Versículo em destaque
Juízes 16:22 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E o cabelo da sua cabeça começou a crescer, como quando foi rapado. "
Juízes 16:22
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
20 E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou ele do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele.
21 Então os filisteus pegaram nele, e arrancaram-lhe os olhos, e fizeram-no descer a Gaza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e girava ele um moinho no cárcere.
22 E o cabelo da sua cabeça começou a crescer, como quando foi rapado.
23 Então os príncipes dos filisteus se ajuntaram para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom, e para se alegrarem, e diziam: Nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.
24 Semelhantemente, vendo-o o povo, louvava ao seu deus; porque dizia: Nosso deus nos entregou nas mãos o nosso inimigo, e ao que destruía a nossa terra, e ao que multiplicava os nossos mortos.
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Embora os últimos dias de Sansão tenham sido vergonhosos, o relato de sua morte ameniza, ainda que não apague, essa desonra. Houve honra na maneira como ele morreu. É provável que tenha se arrependido profundamente de seu pecado, tanto pela vergonha que trouxe sobre Deus quanto por ter perdido a honra que Deus lhe tinha dado. A reconciliação de Deus com ele aparece primeiro no retorno do sinal de seus votos de nazireu, isto é, de sua consagração especial a Deus.
Juízes 16:22 diz que o cabelo da cabeça de Sansão começou a crescer de novo depois de ter sido rapado. Isso provavelmente aconteceu antes da grande festa pública que os filisteus ofereceram a Dagom, o ídolo deles. Esse crescimento parece ter sido incomum e intencional, um sinal especial de que Deus novamente mostrara favor a Sansão após seu arrependimento. O cabelo, em si, não restaurava sua força por algum poder próprio. Ele era importante porque mostrava que Deus o aceitava de novo como nazireu, mesmo Sansão não tendo como cumprir os rituais exigidos pela lei para restaurar um voto de nazireu interrompido (Números 6:9).
É surpreendente que os filisteus, tendo Sansão em seu poder, não tenham notado ou cortado seu cabelo outra vez. Talvez estivessem dispostos a que sua força voltasse, porque isso lhes daria mais trabalho dele. E, como ele estava cego, provavelmente não sentiam nenhum temor dele.
Deus também mostrou misericórdia usando Sansão para destruir os inimigos de Israel. Fez isso em um momento que defendia a honra do próprio Deus, ainda que não fosse principalmente uma libertação imediata para Israel. Os filisteus haviam desonrado gravemente o Deus de Israel, primeiro sacrificando a Dagom, seu deus rival. Dagom era um falso deus inventado por eles, representado como parte homem e parte peixe, pura invenção da imaginação. Mesmo assim, atribuíram a ele seu sucesso, dizendo: “Nosso deus nos entregou nas mãos Sansão, nosso inimigo” (Juízes 16:23-24).
Eles sabiam que Dalila havia traído Sansão, e que tinham pago a ela para isso, mas ainda assim deram o crédito ao seu ídolo. As pessoas costumam louvar os deuses que servem, e nós certamente devemos dar esse louvor ao Deus verdadeiro, cujo reino domina sobre tudo. Ainda assim, considerando as artimanhas perversas que usaram para prender Sansão, só um ídolo tão inútil quanto Dagom combinava com um culto tão maligno. Eles ofereceram sacrifícios e cantaram louvores por essa vitória sobre um único homem. Muito mais razão temos nós para agradecer ao Deus que sempre nos dá vitória em Cristo Jesus.
Os filisteus também insultaram a Deus ao zombarem de Sansão, o campeão escolhido por Deus. Quando estavam embriagados, mandaram trazer Sansão para diverti-los (Juízes 16:25, 27). Ou seja, fizeram dele alvo de seu escárnio. Depois de sacrificarem ao seu deus e de comerem e beberem, levantaram-se para se divertir, como os idólatras costumavam fazer (1 Coríntios 10:7). Sansão virou o “bobo” no jogo deles.
Eles riam dele porque estava cego e tropeçava ao andar. Talvez até o tivessem golpeado no rosto e zombado: “Profetiza, quem te feriu?” Foi crueldade esmagar um homem já tão aflito, especialmente alguém que um dia haviam temido. Suas zombarias deviam ser como uma espada nos ossos de Sansão, sobretudo quando gritavam: “Onde está agora o teu Deus?” Contudo, Sansão, agora de fato arrependido, suportou pacientemente. Aceitou a vergonha como parte de sua punição. Por mais injustos que fossem os filisteus, ele precisava reconhecer que Deus era justo.
