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Gênesis 1:26 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”. "

Gênesis 1:26

menu_book Versículo no contexto

24 Deus disse: “Que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo a sua espécie”. E assim se fez.

25 Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie, os animais domésticos igualmente e, da mesma forma, todos os animais que se arrastam sobre a terra. E Deus viu que isso era bom.

26 Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”.

27 Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus; criou o homem e a mulher.

28 Deus os abençoou, dizendo: “Frutifiquem, multipliquem-se, encham a terra e submetam-na. Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Agora chegamos à segunda parte da obra do sexto dia: a criação do homem. Devemos prestar especial atenção a isso, porque aqui aprendemos a respeito de nós mesmos. O homem foi feito por último dentre todas as criaturas, para que ninguém imaginasse que ele ajudou a Deus a criar o mundo. Aquela pergunta de Deus deve humilhar todo ser humano: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (Jó 38:4).

Mas ser criado por último também foi honra e bondade. Honra, porque na criação Deus foi passando do menos perfeito ao mais perfeito. Bondade, porque o homem não foi colocado em sua habitação real antes que ela estivesse completamente preparada. Assim que o homem foi criado, tinha diante de si todo o mundo visível, para desfrutar e investigar.

O homem foi feito no mesmo dia que os animais, porque o seu corpo foi formado do mesmo pó da terra que os deles. Enquanto vive no corpo, ele compartilha com eles o mesmo mundo. Porém nunca devemos usar o corpo e seus desejos de modo que nos tornemos semelhantes aos animais que perecem.

A criação do homem foi um ato mais direto e marcante da sabedoria e do poder de Deus do que a dos demais seres. O relato é introduzido com especial solenidade. Antes, Deus dizia: “Haja luz”, “Haja firmamento”, ou “Produza a terra”. Agora a linguagem assume forma de conselho: “Façamos o homem”. Esta era a obra para a qual todo o restante da criação vinha preparando o caminho, e Deus fala como quem vai tomar esta obra em suas próprias mãos.

Nos primeiros atos da criação, Deus fala com autoridade. Aqui ele fala com amor, pois “as suas delícias estão com os filhos dos homens” (Provérbios 8:31). É como se ele, há muito pronto para essa obra, dissesse agora: “As preparações terminaram; façamos o homem”. O homem seria diferente de tudo o que havia sido feito até então, unindo carne e espírito, terra e céu, pertencendo de certo modo a ambos os mundos. Por isso Deus não só cria o homem, mas fala como se convocasse um conselho: “Façamos o homem”.

As três pessoas da Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, unem-se nesta obra, porque o homem foi criado para se dedicar ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Com razão somos batizados neste grande nome, pois a este grande nome devemos a nossa existência. Governe o homem aquele que disse: “Façamos o homem”.

O homem foi criado à imagem de Deus e conforme a sua semelhança, duas expressões que, em essência, apontam para a mesma realidade e se reforçam mutuamente. Elas indicam a mais estreita semelhança que se encontra em qualquer criatura visível. O homem não foi feito semelhante a nenhuma criatura anterior, mas semelhante ao seu Criador. Ainda assim, a distância entre Deus e o homem é infinita. Só Cristo é a imagem exata do ser de Deus, como Filho do Pai, participante da mesma natureza.

Ao homem é dado apenas um pequeno reflexo da glória de Deus, como uma sombra num espelho, ou como a imagem de um rei gravada numa moeda. Essa imagem de Deus no homem se manifesta de três formas.

Primeiro, aparece em sua natureza e constituição, especialmente em sua alma, não em seu corpo, pois Deus não tem corpo. Mas Deus também honrou o corpo humano, já que o Verbo se fez carne, e o Filho de Deus assumiu um corpo como o nosso. E em breve revestirá também nosso corpo com uma glória semelhante à sua. Podemos dizer, sem receio, que Aquele por meio de quem Deus fez os mundos — não só o grande mundo, mas também o homem, o pequeno mundo — formou o corpo humano desde o princípio segundo o modelo que ele mesmo viria a assumir.

Mas é principalmente a alma do homem que traz a imagem de Deus. A alma é espírito, espírito inteligente e imortal, ativo e poderoso; nisso se assemelha a Deus, o Pai dos espíritos. “A lâmpada do Senhor é o espírito do homem.” A alma humana, com suas três nobres faculdades — entendimento, vontade e força ativa — é talvez o espelho mais claro na criação para se perceber algo de Deus.

Segundo, a imagem de Deus aparece na posição e autoridade do homem. “Façamos o homem à nossa imagem” e “domine ele”. Ao ter domínio sobre as criaturas inferiores, o homem permanece na terra como representante de Deus, seu vice-regente. Os animais não podem conhecer, temer e servir a Deus como o homem pode; por isso Deus os constituiu para temer e servir ao homem. Contudo, o domínio que o homem exerce sobre si mesmo, pela liberdade de sua vontade, manifesta mais a imagem de Deus do que o seu domínio sobre as outras criaturas.

