Versículo em destaque

Jó 22:5 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Porventura não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniqüidades? "

Jó 22:5

menu_book Versículo no contexto

3 Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou algum lucro em que tu faças perfeitos os teus caminhos?

4 Ou te repreende, pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo?

5 Porventura não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniqüidades?

6 Porque sem causa penhoraste a teus irmãos, e aos nus despojaste as vestes.

7 Não deste ao cansado água a beber, e ao faminto retiveste o pão.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Elifaz e seus amigos já tinham julgado Jó, em termos gerais, como um homem ímpio e hipócrita. Mas até aqui nenhum deles havia apresentado acusações específicas. Agora Elifaz faz isso de modo claro e ousado, acusando Jó de crimes graves que, se fossem verdadeiros, até justificariam a dureza com que vinham falando.

Ele diz, em essência: “Fomos cautelosos demais e esperamos por tempo demais. Usamos imagens e advertências, mas Jó continua se recusando a reconhecer sua culpa. Então precisamos dizer diretamente: você é o tirano, o opressor, o homem sem Deus que temos descrito. Não é grande a sua maldade? Não são incontáveis os seus pecados?”. Falando com rigor absoluto, só Deus é infinito, mas Elifaz quer dizer que os pecados de Jó eram sem conta e profundamente perversos. E, de fato, todo pecado, por ser cometido contra a infinita majestade de Deus, carrega em si um tipo de mal sem medida.

Quando Elifaz vai tão longe e fala como se conhecesse a culpa de Jó, aprendemos duas coisas. Primeiro, devemos nos indignar com quem julga e condena injustamente os outros. Se Elifaz acusou Jó falsamente aqui, fez-lhe um mal quase tão grande quanto o dos sabeus e caldeus que o roubaram, pois o bom nome de uma pessoa é mais precioso do que suas riquezas. É contrário à justiça, ao amor e à verdadeira amizade espalhar boatos, suspeitas e suposições maldosas sobre outros, especialmente quando já estão sofrendo.

Segundo, devemos ter compaixão dos que são julgados de forma injusta. Nem mesmo os inocentes estão a salvo de uma língua cruel e mentirosa. Jó, que o próprio Deus havia elogiado como o melhor homem de sua época, é aqui pintado por um de seus amigos, um homem sábio e aparentemente piedoso, como se fosse um dos piores homens vivos. Portanto, não devemos nos surpreender se, às vezes, formos caluniados. Precisamos aprender a suportar maus relatos assim como os bons, e deixar nossa causa nas mãos de Deus, que julga com retidão.

A partir daqui, Elifaz passa às acusações específicas. Em primeiro lugar, ele acusa Jó de opressão e injustiça, dizendo que, nos dias de prosperidade, ele não teria usado sua riqueza e poder para fazer o bem, mas para fazer o mal. Essa acusação era totalmente falsa, como o próprio relato de Jó sobre sua vida mais tarde deixará claro (Jó 29:12, etc.), e como as palavras de Deus acerca de Jó já tinham mostrado no capítulo 1.

Elifaz desdobra essa acusação em várias partes, falando como se pudesse apresentar testemunhas para cada ponto. Ele afirma que Jó tinha sido cruel com os pobres. Como líder, deveria tê-los protegido e cuidado, mas Elifaz suspeita que ele nunca lhes mostrou bondade. Em vez disso, diz que Jó exigia penhor até por pequenas dívidas e o tomava à força, até mesmo de seu próprio irmão, a quem deveria confiar. Afirma ainda que Jó teria despojado os devedores pobres de suas roupas, deixando-os nus, embora a lei de Moisés proibisse esse tipo de tratamento (Êxodo 22:26; Deuteronômio 24:13).

Elifaz prossegue dizendo que Jó não teria mostrado caridade nem mesmo a viajantes pobres ou viúvas. Alega que ele não deu “nem um copo de água fria” aos cansados que pediam, e reteve o pão dos famintos em sua necessidade (Provérbios 3:27). As viúvas carentes, desamparadas depois da morte de seus maridos, teriam sido mandadas embora de mãos vazias e de coração quebrado da porta de Jó. Aqueles que vinham em busca de justiça teriam sido rejeitados, sem serem ouvidos nem auxiliados. Pior ainda, Elifaz diz que “os braços dos órfãos foram quebrados”, isto é, aqueles que mal conseguiam se defender foram ainda mais enfraquecidos. Ele não diz diretamente que Jó fez isso com as próprias mãos, mas deixa a suspeita no ar; e se pessoas sob sua autoridade o fizeram enquanto ele permitia, ele seria igualmente culpado.

