Versículo em destaque
Jó 6:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso. "
Jó 6:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de cobre a minha carne?
13 Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?
14 Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.
15 Meus irmãos aleivosamente me trataram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,
16 Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve,
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Elifaz tinha sido muito duro em suas críticas a Jó, e os outros amigos, embora tivessem falado pouco até ali, já tinham mostrado que concordavam com ele. Jó se queixa da frieza deles como parte do seu sofrimento, e como mais um motivo para desejar a morte. Que consolo ele poderia esperar neste mundo, se justamente aqueles que deveriam consolá‑lo estavam aumentando a sua dor?
Ele começa mostrando por que tinha todo o direito de esperar bondade deles. Essa expectativa se baseava na simples decência humana, como diz Jó 6:14: o amigo deve mostrar compaixão a quem sofre e se consome na angústia, e quem não faz isso, na prática, abandona o temor do Todo‑Poderoso. A compaixão é uma dívida que temos com os que estão sofrendo. Os que estão em situação confortável deveriam, no mínimo, ter piedade dos aflitos, mostrar interesse verdadeiro, ouvir suas queixas, compartilhar de sua tristeza e fazer o que puderem para ajudá‑los e consolá‑los. Isso é especialmente apropriado entre membros da mesma família humana, porque qualquer um de nós pode, em breve, precisar da mesma misericórdia.
A falta de misericórdia também é sinal de impiedade. Quem nega compaixão a um amigo, no fundo, rompeu com a reverência a Deus. Como o amor de Deus pode permanecer em quem fecha o coração a alguém em necessidade? (1 João 3:17). Os que não têm piedade dos outros quando estes estão sob a disciplina de Deus mostram que não temem que a própria mão de Deus caia sobre eles. Veja também (Tiago 1:27). As aflições também provam a amizade. Quando alguém sofre, fica claro quem é amigo verdadeiro e quem apenas fingia. Como a Escritura ensina, o amigo nasce para a angústia (Provérbios 17:17; Provérbios 18:24).
Depois Jó mostra o quanto eles o decepcionaram. “Meus irmãos”, diz ele, “que deveriam ter me ajudado, foram falsos como um ribeiro” (Jó 6:15). Eles tinham vindo com cerimônia para prantear com ele e consolá‑lo (Jó 2:11). Como eram homens sábios e respeitados, Jó esperava que suas palavras fossem cheias de consolo, lembrando‑o de sua antiga piedade, assegurando‑lhe o favor de Deus e apontando para um bom desfecho. Em vez disso, atacaram‑no com reprovações, chamaram‑no de hipócrita, zombaram do seu sofrimento e derramaram vinagre em feridas que precisavam de óleo. Assim, lidaram falsamente com ele.
É enganoso não só quebrar promessas feitas a amigos, mas também frustrar as esperanças que nós mesmos alimentamos neles. É sábio depositar pouca confiança nas pessoas e muita confiança em Deus. Não podemos esperar pouco demais dos seres humanos, nem demais do Senhor. Até irmãos podem ser falsos uns para com os outros (Jeremias 9:4, Jeremias 9:5; Miqueias 7:5). Por isso, devemos confiar na rocha dos séculos, não em canas quebradas, e na fonte da vida, não em cisternas rachadas. Deus sempre superará nossas expectativas, enquanto as pessoas frequentemente ficam muito aquém delas.
Jó compara essa decepção a regatos que secam no verão. As primeiras aparências são como córregos que transbordam com o derretimento da neve e as cheias, parecendo escuros e cheios (Jó 6:16). As esperanças que ele tinha em seus amigos eram como a esperança dos viajantes que veem um ribeiro, cheio no inverno, e esperam encontrar água nele outra vez no verão (Jó 6:19). Caravanas de Tema e de Seba, mercadores que cruzavam os desertos da Arábia, procuravam água nesses cursos d’água. Um viajante dizia: “Está logo adiante”; outro: “Já vi água aqui antes”. Quando já encontramos alívio num lugar, tendemos a esperar alívio ali de novo. Mas isso não é garantido.
A decepção é como a de viajantes que chegam a um leito seco de areia onde esperavam encontrar água. No inverno, quando quase ninguém precisava tanto dela, o ribeiro estava cheio. As pessoas elogiam e admiram aqueles que estão prósperos e abundantes. Mas no calor do verão, quando a água é mais necessária, ela some. Desaparece ou se desvia (Jó 6:17, Jó 6:18). Da mesma forma, quando ricos e poderosos caem em necessidade, muitos que antes os cercavam se afastam, e os que antes os elogiavam são rápidos em condená‑los. Quem deposita grandes esperanças nas criaturas descobrirá que elas falham justamente na hora em que mais são necessárias. Mas os que confiam em Deus encontram socorro no tempo oportuno (Hebreus 4:16). Os que fazem da riqueza a sua esperança um dia se envergonharão dela e da confiança que nela colocaram (Ezequiel 7:19). Quanto mais confiaram nela, maior será a vergonha: “Foram envergonhados por terem confiado” (Jó 6:20).
Nós mesmos criamos nossa decepção quando construímos nossas esperanças sobre coisas frágeis. Canas se quebram se nos apoiarmos nelas. Uma casa construída sobre a areia cairá na tempestade, e a culpa será nossa por esperar que ela ficasse de pé. Não somos verdadeiramente enganados a não ser quando nos enganamos a nós mesmos.
Jó então aplica isso diretamente aos seus amigos: “Pois agora sois como nada” (Jó 6:21). Eles pareciam importantes, mas, no falar, nada acrescentaram a ele. Ele não saiu mais sábio nem melhor depois da visita deles. Isso traz uma lição. Por mais úteis, queridos ou impressionantes que as pessoas pareçam, chega uma hora em que temos de dizer: “Você não é nada”. Quando Jó era próspero, seus amigos significavam algo para ele, e ele se alegrava em sua companhia. Mas agora ele só podia encontrar consolo em Deus.
Seria bom para nós ter essa mesma visão clara do vazio das coisas criadas e da incapacidade delas de nos fazer verdadeiramente felizes. Às vezes aprendemos isso em um leito de enfermidade, de morte ou sob profunda convicção de pecado: “Você não é nada. Você não é o que era, não é o que deveria ser, não é o que diz ser, nem o que eu pensei que seria, pois vê a minha queda e tem medo.”
Quando você me viu em sucesso, tratou‑me com calor e amizade. Mas agora que me vê abatido, se afasta de mim. Você tem medo de mostrar bondade, porque pensa que isso pode encorajar‑me a pedir mais, ou a tomar emprestado de você, como em (Jó 6:22). Parece temer que, se admitir qualquer vínculo comigo, acabe sendo obrigado a me sustentar.
Talvez também tivessem medo de pegar a doença dele, ou até de ficar perto do seu mau cheiro. Mas é errado, seja por orgulho ou por excesso de delicadeza, seja por apego ao dinheiro ou ao próprio conforto, afastar‑se dos aflitos e temer chegar perto deles. A situação deles pode, em breve, ser a nossa.
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Deste capítulo
Jó 6:1
"Então Jó respondeu, dizendo:"
Jó 6:2
"Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!"
Jó 6:3
"Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido engolidas."
Jó 6:4
"Porque as flechas do TodoPoderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim."
Jó 6:5
"Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?"
Jó 6:6
"Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?"
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