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Jó 35:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Respondeu mais Eliú, dizendo: "

Jó 35:1

menu_book Versículo no contexto

1 Respondeu mais Eliú, dizendo:

2 Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?

3 Porque disseste: De que me serviria? Que proveito tiraria mais do que do meu pecado?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui começamos a ver as más palavras com que Eliú acusa Jó, em (Jó 35:2-3). Para mostrar que essas palavras eram erradas, ele apela ao próprio Jó e ao seu juízo mais sereno: “Considera se isso é justo.” Eliú está confiante de que sua correção é justa, porque pode deixar a questão à consciência de Jó. Quem tem a verdade e a equidade ao seu lado acabará encontrando a consciência confirmando o que diz.

Isso também mostra que Eliú pensava bem de Jó. Ele acreditava que Jó era melhor do que o modo como estava falando e que, quando percebesse o erro, não continuaria defendendo-o. Quando falamos com pressa e dizemos o que não é reto, devemos reconhecer isso assim que, depois, percebemos o engano. Eliú repreende Jó por duas coisas. Primeiro, porque Jó parecia justificar mais a si mesmo do que a Deus, o que foi justamente o que despertou a ira de Eliú no início (Jó 32:2). Em essência, Jó teria dito: “A minha justiça é maior do que a de Deus”, como se tivesse feito mais por Deus do que Deus por ele. Isso implicaria que Jó achava que o seu serviço foi mal recompensado e que seus pecados foram castigados com excesso, pensamento gravemente errado para qualquer pessoa, quanto mais para dizê-lo em voz alta.

Quando Jó insistia tão fortemente na sua própria inocência e na severidade dos tratos de Deus para com ele, na prática estava dizendo: “A minha justiça é maior do que a de Deus.” Mas, mesmo que alguém seja muito piedoso e sofra muito, ainda assim quem está em falta é o homem, não Deus. Em segundo lugar, Eliú diz que Jó estava rejeitando indevidamente os proveitos da religião por causa do sofrimento: “Que vantagem terei em me limpar do meu pecado?” (Jó 35:3). Ele tira isso das palavras de Jó em (Jó 9:30-31), onde Jó disse que, ainda que lavasse as mãos na inocência, Deus o lançaria na cova, e de (Jó 10:15), onde Jó afirmou que, se fosse ímpio, ai dele, mas, se justo, parecia não fazer diferença.

O salmista também foi tentado dessa forma quando comparou suas aflições com a tranquilidade dos ímpios e concluiu: “Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração” (Salmo 73:13). Se Jó falasse assim, voltaria a dar a entender que a sua justiça era maior do que a de Deus (Jó 35:9), pois, se a religião não lhe trouxesse benefício algum, então seria Deus quem lucraria com Jó, e não Jó com Deus. Ainda assim, não era justo lançar essa acusação sobre Jó dessa maneira. Jó havia posto tais palavras apenas na boca dos pecadores prósperos (Jó 21:15), que dizem: “Que é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?”, e logo em seguida ele rejeitou esse tipo de linguagem: “O conselho dos ímpios está longe de mim” (Jó 21:16). Não é argumento justo atribuir a alguém as consequências de opiniões que ele claramente recusou.

Eliú então dá a sua resposta, em (Jó 35:4): “Eu te responderei a ti e aos teus companheiros contigo.” Ele pretende responder a Jó, a todos os que concordam com Jó e a todos os que falam como Jó. Diz que tem uma resposta que irá calar a todos. Para isso, volta ao seu ponto principal em (Jó 33:12): Deus é maior do que o homem. Essa verdade, usada corretamente, serve a muitos bons propósitos, especialmente a este: Deus não é devedor de ninguém. O maior entre os homens pode dever algo ao menor, mas a distância entre Deus e o homem é tão imensa que Deus jamais pode receber algum benefício real de nós. Portanto, não pode estar em dívida conosco. Se está vinculado por sua promessa, isso é apenas por causa da sua própria vontade e fidelidade.

