Versículo em destaque

Lucas 14:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Aconteceu num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando. "

Lucas 14:1

menu_book Versículo no contexto

1 Aconteceu num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando.

2 E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrópico.

3 E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei, e aos fariseus, dizendo: É lícito curar no sábado?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesta passagem, vemos que o Filho do Homem veio comendo e bebendo e se relacionando livremente com todo tipo de gente. Ele não evitava os cobradores de impostos, mesmo tendo má fama, nem os fariseus, mesmo estes o detestando. Aceitava convites amistosos de ambos os grupos, para que, se possível, pudesse fazer bem a uns e a outros. Aqui ele entra na casa de um dos principais fariseus, provavelmente um governante ou magistrado daquela região, para comer pão em um sábado (Lucas 14:1).

Isso mostra como Deus é bondoso conosco, pois reserva tempo até para o descanso do corpo, mesmo em seu próprio dia. Ao mesmo tempo, mostra como devemos ter cuidado para não abusar dessa liberdade, transformando-a em pecado. Cristo foi apenas para comer pão, para tomar o alimento necessário no dia de sábado. Nossas refeições no dia do Senhor precisam ser vigiadas, para que não se tornem excessivas. Nos dias de descanso devemos fazer como Moisés e Jetro, que comeram pão diante de Deus (Êxodo 18:12), e lembrar dos primeiros cristãos, que comiam e bebiam no dia do Senhor como pessoas que ainda precisavam orar antes de repousar, para estarem aptas para a oração.

Vemos também que ele andava fazendo o bem. Onde quer que fosse, procurava oportunidades de ajudar, e não ficava esperando que elas simplesmente viessem até ele. Ali havia diante dele um homem hidrópico, isto é, com uma doença que provoca grande inchaço no corpo (Lucas 14:2). Não lemos que o homem tenha pedido ajuda, nem que seus amigos o tenham levado a Cristo como enfermo. Cristo se antecipou a ele com as bênçãos de sua bondade, e antes que ele clamasse, Cristo já lhe respondia. É uma grande bênção estar onde Cristo está, estar diante dele, ainda que não tenhamos sido formalmente conduzidos até ele.

Esse homem provavelmente tinha um caso muito grave de hidropisia, e devia estar muito inchado. É provável que fosse parente do fariseu que hospedava Jesus, o que parece mais provável do que supor que fosse apenas um convidado comum à mesa. Cristo não esperava pedidos para exercer misericórdia; ele já estava pronto para curar.

Vemos ainda que ele suportou a oposição dos pecadores contra si. Eles o observavam atentamente (Lucas 14:1). Parece que o fariseu que o convidou o fez com a intenção de achar alguma falta nele. Se foi assim, Cristo sabia disso, e mesmo assim foi. Sabia que poderia enfrentar adversários por mais astutos que fossem, e sabia como agir com cuidado estando sob observação. Quem é observado precisa ser ainda mais prudente. Como observa o Dr. Hammond, é contra todas as leis de hospitalidade procurar uma armadilha para alguém que você recebeu como convidado, pois ao convidá-lo você o tomou sob sua proteção.

Esses doutores da lei e fariseus, como caçadores à espreita de aves, mantiveram-se calados e dissimulados. Quando Cristo lhes perguntou se era lícito curar no sábado, diz o texto que ele lhes respondeu, porque respondeu também aos pensamentos deles. Pensamentos são palavras para Jesus Cristo. Eles não diziam nem sim nem não, porque não queriam ser ensinados. Queriam acusá-lo, não aprender com ele. Não diziam que era lícito curar, pois assim perderiam a chance de tratar isso como crime. Mas o caso era tão evidente que também não tinham coragem de declarar que era ilícito. Muitos servos de Deus já sofreram por fazer aquilo que até seus inimigos teriam de admitir que era correto, se deixassem a consciência falar claramente. Cristo fez muitas obras boas, e por causa delas atiraram pedras nele e contra seu nome.

Vemos também que Cristo não se deixou impedir de fazer o bem pela oposição dos pecadores. Ele tomou o homem, curou-o e o despediu (Lucas 14:4). Talvez o tenha levado para outro cômodo e o tenha curado ali, porque não desejava se exibir, visto que era humilde, nem atiçar desnecessariamente seus inimigos, pois era sábio e manso. Não devemos permitir que a malícia dos inimigos nos afaste do dever, mas devemos ordenar as coisas de forma que nossas ações causem o mínimo de escândalo possível.

Ou, quando o texto diz que ele o tomou, pode significar que impôs as mãos sobre ele para curá-lo. A palavra sugere até que ele o abraçou, tomando-o em seus braços, embora o homem provavelmente fosse grande e pesado por causa do inchaço, como acontece com pessoas hidrópicas. Cristo o reduziu à saúde imediatamente. Uma cura assim, especialmente de uma enfermidade tão séria, pareceria exigir tempo; no entanto, Cristo curou completamente essa doença em um instante. Depois o deixou ir, para que os fariseus não tivessem como acusá-lo de ter curado alguém que nada fizera por conta própria, sendo apenas passivo em todo o caso. Gente como eles conseguia transformar qualquer coisa em motivo de queixa.

Nosso Senhor Jesus não fez nada que não pudesse defender, e deixava seus opositores convencidos e envergonhados (Lucas 14:5–6). Ele respondeu aos pensamentos deles e os calou apelando à própria prática que tinham, como fazia com frequência em situações parecidas. Assim, mostrou que, ao condená-lo, estavam condenando a si mesmos. Qual deles, tendo um boi ou um jumento que caísse num poço em dia de sábado, não o puxaria logo para fora, sem esperar passar o sábado, para que o animal não morresse? Note-se que fariam isso menos por pena do animal e mais por interesse próprio. Era o boi ou o jumento deles, que tinha valor, e por isso abriam exceção à lei do sábado para salvá-lo.

Isso expôs a hipocrisia deles. A queixa contra Cristo por curar no sábado não era, na verdade, zelo pelo sábado. Era apenas um pretexto. No fundo, a irritação vinha das obras milagrosas que ele fazia, das provas que essas obras ofereciam de sua missão divina e da influência que ele ganhava entre o povo. Muitos são rápidos para flexibilizar uma lei quando seus próprios interesses estão em jogo, mas não o fazem pela glória de Deus ou pelo bem do próximo. Essa pergunta os silenciou. Eles não puderam responder a isso (Lucas 14:6). Cristo será reconhecido como justo quando falar, e toda boca há de se calar diante dele.

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