Elifaz também afirma que Jó favorecia os ricos e poderosos (Jó 22:8). Se um homem forte fosse culpado, segundo Elifaz, jamais era questionado. Era ele quem possuía a terra e nela vivia em segurança. Se apresentava uma causa injusta, ou se uma causa justa era levantada contra ele, ainda assim vencia nos tribunais de Jó. Enquanto isso, os pobres não eram alimentados à porta de Jó, mas os ricos eram recebidos e honrados à sua mesa. Isso é o oposto da regra de Cristo para a hospitalidade (Lucas 14:12-14), e Salomão diz que quem dá aos ricos, empobrecerá.

Então Elifaz transforma esses pecados imaginários na explicação para o sofrimento atual de Jó (Jó 22:10-11). Ele argumenta que pessoas culpadas de tal comportamento frequentemente acabam exatamente nesse tipo de angústia; logo, Jó deveria ser culpado também. Diz que a providência de Deus costuma frustrar gente assim, de modo que encontra laços e armadilhas por todos os lados, para onde quer que se volte. Na visão de Elifaz, os outros agora tratavam Jó com a mesma dureza com que ele havia tratado os pobres. Além disso, afirma que a consciência provavelmente o estava atormentando, pois nenhum pecado grita mais alto ali do que a falta de misericórdia. Conclui, então, que um medo repentino sacudia Jó, quer ele admitisse isso ou não, pois uma culpa desse tipo só poderia ter essa consequência. Zofar já havia dito algo semelhante antes (Jó 20:19-20).

Elifaz declara que Jó fora reduzido ao fim de sua própria sabedoria, tão confuso que já não sabia o que fazer. Ele afirma que esse era exatamente o estado de Jó naquele momento. Em sua visão, Jó andava em trevas, sem conseguir enxergar por que Deus estava contendendo com ele, nem qual seria o melhor caminho a seguir. A imagem é a de um homem submerso em águas profundas, perdido numa névoa escura e em densas nuvens.

Depois, Elifaz acusa Jó de ateísmo, incredulidade e profundo desrespeito para com Deus. Na cabeça de Elifaz, a injustiça e a dureza de Jó contra o próximo vinham dessa raiz: um homem que não teme a Deus não se importará com as pessoas. Ele o trata como se fosse um epicurista, alguém que admite que Deus existe, mas nega que Ele governe o mundo e cuide dos assuntos humanos.

Elifaz apela a uma doutrina verdadeira, que deveria ter impedido Jó de falar de forma tão dura ou de se defender com tanta veemência. Não está Deus nas alturas dos céus? Certamente está. Nenhum céu é alto demais para Deus, e nos céus mais altos, onde habitam os bem-aventurados e onde sua glória é contemplada, Ele se manifesta de modo especial. Ali é o seu trono e sua corte. Ele está acima das estrelas, e devemos lembrar de sua grandeza sempre que olhamos para o céu.

Mas Elifaz diz que Jó teria usado essa verdade de maneira perversa. Acusa Jó de pegar a própria verdade e voltá-la contra a religião, como se dissesse: “Deus está nos céus; então, como poderia saber o que acontece na terra?”. As pessoas ímpias muitas vezes tentam expulsar o temor de Deus de seus corações expulsando, primeiro, a consciência de que Ele vê todas as coisas. Se conseguem se convencer de que Deus não sabe, sentem-se livres para fazer o que quiserem.

Elifaz pensa que Jó acreditava que Deus não poderia enxergar o que se passa tão abaixo dele, especialmente com as nuvens escuras entre o céu e a terra. Como se Deus tivesse olhos humanos e precisasse de uma linha de visão desobstruída. Mas a distância não impede o Deus que enche todo o espaço, assim como o tempo não impede o Deus eterno. O céu pode parecer distante para nós, mas não é barreira alguma para Ele.

Ou, então, Elifaz pode ter querido dizer que Deus seria grande demais para se ocupar com a terra, como se governar este mundo inferior fosse indigno dele. Ele diz, em resumo, que Deus anda pelo circuito dos céus e está ocupado demais com a própria glória para cuidar de nós. Isso é ao mesmo tempo tolo e pecaminoso. Faz parecer que justiça e misericórdia são um peso para aquele que é infinitamente sábio, santo e bom.

Até o sol, que é apenas uma criatura, alcança a terra com sua luz e seu calor desde a altura em que se move, atravessando inclusive nuvens espessas (Salmo 19:6). Se isso é verdade a respeito do sol, deveríamos duvidar disso em relação ao Criador?

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