Versículo em destaque
Lucas 23:44 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; "
Lucas 23:44
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
42 E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
43 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.
44 E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol;
45 E rasgou-se ao meio o véu do templo.
46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.
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Nesses versículos vemos três coisas.
Primeiro, a morte de Cristo é tornada ainda mais impressionante pelos sinais que a acompanharam. Dois são mencionados aqui, e já os vimos antes. Um foi o escurecimento do sol ao meio-dia. Era quase a hora sexta, cerca de meio-dia, e trevas cobriram toda a terra até à hora nona. O sol foi como que eclipsado, e o ar se encheu de nuvens densas, de modo que a escuridão foi muito profunda. Durou três horas, não três dias, como a escuridão no Egito.
O outro sinal foi o rasgar do véu do templo. A primeira maravilha aconteceu nos céus, e esta no templo, pois ambos são, por assim dizer, casas de Deus. Quando o Filho de Deus foi tratado com tamanha vergonha, esses lugares, como se fosse, manifestaram seu luto. Com o rasgar do véu, Deus mostrou que a lei cerimonial, o sistema de regras e sacrifícios do templo, estava sendo retirada. Ela tinha sido como um muro separando judeus e gentios, e também se colocava como obstáculo ao livre acesso a Deus. Agora podemos nos aproximar com ousadia do trono da graça.
Segundo, a morte de Cristo é explicada pelas palavras que ele pronunciou ao entregar o espírito (Lucas 23:46). Jesus havia clamado com grande voz ao dizer: “Por que me desamparaste?”, como relatam Mateus e Marcos. Ao que tudo indica, também disse em alta voz estas palavras, para mostrar a intensidade do seu coração e para que todos pudessem ouvir: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” Ele toma essas palavras de seu pai Davi (Salmo 31:5). Cristo não precisava que alguém pusesse palavras em sua boca, mas escolheu as de Davi para mostrar que o Espírito de Cristo falava por meio dos profetas do Antigo Testamento, e que ele veio para cumprir as Escrituras. Ele morreu com as Escrituras nos lábios, ensinando-nos a usá-las quando oramos a Deus.
Nessa oração ele chama Deus de Pai. Quando se queixara de ter sido desamparado, dissera: “Deus meu, Deus meu.” Mas agora, passada a mais profunda angústia, ele diz: “Pai.” Ao entregar sua vida e sua alma por nós, chama Deus de Pai por nossa causa, para que, por meio dele, recebamos a adoção de filhos, isto é, sejamos recebidos como filhos de Deus. Ao mesmo tempo, ele fala aqui de um modo que lhe é próprio como Mediador, em seu papel salvador entre Deus e os homens. Estava prestes a oferecer sua alma pelo nosso pecado, a dar sua vida em resgate por muitos, e, pelo Espírito eterno, a oferecer a si mesmo (Isaías 53:10; Mateus 20:28; Hebreus 9:14). Ele era ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício. Nossas almas estavam perdidas por causa do pecado, e a alma dele tinha de ir em lugar delas para resgatá-las.
O preço precisava ser pago a Deus, o ofendido pelo pecado, pois Cristo se comprometera a satisfazê-lo plenamente. Assim, nessas palavras, Cristo oferece o sacrifício. É como se ele colocasse a mão sobre a cabeça da oferta e a entregasse. A expressão significa: “Eu a coloco, eu a deposito em tuas mãos.” Ele está dizendo: “Pai, recebe minha vida e minha alma no lugar das vidas e almas dos pecadores por quem eu morro.” A boa vontade de quem oferecia era necessária para que a oferta fosse aceita. Aqui Cristo mostra a disposição voluntária de seu coração, assim como quando o plano da redenção lhe foi apresentado: “Eis que venho para fazer, ó Deus, a tua vontade”, por cuja vontade somos santificados, separados para Deus (Hebreus 10:9-10).
Cristo também manifesta sua confiança no Pai quanto à sua ressurreição, quando sua alma e seu corpo seriam unidos novamente. Ele entrega seu espírito nas mãos do Pai para ser recebido no paraíso e restituído no terceiro dia. Isso mostra que nosso Senhor Jesus não tinha apenas um corpo verdadeiro, mas também uma alma racional, uma alma humana real que existiu separadamente do corpo por algum tempo. Nisso foi feito semelhante a seus irmãos. Ele colocou essa alma nas mãos do Pai e a deixou sob seus cuidados, confiante de que não permaneceria no hades, o estado invisível dos mortos, tempo suficiente para que seu corpo visse a corrupção.