Sansão já havia zombado de si mesmo em seus enganos e com as pessoas que o enganavam. Por isso, era justo que os filisteus fossem permitidos a zombar dele. O pecado sexual rebaixa as pessoas e as expõe ao desprezo. “Achará castigo e desonra o que se deixa enganar pelo coração por causa de uma mulher, e o seu opróbrio nunca se apagará” (Provérbios 6:32-33, em sentido). Os que são cegos e presos por suas próprias paixões acabarão em vergonha e desprezo duradouros. O próprio diabo, que os enganou, também zombará deles.
Então Deus trouxe súbita destruição sobre os filisteus pelas mãos de Sansão. Milhares de filisteus se tinham reunido para os sacrifícios e festejos de seus príncipes, e também para assistir ao espetáculo público. Mas aquilo que esperavam que fosse uma comédia tornou-se uma tragédia fatal. Todos morreram e foram sepultados nos escombros da casa, fosse ela um templo, um teatro ou algum edifício provisório levantado para a ocasião.
Entre os mortos estavam todos os príncipes dos filisteus (Juízes 16:27), os mesmos que tinham subornado Dalila para trair Sansão. O mal que haviam praticado recaiu sobre eles. Muitos outros também morreram, cerca de 3.000 ao todo, inclusive muitas mulheres. Uma delas pode ter sido a prostituta de Gaza mencionada antes (Juízes 16:1). Sansão tinha sido arrastado ao pecado por mulheres filisteias, e agora muitas mulheres estavam entre as destruídas, como quando Moisés ordenou a destruição das mulheres de Midiã por terem levado Israel ao pecado em Peor (Números 31:16).
Eles foram destruídos enquanto estavam alegres, seguros e descuidados, sem imaginar qualquer perigo. Quando viram Sansão segurar as colunas, provavelmente até isso trataram como piada. Pensaram: “O que esse judeu fraco pode fazer?” Muitas vezes os pecadores caminham para a ruína justamente no momento em que se sentem mais seguros. O orgulho e a zombaria os elevam para que sua queda seja ainda mais terrível. Não devemos invejar a alegria dos ímpios. Seu triunfo é breve, e sua alegria dura apenas um momento.
A destruição deles veio também enquanto louvavam Dagom, dando a um ídolo a honra que pertence somente a Deus. Isso é nada menos que alta traição contra o Rei dos reis, um ataque ao seu governo e à sua honra. Por isso, foi justo que o sangue deles se misturasse com seus sacrifícios. Belsazar também foi exterminado enquanto louvava seus deuses feitos por mãos humanas (Daniel 5:4). E tudo aconteceu enquanto zombavam de um israelita, um nazireu, e insultavam um homem a quem Deus já havia ferido.
Nada leva uma pessoa ou um povo mais depressa à plena culpa do que zombar e maltratar os servos de Deus, mesmo quando esses servos caíram por sua própria insensatez. As pessoas não sabem o que fazem, nem a quem estão insultando, quando fazem de um homem piedoso o motivo de suas piadas.
A forma como foram destruídos foi esta: Sansão derrubou a casa sobre eles, e Deus, sem dúvida, colocou isso em seu coração, já que ele agia como servo público, para vingar a causa de Deus, a causa de Israel e a sua própria. Ele recebeu força para isso por meio da oração (Juízes 16:28). A força que havia perdido pelo pecado recuperou pela oração, como faz o verdadeiro penitente, entristecido pelo pecado e voltando-se para Deus. Davi fez o mesmo quando havia afastado de si a ajuda do Espírito e orou: “Restitui-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário” (Salmo 51:12).
Podemos pensar que foi apenas uma oração silenciosa, já que ele estava no meio de uma multidão barulhenta de filisteus. Sua voz talvez não tenha sido ouvida pelos homens, mas Deus o ouviu e lhe respondeu com bondade. Sansão não viveu para relatar essa oração, como Neemias fez com as suas, mas Deus a aceitou no céu e mandou registrá-la em sua igreja por meio dos escritores inspirados. Sansão pediu a Deus que se lembrasse dele e o fortalecesse mais uma vez. Ao fazer isso, admitiu que sua força anterior vinha de Deus e pediu que lhe fosse dada de novo, para que pudesse desferir um último golpe. A resposta de Deus mostra que não se tratava de ira egoísta ou vingança pessoal, mas de zelo santo pela glória de Deus e pelo bem de Israel. Sansão morreu orando, assim como nosso bendito Salvador, mas Sansão orou por vingança, enquanto Cristo orou por perdão.
