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Juízes 19:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Aconteceu também naqueles dias, em que não havia rei em Israel, que houve um homem levita, que, peregrinando aos lados da montanha de Efraim, tomou para si uma concubina, de Belém de Judá. "
Juízes 19:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Aconteceu também naqueles dias, em que não havia rei em Israel, que houve um homem levita, que, peregrinando aos lados da montanha de Efraim, tomou para si uma concubina, de Belém de Judá.
2 Porém a sua concubina adulterou contra ele, e deixando-o, foi para a casa de seu pai, em Belém de Judá, e esteve ali alguns dias, a saber, quatro meses.
3 E seu marido se levantou, e foi atrás dela, para lhe falar conforme ao seu coração, e para tornar a trazê-la; e o seu moço e um par de jumentos iam com ele; e ela o levou à casa de seu pai, e, vendo-o o pai da moça, alegrou-se ao encontrar-se com ele.
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Os assuntos familiares do levita são narrados com tantos detalhes apenas para preparar o terreno para as grandes maldades que virão em seguida. Nessa história triste, toda a nação acaba envolvida. Já se observou que, quando Israel não tinha uma boa ordem pública, sempre parecia haver um levita no centro dos acontecimentos, ora praticando o mal, ora sofrendo o mal. Na idolatria de Mica, um levita estava ativamente envolvido. Na maldade de Gibeá, um levita foi tragado pelos acontecimentos, sem conseguir se defender. Nenhuma tribo sentiu tão cedo a falta de governo como Levi, e em todo o livro de Juízes esses são os únicos dois levitas mencionados.
Este levita morava na região montanhosa de Efraim (Juízes 19:1). Ele havia tomado uma mulher de Belém de Judá. Ela é chamada de concubina porque não gozava plenamente dos direitos de esposa, talvez porque ele não tivesse bens para lhe dar, já que apenas residia ali, sem estar estabelecido como proprietário. Ainda assim, o contexto permite entendê-la também como esposa. Ela veio da mesma cidade do outro levita ligado a Mica, como se Belém de Judá tivesse fornecido à região montanhosa de Efraim duas ligações infelizes, uma após a outra.
Primeiro, a concubina desse levita foi infiel e o deixou (Juízes 19:2). Uma antiga versão diz apenas que ela o tratou mal ou o desprezou, e então o abandonou. Ele ficou magoado com isso, e ela voltou à casa do pai, onde foi recebida com agrado. Se o marido a tivesse expulsado injustamente, o pai deveria ter mostrado compaixão. Mas se ela havia deixado o marido para se apegar a outro homem, o pai não deveria ter apoiado o seu pecado. Muitos pais acabam contribuindo para a ruína dos filhos por serem indulgentes demais.
Em seguida, o próprio levita foi buscar a reconciliação com ela. Isso mostra como de fato não havia rei nem juiz em Israel, pois, do contrário, ela teria sido levada a juízo como adúltera. Em vez disso, o marido ofendido empreende uma longa viagem para falar-lhe com bondade e buscar paz (Juízes 19:3). Se ele a tivesse mandado embora, seria errado recebê-la de volta, como é mencionado em (Jeremias 3:1). Mas, como foi ela quem o abandonou, é louvável que ele a perdoe e dê o primeiro passo para a reconciliação. A sabedoria que vem do alto é amável e tratável. Ele falou ao coração dela, expressão que sugere que ela estava triste e arrependida do que fizera, algo que ele provavelmente soube antes de ir buscá‑la. Deus usa linguagem semelhante em relação a Israel infiel em (Oséias 2:14), dizendo que a levaria ao deserto e falaria ao seu coração.
