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Lucas 7:19 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E João, chamando dois dos seusdiscípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? "

Lucas 7:19

menu_book Versículo no contexto

17 E correu dele esta fama por toda a Judéia e por toda a terra circunvizinha.

18 E os discípulos de João anunciaram-lhe todas estas coisas.

19 E João, chamando dois dos seusdiscípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?

20 E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?

21 E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Todo esse ensino sobre João Batista vem depois de João ter enviado pessoas para perguntar se Jesus era o Messias. O mesmo relato aparece de forma mais detalhada em (Mateus 11:2-19). Aqui vemos a mensagem de João para Cristo e a resposta de Cristo.

A primeira questão a ser levantada sobre Cristo é se ele é aquele que havia de vir para salvar os pecadores, ou se devemos esperar outro (Lucas 7:19, Lucas 7:20). Deus prometeu enviar um Salvador, seu Rei ungido, e podemos confiar que ele fará o que prometeu, no tempo dele. Se Jesus é esse Messias prometido, devemos recebê-lo e não esperar por mais ninguém. Se não fosse, então deveríamos continuar esperando, mesmo que parecesse demorar.

O próprio João Batista, ou pelo menos os discípulos de João, ainda precisavam de mais certeza sobre isso. Cristo ainda não havia se declarado abertamente como o Cristo, e não queria que os seus discípulos falassem disso antes que a sua ressurreição desse plena prova. Os líderes judeus não o haviam reconhecido, e ele não parecia ser o tipo de governante que o povo esperava da linhagem de Davi. Nada em sua vida exterior mostrava poder ou esplendor reais, por isso não era estranho que perguntassem se ele era o Messias. Se não fosse, esperavam que ele os apontasse para o verdadeiro.

Cristo deixou que as suas próprias obras falassem por ele. Enquanto os mensageiros de João estavam com ele, naquela mesma hora ele curou muitas pessoas, o que pode indicar que eles ficaram apenas um curto tempo. Curou doenças, expulsou espíritos malignos que perturbavam a mente das pessoas com loucura ou profunda tristeza, e deu vista a muitos cegos. Fez muitas curas de uma só vez, para que ninguém pudesse pensar que se tratava de engano.

Então mandou que eles voltassem e contassem a João o que tinham visto (Lucas 7:22). Mesmo o povo simples podia raciocinar assim, como em (João 7:31): quando o Messias vier, fará mais milagres do que estes? Esses milagres faziam mais do que provar sua autoridade; também mostravam qual era a sua missão. O Messias veio para curar um mundo enfermo, dar luz aos que estão assentados em trevas e vencer os espíritos malignos.

Cristo acrescentou a esse testemunho a obra no reino da graça, o reino em que Deus governa no coração das pessoas. Ele declarou que boas-novas estavam sendo anunciadas aos pobres (Lucas 7:22). Isso era conhecido como uma das marcas do Messias, pois ele foi ungido para pregar boas-novas aos quebrantados (Isaías 61:1) e para salvar as almas dos pobres e necessitados (Salmo 72:13). Assim, eles deveriam julgar se poderiam esperar alguém que se enquadrasse melhor nos sinais e no propósito do Messias do que Jesus.

Ele também advertiu sobre o perigo de se escandalizar dele, mesmo diante de provas tão claras de que ele era o Messias (Lucas 7:23). “Bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim” significa: é bem-aventurado quem não tropeça em Cristo nem o rejeita. Vivemos em um tempo de prova, e essa prova traz luz suficiente para satisfazer quem busca com sinceridade, mas também tropeços suficientes para desmascarar os corações descuidados e mundanos.

A origem de Cristo em Nazaré, sua vida na Galileia, a condição simples de sua família, sua pobreza e a simplicidade de seus seguidores tornaram-se obstáculos para muitos. Nem mesmo os milagres foram suficientes para fazê-los superar esses preconceitos. Mas verdadeiramente bem-aventurado, sábio, humilde e bem disposto é aquele que não se deixa afastar por essas coisas. Isso mostra a graça de Deus operando nele, e ele será abençoado em Cristo.