Sansão conseguiu agir apoiando-se nas duas colunas que sustentavam o edifício. Elas parecem ter estado suficientemente próximas para que ele pudesse segurá-las ao mesmo tempo, e ele as empurrou com toda a sua força, clamando: “Morra eu com os filisteus” (Juízes 16:30). A multidão que estava sobre o telhado, olhando para baixo e se divertindo com o espetáculo, provavelmente contribuiu para derrubar a estrutura. O peso sobre o prédio era muito maior do que o que ele podia suportar, de modo que já podia estar começando a ceder por si mesmo, e, de qualquer forma, o desabamento se tornou ainda mais mortal para os que estavam dentro. Isso não foi feito pelo poder natural de Sansão, mas pelo poder todo-poderoso de Deus. Não é apenas surpreendente; é um milagre.
Nesse acontecimento, os filisteus foram profundamente humilhados. Todos os seus príncipes e homens importantes morreram, junto com muitos do povo, bem no meio de sua celebração. O templo de Dagom, como muitos entendem que era esse edifício, foi derrubado, e Dagom ficou sepultado em suas ruínas. Isso deve ter contido o orgulho dos que sobreviveram. Se Israel tivesse tido sensatez e coragem suficientes para aproveitar bem aquele momento, poderia então ter sacudido o jugo do domínio filisteu.
Sansão também pode ser defendido como não culpado de homicídio pecaminoso, nem de si mesmo nem dos filisteus. Ele era um homem público, um inimigo declarado dos filisteus, e com razão podia aproveitar toda oportunidade contra eles. Naquele momento eles o atacavam da maneira mais brutal, e todos os presentes cooperavam com isso, de modo que morreram justamente com ele. Ele também não foi suicida, pois seu alvo não era pôr fim à própria vida, embora tivesse todos os motivos humanos para estar cansado dela. Seu objetivo eram as vidas dos inimigos de Israel, e por essa causa entregou a própria vida com bravura, não a considerando preciosa demais, contanto que pudesse terminar sua carreira com honra.
Deus também foi grandemente honrado ao perdoar os graves pecados de Sansão, e esse acontecimento mostrou essa misericórdia. Costuma‑se dizer que, quando uma autoridade concede uma nova missão a alguém já condenado, isso equivale a um perdão. Ainda assim, embora Deus fosse aquele que perdoou Sansão, ele também puniu sua maldade (Salmo 99:8) e, ao permitir que seu campeão morresse acorrentado, advertiu a todos a vigiar contra os desejos pecaminosos que guerreiam contra a alma. Mesmo assim, temos bons motivos para esperar que, embora Sansão tenha morrido com os filisteus, não tenha compartilhado o fim eterno deles. O Senhor conhece os que são seus.
Cristo foi claramente prefigurado aqui. Ele derrubou o reino do diabo assim como Sansão derrubou o templo de Dagom. Quando Cristo morreu, conquistou a vitória mais gloriosa sobre os poderes das trevas. Com os braços estendidos na cruz, como as mãos de Sansão nos dois pilares, ele abalou mortalmente as portas do inferno e, pela morte, destruiu aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo (Hebreus 2:14, Hebreus 2:15). Cristo foi além de Sansão, pois não só morreu junto com seus inimigos, mas ressuscitou para triunfar sobre eles.
A história termina com o sepultamento de Sansão. Seus parentes, movidos pela honra que acompanhou sua morte, foram, encontraram seu corpo entre os mortos, levaram-no com respeito para sua própria terra e o enterraram nos sepulcros de sua família. Os filisteus estavam tão assustados que não ousaram impedir. O relato ainda repete o que já havia sido dito sobre seu governo: ele julgou Israel durante vinte anos. Se Israel não tivesse sido tão fraco e tímido quanto Sansão foi corajoso e ousado, ele poderia tê-los deixado livres do jugo dos filisteus. Eles poderiam ter vivido em paz, segurança e felicidade, se ao menos tivessem permitido que Deus e os juízes os conduzissem a essa condição.
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Deste capítulo
Juízes 16:1
"E foi Sansão a Gaza, e viu ali uma mulher prostituta, e entrou a ela."
Juízes 16:2
"E foi dito aos gazitas: Sansão entrou aqui. Cercaram-no, e toda a noite lhe puseram espias à porta da cidade; porém toda a noite estiveram quietos, dizendo: Até à luz da manhã esperaremos; então o mataremos."
Juízes 16:3
"Porém Sansão deitou-se até à meia-noite, e à meia-noite se levantou, e arrancou as portas da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para cima até ao cume do monte que está defronte de Hebrom."
Juízes 16:4
"E depois disto aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, cujo nome era Dalila."
Juízes 16:5
"Então os príncipes dos filisteus subiram a ela, e lhe disseram: Persuade-o, e vê em que consiste a sua grande força, e como poderíamos assenhorear-nos dele e amarrá-lo, para assim o afligirmos; e te daremos, cada um de nós, mil e cem moedas de prata."
Juízes 16:6
"Disse, pois, Dalila a Sansão: Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força, e com que poderias ser amarrado para te poderem afligir."
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