Versículo em destaque
Atos 16:16 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. "
Atos 16:16
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
14 E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.
15 E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso.
16 E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.
17 Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.
18 E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.
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Paulo e seus companheiros haviam permanecido algum tempo em Filipos sem chamar muita atenção, mas agora as pessoas começaram a notar sua presença. Uma jovem escrava, possessa de um espírito de adivinhação, passou a expô-los publicamente, proclamando que eram servos de Deus. Essa jovem lembra as sacerdotisas que davam os oráculos de Apolo em Delfos, controladas por um espírito maligno. Por meio dela, o diabo dava respostas obscuras aos que a consultavam, alimentando a curiosidade sobre o futuro, mas muitas vezes enganando e desviando as pessoas. Naqueles dias de ignorância, incredulidade e idolatria, Deus permitia que o diabo conduzisse os homens como quisesse. O diabo não teria obtido tanta adoração se não fingisse oferecer oráculos, pois seu domínio se mantinha tanto pelas mentiras quanto pelo poder usurpado, isto é, pela falsa pretensão de ser o governante deste mundo.
Essa jovem dava grande lucro aos seus senhores com as adivinhações. As pessoas a procuravam para descobrir coisas perdidas, saber de roubos e, especialmente, ouvir o que lhes aconteceria. Ninguém vinha sem pagar pela consulta, e o valor variava conforme a pessoa e o assunto. Provavelmente havia muitos adivinhos semelhantes, mas esta moça parece ter alcançado maior fama do que os demais, já que proporcionava grande ganho aos seus donos.
Ela encontrou Paulo e seus companheiros quando eles iam à oração, à casa de oração ou, mais provavelmente, ao lugar onde costumavam se reunir para orar (Atos 16:16). Eles iam abertamente, de modo que todos sabiam para onde se dirigiam e o que estavam fazendo. Se o comportamento da jovem tinha a intenção de distraí-los, isso mostra como Satanás é astuto, pois gosta de nos interromper justamente quando estamos em atos de adoração e de perturbar nossa paz exatamente quando mais precisamos de serenidade.
A jovem os seguia e clamava: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo, e vos anunciam o caminho da salvação.” O que ela dizia era verdade, e era um grande elogio aos fiéis pregadores do evangelho, semelhante à honra mencionada em (Romanos 10:15). Embora fossem homens comuns, sujeitos às mesmas fraquezas que todos, ainda assim eram servos do Deus Altíssimo. Serviam a Deus, carregavam sua mensagem e trabalhavam em favor do seu Reino. Os deuses adorados pelos gentios eram seres inferiores, não verdadeiros deuses. Aqueles homens pertenciam ao Deus verdadeiro e supremo, que está acima de todos e a quem todos prestarão contas. Por isso, as pessoas deveriam honrá-los e ouvi-los por amor ao Senhor que eles representavam, sendo perigoso desprezá-los.
Ela também dizia que eles mostravam o caminho da salvação. Mesmo os pagãos tinham alguma noção de que os seres humanos estão em estado miserável e precisam ser resgatados, e tentavam encontrar respostas para essa necessidade. Na prática, ela estava afirmando que aqueles homens estavam revelando às pessoas aquilo que elas tinham buscado em vão por meio de seus falsos sacerdotes e oráculos. No evangelho de seu Filho, Deus revelou claramente o caminho da salvação e nos mostrou o que devemos fazer para sermos libertos da ruína que o pecado trouxe sobre nós.
Mas como isso poderia sair da boca de uma jovem com espírito de adivinhação? Estaria Satanás dividido contra si mesmo? Ele elogiaria aqueles cuja obra é justamente destruir seu poder? Isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, pode ter sido uma confissão arrancada à força por Deus, para honra do evangelho, assim como o diabo foi constrangido a confessar sobre Cristo: “Bem sei quem és: o Santo de Deus” (Marcos 1:24). A verdade às vezes é honrada até pelas palavras de seus inimigos, que acabam testemunhando contra si mesmos. Cristo pode ter desejado que as palavras daquela jovem servisse de testemunho contra os habitantes de Filipos que rejeitassem e perseguissem os apóstolos. O evangelho não precisava de tal apoio, mas ainda assim havia uma honra adicional em o próprio oráculo em que confiavam declarar que os apóstolos eram servos de Deus.
Em segundo lugar, o espírito maligno pode ter tido a intenção de prejudicar o evangelho. Alguns entendem que a jovem queria conquistar ainda mais confiança para si mesma e suas profecias, ou ganhar o favor de Paulo, para que ele não a expulsasse. Outros pensam que Satanás, que sabe se disfarçar em anjo de luz, usou esse elogio para desmoralizar os apóstolos. Poderia tentar fazer com que as pessoas julgassem que aqueles pregadores pertenciam à mesma categoria dos adivinhos. Então, muitos prefeririam continuar com o que já conheciam. Os que tinham mais probabilidade de crer nos apóstolos seriam justamente os que eram contrários à adivinhação, e esse testemunho público poderia deixá-los desconfiados do evangelho. Quanto àqueles que admiravam os adivinhos, o diabo talvez os considerasse já firmes em seu engano.