Em seguida, Cristo falou com grande honra sobre João Batista, mas esperou até que os mensageiros de João tivessem ido embora, para que não parecesse elogio vazio (Lucas 7:24). Ele queria que a multidão pensasse sobre o que tinha ido ver no deserto e sobre quem João realmente era.

João era um homem de caráter firme. Não era como uma cana agitada pelo vento, mudando a cada pressão. Se tivesse se inclinado diante de Herodes e se ajustado aos costumes da corte, poderia ter recebido favores ali, mas nada o afastou do seu dever.

Também era um homem de grande abnegação, um forte exemplo de renúncia às comodidades do mundo. Não se vestia com roupas finas nem vivia em luxo (Lucas 7:25). Pelo contrário, vivia no deserto, vestia-se e alimentava-se de modo condizente com aquela vida. Em vez de tratar o corpo com mimos, mantinha-o sob disciplina.

João era profeta, com chamada e instruções vindas diretamente de Deus, não de homens. Ele nasceu sacerdote, mas Jesus não menciona isso aqui, porque sua obra como profeta era maior. De fato, ele era mais do que profeta (Lucas 7:26), maior do que qualquer dos profetas do Antigo Testamento, pois eles falaram de Cristo à distância, enquanto João falou dele como já presente.

Ele também foi o precursor de Cristo, o enviado adiante para preparar o caminho. O Antigo Testamento já havia falado dele em (Lucas 7:27) e (Malaquias 3:1): “Eis que envio o meu mensageiro diante da tua face”. Antes de enviar o próprio Mestre, Deus enviou um mensageiro para anunciar sua vinda e preparar o povo para recebê-lo. Se o Messias viesse como rei terreno, como os judeus carnais esperavam, seu mensageiro teria vindo com aparato militar ou cerimônia real. Mas João veio pregando arrependimento e mudança de vida, o que mostra que o reino de Cristo não era deste mundo.

Por isso João era tão grande, que nunca houve profeta maior do que ele nascido de mulher. Os profetas estavam entre as pessoas mais elevadas e honradas, acima de reis e príncipes, e João se destacava acima de todos eles. A nação não percebeu que tipo de homem inestimável tinha entre si enquanto João Batista pregava e batizava.

E, no entanto, o menor no reino de Deus é maior do que ele. O mais humilde ministro do evangelho, se o Senhor lhe concedeu misericórdia para torná-lo hábil e fiel em sua obra, ou o menor dos apóstolos e primeiros pregadores do evangelho, serve em uma condição muito melhor do que aquela em que João Batista serviu. O menor que segue o Cordeiro brilha mais do que o maior que veio antes dele. Assim, os que vivem debaixo do evangelho possuem mais luz e mais privilégios e, portanto, terão mais responsabilidade.

Cristo então faz um justo juízo sobre o povo daquela época, que não foi tocado nem pelo ministério de João Batista nem pelo próprio Jesus. Primeiro ele mostra como João foi tratado com desprezo enquanto pregava e batizava. Quem lhe deu honra foram apenas as pessoas comuns, que, para os orgulhosos deste mundo, pareciam mais motivo de vergonha do que de crédito para ele (Lucas 7:29). O povo simples, a multidão muitas vezes desprezada, e os publicanos, homens de má reputação por causa de sua conduta solta ou da fama que tinham, foram batizados com o batismo de João e tornaram-se seus discípulos.

Esses eram claros testemunhos da graça de Deus, mas não tornavam João admirável aos olhos do mundo. Ainda assim, por seu arrependimento e mudança de vida, eles justificaram a Deus, isto é, mostraram a sabedoria de Deus e a retidão do seu caminho em enviar João como precursor do Messias. A resposta deles provou que o ministério de João era o melhor caminho possível, mesmo que outros não tivessem proveito algum. O que foi desperdiçado para muitos não foi desperdiçado para eles.

Os grandes da nação, os líderes religiosos e os eruditos, que poderiam ter honrado João aos olhos do mundo, fizeram de tudo para desonrá-lo. Eles o ouviram, mas não foram batizados por ele (Lucas 7:30). Os fariseus, muito respeitados por sua religiosidade, e os doutores da lei, conhecidos por seu saber e conhecimento das Escrituras, rejeitaram o desígnio de Deus quanto a eles. Tornaram inútil, para eles mesmos, a graça oferecida por meio do batismo de João. Deus havia enviado aquele mensageiro com um propósito bondoso, visando o bem e a salvação deles. Se tivessem aceitado o conselho de Deus, isso teria sido para o proveito deles. Mas recusaram, e isso se voltou contra eles, para sua própria ruína.

