Versículo em destaque
Salmos 73:21 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins. "
Salmos 73:21
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
19 Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores.
20 Como um sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a aparência deles.
21 Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins.
22 Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti.
23 Todavia estou de contínuo contigo; tu me sustentaste pela minha mão direita.
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Agora o salmista transforma a amarga lição da tentação em ganho espiritual. Como no enigma de Sansão, em que “do que devora saiu comida, e do forte saiu doçura” (Juízes 14:14), aquilo que quase o arruinou tornou-se fonte de sabedoria. Deus não permitiria que seu povo fosse tentado se a sua graça não fosse suficiente para guardá-lo em segurança e até fazê-lo crescer por meio disso.
Ele primeiro aprendeu a pensar com humildade sobre si mesmo e a colocar a culpa em si diante de Deus. Ele olha para trás, envergonhado, pelo transtorno e pelo perigo que trouxe a si mesmo ao dar lugar à tentação e discutir com ela. Quando diz: “Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins”, ele quer dizer que sua dor interior era intensa e profunda, como uma forte dor nos rins. Pensamentos maus nunca são um deleite doce para uma pessoa piedosa, mas um peso. Paulo falou de provação semelhante como “um espinho na carne” (2 Coríntios 12:7).
Essa tentação, uma mistura de inveja e descontentamento, foi especialmente dolorosa. Se esse espírito permanece no coração, torna-se como “a podridão dos ossos” (Provérbios 14:30). Mesmo que apenas passe por um tempo, ainda assim é como uma ferroada aguda. O desgosto murmurador é um pecado que traz em si mesmo a sua correção, porque fere a própria pessoa que se entrega a ele.
Por isso o salmista admite: “Assim tão tolo eu era.” Ele foi o seu próprio atormentador, e sabe disso. Pessoas inclinadas a reclamar deveriam aprender a dizer o mesmo e envergonhar-se de seu descontentamento. Ele também confessa: “Tão ignorante eu era; era como um animal diante de ti.” Os animais vivem só para o presente e não olham adiante; ele tinha agido de modo semelhante. Ele deveria ter sabido que não fazia sentido invejar os ímpios só porque pareciam prosperar. Quando pessoas piedosas caem em pecado por um tempo, depois olham para trás com tristeza, vergonha e aversão de si mesmas. Falam de si como insensatos, como fizeram Jó e outros (Provérbios 30:2; Jó 42:5-6; 2 Samuel 24:10).
Dessa confissão, ele passa a uma nova declaração da graça de Deus. “Todavia”, diz ele, “contigo estou sempre; tu me seguraste pela minha mão direita.” Isso pode significar que Deus cuidou dele o tempo todo, mesmo quando a vida era difícil. Embora ele tivesse se queixado de ser afligido o dia todo (Salmo 73:14), agora corrige a si mesmo. Deus não o havia rejeitado. Estivera perto, presente e fiel, e o tinha impedido de abandoná-lo ou desabar debaixo de seus fardos. Se temos sido guardados no caminho do dever e sustentados em nossa integridade, devemos atribuir essa preservação à graça livre de Deus. Se ele manteve viva em nós a vida espiritual, a promessa da vida eterna, não temos direito de reclamar das tribulações presentes.
Também pode significar que o salmista está pensando em seu recente livramento dessa tentação. Embora fosse tolo e ignorante, Deus ainda teve compaixão dele e o instruiu (Hebreus 5:2). Nossa indignidade não impede a graça livre de Deus. Não nos preservamos na tentação por nossa própria sabedoria, pois somos tolos e ignorantes. Somos guardados pela presença graciosa de Deus e pela intercessão de Cristo, para que a nossa fé não desfaleça. Ele está dizendo, em essência, que seus pés quase se desviaram, e teriam escorregado sem remédio, se Deus não tivesse segurado sua mão direita.
Isso o leva a ter esperança para o futuro. O Deus que o livrou desse mal o guardará até o céu, como Paulo afirma: “O Senhor me livrará de toda má obra e me levará salvo para o seu reino celestial” (2 Timóteo 4:18). Visto que Deus já o sustentou, também o guiará com seu conselho e depois o receberá na glória (Salmo 73:24). Essa é a plena felicidade dos santos, e tira qualquer motivo para invejar o sucesso dos pecadores.