Em terceiro lugar, o pai dela recebeu o levita com grande cordialidade e fez tudo o que pôde para reparar o mal ao qual ele mesmo tinha contribuído, ao sustentar a filha depois que ela deixou o marido. Ele desejava fortalecer a disposição do levita de se reconciliar com ela. Recebeu‑o com alegria, alegrou‑se ao vê‑lo e o tratou com muita generosidade por três dias (Juízes 19:4). O levita, para demonstrar perdão completo, aceitou a hospitalidade e não lançou em rosto nem ao pai nem à filha o mal que havia sido feito. Mostrou‑se tão afável e tranquilo como no dia do casamento. Todos, e especialmente os que servem a Deus, devem perdoar como Deus perdoa.
Tudo parecia caminhar bem para a vida em comum deles, mas, se soubessem o que iria acontecer em um ou dois dias, a alegria se teria transformado em luto. Quando a vida familiar parece mais segura, ainda assim devemos nos alegrar com cautela, pois não sabemos que aflições o dia seguinte pode trazer. Não enxergamos o perigo que está próximo, mas devemos lembrar que ele pode estar bem perto. Assim não seremos descuidados, como se o amanhã tivesse de ser, necessariamente, melhor do que hoje (Isaías 56:12).
O pai dela insistiu para que o levita ficasse mais tempo, como outro sinal de acolhimento. Seu afeto vinha em parte dos laços de família, já que o levita era agora seu genro e fazia parte de sua casa. Amor e dever são devidos aos que se unem a nós pelo casamento tanto quanto aos parentes de sangue. Quem demonstra bondade, como este levita demonstrou, pode esperar receber bondade em retorno. O afeto do pai também vinha do respeito ao levita como servo da casa de Deus. Se ele era o tipo de levita que devia ser, o pai merecia elogio por desejar sua companhia, apreciar sua conversa e querer aprender mais sobre o Senhor por meio dele. Provavelmente também esperava que o Senhor o abençoasse por ter um levita em sua família.
O pai o reteve até o quarto dia, o que era gentil, pois não sabia quando voltariam a se ver. O levita, embora bem tratado, estava ansioso por partir. O coração de um homem piedoso está onde está o seu dever, pois um homem que vagueia longe de seu lugar é como um pássaro que se afasta do ninho. Geralmente isso mostra que o homem tem pouco a fazer em casa, ou pouco desejo de fazer o que deveria, quando se deleita em permanecer tempo demais onde não tem trabalho. É especialmente adequado ver um levita disposto a voltar ao seu posto, ainda que fosse apenas um pequeno rebanho no deserto. Mesmo assim, esse levita cedeu à insistência deles e ficou mais do que havia planejado (Juízes 19:5‑7). Devemos evitar ser facilmente desviados de nosso dever, mas também evitar uma rigidez que despreza a bondade dos amigos. Após a ressurreição, nosso Salvador também aceitou ficar mais tempo com seus amigos do que parecia disposto a princípio (Lucas 24:28‑29).
Depois, o pai insistiu para que ele ficasse até a tarde do quinto dia, o que acabou se revelando, pelos acontecimentos, uma falta de bondade (Juízes 19:8‑9). Ele não permitiu que o levita partisse antes da refeição, prometendo servir cedo, com a intenção, como no dia anterior, de retê‑lo mais uma noite. Mas o levita estava ansioso para chegar à casa do Senhor em Siló (Juízes 19:18) e, impaciente por chegar ao seu destino, não quis ficar mais. Se tivessem saído bem cedo, talvez encontrassem um lugar mais seguro para passar a noite, ou mesmo alcançassem Siló. Muitas vezes descobrimos que aquilo que os amigos planejam como bondade acaba, no fim, trazendo prejuízo real. O que é pensado para o nosso bem pode se tornar um laço. Quem pode saber o que é realmente melhor para alguém nesta vida? O levita foi imprudente ao partir tão tarde. Talvez tivesse chegado em segurança se permanecesse mais uma noite e viajasse no dia seguinte.