Cristo também nos deu aqui um exemplo. Ele, por assim dizer, separou as palavras de Davi para o uso de crentes na hora da morte. Na morte, nossa principal preocupação deve ser com nossas almas. Não podemos providenciar nada melhor para elas do que entregá-las agora a Deus como Pai, para que seu Espírito e sua graça as santifiquem e guiem, e, então, na morte, confiá-las a ele para serem plenamente santas e felizes. Mostramos que estamos dispostos a morrer, que cremos na vida além desta, e que a desejamos, quando dizemos: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”
Terceiro, a morte de Cristo causou forte impressão nos que a presenciaram. O centurião, o oficial que comandava a guarda, foi profundamente tocado pelo que viu (Lucas 23:47). Ele era romano, gentio, estranho às esperanças de Israel, e mesmo assim glorificou a Deus. Nunca tinha visto sinais tão claros do poder divino, e por isso louvou a Deus como Todo-Poderoso. Também deu um testemunho claro a favor daquele que sofria injustamente: “Na verdade, este homem era justo e foi morto injustamente.” A maneira como Deus manifestou seu poder em honra de Jesus era uma prova forte de sua inocência. Em Mateus e Marcos, o testemunho do centurião vai ainda mais longe: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus.” Aqui, porém, isso vem a ser o mesmo, pois, se ele era justo, então era de fato aquilo que dizia ser, o Filho de Deus. E, se sua própria declaração fosse falsa, ele não poderia ter sido um homem justo.
O povo que estava ali, e que não tinha interesse direto no processo, também foi afetado (Lucas 23:48). Toda a multidão que se ajuntara para ver aquele espetáculo, ao presenciar o que acontecera, voltou para casa mais séria por algum tempo, qualquer que fosse o estado de espírito com que tinha chegado. Batiam no peito e se retiravam. Por um momento, sentiram o peso do que fora feito. Julgaram que tinha sido uma maldade dar-lhe a morte, e não puderam deixar de temer que Deus castigasse a nação por isso. É bem provável que muitos fossem dos mesmos que tinham gritado: “Crucifica-o”, e zombado dele quando foi pregado na cruz. Mas agora, as trevas, o terremoto e o modo extraordinário como ele morreu os encheram de temor. Sua boca se calou, e a consciência se agitou. Em remorso, como o publicano, feriam o peito, golpeando o próprio coração de indignação contra si mesmos. Alguns entendem que isso foi um primeiro passo em direção à boa obra que mais tarde se realizaria neles, quando foram “compungidos em seu coração” (Atos 2:37).
Ainda assim, parece que essa impressão não durou. Bateram no peito e foram para casa. Não demonstraram mais respeito a Cristo, nem procuraram saber mais sobre ele. Temos motivos para temer que logo tenham esquecido tudo. De modo semelhante, muitos que veem Cristo claramente exposto diante deles, crucificado na Palavra e nos sacramentos, são tocados por um momento, mas isso não permanece. Batem no peito e voltam à sua rotina.
Eles veem, por assim dizer, o rosto de Cristo no espelho das suas ordenanças, e o admiram. Mas se afastam e logo se esquecem de como ele é, e de por que têm tantos motivos para amá-lo.
Os próprios amigos e seguidores de Jesus foram obrigados a ficar à distância. Ainda assim, chegaram o mais perto que ousaram para ver o que acontecia (Lucas 23:49). Todos os que o conheciam, e a quem ele conhecia, estavam de longe. Temiam que, se se aproximassem demais, fossem tratados como partidários dele. Isso fez parte de seu sofrimento, assim como foi o de Jó (Jó 19:13). Jó disse: “Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem deveras se estranharam de mim.” Veja também (Salmo 88:18).
As mulheres que o haviam seguido desde a Galileia estavam observando tudo aquilo. Não sabiam o que pensar, e não estavam preparadas para ver nesses acontecimentos sinais certos da ressurreição. Desse modo, Cristo foi posto como sinal que seria contraditado, como Simeão havia predito, para que se manifestassem os pensamentos de muitos corações (Lucas 2:34-35).
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Deste capítulo
Lucas 23:1
"E, levantando-se toda a multidão deles, o levaram a Pilatos."
Lucas 23:2
"E começaram a acusá-lo, dizendo: Havemos achado este pervertendo a nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei."
Lucas 23:3
"E Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes."
Lucas 23:4
"E disse Pilatos aos principais dos sacerdotes, e à multidão: Não acho culpa alguma neste homem."
Lucas 23:5
"Mas eles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui."
Lucas 23:6
"Então Pilatos, ouvindo falar da Galiléia perguntou se aquele homem era galileu."
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