Versículo em destaque

Isaías 49:18 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Levanta os teus olhos ao redor, e olha; todos estes que se ajuntam vêm a ti; vivo eu, diz o Senhor, que de todos estes te vestirás, como de um ornamento, e te cingirás deles como noiva. "

Isaías 49:18

menu_book Versículo no contexto

16 Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim.

17 Os teus filhos pressurosamente virão, mas os teus destruidores e os teus assoladores sairão do meio de ti.

18 Levanta os teus olhos ao redor, e olha; todos estes que se ajuntam vêm a ti; vivo eu, diz o Senhor, que de todos estes te vestirás, como de um ornamento, e te cingirás deles como noiva.

19 Porque nos teus desertos, e nos teus lugares solitários, e na tua terra destruída, agora te verás apertada de moradores, e os que te devoravam se afastarão para longe de ti.

20 E até mesmo os filhos da tua orfandade dirão aos teus ouvidos: Muito estreito é para mim este lugar; aparta-te de mim, para que possa habitar nele.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Duas coisas são prometidas aqui. Elas seriam cumpridas em parte quando a comunidade de Israel fosse restaurada depois do exílio, e de forma mais plena quando o evangelho de Cristo plantasse a igreja cristã. Essas duas promessas ainda hoje são motivo de consolo.

Primeiro, a igreja será cheia de muitas pessoas. Isso amplia a promessa do versículo 17, onde se dizia que seus filhos se apressariam para voltar. Aqui a figura é de gente vindo de todos os lados para se ajuntar ao povo de Deus. Nos dias de Isaías, isso significava pessoas subindo a Jerusalém, vindas das terras vizinhas, pois Jerusalém era então o centro do povo do Senhor. Sob o evangelho, significa pessoas sendo unidas, em fé e amor, ao corpo espiritual de Cristo. Todo aquele que vem a Jesus, o Mediador da nova aliança, vem também ao monte Sião, à igreja dos primogênitos (Hebreus 12:22, Hebreus 12:23). É motivo de alegria para a igreja ver muitos se voltando para Cristo (João 4:35).

Os que são acrescentados não serão peso nem vergonha para a igreja, mas sua força e sua beleza. Esta promessa é confirmada com juramento: “Vivo eu, diz o Senhor, que de todos estes te vestirás”. Os muitos que são trazidos completarão a veste da igreja. Quando todos os que Deus escolheu forem trazidos para dentro por um chamado eficaz, então a noiva, a esposa do Cordeiro, estará completamente preparada e adornada (Apocalipse 19:7). Eles farão a igreja parecer honrada e preciosa, e ela os acolherá como a noiva acolhe seus enfeites. Quando novos membros são sérios, santos e dão bom exemplo, são de fato um ornamento para a igreja.

A terra que tinha ficado desolada e vazia será novamente povoada, e mais do que apenas repovoada (Isaías 5:9; Isaías 6:11). Os lugares destruídos e a terra outrora arrasada ficarão tão cheios de habitantes que quase não haverá mais espaço. É bênção derramada até que haja mais do que lugar para receber (Malaquias 3:10). Não será por opressão de inimigos, como se tivessem de se apertar por causa de vizinhos hostis. Pelo contrário, aqueles que antes os devoravam e lhes tomavam a terra estarão longe. O povo de Deus será numeroso, e nenhum estranho inimigo estará entre eles. Assim o reino de Deus entre os homens, que tinha sido enfraquecido e quase esvaziado pela corrupção da comunidade judaica e pelos pecados do mundo gentílico, foi novamente enchido pela ascensão da igreja cristã, com sua graça e glória.

Os novos convertidos também crescerão e se multiplicarão de modo impressionante. Jerusalém, depois de perder tantos filhos pela guerra, fome e exílio, verá surgir outra família em seu lugar, filhos nascidos depois da perda dos primeiros (Isaías 49:20). É como Sete, dado por Deus em lugar de Abel, e como os filhos de Jó, que o Senhor lhe concedeu depois da destruição de sua casa. Deus restaurará o que sua igreja perdeu e guardará para si um povo que o sirva. Após o retorno do cativeiro, Jerusalém recebeu a promessa de ruas cheias de meninos e meninas brincando nelas (Zacarias 8:5). Assim também, depois que os judeus são cortados por causa da incredulidade, a igreja ainda terá muitos filhos, até mais do que quando os judeus pertenciam a ela (Gálatas 4:27).

Serão tantos que os filhos se queixarão de que não há mais lugar. E isso é um bom sinal. É como se dissessem: “Crescemos tanto em número que o lugar é estreito demais para nós”, como os filhos dos profetas em (2 Reis 6:1). Mesmo assim, mais desejarão entrar, e a igreja os receberá de bom grado. A falta de espaço não impedirá nem uns nem outros. Ainda quando os pobres, aleijados, mancos e cegos forem trazidos, haverá lugar suficiente tanto para os que já estão quanto para os que ainda hão de vir (Lucas 14:21, Lucas 14:22).

