Versículo em destaque
Jó 31:16 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva, "
Jó 31:16
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
14 Então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia?
15 Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?
16 Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva,
17 Ou se, sozinho comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele
18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e fui o guia da viúva desde o ventre de minha mãe),
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As Bem-Aventuranças (5 Dias)
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Elifaz havia acusado especialmente Jó de ser cruel com os pobres (Jó 22:6), dizendo que ele negara pão ao faminto, tirara a roupa do nu e despedira as viúvas de mãos vazias. Elifaz falou como se tivesse certeza disso, mas a própria defesa de Jó mostra que a acusação era falsa. Nesta parte do seu discurso, Jó apresenta o testemunho da própria consciência a respeito de como tratava os necessitados.
Jó afirma que nunca foi relutante em fazer o bem aos pobres sempre que tinha oportunidade. Ele sempre foi compassivo, especialmente com viúvas e órfãos que não tinham ninguém para ajudá‑los. Se um pobre lhe pedia socorro, ele estava pronto para dar. Mesmo que uma viúva apenas o olhasse com esperança silenciosa, ele tinha piedade suficiente para responder, e nunca deixava “desfalecer os olhos da viúva”, negando‑lhe ajuda.
Ele também demonstrava honra aos pobres. Levava crianças órfãs para comerem com ele à sua própria mesa, de modo que compartilhavam de sua comida e eram tratadas como hóspedes bem‑vindos (Jó 31:17). A pobreza já é dolorosa por si só; quando se soma a ela o desprezo, o sofrimento é ainda maior. Por isso, o simples respeito é uma verdadeira bondade para com o pobre. Jó diz ainda que cuidava deles como um pai, especialmente dos órfãos, e guiava as viúvas em seus negócios. Há pessoas que não precisam tanto de dinheiro quanto de orientação sábia, e Jó via esse tipo de ajuda como parte da misericórdia.
Jó declara que esse havia sido seu costume desde a mocidade, “desde o ventre de sua mãe”. Ele quer dizer que a ternura pelos fracos foi inculcada em sua vida desde cedo, e que, havia muito tempo, estava acostumado a cuidar de viúvas e órfãos. Seus pais o haviam ensinado a ter pena dos pobres e a socorrê‑los, e ele crescera cercado por esse tipo de compaixão. Não era um hábito novo, aprendido apenas na velhice ou depois de enriquecer.
Ele também se certificava de que tivessem o suficiente para comer e vestir. Não deixava apenas que apanhassem as sobras de sua mesa, mas lhes dava comida dos mesmos pratos de que ele mesmo comia (Jó 31:17). Aqueles que têm abundância não devem comer como se ninguém mais importasse, mas precisam repartir com outros, como Davi fez com Mefibosete. Jó também dava vestes aos que não as tinham, o que podia ser até uma despesa maior do que alimentá‑los (Jó 31:19).
Os pobres podem sofrer tanto pela falta de roupas quanto pela falta de comida, pois necessitam de vestes para o calor e para o uso diário. Se Jó sabia de alguém nessa condição, apressava‑se em ajudá‑lo. Em vez de vestir seus servos com roupas luxuosas enquanto os pobres andavam em trapos, ele mandava fazer roupas quentes com a lã de suas ovelhas para os necessitados (Jó 31:20). Os lombos deles o bendiziam quando vestiam aquelas roupas. Eles louvavam sua generosidade, agradeciam a Deus por ele e rogavam que Deus o recompensasse.
As ovelhas de Jó mais tarde foram destruídas por fogo do céu, mas ele ainda podia se consolar sabendo que as tinha adquirido honestamente e as usado bem. Com a carne delas havia alimentado os pobres, e com a lã os havia vestido. A riqueza é melhor empregada quando é usada com misericórdia.
Jó declara também que nunca participou em ferir os pobres. Alguém poderia dizer que ele era bondoso com alguns órfãos favorecidos, mas duro com outros; contudo, Jó nega isso completamente. Ele foi gentil com todos e injusto com nenhum. Nunca sequer levantou a mão contra o órfão, nunca o ameaçou, amedrontou ou tentou agredi‑lo (Jó 31:21).
Ele não usava seu poder para esmagar os indefesos ou tirar vantagem deles, embora tivesse influência à porta da cidade, onde os assuntos públicos e legais eram decididos. Tinha posição suficiente para fazer o mal e escapar impune, mas escolheu a justiça e a misericórdia. Aqueles que têm poder para oprimir, e oportunidade de lucrar com isso, mas ainda assim se recusam a fazê‑lo, podem depois olhar para sua conduta com verdadeira paz, como Jó faz aqui.
Jó sela essa declaração com uma maldição solene sobre si mesmo, caso tivesse sido culpado de opressão (Jó 31:22). Ele diz que, se tivesse sido cruel com os pobres, então o seu braço deveria cair do ombro e se quebrar do osso. Em outras palavras, que o braço apodreça e se despedace. Ele não falaria com tanta ousadia se não estivesse seguro de sua inocência nesse ponto. Ao mesmo tempo, mostra que Deus justamente quebra o braço que se ergue contra o órfão, como certa vez ressecou o braço de Jeroboão quando este o estendeu contra um profeta.
Jó explica o que o impedia de ser duro ou injusto. Ele temia a destruição de Deus sempre que era tentado a esse tipo de pecado e não suportava a ideia de fazer de Deus seu inimigo (Jó 31:23). Ele vivia em reverente temor diante da grandeza de Deus, lembrando a imensa distância entre o Senhor e ele. Essa consciência da sublimidade de Deus o tornava cuidadoso em toda a sua conduta. Os que oprimem os pobres se esquecem de que há Um mais alto do que todos os altos, que vê e pode julgá‑los (Eclesiastes 5:8).
Ele também temia a ira de Deus. Sabia que, se fizesse injustiça aos pobres, a destruição enviada por Deus certamente se seguiria, e esse temor o refreava. Mesmo as pessoas mais piedosas precisam desse tipo de advertência para se manterem longe do pecado. Isso é especialmente verdadeiro em questões de injustiça e opressão, porque o próprio Deus defende os oprimidos e não deixará o opressor impune. Mesmo quando a salvação de Deus nos consola, seu juízo ainda deve nos tornar vigilantes. Até Adão, antes de pecar, foi contido por uma advertência.
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Deste capítulo
Jó 31:1
"Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?"
Jó 31:2
"Que porção teria eu do Deus lá de cima, ou que herança do TodoPoderoso desde as alturas?"
Jó 31:3
"Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que praticam iniqüidade?"
Jó 31:4
"Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?"
Jó 31:5
"Se andei com falsidade, e se o meu pé se apressou para o engano"
Jó 31:6
"(Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade),"
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