Ninguém pode contestar essa afirmação, como diz (Romanos 11:35): “Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” Por que exigir lucro da religião como se fosse dívida, como Jó parecia fazer, se o Deus a quem servimos não ganha nada com o nosso serviço? Eliú não precisa provar que Deus está acima do homem, pois todos admitem isso. Em vez disso, ele quer imprimir essa verdade na mente de Jó, apontando para a altura dos céus e das nuvens (Jó 35:5). Elas estão muito acima de nós, e Deus está muito acima delas. Como, então, os nossos pecados poderiam alcançá-lo, ou os nossos serviços enriquecê-lo? “Olha para os céus e vê; contempla as nuvens.” Deus fez o homem reto e lhe deu uma mente que olha para o alto.

Os idólatras olhavam para cima e adoravam o sol, a lua e as estrelas, o exército dos céus. Nós também devemos olhar para o alto, mas para adorar o Senhor que fez esses astros. Os céus são mais altos que nós, mas Deus está infinitamente acima deles. “A sua glória se estende sobre os céus” (Salmo 8:1), e “a sabedoria de Deus é mais alta do que os céus” (Jó 11:8). Disso Eliú conclui que Deus não é realmente afetado, para melhor ou para pior, pelo que fazemos. Os homens podem ajudar ou prejudicar uns aos outros. A maldade de alguém pode ferir outro semelhante a si, talvez em coisas exteriores. Um ímpio pode ferir, roubar ou caluniar o próximo, ou até induzi-lo ao pecado e prejudicar sua alma.

Da mesma forma, a sua justiça, sua retidão, generosidade, sabedoria e devoção podem ser de grande ajuda a outro ser humano. A nossa bondade alcança os santos que estão na terra (Salmo 16:3). Em relação a pessoas como nós, podemos fazer tanto dano quanto bem. Em ambos os casos, o Senhor, Juiz de todos, toma conhecimento. Ele recompensará os que fazem o bem a suas criaturas e punirá os que lhes fazem mal.

Mas Eliú nega com firmeza que Deus possa ser prejudicado ou ajudado por qualquer coisa que alguém faça, ainda que seja a pessoa mais importante da terra. Os pecados dos piores pecadores não causam dano a Deus (Jó 35:6). Se você peca deliberadamente contra ele, e se os seus pecados se acumulam de novo e de novo, o que, de fato, você faz contra ele? Essa é uma provocação à natureza humana orgulhosa e desafia o mais ousado pecador a fazer o seu pior. Mostra a grandeza e a glória de Deus, pois nem mesmo os seus inimigos mais fortes conseguem realmente feri-lo.

O pecado é dito ser contra Deus porque o pecador o pretende assim, e porque Deus o considera uma ofensa à sua honra. Ainda assim, não pode efetivamente fazer nada contra ele. A intenção maligna dos pecadores é fraca e impotente. Ela não pode destruir o ser de Deus nem a sua natureza perfeita. Não pode tirá-lo do trono nem abalar o seu domínio. Não pode perturbar a sua paz, frustrar os seus planos, nem diminuir a sua glória. Por isso Jó falou mal quando perguntou: “Que proveito tenho em me limpar do meu pecado?” Deus não lucrou com a reforma de Jó, e, se Jó também não lucrasse com isso, quem lucraria?

Os serviços dos melhores santos também não trazem lucro a Deus (Jó 35:7). “Se fores justo, que lhe dás, ou que recebe ele da tua mão?” Ele não necessita do nosso serviço. Se houvesse obra que precisasse ser feita para ele, há mãos muito melhores que as nossas para realizá-la. A nossa religiosidade nada acrescenta à sua felicidade.

Ele está tão longe de precisar de nós, que nós é que lhe devemos tudo. Devemos a ele por nos tornar justos, ou seja, em boa relação com ele, e por aceitar a nossa justiça. Por isso, não podemos exigir nada dele como se fosse obrigação. Não temos motivo para nos queixar se não recebemos o que esperamos. Antes, devemos ser gratos porque ele nos dá muito melhor do que merecemos.

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