Todos os que se entregam a Deus serão guiados por seu conselho, por sua Palavra e por seu Espírito, os melhores guias que alguém pode ter. O salmista quase pagou caro por confiar em seu próprio entendimento nessa tentação, por isso se decide a buscar o conselho de Deus no futuro e segui-lo. E todos os que são guiados por Deus nesta vida serão recebidos em sua glória na vida futura. Se desejamos que Deus seja glorificado em nós, ele fará de nossa alegria eterna com ele o alvo final da nossa esperança. Com isso em vista, devemos deixar de invejar os pecadores e, em vez disso, alegrar-nos na bem-aventurança que já temos. Se Deus nos dirige no dever e nos impede de nos desviarmos, depois nos receberá em seu reino e sua glória. A esperança dessa acolhida final ajuda a aquietar as providências sombrias que agora nos perturbam e alivia a dor causada por pensamentos tentadores.
Essa experiência também aproximou ainda mais o salmista de Deus e o deixou mais firme e contente na escolha que havia feito. Seu coração agora descansa com prazer na felicidade encontrada em Deus, que ele vê como muito maior do que a prosperidade dos ímpios.
Ele percebeu que tinha pouca razão para invejar o que os outros possuíam nas coisas criadas, quando via quão mais abundante, melhor, mais segura e mais doce era a consolação que ele tinha no Criador. Também viu o quanto tinha motivo para ser grato por isso. Antes, ele havia se queixado de seus problemas (Salmo 73:14), mas agora eles lhe pareciam leves e fáceis de suportar. Tudo está bem se Deus é meu.
Aqui ouvimos o anseio de uma alma santa por Deus e o seu descanso nele. Para o piedoso, isso que ele encontra em Deus é o que o sucesso dos mundanos é para eles em sua imaginação. “Quem tenho eu nos céus senão a ti?” Poucos versículos dos Salmos são mais comoventes do que este. Ele mostra uma alma que se eleva para Deus, o segue de perto e, ao mesmo tempo, está plenamente satisfeita nele.
Em primeiro lugar, supõe-se que Deus, somente ele, é a felicidade e o sumo bem do ser humano. Só quem fez a alma pode fazê-la feliz. Ninguém no céu ou na terra pode ocupar esse lugar além dele. Em segundo lugar, isso mostra o movimento do coração em direção a Deus, à luz dessa verdade. Se Deus é nossa felicidade, então precisamos tê-lo. Devemos escolhê-lo e ter certeza de que pertencemos a ele. De que adianta se ele é a felicidade das almas, se não for a felicidade da nossa alma, e se não o fizermos nosso, pela fé viva, unindo-nos a ele em aliança eterna?
Se Deus é nossa felicidade, então nosso desejo deve se voltar para ele, e nosso prazer deve estar nele. As palavras expressam as duas coisas. Devemos desfrutar do que já temos de Deus e ansiar pelo que ainda esperamos receber dele. Nossos desejos não devem apenas se elevar a Deus, mas terminar nele. Não devemos querer nada mais do que Deus e, ao mesmo tempo, desejar sempre mais de Deus. Isso está incluído em todas as nossas orações: “Senhor, dá-nos a ti mesmo.” E está contido em todas as promessas: “Eu serei o seu Deus” (Jeremias 31:33). “O desejo da nossa alma é pelo teu nome” (Isaías 26:8).
Devemos também preferi-lo acima de tudo o que desejamos. “Não há outro em quem eu me compraza na terra.” Não há ninguém a buscar, em quem confiar, a cortejar ou por quem ansiar, além dele. Deus é mais glorioso em si mesmo do que qualquer ser celestial (Salmo 89:6), e deve ser muito mais desejável aos nossos olhos. Há seres excelentes no céu, mas só Deus pode nos fazer felizes. O seu favor vale mais do que o orvalho do céu, mais do que a boa influência das estrelas, mais do que a comunhão com os santos no céu e mais do que o serviço dos anjos ali.
“Na terra não há quem eu deseje além de ti.” Não é apenas no céu, lugar distante e pouco conhecido para nós, mas também na terra, onde temos muitos amigos e muitas preocupações presentes. O mundo atrai os desejos da maioria das pessoas, mas ele diz que não há pessoa, coisa, posse ou prazer que ele queira além de Deus, ou ao lado de Deus, em comparação com Deus ou em competição com Deus. Não devemos desejar nada além de Deus, exceto o que desejamos por causa dele; e nada além do que pedimos a ele e podemos perder, se ele compensar essa falta com a sua própria presença. Não devemos querer nada além de Deus como se fosse necessário para completar a nossa felicidade com ele.
Se Deus é nossa felicidade, então devemos descansar nele com plena satisfação (Salmo 73:26). Aqui se supõe uma grande angústia: “A minha carne e o meu coração desfalecem.” Outros já passaram por isso, e nós também passaremos. O corpo desfalece por causa da enfermidade, da idade e da morte. O que atinge os ossos e a carne nos fere profundamente, porque atinge a parte de nós mesmos que muitas vezes amamos demais. Quando a carne desfalece, o coração está pronto a desfalecer também. A coragem, a direção e o consolo parecem ceder.
