pobres do rebanho” o aguardariam (Zacarias 11:11). A bondade e a compaixão de Cristo para com os pobres mostram que ele realmente veio trazer a terna misericórdia de Deus ao mundo. Também foi anunciado que o Filho de Davi seria o Rei do pobre (Salmo 72:2, 72:4, 72:12, 72:13).

Podemos tomar isso também como referência aos pobres de espírito, não apenas aos pobres em bens materiais. Então se cumpre a profecia: “O Senhor me ungiu para pregar boas‑novas aos mansos” (Isaías 61:1). Isso mostra a missão divina de Cristo, porque sua mensagem é realmente boa nova para os que são verdadeiramente humilhados pela tristeza pelo pecado e que verdadeiramente negam a si mesmos. O evangelho se ajusta ao povo para o qual Deus sempre disse que a misericórdia estava preparada.

Digam também a João que os pobres recebem o evangelho e são transformados por ele. Eles se colocam sob sua influência, o recebem, o acolhem e são moldados por ele, como a massa é trabalhada em uma forma. O poder maravilhoso do evangelho é, por si só, prova de que ele veio de Deus. Os pobres são transformados por ele.

Os profetas se queixaram de que os pobres não conheciam o caminho do Senhor (Jeremias 5:4). Eles podiam fazer pouco por eles. Mas o evangelho de Cristo abriu caminho em mentes que não haviam sido instruídas. Cristo também pronunciou uma bem‑aventurança sobre os que não se escandalizam nele (Mateus 11:6). Suas provas eram tão claras que qualquer um que não fosse teimosamente parcial contra ele, e que não se escandalizasse dele, acabaria recebendo seu ensino e sendo abençoado nele.

Muitas coisas em Cristo facilmente ofendem pessoas ignorantes ou descuidadas. Alguns rejeitam seu evangelho por causa das partes de que não gostam. Tropeçam na simplicidade de sua aparência, em sua origem em Nazaré, na pobreza de sua vida, na baixa condição de seus seguidores, na maneira como as pessoas importantes o trataram, no rigor de seu ensino, em seu confronto com os desejos humanos e no sofrimento que acompanha a confissão de seu nome. Essas coisas afastam muitos dele, embora ainda possam ver muito de Deus nele. Assim, ele é posto para queda de muitos, mesmo em Israel (Lucas 2:34), e é “pedra de tropeço” (1 Pedro 2:8).

Felizes são aqueles que se elevam acima desses tropeços. Bem‑aventurados são eles. As palavras mostram que vencer tais preconceitos é difícil e que não fazê‑lo é perigoso. Mas os que ainda crêem em Cristo, apesar de toda essa oposição, encontrarão sua fé conduzindo cada vez mais a louvor, honra e glória.

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