A mãe também se admirará ao ver como sua família cresce (Isaías 49:21). Ela perguntará: “Quem me gerou estes? Quem os criou para mim?” Eles virão a ela com respeito, afeto e obediência de filhos, e ainda assim ela não sentiu dores de parto por eles, nem trabalhou longos anos em sua criação. Chegam já formados e prontos para ela. Isso a surpreenderá e encherá de alegria, sobretudo porque sua condição tinha sido tão diferente por tanto tempo. A nação judaica tinha perdido seus filhos. Ela estivera desolada, sem arca, sem altar, sem serviço de templo, sinais todos do amor de aliança de Deus. Fora levada para o cativeiro, sendo conduzida de um lugar para outro, sem morada estável e com pouca esperança de criar filhos para Deus ou para si mesma. Tinha ficado solitária e obscurecida, como Sião, de quem ninguém se lembrava.

Isso ensina três coisas. A igreja nem sempre é claramente visível. Há tempos em que ela parece deserta, deixada só e pequena em número. Mas suas desolações não durarão para sempre, e para Deus não é difícil restaurar o que está quebrado. Ele pode até levantar filhos de Abraão das pedras. Às vezes faz isso de modo repentino e surpreendente, como quando uma nação nasce num só dia (Isaías 66:8).

Tudo isso também acontecerá com o auxílio dos gentios (Isaías 49:22). Os judeus foram postos de lado, embora muitos esperassem que a edificação da igreja se desse principalmente entre eles. Mas Deus semeará para si uma igreja por toda a terra e, daí, recolherá rica colheita (Oséias 2:23). Ele levantará sua mão para os gentios, convidando-os e atraindo-os. Já tinha estendido essa mão todo o dia para os judeus, sem que o ouvissem (Isaías 65:2). Isso mostra também o poder de seu Espírito e de sua graça, capaz de torná-los dispostos a vir.

Ele também arvorará um estandarte para eles, isto é, a proclamação do evangelho eterno, ao qual se ajuntarão e sob o qual se alistarão. Eles até trarão os filhos de Sião nos braços. Quer dizer, ajudarão os filhos de Sião que estiverem entre eles a voltar à sua terra, carregando-os com o mesmo cuidado com que um pai leva um filho fraco. Deus pode até levantar amigos para os israelitas que retornam, dentre os próprios gentios. A terra ajudou a mulher (Apocalipse 12:16).

Ou isso ainda pode significar: “Quando eles vierem, trarão seus filhos consigo e os farão teus filhos” (compare Isaías 60:4). Se alguém perguntar: “Quem gerou e criou esse povo?”, a resposta será que nasceram e foram criados entre os gentios, mas agora foram trazidos para dentro da tua família. Que todos os que cuidam de novos convertidos aprendam daqui a tratá-los com mansidão e cuidado, como Cristo que recolhe os cordeirinhos em seus braços e os leva junto ao peito.

A igreja também terá forte e crescente influência entre as nações (Isaías 49:22, Isaías 49:23). Alguns governantes se tornarão protetores da igreja. Reis serão como pais nutrícios, carregando os filhos da igreja em seus braços, como Moisés fez com Israel (Números 11:12), e rainhas, por serem naturalmente mais aptas a amamentar, serão como mães nutrizes. Essa promessa se cumpriu em parte para os judeus depois do exílio. Vários reis persas, como Ciro, Dario e Artaxerxes, mostraram grande bondade para com eles e favoreceram sua causa. A rainha Ester foi uma verdadeira mãe nutriz para os judeus ainda cativos, arriscando a vida para salvá-los.

A igreja cristã, depois de longo período de aflição, encontrou depois algo semelhante em governantes como Constantino e sua mãe Helena, e mais tarde Teodósio e outros, que a ampararam com muita solicitude. Sempre que Deus coloca autoridades piedosas em posição de governo, essa promessa está sendo cumprida. A igreja neste mundo é como uma criança nos primeiros anos, e príncipes e magistrados podem fazer-lhe grande bem. É bênção quando usam sua autoridade para favorecer o que é justo, de modo que seu poder se torne louvor para os que fazem o bem.

Outros, que continuarem se opondo à igreja, serão obrigados a ceder e a se arrepender de sua resistência. Eles se inclinarão diante de ti e lamberão o pó. A promessa feita à igreja em Filadélfia parece ecoar esse texto (Apocalipse 3:9): Deus fará com que alguns, que são como sinagoga de Satanás, venham e adorem prostrados aos pés da igreja. Ou isso pode apontar para a obediência voluntária que reis e nações darão a Cristo, Rei da igreja, à medida que ele se manifestar nela (Salmo 72:11): “Todos os reis se prostrarão perante ele”.

Em tudo isso, duas coisas ficarão evidentes. Primeiro, que Deus é o Senhor, o mais alto governante de todos, e ninguém pode resistir-lhe com sucesso. Segundo, que os que nele esperam, confiando em sua promessa e sujeitando-se à sua vontade, não serão envergonhados. A visão de paz tem seu tempo determinado; quando esse tempo chegar, falará a verdade e não falhará.

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