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Jó 31:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem? "

Jó 31:1

menu_book Versículo no contexto

1 Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?

2 Que porção teria eu do Deus lá de cima, ou que herança do TodoPoderoso desde as alturas?

3 Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que praticam iniqüidade?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Os desejos do corpo e o amor ao mundo são dois laços mortais que arruínam muitas pessoas. Jó afirma que teve grande cuidado em se guardar de ambos. Primeiro, ele se preservou das concupiscências da carne. Não se limitou a evitar o adultério, a contaminar a mulher de outro (Jó 31:9), mas todo tipo de pecado sexual com qualquer mulher.

Ele não manteve concubina nem amante. Permaneceu fiel ao leito conjugal, ainda que sua esposa não fosse a mais sábia, a mais amável ou a melhor esposa. Desde o princípio, Deus estabeleceu o matrimônio para que o homem tivesse uma só mulher e se apegasse somente a ela, e Jó se manteve firme nesse desígnio. Embora sua alta posição pudesse tê-lo tentado, sua integridade o preservou.

Jó se encontrava em dor e enfermidade, e isso tornava uma consciência limpa ainda mais consoladora. É grande alívio, no sofrimento, saber que guardamos nosso corpo em pureza e honra, sem entregá-lo a desejos impuros. Aqui vemos tanto a sua resolução quanto os seus motivos.

Sua resolução foi esta: fez aliança com seus olhos, isto é, firmou um compromisso decidido de vigiar o que olhava. Não permitiria que seus olhos se detivessem em nada que pudesse despertar pensamentos ou desejos impuros. Se seus olhos o levassem ao pecado, então teriam de responder por isso com lágrimas de arrependimento. Quem deseja manter o coração puro precisa guardar os olhos, pois os olhos são, ao mesmo tempo, porta de entrada e porta de saída da impureza.

Por isso a Escritura fala de olhos desavergonhados (Isaías 3:16) e de olhos cheios de adultério (2 Pedro 2:14). O primeiro pecado no Éden começou pelos olhos (Gênesis 3:6). Aquilo que não devemos tocar, não devemos desejar. Aquilo que não devemos desejar, não devemos ficar contemplando. Isso inclui as riquezas proibidas (Provérbios 23:5), o vinho proibido (Provérbios 23:31) e a mulher proibida (Mateus 5:28).

Jó também vigiava seus pensamentos. Não permitia a si mesmo nem sequer alimentar um pensamento impuro. A ideia de “como, pois, os fixaria numa virgem?” significa que ele não deixava sua mente se deter numa jovem com desejo impuro. A vergonha pode impedir um homem de buscar abertamente tal pecado, mas somente a graça e o temor de Deus podem impedi-lo até de pensá-lo. Ninguém é realmente puro se não for puro de espírito, bem como de corpo (1 Coríntios 7:34). O ensino de Cristo sobre o sétimo mandamento corresponde ao verdadeiro sentido da lei, e Jó o entendeu melhor do que os fariseus, ainda que estes se sentassem na cadeira de Moisés.

Os motivos de Jó eram mais fortes do que o medo da opinião humana. Ele era movido pelo temor da ira e da maldição de Deus. Sabia que a impureza sexual corta a pessoa de todo bem verdadeiro. “Que porção teria eu de Deus lá de cima?”, pergunta ele (Jó 31:2). Que bênção um pecador impuro pode esperar do Deus puro e santo? Que herança pode esperar do Todo-Poderoso? Toda verdadeira felicidade está em Deus e vem do alto. Os que se revolvem na impureza tornam-se impróprios para a comunhão com Deus agora e para a glória depois. Nada impuro entrará na Nova Jerusalém, a cidade santa.

Ele também sabia que esse pecado traz juízo divino. Se não for abandonado e confessado, termina em ruína. Jó 31:3 fala de destruição, uma ruína súbita e certa, e de um castigo estranho para os que praticam tal mal. Muitos zombam desse pecado e o tratam como leve, como simples desvio da juventude. Mas são enganados por palavras vãs. Por causa dessas coisas, ainda que muitos as considerem pequenas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência (Efésios 5:6). Alguns pecadores são, às vezes, encontrados por Deus de maneiras extraordinárias, e este é um desses pecados. A destruição de Sodoma é exemplo desse castigo estranho.

A expressão também pode significar “alienação”, porque esse pecado afasta o coração de Deus (Efésios 4:18-19). Isso é, ao mesmo tempo, o pecado e o castigo, pois tais pecadores ficam para sempre afastados dele (Apocalipse 22:15). Jó sabia, ainda, que esse pecado não pode ficar oculto diante de Deus. Nenhum pensamento impuro é secreto demais, e nenhum olhar impuro é rápido demais para escapar ao olhar divino. Nenhum ato de impureza pode ser praticado onde Deus não o veja.

