Versículo em destaque

Lucas 22:47 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar. "

Lucas 22:47

menu_book Versículo no contexto

45 E, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza.

46 E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação.

47 E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar.

48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?

49 E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Satanás, vendo que não conseguia abalar nosso Senhor Jesus com medo nem afastá-lo do propósito que ele havia assumido, recorre agora à força. Esse era o seu método costumeiro, e aqui ele traz uma multidão para prender Jesus. Satanás estava agindo por meio deles.

Primeiro, Judas aponta Jesus para os que vêm prendê-lo. Uma grande turba se apresenta, com Judas à frente, pois ele era o guia dos que prendiam Jesus. Eles não sabiam onde encontrá-lo, e Judas os conduziu até o lugar. Chegando lá, não sabiam qual dos homens era Jesus, então Judas combinou com eles que aquele a quem ele beijasse era o que eles deveriam prender. Ele se aproximou de Jesus para beijá-lo, usando a saudação familiar que Jesus permitia entre seus discípulos.

Lucas registra a pergunta que Cristo dirigiu a Judas, a qual os outros evangelistas não mencionam: “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?” (Lucas 22:48). Será que o Filho do Homem precisa ser traído como se nada lhe estivesse oculto? Será que um de seus próprios discípulos precisa traí-lo, como se Jesus tivesse sido um Mestre duro ou os tivesse tratado mal? Será que ele deve ser traído com um beijo? Deve um sinal de amizade se tornar instrumento de traição? Nunca um gesto de amor foi tão mal utilizado e desonrado.

Nada ofende e entristece tanto o Senhor Jesus como ser traído, e traído com um beijo, por pessoas que afirmam conhecê-lo e amá-lo. Isso acontece quando, sob o pretexto de zelo por sua honra, atacam os seus servos. Acontece também quando alguém diz honrar a graça livre, mas golpeia o coração da santidade e de uma vida fiel. Há muitas formas de Cristo ser traído com um beijo por pessoas que, enquanto mantêm aparência de piedade, se opõem ao poder da piedade. Seria bom se as consciências dessas pessoas lhes fizessem ouvir a mesma pergunta que Cristo fez a Judas: “Com um beijo trais o Filho do Homem?” E ele não levará isso em conta?

Em segundo lugar, os discípulos de Cristo tentam protegê-lo (Lucas 22:49). Ao verem o que estava para acontecer, que homens armados tinham vindo prendê-lo, disseram: “Senhor, feriremos à espada?” Ele lhes havia permitido ter duas espadas, então eles perguntam se deveriam usá-las naquele momento. Nunca houve necessidade maior, e para que serve uma espada se nunca for usada? Eles perguntam como se não quisessem tirar a espada sem ordem do Mestre, mas estavam apressados e exaltados demais para esperar pela resposta.

Pedro, mirando a cabeça de um dos servos do sumo sacerdote, errou o alvo e cortou-lhe a orelha direita. Assim como Cristo havia mostrado seu poder derrubando por terra os homens que vieram prendê-lo, Pedro agora mostrou o que poderia ter feito por uma boa causa, se tivesse autorização. Os outros evangelhos contam como Cristo repreendeu Pedro por isso. Lucas, porém, primeiro relata como Cristo amenizou a situação: “Deixai; basta” (Lucas 22:51). O Dr. Whitby entende que Jesus disse isso aos inimigos, para acalmá-los e impedir que se voltassem contra os discípulos, que ele queria proteger. Em outras palavras, ele disse: “Deixem passar essa afronta. Eu não a autorizei, e não haverá mais golpes.”

Embora Cristo tivesse poder para derrubá-los, até matá-los, ele lhes falou com mansidão. De certo modo, pediu desculpas por um ataque realizado por um de seus seguidores. Fez isso para nos ensinar a falar com brandura até mesmo com nossos inimigos. Depois, curou a ferida, o que era muito mais do que suficiente para compensar o dano causado. Tocou a orelha do homem e o curou. Recolocou a orelha no lugar, de modo que o homem não saísse sequer marcado pela ferida, embora merecesse plenamente essa vergonha.

Cristo mostrou-lhes duas coisas aqui. Primeiro, o seu poder. Aquele que podia curar também podia destruir, se quisesse. Isso deveria levá-los, por seu próprio interesse, a se submeterem a ele. Se eles tivessem revidado contra Pedro, Cristo o teria curado imediatamente. Que poderia fazer um pequeno grupo contra alguém que tem com ele um tal curador, pronto a socorrer os feridos no mesmo instante? Segundo, ele mostrou sua misericórdia e bondade. Cristo deu um exemplo claro de seu próprio mandamento de fazer o bem aos que nos odeiam, assim como mais tarde daria o exemplo de orar pelos que nos maltratam. Quem devolve bem por mal age como Cristo.

Poderíamos pensar que tamanha bondade generosa os teria conquistado. Parecia que brasas de amor, acumuladas sobre a cabeça deles, deveriam derretê-los. Não deveriam ser capazes de amarrar como um criminoso alguém que se mostrara tão benfeitor. Mas seus corações estavam endurecidos.

Em terceiro lugar, Cristo fala aos oficiais que vieram prendê-lo, mostrando o quão absurda era toda aquela agitação e aparato (Lucas 22:52, 53). Mateus diz que ele falou à multidão. Lucas destaca que falou aos principais sacerdotes e capitães do templo, os oficiais que comandavam os vários grupos de sacerdotes. Assim, todos eram homens ligados ao serviço do templo, e até alguns dos principais se rebaixaram a participar dessa obra vergonhosa.

Cristo discute com eles sobre o que estavam fazendo. Por que saíram no meio da noite com espadas e paus? Eles sabiam que ele não era alguém que resistiria nem incitaria o povo a se revoltar contra eles. Ele nunca tinha feito nada semelhante. Por que, então, saem contra ele como se fosse um salteador? Eles também sabiam que ele não estava se escondendo. Estivera diariamente com eles no templo, bem no meio deles, e nunca tentara se ocultar. E eles nem sequer tentaram prendê-lo ali. Antes que chegasse a sua hora, seria inútil pensar que poderiam prendê-lo. E quando sua hora chegou, continuava sendo inútil fazer tanto alarde de força para efetuar a prisão.

Cristo também aceita o que eles estão fazendo, e isso é acrescentado aqui de um modo que os outros relatos não trazem: “Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas”. Em outras palavras: “Por mais duro que pareça o fato de eu estar assim exposto, eu me submeto, porque isso foi determinado. Esta é a hora concedida a vocês, para fazerem a vossa vontade contra mim. Eu também tenho uma hora marcada para ajustar as contas.”

Agora o poder das trevas, Satanás, o dominador das trevas deste mundo, é autorizado a fazer o seu pior. Ele recebe permissão para ferir o calcanhar da descendência da mulher, e Cristo está resolvido a se submeter. Deixe-o fazer o pior que puder. O Senhor zombará dele, porque vê que está chegando o seu dia, a sua hora (Salmo 37:13). Isso deve aquietar nosso coração quando os inimigos da igreja parecem prevalecer. E deve também nos aquietar na hora da morte. O tempo do inimigo é apenas uma hora, um tempo curto, um tempo limitado. É a hora deles, a eles concedida, para que mostrem sua força, a fim de que o poder de Deus se manifeste com mais clareza na queda deles. E é o poder das trevas que está em ação, mas as trevas precisam ceder lugar à luz, e o poder das trevas deve se curvar diante do Príncipe da luz.

Cristo se dispôs a esperar por seus triunfos até que seu conflito estivesse terminado, e nós também precisamos estar dispostos a fazer o mesmo.

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