Versículo em destaque

Jó 38:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar; "

Jó 38:12

menu_book Versículo no contexto

10 Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos,

11 E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?

12 Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar;

13 Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela;

14 E se transformasse como o barro sob o selo, e se pusessem como vestidos;

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auto_stories Comentário Bible Guided

O Senhor passa a fazer a Jó muitas perguntas difíceis para mostrar o quanto ele sabe pouco. Assim, Deus humilha Jó por ter tentado dizer a Deus o que fazer. Se nós mesmos nos examinássemos com perguntas como essas, logo admitiríamos que o que sabemos é muito pequeno em comparação com o que ignoramos.

Jó é desafiado a explicar seis coisas. A primeira são as “fontes da manhã”, a alva que vem do alto (Jó 38:12-15). De todas as coisas visíveis, a luz é uma das mais certas, mas também uma das mais difíceis de descrever. Alegramo-nos com a manhã, mas não fomos nós que a fizemos, e ela existe muito antes de nós.

Não fomos nós, nem qualquer outro ser humano, que trouxemos a manhã. Ninguém determinou o primeiro lugar onde a luz deveria nascer, brilhar e aparecer. O ciclo regular de dia e noite nunca foi plano nosso. Ele manifesta a glória e a obra de Deus, não as nossas (Salmo 19:1, 2).

Também não podemos alterar essa ordem. Jó é, na prática, perguntado se alguma vez mandou que a manhã viesse mais cedo ou moveu a madrugada para se ajustar às suas próprias necessidades. Evidentemente, não. Então, por que pensaria que pode dirigir os planos de Deus ou esperar que a Providência, o governo sábio de Deus sobre a vida, se molde a ele?

Deus determinou que a alva visite a terra. A luz da manhã se espalha rapidamente pelo ar, como o barro que recebe a forma de um selo ou carimbo (Jó 38:14). A cada manhã, a terra parece vestir uma nova roupa, pois a luz a recobre como um manto.

Essa luz também é um terror para os malfeitores. Para a maioria, a luz da manhã é consolo: agradável aos olhos e útil à vida e ao trabalho, alcançando toda a terra (Jó 38:13). Mas Deus nota que quem pratica o mal odeia a luz porque ela os expõe. Assim, Deus usa a luz como serva tanto da misericórdia quanto da justiça.

A manhã é destinada a sacudir os ímpios da terra, como quem sacode o pó e as traças de uma roupa. Jó já havia observado que criminosos temem o dia porque a luz os denuncia (Jó 24:13 em diante). Agora Deus aponta para isso e pergunta se Jó merece crédito por tal ordem. O grande Juiz envia os raios da manhã como mensageiros para desmascarar os malfeitores, para que sejam expostos, envergonhados e julgados (Jó 38:15). Sua luz lhes é retirada, sua força é quebrada e seu poder de praticar o mal é interrompido.

Se essa figura da luz da manhã também quis apontar para a luz do evangelho de Cristo, não se afirma com certeza, mas ela nos lembra das palavras ditas no nascimento de Cristo. Zacarias louvou a Deus porque a “alva” do alto nos visitou, para alumiar os que estão em trevas (Lucas 1:78). Maria também louvou a Deus por espalhar os soberbos e derrubar os poderosos de seus tronos (Lucas 1:51). No evangelho, Deus manifesta sua força fazendo brilhar uma luz que expõe o mal e quebra o seu poder.

A segunda coisa sobre a qual Jó é inquirido são as fontes do mar (Jó 38:16). Teria ele descido até elas ou andado no fundo do abismo? Sabe o que há no leito do mar ou que tesouros estão ocultos na areia? Pode explicar de onde vêm as águas do mar? Vapores sobem continuamente do oceano; sabe ele como são renovados? Rios correm sem cessar para o mar; sabe ele como o mar não transborda e não inunda a terra? Conhece Jó os caminhos ocultos debaixo da terra pelos quais as águas se movem?

O governo de Deus sobre o mundo é dito estar no mar e nas grandes águas (Salmo 77:19). Isso indica que sua obra ali é escondida de nós e não nos cabe sondá-la. O mar nos lembra que Deus governa grande parte da criação de formas que não conseguimos rastrear.

A terceira coisa são as portas da morte. Teria Jó visto essas portas se abrirem para ele? A morte é um grande mistério. Não sabemos de antemão quando, como ou por que meios nós ou outros vamos morrer. Não sabemos qual enfermidade ou acidente será a porta de entrada para o lugar destinado a todos os viventes. O ser humano não conhece o seu tempo.

Também não conseguimos explicar o que é, em si, a morte. Não sabemos descrever plenamente como o vínculo entre corpo e alma se rompe, nem como o espírito do ser humano sobe (Eclesiastes 3:21). Não sabemos com certeza o que nos aguarda, nem como é ordenado esse mundo invisível. É sabedoria cuidar para que, além da morte, as portas do céu estejam abertas para nós. Assim, não temeremos a abertura das portas da morte, ainda que por elas passemos apenas uma vez.