Assim, se Jó fosse tentado dessa maneira, detinha-se com este pensamento: “Porventura não vê os meus caminhos?”, como José disse: “Como, pois, faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39:9). Jó mantinha duas coisas diante de si. Primeiro, o olhar onisciente de Deus. É verdade que os olhos de Deus estão sobre todos os caminhos dos homens (Provérbios 5:20-21), mas Jó aplica essa verdade a si mesmo: “Não vê ele os meus caminhos?”. Deus vê a regra que seguimos, a companhia que mantemos, o alvo para o qual caminhamos e as veredas que trilhamos.

Segundo, Jó sabia que Deus não apenas vê, mas também observa atentamente. Ele conta todos os nossos passos, inclusive os passos em falso no cumprimento do dever e todos os desvios para o pecado. Registra cuidadosamente cada ação e cada movimento, porque nos chamará a prestar contas e trará toda obra a juízo. Deus nos observa mais de perto do que nós mesmos, pois quem é que conta os próprios passos? No entanto, Deus conta todos. Portanto, devemos andar com cuidado.

Jó também se guardou do amor ao mundo e evitou todos os caminhos desonestos para obter riqueza. Temeu o lucro proibido tanto quanto o prazer proibido. Em geral, tinha sido honesto e justo em todos os seus negócios e, tanto quanto sabia, não havia prejudicado ninguém. Em Jó 31:5 ele diz que não andou com vaidade, isto é, não recorreu à mentira para conseguir vantagem num negócio.

Não fazia da astúcia, de alegações falsas ou de conversa dupla um modo de vida nos negócios. Alguns vivem de enganar. Fazem o que possuem parecer maior do que é, para que outros confiem neles, ou menor do que é, para que outros esperem menos. Jó não era assim. Sua riqueza não fora adquirida por engano, embora agora estivesse diminuída (Provérbios 13:11).

Ele declara, em essência, que nunca correu para o engano. Aqueles que enganam muitas vezes dependem de rapidez e de raciocínio esperto, mas Jó diz que nunca usou tais dons para isso. Não buscou enriquecer por meios desonestos. Em vez disso, agiu com cautela, para não pecar por descuido.

Ele também afirma que seus passos nunca se desviaram da vereda da justiça e da equidade (Jó 31:7). Não quer dizer apenas que evitou um padrão constante de engano; afirma que não deu sequer um passo fora do caminho da honestidade. Em cada escolha e em cada negócio, precisamos manter-nos próximos às exigências da retidão.

Jó acrescenta que seu coração não seguiu seus olhos. Isso significa que ele não desejou algo só porque o viu e pertencia a outra pessoa. A cobiça é chamada de concupiscência dos olhos (1 João 2:16). Acã viu o objeto proibido e depois o tomou, e isso o levou ao pecado. Um coração que segue os olhos se afastará muito de Deus, porque se fixa apenas no que é visível, e não no que é justo. Nosso coração deve seguir a fé, a consciência e a sã razão; se seguir os olhos, será atraído para aquilo que Deus há de julgar (Eclesiastes 11:9).

Ele acrescenta que nenhuma mancha se apegou às suas mãos. Em outras palavras, não era culpado de adquirir nada por fraude, nem de reter o que pertencia a outrem depois de conhecer a verdade. Negócios injustos deixam marca, tanto sobre os bens quanto sobre a pessoa. Mancham a honra de ambos e, por isso, devem ser temidos. Aqueles que lidam com muito neste mundo às vezes podem manchar as mãos, mas devem lavá-las pelo arrependimento e pela reparação, não permitindo que a mancha permaneça.

Jó então reforça sua declaração. Está tão certo de sua honestidade que se mostra disposto a que seus bens sejam examinados. “Seja eu pesado em justa balança” (Jó 31:6) significa: que minha vida e meus ganhos sejam provados, e se verá que são íntegros. Se tivesse sido desonesto, o veredito seria que ele é leve demais, como no aviso “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”. O homem honesto não teme um exame justo. Ele o acolhe, sabendo que Deus vê sua integridade e a aprova.

Ele também se mostra disposto a perder tudo, se qualquer coisa ilícita for encontrada em sua posse (Jó 31:8). “Se eu semeei, e outro comeu” quer dizer: que outro desfrute do fruto do meu trabalho, como ocorre com os opressores (Jó 5:5). “Seja arrancada a minha novidade” indica: que até as plantas dos seus campos sejam destruídas. Isso mostra que Jó cria que tal pecado merece tal castigo, e que muitas vezes o recebe. Ainda que seus bens já tivessem sido arruinados, e justamente nesse momento a lembrança de alguma culpa pudesse voltar com força à sua consciência, ainda assim ele sabia ser inocente e estava disposto a arriscar os últimos restos de seu patrimônio para comprovar a verdade.

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