Terceiro, a imagem de Deus aparece na pureza e retidão do homem. Essa imagem consiste em conhecimento, justiça e verdadeira santidade (Efésios 4:24; Colossenses 3:10). “Deus fez o homem reto” (Eclesiastes 7:29). Todas as suas faculdades naturais estavam em harmonia estável com toda a vontade de Deus. Sua mente via as coisas divinas de modo claro e verdadeiro, sem erro. Sua vontade concordava livremente com a vontade de Deus, sem resistência. Seus afetos eram ordeiros; não havia desejos ou paixões desenfreadas. Seus pensamentos se voltavam com facilidade para as coisas boas e ali permaneciam, sem vaidade nem desordem. As faculdades inferiores de sua natureza estavam plenamente sujeitas à direção das superiores, sem rebelião e sem inquietação.

Tão santos, tão felizes eram nossos primeiros pais, portando a imagem de Deus. E essa dignidade original nos dá forte razão para não falarmos mal uns dos outros (Tiago 3:9), para não nos ferirmos mutuamente (Gênesis 9:6), para não nos rebaixarmos ao serviço do pecado, mas sim nos entregarmos ao serviço de Deus. Porém, quão longe caímos, ó filho da alva! Quão profundamente foi danificada essa imagem de Deus no homem! Quão pouco restou, e quão grande é a ruína! Que o Senhor a restaure em nossas almas por sua graça salvadora.

O homem foi também criado macho e fêmea, e abençoado com o dom da fertilidade e multiplicação. Deus disse: “Façamos o homem”, e em seguida lemos: “Assim Deus criou o homem”. Ele cumpriu o que havia determinado. Em nós, falar e fazer são coisas diferentes. Com Deus não é assim. Ele os criou macho e fêmea, Adão e Eva, Adão primeiro da terra e Eva de seu lado, como será explicado no capítulo 2.

Parece que Deus fez muitos casais entre as outras criaturas; mas, quanto ao homem, fez só um? (Malaquias 2:15). Cristo usa esse fato para argumentar contra o divórcio (Mateus 19:4-5). Nosso primeiro pai, Adão, recebeu apenas uma esposa. Se a tivesse despedido, não haveria outra para tomar em seu lugar. Isso mostrava claramente que o vínculo do casamento não foi instituído para ser rompido ao bel-prazer.

Os anjos não foram criados macho e fêmea, porque não foram destinados a gerar descendência (Lucas 20:34-36). Mas o homem foi feito macho e fêmea para que a natureza humana pudesse ser transmitida e a raça continuasse. Fogueiras e velas, luzes deste mundo inferior, espalham luz consumindo-se; já as luzes do firmamento são diferentes. Estrelas não produzem outras estrelas.

Deus fez apenas um homem e uma mulher para que todas as nações soubessem que procedem de um mesmo sangue, de uma mesma família. Isso deveria mover as pessoas a se amarem umas às outras. E, tendo-os feito capazes de transmitir a natureza que haviam recebido, Deus lhes disse: “Frutificai, multiplicai-vos e enchei a terra”.

Nessa ordem, Deus lhes concedeu uma grande herança: “Enchei a terra”. Esse é o dom concedido aos filhos dos homens. Eles foram feitos para habitar sobre a face de toda a terra (Atos 17:26). Este é o lugar em que Deus colocou o homem para servir à sua providência, isto é, ao seu governo sábio, sobre as criaturas inferiores. O homem deve ser aquele que recebe conscientemente os dons de Deus, dos quais as outras criaturas desfrutam sem entendimento. Ele deve recolher o louvor a Deus neste mundo inferior e elevá-lo aos céus (Salmo 145:10). E deve viver aqui como alguém sendo preparado para uma vida melhor.

Deus também lhes deu uma grande e duradoura família para usufruir dessa herança, e os abençoou para que seus filhos se espalhassem até os confins da terra e se sucedesse uma geração após a outra. A fertilidade e o aumento dependem da bênção de Deus. Obede-Edom, homem do tempo de Davi, teve oito filhos, porque Deus o abençoou (1 Crônicas 26:5). É por causa desse primeiro mandamento e dessa bênção que a raça humana ainda existe e que uma geração passa e outra vem.

Além disso, ao criar o homem, Deus lhe deu domínio sobre as criaturas inferiores, sobre os peixes do mar e as aves do céu. Embora o homem não cuide deles como cuida de si mesmo, tem poder sobre ambos e, muito mais ainda, sobre todo animal que se move sobre a terra, pois estes estão mais próximos dele e mais sob seu cuidado. Deus quis, com isso, honrar o homem, para que o homem sentisse, por sua vez, um dever mais forte de honrar o seu Criador. Esse domínio foi muito enfraquecido e danificado pela queda em pecado; no entanto, a providência de Deus ainda deixa ao homem suficiente autoridade para a segurança e a manutenção da vida. E a graça de Deus concedeu aos crentes um direito novo e melhor sobre as criaturas do que aquele que foi perdido pelo pecado, pois tudo é nosso se somos de Cristo (1 Coríntios 3:22).

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