Eles perderam a bênção preparada para eles e, mais ainda, afastaram de si a graça de Deus. Colocaram um obstáculo no próprio caminho e, ao rejeitar a preparação que deveria dispor seus corações para o reino do Messias, acabaram se excluindo dele. Não apenas deixaram de entrar, mas também impediram outros, colocando-se em seu caminho.

Cristo também mostra a estranha obstinação daquela geração na maneira como se queixou tanto de João quanto dele próprio. Trataram os esforços de Deus para lhes fazer o bem como se fosse uma espécie de brincadeira (Lucas 7:31). “A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são eles semelhantes?” Eles são como crianças sentadas na praça, que não se importam com nada sério e só querem brincar. É como se todas as maneiras pelas quais Deus tenta ajudá-los fossem apenas um divertimento, como as crianças que brincam na praça pública (Lucas 7:32). Eles reagiam a tudo com zombaria e não eram mais tocados por isso do que por um jogo de crianças.

Esta é a ruína de muitas pessoas. Elas nunca aprendem a levar a sério o cuidado de suas almas. Até mesmo líderes já maduros, sentados em conselhos, eram como crianças na praça do mercado, indiferentes às coisas que diziam respeito à sua paz eterna. Que espantosa insensibilidade e vazio existem no mundo cego e sem Deus. Que o Senhor as desperte de sua falsa segurança.

Eles sempre encontravam algo para criticar. João Batista era um homem reservado e austero. Passava muito tempo em solidão, e deveria ter sido admirado como humilde, sóbrio e abnegado, e ouvido como um homem ponderado. Mas o que deveria ter sido sua honra foi transformado em motivo de acusação. Porque não vinha comendo nem bebendo de modo livre e aberto como os outros, diziam: “Ele tem um demônio”. Chamavam-no de sombrio, estranho, até possesso, como o endemoninhado que vivia entre os sepulcros, embora João não fosse nem de longe tão descontrolado.

Nosso Senhor Jesus era diferente em seu modo de viver. Ele veio comendo e bebendo (Lucas 7:34). Aceitava convite para comer com fariseus, embora soubesse que eles não o amavam, e com publicanos, embora soubesse que eles não lhe traziam honra alguma. Ainda assim, convivia com ambos na esperança de lhes fazer o bem. Isso mostra que os servos de Cristo podem ter temperamentos muito diferentes, e maneiras muito diferentes de pregar e viver, e ainda assim todos serem úteis. Há diversos dons, mas cada um é dado para o proveito de outros. Por isso, ninguém deve fazer de si mesmo o padrão para todos os demais, nem falar com dureza daqueles que não agem exatamente como ele.

João Batista deu testemunho de Cristo, e Cristo elogiou João, ainda que seus modos de vida fossem tão diferentes. Mas os inimigos que ambos tinham em comum atacaram os dois. Os mesmos que diziam que João era louco porque não vinha comendo nem bebendo, diziam que Jesus era moralmente corrupto porque vinha comendo e bebendo. “É um comilão e beberrão”, afirmavam. Corações maus jamais falam bem. Veja a maldade dos ímpios: dão o pior sentido possível a tudo o que veem no evangelho, e nos pregadores e seguidores dele. Pensam que estão rebaixando-os, mas na verdade estão se arruinando a si mesmos.

Ainda assim, Deus será honrado ao salvar o remanescente escolhido (Lucas 7:35). A sabedoria é justificada por todos os seus filhos. Há alguns que pertencem à sabedoria como seus filhos, e pela graça de Deus são levados a se submeter à sua direção e governo. Desse modo, eles confirmam que a sabedoria está certa nos métodos que usa para conduzi-los a essa submissão, porque esses métodos produzem efeito neles e se mostram bem escolhidos. Os filhos da sabedoria são unidos nisto: todos se alegram nos caminhos da graça que a sabedoria divina emprega, e não os consideram menos valiosos porque alguns zombam deles.

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