Versículo em destaque

Jó 38:4 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. "

Jó 38:4

menu_book Versículo no contexto

2 Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?

3 Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.

4 Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.

5 Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?

6 Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Para humilhar Jó, Deus primeiro lhe mostra como ele sabe pouco, até mesmo a respeito da terra e do mar. Essas realidades estão perto de nós e são imensas, mas Jó não consegue explicar como começaram. Se ele não pode explicar isso, como poderia explicar o céu acima, o abismo abaixo, as menores partes da matéria ou, acima de tudo, os planos ocultos de Deus?

Deus começa pela criação da terra. Se Jó afirma ter tanta profundidade para entender os propósitos divinos, que comece explicando o mundo sob seus pés, que Deus deu aos homens. Que diga onde estava quando o mundo inferior foi feito e se colaborou naquele grande trabalho (Jó 38:4). Deus diz, em essência: “Você faz grandes afirmações, mas onde estava quando lancei os fundamentos da terra?” Isso manifesta a grandeza e a glória de Deus. Ele é o único Deus vivo e verdadeiro, o Deus de poder (Isaías 40:21; Jeremias 10:11-12), e isso deve nos levar a confiar nele em todo tempo (Isaías 51:13,16).

Ao mesmo tempo, isso mostra a fraqueza e a pequenez do ser humano. “Onde estavas tu então?”, Deus pergunta ao homem que tinha feito um grande nome e falava como se entendesse os conselhos do Altíssimo. Nós simplesmente não estávamos lá. Nem sequer existíamos quando o mundo foi feito. O primeiro homem não estava presente, e nós muito menos. Cristo é honrado porque estava lá quando tudo isso foi feito (Provérbios 8:22 em diante; João 1:1-2), mas nós somos de ontem e nada sabemos. Por isso, não devemos criticar as obras de Deus nem tentar dirigi-lo. Ele não pediu o nosso conselho quando criou o mundo, e, no entanto, tudo foi bem feito. Por que esperar que ele se deixe dirigir por nós no governo do universo?

Deus então desafia Jó: se puder, que descreva como o mundo foi feito e como essa estrutura tão firme e bela foi formada. Os que afirmam entender mais do que os outros devem ser capazes de provar isso. Que Jó mostre seu conhecimento por meio de suas palavras. Que explique como o mundo foi moldado com tanta exatidão, equilíbrio e harmonia entre todas as suas partes (Jó 38:5). “Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?” pergunta Deus. Teria Jó sido o construtor que fez o plano e mediu tudo conforme ele? A terra é imensa, mas foi formada com o cuidado de algo traçado a régua e cordel. E, no entanto, quem consegue explicar como ela recebeu exatamente essa forma?

Deus também pergunta como a terra se tornou tão firmemente estabelecida. Ela pende sobre o nada, mas permanece firme e não pode ser abalada. Quem pode dizer sobre o que repousam os seus fundamentos, para que não afunde sob o próprio peso, ou quem lhe assentou a pedra de esquina, para que suas partes não se desfaçam (Jó 38:6)? O que Deus faz durará para sempre (Eclesiastes 3:14). Não devemos, portanto, achar defeito em sua obra, nem precisamos temer por ela. Sua criação permanecerá e cumprirá plenamente o propósito para o qual foi feita. Seu governo sobre todas as coisas é tão firme quanto o seu ato de criar, e a obra da redenção não é menos segura. Cristo é tanto o fundamento quanto a pedra angular dessa obra. A igreja permanece tão firme quanto a terra.

Deus então convida Jó, se puder, a repetir os cânticos de louvor que foram entoados naquele grande momento (Jó 38:7). As estrelas da alva são os santos anjos, os primeiros luminares na aurora do tempo. Eles brilhavam antes da luz que Deus fez resplandecer das trevas sobre a terra primitiva, ainda sem forma e vazia. Esses filhos de Deus irromperam em júbilo quando viram serem lançados os fundamentos da terra. O mundo não foi feito para eles, mas para os homens, e acrescentaria algo à sua obra e ao seu serviço. Contudo, eles sabiam que a Sabedoria eterna e o Verbo, a quem deveriam adorar (Hebreus 1:6), se alegraria nas terras habitadas e teria suas delícias com os filhos dos homens (Provérbios 8:31).

