Versículo em destaque
Lucas 21:20 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. "
Lucas 21:20
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
18 Mas não perecerá um único cabelo da vossa cabeça.
19 Na vossa paciência possuí as vossas almas.
20 Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.
21 Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela.
22 Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.
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Jesus já havia mostrado aos discípulos um quadro dos trinta e oito anos que se seguiriam. Agora ele revela aonde tudo isso levaria no fim: a destruição de Jerusalém e a completa dispersão da nação judaica. Esse acontecimento seria como um pequeno dia de juízo, um sinal e uma figura da segunda vinda de Cristo, descrita com mais detalhes em (Mateus 24). Para aqueles cuja vida inteira estava ligada a Jerusalém, a queda da cidade pareceria o fim do mundo.
Ele diz que eles veriam Jerusalém cercada de exércitos, os exércitos romanos (Lucas 21:20). Quando isso acontecesse, eles poderiam saber que a destruição da cidade estava próxima. O cerco poderia durar bastante tempo, mas terminaria na ruína de Jerusalém. Em juízo e também em misericórdia, quando Deus começa uma obra, ele a leva até o fim.
Diante desse sinal, Jesus os adverte a fugir para salvar a vida (Lucas 21:21). Os que estivessem na Judeia deveriam sair da região e fugir para os montes. Os que estivessem dentro de Jerusalém deveriam sair antes que a cidade fosse totalmente fechada e que as obras de cerco fossem levantadas. Os que estivessem nas aldeias e cidades vizinhas não deveriam tentar entrar em Jerusalém, pensando encontrar ali mais segurança. Era preciso abandonar uma cidade e uma terra que Deus já havia entregue à destruição. Em outras palavras: “Sai dela, povo meu”.
Ele anuncia então a terrível ruína que viria sobre a nação judaica (Lucas 21:22). Seriam dias de vingança, tantas vezes anunciados pelos profetas do Antigo Testamento, quando o juízo completo cairia sobre aquele povo obstinado. Todas as advertências seriam cumpridas, e o sangue dos mártires do Antigo Testamento seria finalmente requerido. Tudo o que estava escrito teria de se cumprir. Depois de uma longa paciência desprezada, sobreviriam dias de vingança, pois demora não é absolvição.
Jesus mostra a grandeza daquela destruição de várias maneiras. Primeiro, ela viria da ira de Deus, e essa ira seria como fogo que queima e consome. Segundo, seria especialmente dura para as grávidas e as que amamentam. Elas seriam as mais propensas ao pânico e as menos capazes de fugir, e sofreria ainda mais ao pensar que haviam gerado e cuidado de filhos apenas para vê‑los cair nas mãos de assassinos. Terceiro, toda a terra ficaria tomada de confusão, porque as pessoas não saberiam o que fazer nem como se socorrer.
Ele também descreve como terminaria o conflito entre judeus e romanos. Muitos morreriam à espada, e se diz que mais de um milhão e cem mil pereceram nessas guerras. Em essência, o cerco de Jerusalém foi como uma execução militar. Os sobreviventes seriam levados cativos, não para uma única nação, como quando os caldeus os conquistaram, mas para muitas nações, o que os impediria de permanecerem juntos ou de voltarem a se formar como um único povo. A própria Jerusalém seria pisada pelos gentios. Os romanos, depois de tomá‑la, a devastariam como cidade rebelde, tornada odiosa a reis e províncias.
Em seguida, ele descreve o grande pavor que se espalharia por toda parte. Haveria sinais assustadores no sol, na lua e nas estrelas, e também no mundo inferior, com o bramido do mar e das ondas em tempestades terríveis, fora do curso habitual da natureza (Lucas 21:25). O resultado seria confusão e pavor em escala mundial, angústia entre as nações e grande incerteza. O Dr. Hammond entende “as nações” como os diversos grupos ou divisões da própria nação judaica, como Judeia, Samaria e Galileia. Os homens desfaleceriam de medo (Lucas 21:26), abatidos, desanimados e quase sem vida por causa do terror. Seriam como pessoas que vivem todo dia sob sentença de morte, sempre temendo o que virá pela frente (Romanos 8:36).