Mas, nessa angústia, é dado um forte socorro: “Deus é a força do meu coração e a minha porção para sempre.” As pessoas santas, em suas maiores aflições, se apoiam em Deus como sua força espiritual e sua herança eterna. Ele é a força do meu coração, a rocha do meu coração, um fundamento firme que suporta o meu peso e não cede. Eu já o encontrei assim, ainda o encontro assim e espero sempre encontrá-lo assim.
Na aflição que ele descreveu, falou de duas fraquezas: carne e coração. Mas, no alívio, ele se apoia em um único amparo. Ele deixa de lado a carne e o que acontece com ela. Basta-lhe que Deus seja a força do seu coração. Fala como alguém que já não está preocupado com o corpo, pois sabe que ele vai falhar e não há remédio para isso, mas que se importa profundamente com a alma, para que o ser interior seja fortalecido. Deus também é a sua porção para sempre. Ele não apenas o sustentará enquanto viver neste mundo, mas o fará bem-aventurado quando o deixar. Os santos escolhem Deus como sua porção, e de fato o têm como porção. A alegria deles está em saber que ele será sua porção para sempre, enquanto durar a alma imortal.
Ele também estava plenamente convencido do estado miserável de todos os ímpios. Aprendeu isso no santuário e jamais esqueceria (Salmo 73:27). Os que estão longe de Deus, em estado de distância e separação, e que desejam que o Todo-Poderoso os deixe em paz, certamente perecerão. Esse será o fim deles. Eles escolhem permanecer longe de Deus, e ficarão longe dele para sempre. Deus, com justiça, destruirá todos os que se desviam dele em infidelidade, isto é, todos os que se ligaram a ele por profissão, mas o abandonam, deixando o dever para com ele e a comunhão com ele, para seguir outro “amante”.
A sentença é severa: nada menos que perecer e ser destruído. É universal: todos eles, sem exceção. É certa: “Tu tens destruído”, como se já estivesse consumada, e a queda de alguns ímpios é um sinal de alerta da destruição dos demais. O próprio Deus toma essa causa em suas mãos, e é coisa terrível cair nas mãos dele. Embora seja infinitamente bom, ainda assim defenderá sua honra ofendida e responderá pela sua paciência abusada destruindo os que se desviam dele em infidelidade.
Com isso, ele se sentiu grandemente animado a apegar-se a Deus e confiar nele (Salmo 73:28). Se os que estão longe de Deus perecem, que isso nos leve a viver em comunhão com ele. Se é tão ruim o fim dos que dele se afastam, então é bom, verdadeiramente bom, o sumo bem, a melhor coisa que alguém pode buscar e conseguir nesta vida, chegar-se a Deus e ter Deus chegando-se a nós. O original permite incluir as duas ideias. Mas, da parte dele, é como se dissesse: a proximidade de Deus é o meu bem. O nosso chegar-nos a Deus começa com o fato de ele se chegar a nós, e esse encontro feliz é o que traz a bênção.
Aqui se declara uma grande verdade: é bom aproximar-se de Deus. Mas a força dessa verdade está na apropriação pessoal: “é bom para mim”. As pessoas sábias sabem o que é bom para si mesmas. “É bom”, ele diz, e todo homem piedoso concorda, “é bom para mim chegar-me a Deus. É meu dever. É a minha vantagem.”
Vivamos, portanto, em constante dependência de Deus. Devemos ser capazes de dizer: “Pus a minha confiança no Senhor Deus, e jamais me desviarei dele para confiar em qualquer criatura.” Se os ímpios, apesar de todo o seu sucesso, ainda assim hão de perecer e ser destruídos, então devemos confiar no Senhor Deus. Confiar nele, não neles (ver Salmo 146:3-5). Confiar nele, não em nosso sucesso terreno. Confiemos em Deus, sem nos inquietar por causa deles, nem temê-los. Confiemos nele em busca de uma porção melhor que a deles.
Enquanto fizermos isso, não devemos duvidar de que teremos motivos para louvar o seu nome. Confiamos no Senhor para que possamos anunciar todas as suas obras. Os que sinceramente põem sua confiança em Deus nunca ficarão sem motivos para agradecê-lo.
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Deste capítulo
Salmos 73:1
"Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração."
Salmos 73:2
"Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos."
Salmos 73:3
"Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios."
Salmos 73:4
"Porque não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força."
Salmos 73:5
"Não se acham em trabalhos como outros homens, nem são afligidos como outros homens."
Salmos 73:6
"Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno."
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