Versículo em destaque
Lucas 22:39 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram. "
Lucas 22:39
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
37 Porquanto vos digo que importa que em mim se cumpra aquilo que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escrito de mim terá cumprimento.
38 E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes disse: Basta.
39 E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram.
40 E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação.
41 E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava,
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Aqui começa a narrativa da agonia de Cristo no jardim, pouco antes de ser traído. Os outros evangelhos contam essa cena com mais detalhes, mas o sentido é o mesmo: ali, Cristo se preparava para a fase decisiva de sua obra, oferecendo a sua alma pelo pecado.
Ele carregou em sua própria alma a tristeza pelo pecado que iria expiar e o peso do pensamento da ira de Deus que o pecado atraiu sobre a humanidade. Assim como um sacrifício é aceito quando o fogo do céu o consome, Cristo assumiu voluntariamente esses sentimentos sobre si como sacrifício pelo pecado. Nessa luta, ele enfrentou as potestades das trevas face a face, concedeu-lhes toda a vantagem que pudessem desejar e, ainda assim, as venceu.
Vemos aqui, como já se viu antes, que quando Cristo saiu, embora fosse noite e o caminho fosse longo, seus discípulos – onze deles, pois Judas já havia se retirado – o seguiram. Tinham permanecido com ele em provações anteriores e não o abandonariam agora. Ele foi ao lugar onde costumava recolher-se a sós, mostrando que Cristo muitas vezes se retirava para ficar sozinho, ensinando-nos a fazer o mesmo, para podermos falar livremente com Deus e examinar o nosso próprio coração. Mesmo tendo apenas um jardim como lugar de recolhimento, era ali que ele se retirava. Isso é especialmente apropriado depois de participarmos da mesa do Senhor, pois então temos diante de nós um trabalho interior que pede tempo de silêncio e solidão.
Ele exortou os discípulos a orar para que, mesmo que a provação que se aproximava não pudesse ser evitada, não caíssem em tentação de pecar. Queria dizer que, no momento de maior medo e perigo, eles não viessem a se dispor a abandonar Cristo, nem sequer a dar um único passo nessa direção. Em outras palavras: “Orai para que sejais guardados do pecado”.
Em seguida, ele se afastou deles e orou sozinho. Eles tinham suas próprias necessidades para apresentar a Deus, e ele tinha as dele, de modo que era adequado que, por um tempo, orassem separados, assim como às vezes oravam juntos quando partilhavam uma mesma causa. Ele avançou cerca de um tiro de pedra para dentro do jardim, uns cinquenta ou sessenta passos, e ali se ajoelhou sobre a terra. Os outros evangelhos relatam que depois caiu com o rosto em terra e orou para que, se fosse da vontade de Deus, esse cálice de sofrimento, esse cálice amargo, fosse afastado dele. Isso era o legítimo temor do sofrimento, próprio de sua verdadeira natureza humana.
No entanto, ele sabia que era vontade do Pai que sofresse e morresse, e que isso já estava decidido como necessário para o nosso resgate e salvação. Por isso, logo retirou esse pedido e não insistiu nele. Entregou-se à vontade do Pai celestial: “Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua”. Isto é, não a vontade da minha natureza humana, mas a vontade de Deus, conforme está escrito a meu respeito no livro, a qual tenho prazer em cumprir (Salmo 40:7-8).
Enquanto isso, seus discípulos estavam dormindo quando ele orava, e eles também deveriam estar orando (Lucas 22:45). Quando ele se levantou da oração, encontrou-os a dormir, sem atentar para a sua angústia. Porém, note-se a explicação bondosa que Lucas acrescenta, e que os outros evangelhos não mencionam: eles dormiam de tristeza. A profunda dor que sentiam por causa das despedidas tristes que seu Mestre lhes vinha fazendo naquela noite os havia esgotado, tornando-os pesados e abatidos. Como também já era tarde, estavam naturalmente prontos para o sono. Isso nos ensina a julgar da melhor forma possível as fraquezas dos irmãos na fé e, quando pudermos, a dar a elas a explicação mais benigna.
Ao despertá-los, ele os exortou novamente à oração (Lucas 22:46): “Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai”. Sacudi o torpor para poderdes orar, e orai por graça para poderdes sacudir o torpor. Isso lembra o chamado do capitão do navio a Jonas durante a tempestade: “Levanta-te, clama ao teu Deus” (Jonas 1:6). Quando percebemos que, por aflições exteriores ou fraquezas interiores, estamos sendo conduzidos em direção à tentação, devemos levantar-nos e orar: “Senhor, ajuda-me neste tempo de necessidade”.