Cristo também fez com que os apóstolos fossem notados ao lhes dar poder para expulsar o diabo daquela jovem. Ela continuou clamando isso por muitos dias (Atos 16:18). A princípio, parece que Paulo não tomou providência alguma, talvez supondo que Deus poderia usar aquelas palavras para beneficiar a causa do evangelho. Mas, quando ficou claro que aquilo produzia mais dano do que bem, ele pôs fim àquela situação, expulsando o espírito maligno.
Paulo se entristeceu. Doeu-lhe ver aquela jovem sendo usada por Satanás para enganar as pessoas e ver as pessoas iludidas por ela. Perturbava-o ouvir uma verdade santa proclamada de maneira tão profana, vinda de uma fonte tão impura e com intenções tão malignas. É possível até que ela falasse em tom de zombaria e escárnio, como se fosse uma gozação contra os apóstolos, assim como os inimigos de Cristo o saudaram com “Salve, Rei dos judeus”, em tom de deboche. Qualquer pessoa piedosa se entristeceria ao ouvir uma palavra verdadeira de Deus sendo gritada pelas ruas como se fosse brincadeira.
Então Paulo ordenou que o espírito maligno saísse dela.
Ele se voltou com santa indignação, aflito tanto pela lisonja quanto pelos insultos do espírito maligno, e disse: “Em nome de Jesus Cristo, eu te mando que saias dela.” Dessa forma, Paulo mostrou que aqueles homens eram servos do Deus vivo e que podiam provar isso sem precisar do testemunho da jovem. Na verdade, o silêncio dela demonstraria essa verdade até mais claramente do que suas palavras.
Paulo também mostrou o verdadeiro caminho da salvação. Ele consiste em quebrar o poder de Satanás e amarrá-lo, para que não possa mais enganar o mundo (Apocalipse 20:3). Essa salvação se encontra somente no nome de Jesus Cristo, pois o diabo foi expulso por esse nome e por nenhum outro. Foi uma grande bênção para aquela região quando Cristo expulsou o diabo daquele homem que amedrontava as pessoas e as impedia de passar por aquele caminho (Mateus 8:28). Mas foi uma bondade ainda maior quando Paulo, em nome de Cristo, expulsou o diabo de uma mulher que, enganando o povo, se aproveitava de sua confiança.
A palavra de Cristo vinha acompanhada de poder. Satanás não podia resistir a ela e teve de soltar sua presa, embora a tivesse firmemente dominada. “Na mesma hora saiu dela.”
Os senhores da jovem, agora liberta do espírito, trataram de fazer com que Paulo e seus companheiros fossem notados, arrastando-os diante das autoridades e acusando-os de crime. Se não tivessem sido tratados como malfeitores, os pregadores do evangelho talvez jamais tivessem tido oportunidade de falar perante os governantes. Note-se o que mais os enfureceu: quando a jovem voltou a si, os seus donos perceberam que a esperança de lucro tinha acabado (Atos 16:19). Aqui se vê quão perverso é o amor ao dinheiro. Se a pregação do evangelho prejudicou o negócio dos ourives (Atos 19:24), quanto mais atingiria o comércio dos adivinhos. Por isso, levantou-se grande alvoroço quando o poder enganador de Satanás foi quebrado.
Os sacerdotes odiaram o evangelho porque ele afastava o povo do culto cego a ídolos mortos, o que significava perda de ganhos. O poder de Cristo, revelado ao libertar aquela mulher, e a misericórdia demonstrada a ela não lhes causaram nenhuma impressão, tão logo perceberam que seu dinheiro lhes seria tirado.
Em seguida, trataram de atiçar as autoridades contra Paulo e Silas, como se fossem homens dignos de castigo. Agarraram-nos enquanto seguiam seu caminho e, com grande fúria, arrastaram-nos até a praça do mercado, onde se administrava a justiça pública. Primeiro, os levaram aos pretores, os magistrados locais. Depois, depressa os conduziram aos magistrados principais, os juízes e governadores da cidade, e apresentaram ali sua queixa.
A acusação era que estes homens estavam perturbando toda a cidade (Atos 16:20). Partiram do fato de que eles eram judeus, povo que, naquele tempo, os romanos desprezavam quase tanto quanto, em tempos antigos, os egípcios haviam desprezado os israelitas. Era uma grande aflição para os apóstolos ver que o fato de serem judeus era usado como insulto, embora muitos dos seus maiores perseguidores também fossem judeus.
A acusação geral era de que estavam transtornando a cidade, provocando divisão e perturbando a ordem pública. Isso era totalmente falso e injusto, como a acusação de Acabe contra Elias: “És tu o perturbador de Israel?” (1 Reis 18:17). Se, de algum modo, eles perturbavam a cidade, era como a agitação das águas no tanque de Betesda, que servia para cura e para um repouso melhor depois (João 5:4, contexto). Da mesma forma, os que despertam os que dormem costumam ser acusados de perturbá-los.