Os anjos são chamados filhos de Deus porque refletem em grande medida a sua semelhança, habitam em sua casa no alto e o servem como um filho serve ao pai. Aqui aprendemos que a glória de Deus como Criador deve ser celebrada com alegria e triunfo por todas as criaturas que pensam. Elas existem também para recolher e expressar o louvor que se eleva das criaturas inferiores, que glorificam a Deus simplesmente exibindo a sua obra. Aprendemos igualmente que louvar a Deus é tarefa própria dos anjos. Quanto mais nos entregamos a um louvor humilde, grato e alegre, tanto mais fazemos a vontade de Deus assim como eles fazem.

Os anjos também louvaram a Deus em conjunto, com um só coração e uma só voz. Não havia desarmonia em seu cântico. A mais doce harmonia se encontra no louvor a Deus. E todos eles o fizeram, inclusive aqueles que mais tarde caíram e abandonaram o seu estado original. Até mesmo quem já louvou a Deus pode, pelo poder enganoso do pecado, chegar a blasfemá-lo. Ainda assim, Deus será louvado para sempre.

Em seguida, Deus fala do mar e de como lhe fixou limites (Jó 38:8 e seguintes). Isso remete ao terceiro dia da criação, quando Deus disse: “Ajuntem-se as águas debaixo do céu num lugar” (Gênesis 1:9), e assim aconteceu. Do grande abismo, onde terra e água estavam misturadas, as águas irromperam à ordem de Deus, como uma criança que sai do ventre (Jó 38:8). As águas que cobriam o abismo e se elevavam acima dos montes recuaram depressa. À repreensão de Deus, fugiram (Salmo 104:6-7).

Essa “criança” recém-nascida é então vestida e envolvida (Jó 38:9). A nuvem se torna a sua cobertura, e a escuridão espessa — representando margens tão distantes que não se veem umas às outras — é como faixas que a envolvem. Assim vemos com quanta facilidade o grande Deus governa o mar bravio. Embora suas marés sejam fortes e suas ondas poderosas, ele o maneja como uma ama maneja uma criança enrolada em panos. A Escritura não diz que ele usou rochas e montanhas como faixas, mas nuvens e trevas, coisas que menos imaginaríamos servir a esse propósito.

Há também um “berço” preparado para esse bebê. Deus diz: “Quando eu lhe tracei limites”, isto é, quando estabeleceu para o mar uma morada fixa (Jó 38:10). Vales foram abertos nas profundezas da terra, largos o bastante para contê-lo, e ali ele permanece em repouso. Se às vezes as tempestades o agitam, isso, como observou o bispo Patrick, é apenas o balanço do berço, que o faz dormir ainda mais profundamente.

O mesmo se aplica ao mar e a cada um de nós: Deus estabeleceu um lugar certo para tudo. Aquele que determinou de antemão os tempos também fixou os limites da nossa habitação. Para esse “bebê”, agora tornado feroz e perigoso em razão do pecado humano, origem de tanta inquietação e perigo neste mundo inferior, Deus também preparou uma prisão. Ele lhe pôs barreiras e portas (Jó 38:10). Assim, contém seu orgulho e diz: “Até aqui virás, e não mais adiante”.

O mar pertence a Deus porque ele o fez, e também porque o contém. Ele lhe diz: “Aqui se quebrarão as tuas ondas arrogantes” (Jó 38:11). Isso mostra o poder de Deus sobre o mar. Ainda que seja tão vasto e seu movimento possa ser violentamente forte, Deus o mantém sob controle. Suas ondas não se erguem mais alto, e suas marés não avançam além do que ele permite.

Isso deve nos encher de reverência diante de Deus (Jeremias 5:22). E também deve nos encorajar a confiar nele, pois aquele que acalma o bramido do mar e o ruído das suas ondas pode, quando quer, serenar também o tumulto dos povos (Salmo 65:7). Devemos ainda reconhecer nisso um ato de misericórdia para com a raça humana e um exemplo de sua paciência com um mundo pecador. Ele poderia facilmente cobrir de novo a terra com o mar, e cada maré que entra duas vezes ao dia parece nos advertir desse poder. Mesmo assim, ele o detém, porque não quer que ninguém pereça, e reservou este mundo atual para o dia do fogo (2 Pedro 3:7).

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