Também não temos contato com as almas que partiram, nem conhecimento real de sua condição. Elas se foram para um lugar escondido e ainda não descoberto para nós. Não podemos ouvi-las, nem mandar recados a elas. Enquanto vivemos neste mundo dos sentidos, falamos do mundo dos espíritos como cegos falando de cores. Quando nós mesmos chegarmos a esse mundo, ficaremos admirados ao ver quanto nos enganamos.

A quarta coisa é a largura da terra (Jó 38:18). Teria Jó entendido isso? À primeira vista, essa poderia parecer a questão mais simples de responder, pois ele vive na terra. Deus deu a terra aos filhos dos homens.

Mas quem já mediu toda a terra ou contou exata­mente cada um de seus campos? Em comparação com o universo, a terra é apenas um pequeno ponto. E mesmo esse pequeno mundo é difícil para nós medirmos com precisão. Jó nunca havia navegado ao redor do globo, e ninguém antes dele o fizera. O conhecimento humano sobre a largura da terra era tão pequeno que, até poucas eras atrás, um imenso continente como a América ainda era desconhecido, escondido do saber humano desde tempos imemoriais.

A grandeza de Deus é mais longa que a terra e mais larga que o mar. É, portanto, presunção que nós, incapazes de medir nem mesmo a terra, pretendamos sondar as profundezas dos propósitos de Deus. A passagem então se volta para o lugar e o caminho da luz e das trevas. Antes, Deus havia falado da alva; agora retoma o tema. “Onde está o caminho da morada da luz?” e, de novo: “Por que caminho se reparte a luz?” Deus desafia Jó a explicar como a luz e as trevas começaram.

Quando Deus primeiro espalhou trevas sobre a face do abismo e, depois, pela sua poderosa palavra disse: “Haja luz”, Jó estava lá para ver a ordem e a obra? Ele pode dizer onde estão as fontes da luz e das trevas, ou onde esses grandes poderes mantêm seus lugares determinados, enquanto, num mesmo mundo, se revezam no governo do tempo? Podemos ansiar pelo nascer do sol ou pelo cair da tarde, mas não sabemos onde ir para buscá-los, nem o caminho até sua morada. Ainda não havíamos nascido, e nossos dias são curtos demais para descrever o nascimento daquele primeiro elemento da criação, a luz.

Então, deveríamos tentar falar dos propósitos eternos de Deus, ou achar o caminho de sua morada para pedir alterações neles? Deus se gloria nisto: ele forma a luz e cria as trevas. Se precisamos aceitar ambas quando vêm, sem murmurar contra nenhuma, então também devemos aprender a aceitar tanto a paz quanto a aflição que Deus traz (Isaías 45:7).

Deus também faz com que o ir e vir da manhã e da tarde sejam motivo de júbilo (Salmo 65:8). O movimento deles obedece à sua ordem, não à nossa. Não sabemos sequer de onde vêm nem para onde vão (Jó 38:24). “Por que caminho se reparte a luz?” De manhã, a luz se espalha de repente por toda a faixa do céu acima do horizonte, como se fosse levada nas asas de um vento oriental. Ela dissipa as trevas da noite como o vento leste espalha as nuvens. Por isso a Escritura fala das asas da alva, porque a luz é conduzida até as extremidades do mar e se estende sobre a terra (Salmo 139:9).

É uma mudança admirável que nos envolve toda manhã, quando a luz volta, e toda noite, quando as trevas retornam. Mas, por esperarmos isso, não nos espantamos nem nos perturbamos. Do mesmo modo, se aprendêssemos a esperar mudanças em nossa condição exterior, não esperaríamos um eterno meio-dia na hora mais clara, nem perderíamos a esperança de manhã na noite mais escura. Deus pôs um em frente ao outro, como dia e noite, e devemos aprender a fazer o mesmo (Eclesiastes 7:14).

A passagem então fala dos tesouros da neve e do granizo (Jó 38:22, 23). Deus pergunta: “Entraste tu nos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva?” Neve e granizo se formam nas nuvens e descem em tal abundância que parece haver tesouros acumulados nas alturas. Na verdade, eles são formados na hora, de repente, conforme a necessidade do momento.

Às vezes, surgem exatamente quando a providência de Deus assim determina, para socorrer o seu povo ou para enfrentar seus inimigos. Então, é como se estivessem guardados em grandes depósitos, como provisão de armas, munições e mantimentos, preparados para o tempo da angústia, o dia da peleja e da guerra. Deus pode contender com o mundo inteiro, como fez no dilúvio, quando as janelas do céu se abriram e as águas foram tiradas desses tesouros para afogar um mundo ímpio que guerreava contra o céu. Ou pode lutar contra certas pessoas ou nações, como quando tirou desses tesouros grandes pedras de saraiva para pelejar por Israel contra os cananeus (Josué 10:11).

Como é insensato lutar contra Deus, já que ele está tão perfeitamente preparado para a batalha e a guerra. Muito melhor é fazer paz com ele e permanecer em seu amor. Deus pode lutar com igual eficácia usando a neve e o granizo, se assim escolher, como faz com o trovão e o relâmpago ou com a espada de um anjo.

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