A prova que apresentaram foi que Paulo e Silas ensinavam costumes que não deviam ser aceitos em uma colônia romana (Atos 16:21). Os romanos eram sempre desconfiados de mudanças religiosas. Certo ou errado, apegavam-se firmemente às tradições recebidas de seus antepassados. Não permitiam que um deus estrangeiro ou novo fosse introduzido sem aprovação do senado. Seus próprios deuses, fossem verdadeiros ou falsos, tinham de continuar sendo seus deuses. Isso fazia parte da lei das Doze Tábuas. Os apóstolos os irritaram porque anunciavam uma fé que destruía a idolatria e o politeísmo, o culto a muitos deuses. Pregavam que as pessoas deviam se afastar dessas coisas vazias. Os romanos não suportavam isso e temiam: “Se isso se espalhar, logo perderemos nossa religião.”
A atitude dos magistrados tornou os apóstolos ainda mais notórios em público. Ao apoiarem a perseguição, atiçaram a multidão contra eles (Atos 16:22). A turba se levantou de comum acordo e parecia pronta para despedaçá-los. Satanás muitas vezes tem usado esse artifício, fazendo com que os ministros e o povo de Deus pareçam odiosos às pessoas comuns, apresentando-os como homens perigosos, que querem destruir o governo e mudar os costumes. Na verdade, não havia motivo algum para uma acusação desse tipo.
Ao prosseguirem com o castigo, os magistrados os fizeram parecer o pior tipo de criminosos. Rasgaram-lhes as roupas com raiva e impaciência, sem esperar que as vestes fossem retiradas antes da surra. Paulo mais tarde faz referência a esse sofrimento em Filipos (1 Tessalonicenses 2:2). Os magistrados ordenaram que fossem açoitados pelos lictores, ou oficiais, que serviam aos pretores e carregavam varas exatamente para esse fim. Esta foi uma das três vezes em que Paulo foi vergastado com varas, segundo o costume romano, que não tinha o limite judaico de quarenta açoites. Lucas diz que “lhe deram muitos açoites” (Atos 16:23), sem dizer quantos, porque, aos olhos daqueles juízes, eles valiam tão pouco (Deuteronômio 25:3).
Poder-se-ia pensar que isso já satisfaria a crueldade deles. Se os homens tinham de ser açoitados, talvez então fossem postos em liberdade. Mas não: foram lançados na prisão, e é provável que as autoridades pretendessem depois julgá-los à morte. De outro modo, por que ter tanto cuidado para que não escapassem? Os juízes deram ordens rigorosas ao carcereiro para que os guardasse com segurança, vigiando-os de perto, como se fossem homens perigosos, que tentariam fugir ou tivessem aliados para libertá-los. Assim, procuravam difamar os apóstolos para justificar o tratamento duro que lhes haviam imposto.
O carcereiro tornou o cativeiro deles ainda mais severo (Atos 16:24). Recebera ordem para guardá-los com segurança, e poderia fazer isso na parte externa da prisão. Em vez disso, empurrou-os para o cárcere interior. Sabia que os magistrados estavam irados com aqueles homens e queria ser rigoroso, então tentou ganhar o favor deles usando seu poder da forma mais dura possível.
Quando os magistrados são cruéis, não é de espantar que os oficiais debaixo deles também o sejam. Ele colocou Paulo e Silas no cárcere interior, o calabouço onde normalmente só ficavam os condenados à morte. Provavelmente era escuro mesmo ao meio-dia, úmido, frio, imundo e repugnante em todos os sentidos, semelhante ao poço em que Jeremias foi lançado (Jeremias 38:6).
Como se isso não bastasse, prendeu-lhes os pés no tronco. Talvez tivesse ouvido falar das escapadas dos apóstolos da prisão, mesmo quando as portas estavam bem fechadas (Atos 5:19; Atos 12:9). Se foi assim, pode ter pensado que conseguiria fazer melhor do que outros carcereiros e mantê-los totalmente seguros, colocando-os no tronco.
Paulo e Silas não foram os primeiros mensageiros de Deus a sofrer desse modo. Jeremias foi tratado assim também, e em público, na porta de Benjamim (Jeremias 20:2). José teve seus pés apertados com grilhões igualmente (Salmo 105:18). Os servos de Deus muitas vezes foram tratados com extrema crueldade, tanto em tempos antigos como posteriores. As histórias dos mártires, inclusive nos dias da rainha Maria, mostram isso com clareza.
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Deste capítulo
Atos 16:1
"E chegou a Derbe e Listra. E eis que estava ali um certo discípulo por nome Timóteo, filho de uma judia que era crente, mas de pai grego;"
Atos 16:2
"Do qual davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra e em Icônio."
Atos 16:3
"Paulo quis que este fosse com ele; e tomando-o, o circuncidou, por causa dos judeus que estavam naqueles lugares; porque todos sabiam que seu pai era grego."
Atos 16:4
"E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém."
Atos 16:5
"De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número."
Atos 16:6
"E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia."
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