Versículo em destaque
Jó 19:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Respondeu, porém, Jó, dizendo: "
Jó 19:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Respondeu, porém, Jó, dizendo:
2 Até quando afligireis a minha alma, e me quebrantareis com palavras?
3 Já dez vezes me vituperastes; não tendes vergonha de injuriar-me.
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Os amigos de Jó o haviam julgado com muita dureza, como se ele fosse um homem perverso apenas porque sofria tão profundamente. Aqui Jó começa a dizer a eles o quanto esse julgamento o machucava. Bildade já tinha iniciado duas falas com a expressão “Até quando?” (Jó 8:2; Jó 18:2), e agora Jó responde a ele do mesmo modo em (Jó 19:2). Quando alguém não gosta do que ouve, aquilo parece demorado e cansativo. Mas Jó tinha muito mais razão para sentir que os amigos estavam sendo longos e cansativos do que eles tinham para dizer isso dele, pois ele só estava se defendendo. Muitas vezes há mais razão para falar em defesa própria, quando estamos certos, do que para atacar os outros, mesmo quando pensamos estar certos.
Jó começa descrevendo a crueldade deles contra ele. Eles entristeciam a sua alma, e isso é pior do que dor no corpo (Salmo 6:2, 6:3). Eram seus amigos. Tinham vindo para consolá‑lo e diziam que o aconselhavam para o seu bem. No entanto, com aparência de sabedoria e piedade, procuravam tirar o pouco consolo que ainda lhe restava em Deus, em sua própria consciência e em seu bom nome. Isso o feriu profundamente. Eles também o despedaçavam com palavras, e deviam ser palavras muito duras e cruéis para produzir tal efeito. Já que as palavras deles o feriam tanto, haverá um acerto de contas por tudo o que for dito duramente contra Cristo e contra o seu povo (Judas 1:15).
Eles também o envergonhavam, manchando o seu nome e atribuindo‑lhe culpas de que ele nada sabia. Para um coração honesto, a censura injusta fere de maneira especial. Fizeram‑se estranhos para ele. Quando a aflição chegou, passaram a se portar de maneira distante e a tratá‑lo como se não o conhecessem, bem diferente de como tinham sido com ele em seus dias prósperos (Jó 2:12). As pessoas são guiadas pelo espírito do mundo, e não por verdadeira honra ou amor, quando se afastam de seus amigos, ou dos amigos de Deus, nos tempos difíceis. O amigo ama em todo o tempo. Eles fizeram mais do que apenas se afastar: exaltaram‑se contra ele (Jó 19:5), olharam‑no de cima e o insultaram quando ele já estava caído. É algo vergonhoso pisar em quem já caiu.
Usaram ainda o sofrimento dele contra ele mesmo. Trataram sua desgraça como prova de que ele era ímpio. Deveriam ter defendido a sua integridade e ajudado Jó a conservar esse consolo em meio às dores, como Paulo fez ao apelar para a sua consciência limpa (2 Coríntios 1:12). Em vez disso, transformaram a vergonha dele em argumento contra a sua inocência. Isso não era apenas falta de bondade; era profundamente injusto. Se a desonra puder ser usada como prova contra uma pessoa, então nenhum homem honesto estará seguro.
Jó, então, torna a falta de amor deles ainda mais evidente. Ele diz que fizeram isso muitas vezes, “estas dez vezes” (Jó 19:3), ou seja, repetidas vezes, como em (Gênesis 31:7) e (Números 14:22). Ele fala como se tivesse contado cada insulto. Esse tipo de lembrança geralmente nasce de um espírito irritadiço e pouco amigável e soa como desejo de vingança. Protegemos melhor a nossa própria paz esquecendo as ofensas do que acumulando‑as. Eles também insistiam em continuar. Pareciam decididos a prosseguir, como Jó diz: “Até quando me afligireis?” (Jó 19:2; Jó 19:5). Quem fala demais raramente acha que já falou o suficiente. Quando a ira abre a boca, muitas vezes a razão deixa de ser ouvida. O pior é que eles não tinham vergonha. Havia motivo de sobra para se envergonharem de sua dureza de coração, de sua falta de bondade e de sua amizade quebrada. Mas, mesmo depois de repetidas advertências, não conseguiam corar.