No caminho de volta, foram obrigados a pernoitar em Gibeá, cidade da tribo de Benjamim, mais tarde conhecida como Gibeá de Saul. Ela ficava no caminho para Siló e para a região montanhosa de Efraim. Ao cair da tarde e alongarem‑se as sombras, eles precisaram pensar, como nós também deveríamos, onde passariam a noite. Depois de escurecer, não poderiam prosseguir. Quem anda em trevas não sabe para onde vai, e a noite foi feita para descanso, assim como o dia para o trabalho.
O servo sugeriu que se hospedassem em Jebus, mais tarde Jerusalém, que ainda estava em poder dos jebuseus, antigos habitantes cananeus. Ele disse: “Vamos parar nesta cidade dos jebuseus” (Juízes 19:11). Se o tivessem feito, provavelmente teriam sido tratados melhor do que em Gibeá de Benjamim. Israelitas corrompidos costumam ser piores e mais perigosos do que os próprios cananeus. Mas o senhor, como homem da tribo de Deus, não quis se hospedar, nem por uma noite, numa cidade de estrangeiros (Juízes 19:12). Ele não recusou por achar que ali correria perigo, mas porque não queria, se pudesse evitar, estreitar laços com eles ou depender deles para hospitalidade. Ao evitar Jebus, ele manifestou sua reprovação à impiedade dos que se tornaram amigos de nações condenadas. Israelitas, e especialmente levitas, deviam conviver com israelitas, não com filhos de estrangeiros.
Eles passaram por Jebus, que ficava a cerca de cinco ou seis quilômetros de Belém, de onde vinham, e, como não podiam chegar a Ramá antes do anoitecer, pararam em Gibeá (Juízes 19:13‑15). Ali se sentaram na rua, e ninguém lhes ofereceu hospedagem. Naquele tempo, não havia estalagens ou casas públicas como hoje, onde viajantes podem pagar por pouso e refeição. As pessoas levavam consigo o necessário, como fez este levita (Juízes 19:19), e dependiam da bondade e hospitalidade dos moradores. Devemos agradecer a Deus por esse conforto de viagem, entre outros, de existirem lugares onde estrangeiros podem ser recebidos e cuidados mediante pagamento. É grande bênção poder tanto permanecer em casa com conforto como viajar com segurança.
Esse viajante era levita, e Deus havia ordenado especialmente ao seu povo que demonstrasse bondade aos homens dessa tribo. Ainda assim, encontrou uma recepção muito fria em Gibeá. Ninguém o acolheu em sua casa. Se os moradores souberam que ele era levita, isso pode ter tornado aqueles homens maus ainda menos dispostos a ajudá‑lo. Alguns terão de responder por isso no grande dia: “Fui forasteiro, e não me acolhestes.”
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Deste capítulo
Juízes 19:2
"Porém a sua concubina adulterou contra ele, e deixando-o, foi para a casa de seu pai, em Belém de Judá, e esteve ali alguns dias, a saber, quatro meses."
Juízes 19:3
"E seu marido se levantou, e foi atrás dela, para lhe falar conforme ao seu coração, e para tornar a trazê-la; e o seu moço e um par de jumentos iam com ele; e ela o levou à casa de seu pai, e, vendo-o o pai da moça, alegrou-se ao encontrar-se com ele."
Juízes 19:4
"E seu sogro, o pai da moça, o deteve, e ficou com ele três dias; e comeram e beberam, e passaram ali a noite."
Juízes 19:5
"E sucedeu que ao quarto dia pela manhã, de madrugada, ele levantou-se para partir; então o pai da moça disse a seu genro: Fortalece o teu coração com um bocado de pão, e depois partireis."
Juízes 19:6
"Assentaram-se, pois, e comeram ambos juntos, e beberam; e disse o pai da moça ao homem: Peço-te que ainda esta noite queiras passá-la aqui, e alegre-se o teu coração."
Juízes 19:7
"Porém o homem levantou-se para partir; mas seu sogro o constrangeu a tornar a passar ali a noite."
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