Quando o juízo começa pela casa de Deus, não para ali. Parecerá que o mundo inteiro está se desfazendo, e então ninguém poderá sentir‑se seguro. Os poderes dos céus seriam abalados e os pilares da terra tremeriam com eles. Desse modo, toda a ordem judaica — sua política, religião, leis e governo — seria completamente desfeita por uma série de calamidades sem igual e de confusão total. Mas Jesus usa essas figuras também porque elas se cumprirão literalmente no fim dos tempos, quando os céus forem enrolados e a terra e todas as suas obras forem queimadas (2 Pedro 3:10, 2 Pedro 3:12). Aquele dia foi cheio de terror para os judeus incrédulos, e o grande dia final será igualmente terrível para todos os incrédulos.
Assim, esse acontecimento é como uma manifestação do Filho do Homem. Então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória (Lucas 21:27). A destruição de Jerusalém foi, em sentido especial, um ato de juízo de Cristo, já que o juízo foi entregue ao Filho do Homem. A sua religião não poderia se estabelecer plenamente enquanto o templo existisse e o sistema levítico, isto é, sacerdotal, continuasse. Mesmo depois de pessoas se converterem, tanto judeus quanto muitos gentios ainda se apegavam àquela antiga ordem, até que ela foi removida pelo juízo. Por isso, pode‑se chamar esse evento de vinda do Filho do Homem em poder e grande glória, ainda que não de forma visível, mas nas nuvens, pois Deus muitas vezes vem em nuvens e em trevas quando executa juízo.
Alguns entendem isso como prova da primeira vinda de Cristo. Então, os judeus incrédulos seriam forçados a reconhecer, tarde demais, que Jesus era o Messias. Os que não quiseram vê‑lo vindo no poder da graça para salvá‑los seriam obrigados a vê‑lo vindo no poder da ira para destruí‑los. Os que não quiseram que ele reinasse sobre eles o teriam triunfando sobre eles. Ao mesmo tempo, aquilo foi um prenúncio de sua segunda vinda. Nos terrores daquele dia, ver‑se‑ia algo do Filho do Homem vindo numa nuvem e algo do pavor do último dia. Seria como uma pequena semelhança daquele juízo final. Se isso já é tão terrível, que será então aquele dia?
Ele anima todos os discípulos fiéis diante dos terrores daquele tempo (Lucas 21:28): “Quando essas coisas começarem a acontecer, quando Jerusalém estiver sitiada e tudo estiver caminhando para a destruição dos judeus, então levantai os olhos. Enquanto outros baixam a cabeça de medo, olhai para o céu em fé, esperança e oração. Erguei vossas cabeças com alegria e confiança, porque a vossa redenção se aproxima”.
Quando Cristo veio para julgar os judeus, veio também para redimir os cristãos que eram perseguidos e oprimidos por eles. Então as igrejas tiveram descanso. Quando ele vier para julgar o mundo no último dia, redimirá todos os que lhe pertencem de todo peso e sofrimento. Por isso, o pensamento daquele dia é agradável a todos os verdadeiros cristãos, mesmo sendo terrível para os ímpios. Do mesmo modo é com a própria morte deles. Quando veem esse dia se aproximando, podem erguer a cabeça com alegria, sabendo que sua redenção está perto, o momento de serem levados ao encontro do seu Redentor.
Há aqui uma predição que parece ir além da destruição da nação judaica, e não é fácil de entender: “Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lucas 21:24).
Alguns entendem isso como algo que já se cumpriu, como defende o Dr. Hammond. Os gentios que conquistaram Jerusalém permaneceriam em posse dela, e a cidade continuaria principalmente gentílica até se completar o tempo determinado para os gentios. Isso significaria: até que grande parte do mundo gentio se tornasse cristã. Então, depois que Jerusalém foi reconstruída pelo imperador Adriano, que proibiu os judeus de nela entrarem, muitos judeus se converteriam a Cristo e se uniriam aos cristãos gentios para estabelecer em Jerusalém uma igreja que floresceria por muito tempo.
Outros entendem que isso se refere ao que ainda é futuro, como sustenta o Dr. Whitby. Jerusalém continuará nas mãos dos gentios, de um ou de outro povo, em sua maior parte, até que chegue o tempo em que as nações ainda incrédulas abracem a fé cristã. Então os reinos deste mundo se tornarão reinos de Cristo, e todos os judeus serão convertidos. Jerusalém será habitada por eles, e nem eles nem a sua cidade serão mais pisados pelos gentios.
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Deste capítulo
Lucas 21:1
"E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro;"
Lucas 21:2
"E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas;"
Lucas 21:3
"E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva;"
Lucas 21:4
"Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha."
Lucas 21:5
"E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse:"
Lucas 21:6
"Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada."
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