Jó responde às críticas severas deles mostrando que aquilo que eles condenavam tinha ao menos alguma desculpa, e que eles deveriam ter considerado isso. Ainda que ele tivesse cometido erros de juízo, esses erros eram perdoáveis (Jó 19:4). Em outras palavras, ele diz: “Suponham que eu tenha errado por ignorância ou engano.” Isso pode acontecer com qualquer pessoa, até com alguém piedoso. Errar é humano. Devemos estar prontos a admitir isso a respeito de nós mesmos, pois é tolice imaginar que nunca erramos. Mas Jó acrescenta: “O meu erro fica comigo mesmo.” Isto é: “Falo conforme sei, com honestidade, e não por teimosia. Se estou errado, carrego esse erro comigo e não o imponho aos outros, como vocês fazem. Estou apenas provando a mim mesmo e o meu próprio caminho. Não me intrometo nos assuntos alheios, nem para ensinar, nem para julgar.” Os erros são mais fáceis de suportar quando a pessoa os guarda para si e não perturba os outros com eles. Se alguém tem fé, que a tenha diante de Deus. Outra forma de entender suas palavras é: “Se estou em erro, eu mesmo é que tenho de sofrer por isso, então vocês não precisam tornar as coisas piores. Aliás, já sofro pesadamente por causa disso.”
Até mesmo as queixas irritadas de Jó podiam ser compreendidas, embora não fossem corretas, por causa da grande tristeza e miséria em que ele estava. Se eles quisessem censurar cada palavra de murmuração que ele proferia, ainda assim deveriam considerar a causa que estava por trás dessas queixas antes de julgá‑lo. “Sabei agora que Deus é que me oprimiu”, diz ele (Jó 19:6). Jó quer que eles pensem em três coisas. Primeiro, a sua aflição era muito grande. Ele tinha sido derrubado e não podia levantar‑se por si mesmo. Estava preso como um homem enredado numa rede, sem conseguir escapar.
Segundo, era Deus quem tinha trazido aquilo sobre ele e, nisso, Deus parecia guerrear contra ele. Era a mão de Deus que o havia derrubado, e era a rede de Deus que o retinha. Por isso, seus amigos não deveriam se levantar contra ele também. Já bastava a luta que ele travava com o aparente desagrado de Deus. Que a causa entre Deus e ele fosse resolvida antes que eles começassem a mover outra. É crueldade continuar ferindo aquele a quem Deus já feriu, e agravar a dor daquele a quem o Senhor já feriu (Salmo 69:26).
Terceiro, Jó não encontrava alívio nem esperança de reparação (Jó 19:7). Ele clamava por causa da violência, mas ninguém respondia. Queixava‑se da dor e não encontrava alívio. Queria entender o motivo de seu sofrimento, mas não conseguia descobri‑lo. Apelava ao tribunal de Deus para ver sua inocência confirmada, mas não obtinha audiência, muito menos uma sentença favorável. Deus pode, por algum tempo, parecer voltar‑se contra o seu povo, irritar‑se com as suas orações e não atender os seus clamores. Em tal situação, é compreensível que eles falem com amargura. Ai de nós, se Deus for contra nós!
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Deste capítulo
Jó 19:2
"Até quando afligireis a minha alma, e me quebrantareis com palavras?"
Jó 19:3
"Já dez vezes me vituperastes; não tendes vergonha de injuriar-me."
Jó 19:4
"Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro."
Jó 19:5
"Se deveras vos quereis engrandecer contra mim, e argüir-me pelo meu opróbrio,"
Jó 19:6
"Sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou."
Jó 19:7
"Eis que clamo: Violência! Porém não sou ouvido. Grito: Socorro! Porém não há justiça."
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