Lucas menciona ainda três pontos que não aparecem nos outros evangelhos. Primeiro, quando Cristo estava em agonia, apareceu-lhe um anjo do céu para fortalecê-lo (Lucas 22:43). Isso mostra a profunda humildade do Senhor Jesus, que aceitou auxílio de um anjo. Por algum tempo, a natureza divina não fazia sentir plenamente o seu consolo, e então, quanto à sua natureza humana, ele esteve, por um período, em condição inferior aos anjos e apto a receber ajuda deles.
Embora não tenha sido tirado do sofrimento, foi fortalecido em meio a ele, e isso era suficiente. Se Deus nos dá ombros proporcionais ao fardo, não temos motivo para reclamar do peso que ele coloca sobre nós. Davi considerou como plena resposta quando Deus o fortaleceu em sua alma no dia da angústia, e o Filho de Davi agiu da mesma forma (Salmo 138:3). Os anjos serviram ao Senhor Jesus em seu sofrimento. Ele poderia ter pedido legiões deles para o livrarem. Esse único anjo poderia ter dispersado e vencido toda a turba que veio prendê-lo. Mas o anjo foi usado somente para fortalecê-lo.
A própria visita, ocorrendo enquanto seus inimigos estavam despertos e seus amigos, dormindo, era um sinal poderoso do favor de Deus e muito o fortaleceria. Provavelmente foi mais que uma visita silenciosa. O anjo pode ter-lhe falado, lembrando-lhe que seus sofrimentos trariam glória ao Pai, glória a si mesmo e salvação ao povo que lhe havia sido dado. Pode ter colocado diante dele a alegria proposta e a descendência espiritual que ele veria. Com tais pensamentos, e outros semelhantes, o animou a prosseguir com disposição. Aquilo que conforta uma pessoa também a fortalece. Talvez o anjo também tenha agido de forma prática, enxugando o suor e as lágrimas, dando-lhe algum refrigério, como depois da tentação, ou mesmo o amparando fisicamente quando ele estava quase desmaiando. Em tudo isso, o Espírito Santo lhe infundia força, pois é isso que a palavra sugere. O Senhor se agradou em quebrantá-lo, sim, mas não o tratou com dureza tirânica. Em vez disso, pôs força nele (Jó 23:6), conforme havia prometido (Salmo 89:21; Isaías 49:8; Isaías 50:7).
Segundo, à medida que sua agonia aumentava, ele orava mais intensamente (Lucas 22:44). Sua tristeza e pressão interior cresceram, e assim também a urgência da sua oração. Isso não quer dizer que houvesse falta de sinceridade em suas orações anteriores, mas que agora havia maior intensidade, perceptível na voz e na postura. A oração é sempre adequada, mas é especialmente adequada em tempos de agonia. Quanto mais forte a nossa aflição, mais vivas e frequentes devem ser as nossas súplicas.
Nesse momento, Cristo apresentou orações e súplicas, com grande clamor e lágrimas, e foi ouvido por causa de sua piedade (Hebreus 5:7). Nesse temor reverente, lutou como Jacó lutou com o anjo. Sua santa tristeza e seu conflito interior revelam a profundidade dos sofrimentos que suportou.
Nessa agonia, seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue caindo sobre a terra. O suor entrou na experiência humana com o pecado e faz parte da maldição (Gênesis 3:19). Por isso, quando Cristo foi feito pecado e maldição por nós, ele suportou um suor terrível. Dessa maneira, tomou sobre si a maldição, para que o nosso trabalho pudesse ser aliviado e santificado nele.
Alguns autores discutem se o suor foi apenas comparado ao sangue por ser tão espesso, ou se de fato o sangue dos pequenos vasos se misturou ao suor. A questão não é de grande importância. Alguns consideram esse momento como uma das ocasiões em que Cristo derramou seu sangue por nós, já que sem derramamento de sangue não há remissão. Cada poro era, por assim dizer, uma ferida sangrando, e seu sangue teria manchado todas as suas vestes.
Isso também mostra a dor de sua alma. Ele estava ao ar livre, em espaço aberto, numa estação fria, sobre o chão gelado, e em plena noite. Tudo isso, à primeira vista, afastaria qualquer suor. No entanto, ele foi tomado por esse suor, o que revela a extrema agonia pela qual passou.
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Deste capítulo
Lucas 22:1
"Estava, pois, perto a festa dos pães ázimos, chamada a páscoa."
Lucas 22:2
"E os principais dos sacerdotes, e os escribas, andavam procurando como o matariam; porque temiam o povo."
Lucas 22:3
"Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze."
Lucas 22:4
"E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria;"
Lucas 22:5
"Os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro."
Lucas 22:6
"E ele concordou; e buscava oportunidade para lho entregar sem alvoroço."
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